12 março 2014, Resistir.info http://www.resistir.info (Portugal)
por James Petras
O regime Obama, em coordenação com seus aliados serviçais, relançou
uma virulenta campanha de âmbito mundial para destruir governos independentes,
cercar e finalmente subverter competidores globais, e estabelecer uma nova
ordem mundial centrada nos EUA-UE.
Prosseguiremos com a identificação dos "ciclos" recentes da
construção do império estado-unidense; os avanços e recuos; os métodos e
estratégias; os resultados e perspectivas. Nosso foco principal é na dinâmica
imperial que conduz os EUA rumo a maiores confrontações militares, até e
incluindo condições que podem levar a uma guerra mundial.
Ciclos imperiais recentes
A construção do império estado-unidense não tem sido um processo linear. As
décadas recentes apresentaram amplas evidências de experiências contraditórias.
Sumariamente podemos identificar várias fases nas quais a construção do império
experimentou avanços amplos e recuos drásticos – com as devidas cautelas.
Estamos a examinar processos globais, nos quais também há contra-tendências
limitadas. Em meio a avanços imperiais em grande escala, regiões particulares,
países ou movimentos resistiram com êxito ou mesmo reverteram a investida
imperial. Em segundo lugar, a natureza cíclica da construção do império de modo
algum põe em dúvida o carácter imperial do estado e da economia e seu
implacável impulso para dominar, explorar e acumular. Em terceiro lugar, os
métodos e estratégicas que dirigem cada avanço imperial diferem de acordo com
mudanças nos países alvo.
Ao longo dos últimos trinta anos podemos identificar três fases na construção
do império.
O avanço imperial da década de 1980 a 2000
No período aproximadamente de meados da década de 1980 ao ano 2000, a
construção do império expandiu-se a uma escala global.
(A) Expansão imperial nas antigas regiões comunistas. Os EUA e a UE
penetraram e hegemonizaram a Europa do Leste; desintegraram e pilharam a Rússia
e a URSS; privatizaram e desnacionalizaram centenas de milhares de milhões de
dólares do valor de empresas públicas, meios de comunicação social e bancos,
incorporaram bases milhares por todas a Europa do Leste na NATO e estabeleceram
regimes satélites como cúmplices voluntários em conquistas imperiais na África,
Médio Oriente e Ásia.
(B) Expansão imperial na América Latina. A partir do princípio da década
de 1980 até o fim do século, a construção do império avançou por toda a América
Latina sob a fórmula de "mercados livre e eleições livres".
Desde o México até a Argentina, regime neoliberais, centrados no império,
privatizaram desnacionalizaram mais de 5000 empresas públicas e bancos,
beneficiando multinacionais dos EUA e da UE. Líderes políticos alinharam-se com
os EUA em fóruns internacionais. Generais latino-americanos responderam
favoravelmente a operações militares centradas nos EUA. Banqueiros extraíram
milhares de milhões em pagamentos de dívida e lavaram muitos milhares de
milhões mais de dinheiro ilícito.