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segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Brasil/“TEMER PODE PROVOCAR UMA GUERRA CIVIL NO BRASIL” -- Requião



18 agosto 2016, Brasil 247 http://www.brasil247.com (Brasil)


O senador Roberto Requião (PMDB-PR), em discurso nesta quinta (18), alertou que o interino Michel Temer (PMDB) promoverá uma guerra civil se congelar gastos públicos por 20 anos, como prevê a PEC 241.

“É a proposta mais idiota e desumana em toda a História”.

Abaixo, assista ao vídeo: 


“Falando português claro e sem eufemismo, na verdade, é a proposta legislativa mais idiota e mais desumana que eu já vi tramitar no Congresso por iniciativa do Executivo, em toda história do Brasil”, fuzilou o senador.

Requião disse que

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Brasil/Dilma reforça plebiscito: Quem deve decidir o futuro do país é o povo



17 agosto 2016, Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)



Em mensagem dirigida à população brasileira e ao Senado, lida nesta terça-feira (16) durante pronunciamento no Palácio da Alvorada, a presidenta eleita Dilma Rousseff reafirmou seu compromisso com a democracia, denunciou o golpe contra seu mandato e defendeu a realização de um plebiscito para que o povo decida sobre uma eventual antecipação das eleições presidenciais.

“Todos sabemos que há um impasse gerado pelo esgotamento do sistema político, seja pelo número excessivo de partidos, pelas práticas políticas questionáveis a exigir profunda transformação nas regras vigentes. Estou convencida da necessidade e darei apoio irrestrito à convocação de plebiscito para consultar a população sobre a realização antecipada de eleições, bem como sobre a reforma política e

Brasil/A Carta Testamento de Getúlio Vargas é uma arma contra o golpe atual

15 agosto 2016, Carta Maior http://cartamaior.com.br (Brasil)

A Carta Testamento que Getúlio nos deixou é um dos mais importantes documentos de referência política e ideológica em defesa dos interesses nacionais.

Fórum 21

 

O Brasil enfrenta um momento histórico de extrema gravidade. Um golpe de estado institucional está prestes a ser consumado, afastando definitivamente uma Presidenta da República eleita com mais de 54 milhões de votos.

E muito do que está em jogo hoje guarda semelhanças profundas com outra conjuntura trágica ocorrida há sessenta e dois anos, quando forças anti-democráticas com idênticos interesses anti-povo e anti-nacionais levaram o Presidente Getúlio Vargas a dar um tiro no próprio peito.

Esse gesto político extremo barrou a tentativa de golpe e levantou grande parte do povo contra líderes de direita, partidos e mídia golpistas de então, derrotando-os fragorosamente. Venceu a democracia e

terça-feira, 19 de abril de 2016

Brasil/“ESTOU TENDO MEUS DIREITOS TORTURADOS, MAS SEI QUE A DEMOCRACIA É O LADO CERTO DA HISTÓRIA” -- Dilma



18 abril 2016, Blog do Planalto http://blog.planalto.gov.br (Brasil)


Em sua primeira declaração após a abertura do processo de impeachment, a presidente Dilma Rousseff disse, nesta segunda-feira (18), em coletiva no Palácio do Planalto, que se sente injustiçada pela decisão da Câmara dos Deputados. Dilma disse que viu todas as declarações dos deputados e que nenhum deles a acusou de crime de responsabilidade.

“Não vi uma discussão sobre o crime de responsabilidade, a única maneira de se julgar um presidente da República no Brasil. Isso porque a Constituição assim o prevê. Ela prevê que é possível [o impeachment] e está escrito, mas a Constituição estipula que é necessário a existência do crime de responsabilidade para que um presidente possa ser afastado do cargo. Isso depois de

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Moçambique/Pesquisa da história da luta de libertação: privilegiar os combatentes

17 de Setembro de 2015, Jornal Notícias http://www.jornalnoticias.co.mz

A pesquisa e recolha de informação sobre a história da luta de libertação nacional feita por diversas instituições interessadas, incluindo as universidades, deve privilegiar os depoimentos dos combatentes e de todos aqueles que directa ou indirectamente viveram e testemunharam o processo de emancipação dos povos e países da região.

O facto foi defendido ontem em Maputo pelo Primeiro-Ministro, Carlos Agostinho do Rosário, na abertura do seminário científico sobre “Os Desafios de Pesquisa da História da Luta de Libertação Nacional na Actualidade”, organizado pelo Centro de Pesquisa da História da Luta de Libertação Nacional (CPHLLN), uma entidade

quarta-feira, 6 de maio de 2015

BRICS, БРИКС∕Putin considera ser inadmissível e cínica tergiversação da história

Pátria Latina http://www.patrialatina.com.br (Brasil)


Moscou, (Prensa Latina) --- O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou nesta terça-feira (05) de inadmissíveis e cínicas as tentativas de tergiversação da história em proveito de interesses políticos conjunturais e advertiu sobre os perigos de glorificar o nazismo na atualidade.

Numa mensagem aos participantes da conferência internacional consagrada ao papel da União Soviética e China na vitória sobre o fascismo e o militarismo, Putin advertiu que constitui um perigo a reabilitação dos nazistas e de seus colaboradores durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Para nós são francamente inaceitáveis as tentativas

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Brasil/Escola de samba de São Paulo celebra história e lenda de Moçambique

2 de Fevereiro de 2015, Rádio Moçambique http://www.rm.co.mz (Moçambique)

O baobá, uma árvore de grande porte também chamada de imbondeiro, virá representado no primeiro carro alegórico da escola paulista Nenê da Vila Matilde, o abre-alas, com uma estrutura de cerca de seis metros de altura que terá no seu tronco um rosto de um homem, que, no enredo, apresenta a história de Moçambique.

Sobre o baobá, ainda no mesmo carro, haverá uma escultura de uma águia, símbolo daquela escola. Ao todo, o abre-alas terá cerca de 12 metros de altura por 20 metros de comprimento, segundo o carnavalesco Pedro Alexandre Lacerda, conhecido como Magoo.

"Muitas vezes só chegam aos brasileiros os problemas de Moçambique, os conflitos, a AIDS. Mas há também muita coisa boa, há pessoas que enfrentam as adversidades com um sorriso no rosto, vestindo cores vivas. Queremos que o Brasil conheça melhor esse país",

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Moçambique/Estrangeiros interditos de abrir escolas primárias

22 setembro 2014, Jornal Notícias http://www.jornalnoticias.co.mz (Moçambique)

Os cidadãos estrangeiros estão interditos de criar estabelecimentos de ensino do nível primário no país, segundo o estabelece o Regulamento do Ensino Particular recentemente aprovado pelo Ministério da Educação (MINED).

A medida entra em vigor a 1 de Janeiro de 2015 e, segundo Eurico Banze, porta-voz do MINED, a mesma não tem efeitos retroactivos, razão por que as instituições em funcionamento e criadas por cidadãos estrangeiros deverão se manter funcionais, devendo apenas regularizar a sua situação para se enquadrarem no novo dispositivo.

O mesmo documento

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

FALEMOS A SÉRIO SOBRE A DESIGUALDADE

21 fevereiro 2014,Resistir.info http://www.resistir.info (Portugal)
http://www.resistir.info/eua/zoltan_11fev14_p.html

por Zoltan Zigedy*

"A tenacidade dos yankees… é resultado do seu atraso teórico e do seu desprezo anglo-saxão por qualquer teoria. E à conta disso são penalizados por uma fé supersticiosa em todos os absurdos filosóficos e económicos, por um sectarismo religioso, e por experiências económicas idiotas, com as quais, apesar de tudo, certas cliques burguesas lucram". Frederich Engels, carta a Sorge , Londres, 6 de Janeiro, 1892. Tradução para inglês de Leonard E. Mins (1938)

Cento e vinte e dois anos depois, os yankees mantêm-se à margem das teorias ao mesmo tempo que se agarram a todos os esquemas peregrinos que prometem restringir o apetite de um sistema capitalista insaciável. Funcionando sem interrupção, o capitalismo gera cada vez maior riqueza para os seus amos enquanto devora todos os outros à sua volta. Da reforma reguladora a estilos de vida alternativos, de políticas fiscais a esforços cooperativos, os auto-proclamados opositores deste monstro económico voraz têm anunciado êxitos recém-cozinhados no seu caminho destruidor. Enquanto… "as pessoas [nos EUA] têm que tomar consciência dos seus interesses sociais, fazendo asneiras atrás de asneiras…", conforme Engels exprimiu numa outra carta para o seu amigo americano Frederich Sorge, os capitalistas satisfeitos continuam a lucrar alegremente.

A brutal acusação de Engel da alergia norte-americana à teoria e a afinidade por um activismo sem norte foi aligeirada por um optimismo baseado mais na esperança do que na realidade: "O movimento vai passar por muitas e desagradáveis fases, desagradáveis especialmente para os que vivem no país e têm que passar por elas. Mas estou firmemente convencido de que as coisas agora vão avançar aí… apesar do facto de que os americanos por enquanto irão aprender quase exclusivamente com a prática e não tanto com a teoria".

Essa convicção pode parecer desajustada hoje visto que muitos do que afirmam a sua oposição ao capitalismo continuam a desprezar a teoria e a investir em esquemas utópicos e a isolar questões escaldantes de uma crítica geral do capitalismo e das suas políticas sociais.

Nada ilustra melhor o diagnóstico de Engels do que a actual discussão pública sobre a desigualdade e a pobreza. É uma tentação

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Brasil/Seminário Internacional História, Identidade e Memória dos Ciganos



22 outubro 2013
Fonte: Luiz Carlos Fabbri, Facebook
Caros amigos,

Tenho o prazer em divulgar o Seminário Internacional História, Identidade e Memória dos Ciganos, que estou ajudando a organizar. Será nos dias 26 (abertura), 27 e 28 de novembro no Anfiteatro de História da USP.

O tema é de extrema relevância, neste momento em que as comunidades ciganas são objeto de perseguições racistas na Europa. no quadro das políticas xenofóbicas da maioria dos governos, inclusive os conduzidos por partidos ditos socialistas e similares.

O seminário reúne figuras expressivas do mundo acadêmico e de movimentos políticos de vários países, que procuram resgatar as identidades ciganas e afirmar os seus direitos. No Brasil, a questão cigana começa a ganhar força, com a presença de um número estimado em 600 mil ciganos brasileiros, de várias origens, no nosso país.

Estão todos convidados para participar desta imersão nos conhecimentos e na vivência da cultura cigana. E, por favor, ajudem-nos a divulgar o evento. Segue o programa abaixo.

SEMINÁRIO INTERNACIONAL
HISTÓRIA, IDENTIDADE E MEMÓRIA DOS CIGANOS

domingo, 14 de julho de 2013

A PARTILHA DA ÁFRICA E A RESISTÊNCIA AFRICANA



Portal São Francisco http://www.portalsaofrancisco.com.br (Brasil)

O texto completo encontra-se em PARTILHA DA ÁFRICA http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/africa-do-sul/partilha-da-africa.php



A que pese o esgotamento e as conseqüências nefastas dos quais foram vítimas os povos africanos, diante do tráfico internacional de trabalhadores escravizados, longe ainda estava o território negro, ao longo do século XIX, de ter esgotado sua participação como continente vitimado por ações espoliativas, para a construção e a prosperidade dos atuais estados europeus, ditos civilizados.

O solo e o subsolo africanos eram um atrativo por demais poderosos à ganância imperialista das potências ocidentais, ávidas por aumentar seus domínios mundo a fora - o que hoje chamaríamos de globalização da economia.

O expansionismo europeu pode muito bem ser traduzido através do pensamento de Cecil Rhodes [Conquistador, político inglês, organizador da anexação por parte da Grã-Bretanha de extenso território na África do Sul, dono de grande fortuna conseguida através da exploração de diamantes e ouro na região do Transvaal.]. “... essas estrelas... esses vastos mundos que nunca poderemos atingir.”

E afirmava: “Se eu pudesse, anexaria os planetas.” A conquista ou partilha da África (1884/1885) não se deu, contudo, sem resistência, em que pese a superioridade bélica dos Estados espoliadores.

De todas as formas tentaram os africanos resistir à investida colonialista: lutando de forma aberta, criando sociedades secretas, realizando pactos, ou ainda individualmente. Os povos negros não deram tréguas aos conquistadores que,

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Brasil/Lançamento: “O mundo falava árabe”



Diálogos do Sul http://www.dialogosdosul.org.br (Brasil)

O Espaço Cultural Diálogos do Sul e o Memorial da América Latina convidam para o lançamento do livro “O mundo falava árabe”, de Beatriz Bíssio. Nessa obra, produto de densa pesquisa acadêmica realizada para sua tese de doutoramento, Beatriz Bissio procura traçar, a partir de uma espécie de cruzamento dos textos do historiador Ibn Khaldun (1332-1406) e do viajante Ibn Battuta (1304-1368), um diagrama da civilização do islã clássico, neles encontrando os elementos característicos do autêntico amálgama cultural operado pelos árabes, uma das maiores comunidades de imigrantes radicadas em São Paulo.

 Entrada Franca. Dia 13 de junho, quinta-feira, às 19 horas, na Biblioteca Latino-americana do Memorial da América Latina. Informações: 11 38234780 – Av Auro Soares de Moura Andrade, 664 – Metrô Barra Funda.



 

Participará da conversa com público o professor Mamede Mustafa Jarouche, titular de Letras Árabes da Universidade de São Paulo,

sexta-feira, 10 de maio de 2013

América Latina/Simpósio sobre juventude indígena recebe inscrição de trabalhos até 30 de junho



9 maio 2013, ADITAL Agência Frei Tito para a America Latina http://www.adital.com.br (Brasil)  

Tatiana Félix
Jornalista da Adital

Os/as interessados/as em debater sobre o tema juventude indígena durante o "I Congresso Internacional de Povos Indígenas da América Latina, séculos XIX – XXI. Avanços, perspectivas e desafios”, poderão inscrever seus trabalhos no simpósio "Juventudes Indígenas. Debate e Abordagens Etnográficas" até o dia 30 de junho. 

O simpósio faz parte das atividades do Congresso Internacional sobre Povos Indígenas da América Latina, que será realizado

terça-feira, 7 de maio de 2013

Brasil/Ciências da Religião: Seminário Nacional Contra a Intolerância Religiosa no Brasil



2 maio 2013, Pontifícia Universidade Católica Minas Gerais http://www.pucminas.br (Brasil)

O Programa de Pós-graduação das Ciências da Religião realiza, de quinta a sábado, 9 a 11 de maio, o I Seminário Nacional Multidisciplinar de Diálogo Inter-religioso Contra a Intolerância Religiosa no Brasil. O evento, que ocorrerá no Centro Cultural da UFMG (av. Santos Dumont, 174, Centro de Belo Horizonte), é resultado de uma parceria com o Grupo de Pesquisa de Formação de Professores e Relações Étnico-raciais da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) e os Programas de Pós-graduação em História da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

terça-feira, 30 de abril de 2013

Descobertas no canal do Panamá mudam História da América




29 abril 2013, Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)  

O istmo centro-americano se fechou há 10 milhões de anos e não há 3,5 milhões como se pensava até agora, como revelam achados encontrados nas obras de ampliação do canal do Panamá, uma descoberta que revolucionará os livros de História.


"A maior parte da paisagem no Panamá se formou há 10 milhões de anos. Antes, acreditava-se que a paisagem tinha se formado há 3,5 milhões de anos", afirmou durante entrevista coletiva Carlos Jaramillo, cientista colombiano do Instituto Instituto Smithsonian de Pesquisas Tropicais (STRI, na sigla em inglês).

terça-feira, 23 de abril de 2013

Brasil/ESCRITOR DEFENDE LITERATURA INDÍGENA PARA EMBASAR ESTUDO DE CULTURAS TRADICIONAIS



19 abril 2013, Pátria Grande http://www.patriagrande.com.ve (Venezuela)

Daniel Mello
Repórter da Agência Brasil

São Paulo – Quando era professor, Olivio Jekupe precisava provar para os alunos que tinha conhecimento da disciplina para que os estudantes passassem a respeitá-lo. “Quando eles duvidavam, eu começava a falar difícil e eles não entendiam nada”, relembra sobre a época em que precisou lecionar para se sustentar como estudante de filosofia. Hoje, é Olivio que se preocupa com a preparação dos professores. Na semana em que lança o seu 12º livro de literatura, o índio guarani defende a difusão das obras escritas por indígenas como forma de embasar o estudo da história e da cultura desses povos nas escolas.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Brasil/Livro: O MUNDO FALAVA ARABE


26 de Setembro de 2012/Irã News http://www.iranews.com.br (Brasil)

Vânia Leite Fróes*

Este é um belo livro. Alterna uma narrativa fluida e elegante com questões bem fundamentadas em fontes, cujo manejo erudito revela a boa formação da autora. Que prazer passear pelos intrincados caminhos do espaço islâmico guiada pelas mãos desta Beatriz!

À oficina de historiadora, alia a velha forja da jornalista. “Artesã” de dupla formação examina o delicado tecido sócio-cultural da espacialidade movendo-se no campo do religioso islâmico e das velhas heranças culturais presentes no mundo árabe medieval.

Ao longo da leitura desta obra, interrogamo-nos valores de um mundo aparentemente distante do nosso em tempo. Um leitor mais desavisado poderia concluir que este é apenas (o que não seria pouco) um livro de História Medieval. Enganar-se-ia bastante.

Esta é uma obra que nos faz chegar facilmente à contemporaneidade, que desconstrói equívocos e preconceitos que associam os árabes ao fanatismo, ao atraso e ao bárbaro. A análise feita aqui revela outro universo - culto, dinâmico, aberto aos mares longínquos, que valora a escrita, o convívio harmônico entre campo e cidade e o conhecimento.

Viajar é preciso, diziam os árabes, ninguém é sábio sem ver e experimentar o mundo, sem amar as cidades bem construídas e sem conhecer a língua do profeta, que abre para o leitor as maravilhas dos contos orientais e do deserto purificador.

A obra aqui apresentada é produto de densa pesquisa acadêmica que a autora realizou para sua tese de doutoramento. O recorte temático feito a partir da categoria de espaço é o principal eixo deste trabalho.

Partindo do pressuposto de que a noção de espaço não é apriorística, mas constituída e constituinte das relações sociais e da própria cultura árabe, a historiadora mostra como o campo do religioso islâmico fornece os elementos básicos para a ordenação e representação espacial.

Duas grandes hipóteses (fartamente comprovadas) nortearam o trabalho da autora: uma primeira, de que o espaço é percebido como unitário (umma), ordenado a partir do islamismo (entendido não apenas como religião, mas como “um modo de vida”). A noção de pertencimento estrutura-se, neste universo, à estreita relação mundo civilizado/umma/mundo urbano e hierarquiza-se a partir de um ponto de referência sacralizado: Meca.

Uma segunda hipótese diz respeito diretamente à noção árabe de que viajar e narrar são, não só questões centrais para a percepção do espaço, mas também como forma estruturante do saber. Explica a autora que “na sociedade islâmica a viagem não conduzia a uma hermenêutica do Outro; era uma ferramenta de exegese de si própria”.

O livro foi dividido em duas partes. A primeira, O Islã por escrito, contém três capítulos. O primeiro, introdutório, apresenta uma discussão teórica de espaço e arrola questões interdisciplinares, pertinentes à antropologia, à sociologia e à história. O segundo recorta o mundo árabe islâmico do século XIV exemplificando o Magreb do século XIV terra de Ibn Khaldun e de Ibn Battuta. Nesta época, a região magrebina estava tomada por lutas internas e desavenças políticas, agravadas pela peste que tomara também o Ocidente Latino. Embora em crise, ela ainda oferece referências para Khaldun, pois era a intermediária entre o mundo árabe e o latino.

Um terceiro capítulo, muito erudito, analisa os principais problemas textuais, fazendo um balanço da situação atual dos manuscritos, das diferentes traduções e edições das fontes aqui tomadas como referência. Finalmente a autora analisa o estado atual das questões bem como as principais vertentes da produção historiográfica relativas ao tema proposto.

A segunda parte, mais analítica e comprobatória analisa como Khaldun nos seus Prolegômenos, define o espaço civilizacional humano constituído de dois pólos complementares e em equilíbrio: a civilização rural (umram badawi) e a urbana (umram hadari).

Um quinto capítulo, belíssimo, toma a questão da viagem como forma de obtenção do conhecimento e como expressão de fé. Viajava-se quase sempre dentro do mundo islâmico (entendido como um conjunto unitário, a umma), para cumprir a obrigatoriedade de peregrinação à Meca, mas também para obter conhecimento.

Os últimos capítulos apontam a construção de uma verdadeira cosmologia que ordena o mundo a partir da cidade sagrada de Meca, centro do mundo civilizado, expresso, sobretudo na experiência urbana, cujo modelo ideal é sempre a cidade do profeta.

Ao longo do texto, enriquecido com belas ilustrações, há mapas precisos e coerentes com o que se quis demonstrar, um Apêndice com uma Cronologia que abrange todo o período pesquisado e um glossário, suporte útil para aqueles que, não sendo especialistas, desejam compreender passagens mais específicas do texto. Finalmente, uma Antologia de textos das fontes que deram suporte às principais hipóteses da pesquisa.

O livro é um convite a viajar no tempo (e num tempo) e pode dissipar muitas “verdades” montadas nos gabinetes de falcões que fazem a guerra ao terrorista, como antes se fez ao infiel...

É preciso ler através dos olhos da autora, o que disseram e como dialogaram com seu tempo e como dialogam com nosso tempo o mundo de Khaldun e Ibn Battuta.

*Professora titular de História Medieval

Departamento de História da Universidade Federal Fluminense

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Brasil/Anita Garibaldi entra para o Livro dos Heróis da Pátria

2 maio 2012, Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)


O Diário Oficial da União publica nesta quarta (2) a lei que inscreve o nome da heroína catarinense Anita Garibaldi (1821-1849) no Livro dos Heróis da Pátria. O livro registra perpetuamente os nomes dos brasileiros e de grupos de brasileiros que tenham dado a vida pela pátria “defendendo ou construindo, com dedicação e heroísmo”.


Anita Garibaldi, nascida Ana Maria de Jesus Ribeiro da Silva, foi esposa do herói italiano Giuseppe Garibaldi que, no Brasil, lutou pelos ideais republicanos contra o Império. Anita conheceu Giuseppe em 1837, durante a Guerra dos Farrapos, quando as forças da República Rio-Grandense tomaram a cidade catarinense de Laguna. Com o tempo, ela aprendeu a manejar armas e passou a acompanhar o marido nas batalhas.

O Livro dos Heróis da Pátria foi criado em novembro de 2007, pela Lei 11.597, assinado pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ex-ministro da Cultura Gilberto Gil. Está depositado no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves - monumento de arquitetura modernista, simbolizando uma pomba, criada por Oscar Niemeyer -, na Praça dos Três Poderes, em Brasília.

Também estão no livro Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes; Zumbi dos Palmares; Marechal Manuel Deodoro da Fonseca; Dom Pedro I, entre outros. (Fonte: Agência Brasil )

sábado, 14 de abril de 2012

Moçambique/Maputo: Conferência junta historiadores sobre fontes escritas em árabe

12 abril 2012/Rádio Moçambique http://www.rm.co.mz  

Uma conferência sobre as fontes históricas em línguas africanas escritas em árabe e latim terá lugar segunda e terça-feira próximas em Maputo.  

O evento, organizado pelo Arquivo Histórico de Moçambique (AHM) e pela Fontes Historicae Africanae (FHA), vai abordar o estudo e a utilização destas fontes da história de África, cuja utilização continua limitada a um pequeno número de pesquisadores africanos e europeus.

Participam nesta conferência pesquisadores nacionais mais outros da África do Sul, Botswana, Níger, Etiópia, Eslováquia, Polónia, Portugal e Turquia. O FHA é um organismo internacional criado em 1964 com o objectivo de preparar e publicar edições e traduções de fontes orais e escritas africanas. Tem trabalhado com textos originais ou colecções de documentos organizados de acordo com temas específicos sobre a história da África Subsahariana.

O AHM e o FHA contam na organização da conferência com a colaboração da Faculdade de Letras e Ciências Sociais (FLCS) e o Centro de Estudos Africanos (CEA), que tal como o Arquivo Histórico de Moçambique são tutelados pela Universidade Eduardo Mondlane (UEM).

A utilização das fontes africanas escritas no alfabeto árabe e latim é relativamente recente na historiografia do nosso continente, apesar de elas poderem ser consideradas cruciais para o conhecimento, sobretudo, de períodos da história que foram negligenciados durante eras pelo paradigma eurocêntrico de que o nosso continente estava desprovido de história. Proeminentes filósofos como o alemão Friedrich Hegel ou o britânico David Hume foram acérrimos defensores desta teoria e tiveram seguidores ao longo do tempo, até que a comunidade científica se convenceu de que, afinal, esteve errada aquela concepção.

Os organizadores do encontro sublinham que pesquisas recentes desenvolvidas por historiadores, linguistas, filósofos e antropólogos no nosso continente desvendam a existência de grandes e antigas tradições de escrita no continente. São exemplo as de timbuctu (no Mali), hausa e fulani (Nigéria), swahili (na quase totalidade da África Oriental, incluindo o norte de Moçambique) ou afrikaans (África do Sul). Estas fontes deixaram, como legado um enorme manancial de documentos que testemunham as dinâmicas históricas dos povos africanos documentadas pelos próprios africanos.

Com iniciativas como esta conferência “Fontes de História de África Escritas em Ajami e Alfabeto Latino na África Oriental e Austral” pretende-se encorajar mais pesquisadores a trabalhar sobre a história do nosso continente. O principal destaque destas fontes vai para as ajami, que são aqueles escritos de línguas africanas com base no alfabeto árabe. Esta tradição é tão antiga quanto à presença dos povos árabes no nosso continente, pois este difundiu por cá a sua escrita, que os africanos usaram para registar, nas suas línguas, factos e dinâmicas da sua vida. A historiografia e as correntes de pensamento europeias desdenharam esta verdade e utilidade, difundindo a ideia de, por não ter escrita, a África não tinha história e que o seu passado só podia ser revelado por fontes orais e materiais.