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domingo, 25 de outubro de 2015

Portugal/A CARTA QUE O EXPRESSO SE RECUSOU A PUBLICAR


Eugénio Rosa

A publicação deste texto tem um duplo interesse. Por um lado, a argumentação que coloca, desmonta argumentos da ofensiva em curso visando transformar a segurança social em mais uma área de negócio e fonte de lucro à custa de quem trabalha. Por outro, ilustra mais uma vez a forma como os meios de comunicação social assumem um papel inteiramente instrumental nessa ofensiva – como noutras -- ocultando, censurando e combatendo as opiniões inconvenientes. Como a recente campanha eleitoral mostrou de forma flagrante.

Ver o artigo em PDF http://www.odiario.info/b2-img/372015cartaexpresso.pdfhttp://www.odiario.info/b2-img/372015cartaexpresso.pdf


sábado, 19 de setembro de 2015

NÃO EXISTE CAPITALISMO 'ÉTICO'

16 setembro 2015, Правда.Ру, Pravda.ru http://www.pravda.ru (Россия, Rússia)

[...] numa nação livre em que não sejam permitidos escravos, a riqueza mais segura consiste numa porção de pobres laboriosos. Para fazer a sociedade (que, obviamente consiste de não trabalhadores) feliz, e o povo contente, mesmo nas piores circunstâncias, é necessário que a grande maioria permaneça tanto ignorante quanto pobre. (MANDEVILLE, 1728, p. 212, 213, 328 apud MARX, 1983, p. 189).[1]

Dia 5/9, em postado na internet, o ex-secretário do Trabalho e analista liberal Robert Reich, pergunta "O que aconteceu ao núcleo moral do capitalismo norte-americano?". Não é piada. Falava sério.

Reich escreve:

"Testemunhamos ao longo das últimas duas décadas nos EUA um declínio constante na disposição de quem ocupa as posições de mando no setor privado - em Wall Street e em grandes empresas - para respeitar, um mínimo que seja, padrões de moralidade pública. (...) Executivos de grandes empresas privadas ganham hoje salários 300 vezes superiores ao do trabalhador médio. Os magnatas de Wall Street levam para casa centenas de milhões, ou mais. Os dois grupos manipularam o jogo a favor deles mesmos, ao mesmo tempo em que empurram para baixo os salários do povo trabalhador médio."

A vasta e sempre crescente desigualdade nos EUA e em todo o mundo capitalista é, claro, inegável. A resposta de Reich é desejar uma volta a um tempo passado, a um momento suposto "mais moral"

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

FALEMOS A SÉRIO SOBRE A DESIGUALDADE

21 fevereiro 2014,Resistir.info http://www.resistir.info (Portugal)
http://www.resistir.info/eua/zoltan_11fev14_p.html

por Zoltan Zigedy*

"A tenacidade dos yankees… é resultado do seu atraso teórico e do seu desprezo anglo-saxão por qualquer teoria. E à conta disso são penalizados por uma fé supersticiosa em todos os absurdos filosóficos e económicos, por um sectarismo religioso, e por experiências económicas idiotas, com as quais, apesar de tudo, certas cliques burguesas lucram". Frederich Engels, carta a Sorge , Londres, 6 de Janeiro, 1892. Tradução para inglês de Leonard E. Mins (1938)

Cento e vinte e dois anos depois, os yankees mantêm-se à margem das teorias ao mesmo tempo que se agarram a todos os esquemas peregrinos que prometem restringir o apetite de um sistema capitalista insaciável. Funcionando sem interrupção, o capitalismo gera cada vez maior riqueza para os seus amos enquanto devora todos os outros à sua volta. Da reforma reguladora a estilos de vida alternativos, de políticas fiscais a esforços cooperativos, os auto-proclamados opositores deste monstro económico voraz têm anunciado êxitos recém-cozinhados no seu caminho destruidor. Enquanto… "as pessoas [nos EUA] têm que tomar consciência dos seus interesses sociais, fazendo asneiras atrás de asneiras…", conforme Engels exprimiu numa outra carta para o seu amigo americano Frederich Sorge, os capitalistas satisfeitos continuam a lucrar alegremente.

A brutal acusação de Engel da alergia norte-americana à teoria e a afinidade por um activismo sem norte foi aligeirada por um optimismo baseado mais na esperança do que na realidade: "O movimento vai passar por muitas e desagradáveis fases, desagradáveis especialmente para os que vivem no país e têm que passar por elas. Mas estou firmemente convencido de que as coisas agora vão avançar aí… apesar do facto de que os americanos por enquanto irão aprender quase exclusivamente com a prática e não tanto com a teoria".

Essa convicção pode parecer desajustada hoje visto que muitos do que afirmam a sua oposição ao capitalismo continuam a desprezar a teoria e a investir em esquemas utópicos e a isolar questões escaldantes de uma crítica geral do capitalismo e das suas políticas sociais.

Nada ilustra melhor o diagnóstico de Engels do que a actual discussão pública sobre a desigualdade e a pobreza. É uma tentação