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terça-feira, 19 de novembro de 2019

Abya Yala*, Bolivia/O PREÇO DA TRAIÇÃO: UM MILHÃO DE DÓLARES


18 11 2019, Resistir.info (Portugal) https://www.resistir.info/


General Williams Kaliman, ex-chefe das Forças Armadas da Bolivia

O general boliviano que exigiu a renúncia do Presidente Evo Morales recebeu um milhão de dólares do Encarregado de Negócios da Embaixada dos Estados Unidos em La Paz, sr. Bruce Willianson, juntamente com um visto de residência permanente nos EUA (para onde foi viver).

Trata-se do general Williams Kaliman, que anteriormente fora adido militar da Embaixada da Bolívia em Washington. No seu curriculum conta-se uma passagem pela School of Americas, em Fort Bennings, Georgia, destinada a formar militares e polícias latino-americanos.

O general Kaliman assumira o cargo de chefe das Forças Armadas Bolivianas em

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Abya Yala*, Bolivia/Evo denuncia que Embaixada dos EUA tenta comprar votos para a oposição


16 10 2019, Agencia Boliviana de Información (Bolivia) https://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Pelo-Mundo/Evo-denuncia-que-Embaixada-dos-EUA-tenta-comprar-votos-para-a-oposicao/6/45486 


Por Leonardo Wexell Severo

Créditos da foto: Presidente da Bolívia, Evo Morales, convoca bolivianos 
a fortalecer o processo de desenvolvimento (Futuro Seguro)

La Paz, Bolívia -- O presidente da Bolívia, Evo Morales, informou que logo depois de ter “enviado agentes da inteligência” para dar orientações à oposição ao seu governo, em julho deste ano, a Embaixada dos Estados Unidos decidiu apelar, financiando obras em troca de votos contra o Movimento Ao Socialismo (MAS) nas eleições do próximo domingo, 20 de outubro.

“Na semana passada eu convoquei o Encargado de Negócios da Embaixada dos Estados Unidos, apresentei os documentos, como este carro da Embaixada tem ido às comunidades dos Yungas de La Paz para oferecer pavimentação e asfalto, sempre e quando não apoiarem Evo”, denunciou o presidente.

Na oportunidade, o líder boliviano que postula um novo mandato para o período 2020-2025, apresentou as provas da chantagem ao encarregado de negócios da delegação diplomática norte-americana, Bruce Williamson. Conforme o presidente, Williamson teria se declarado surpreso pela informação e se comprometido a “não se meter em temas eleitorais”. “Espero que

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Brasil/TEMER, O HOMEM DA CIA



24 maio 2016, Pátria Latinahttp://www.patrialatina.com.br  (Brasil)

Por Héctor Bernardo*

Entreouvido na redação do Pátria Latina:
“Os tentáculos da CIA no Brasil não abrange somente
o golpista do Temer. A Mídia, os mídiatico, parlamentares,
ONGS e entidades secretas e outras não tão
secretas assim, estão a serviço da agencia”.
(Valter Xéu)

Buenos Aires (Prensa Latina) -- Uma comunicação revelada pelo Wikileaks mostra que o presidente interino do Brasil, Michel Temer, a quem Dilma Rousseff definiu como “o chefe dos conspiradores”, era informante da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA).

De acordo com a informação em seu momento confidencial, Temer reunia-se periodicamente com os representantes da Embaixada dos Estados Unidos e oferecia-lhes informação que ele mesmo qualificava como “sensível” e “somente para uso oficial”.

A mensagem difundida pelo Wikileaks, que teria sido emitida em 2005, foi enviada de São Paulo ao Comando Sul (com sede em Miami) e assinala:

“O deputado Federal Michel Temer, presidente nacional do Partido do Movimento Democrático Brasileiro

domingo, 11 de outubro de 2015

A ESTRATÉGIA DOS ESTADOS UNIDOS PARA A AMÉRICA LATINA

4 outubro 2015, Carta Maior http://www.cartamaior.com.br (Brasil)


Russia Times

 

Documentos do Wikileaks revelam um plano detalhado para derrubar os governos eleitos dos países latino-americanos e até mesmo o assassinato de Evo Morales.


No recém terminado verão europeu, o mundo viu como a Grécia tentou se opor às chantagens das instituições internacionais que obrigaram o país a aceitar um pacote de novas medidas de austeridade. O endividado Estado grego não pode se negar a cumprir as ordens da Troica conformada pelos credores. Depois do referendo convocado pelo governo de Alexis Tsipras, o Banco Central Europeu privou a economia grega de liquidez, o que intensificou a recessão e transformou o resultado do voto popular numa farsa.

Uma batalha similar pela independência das nações vem sendo travada na América do Sul, durante os últimos 15 anos. Apesar das tentativas de Washington de destruir a “dissidência estatal” em vários países utilizando as mesmas técnicas empregadas contra Atenas, a fortaleza da América Latina vem suportando a pressão. Essa batalha épica vem promovida longe dos olhos dos cidadãos e foi confirmada por documentos do arquivo do Departamento de Estado norte-americano, filtrados pelo WikiLeaks. Alexander Main e Dan Beeton ofereceram uma interessante reconstrução desses acontecimentos em seu livro “WikiLeaks: o mundo segundo o Império Estadunidense”.

Os autores argumentam que o neoliberalismo se impôs na América Latina antes de Berlim e Bruxelas humilharem a democracia na Grécia. Através da coação exercida pelos Chicago Boys – jovens economistas latino-americanos que regressam aos seus países depois de estudar nos Estados Unidos –, Washington conseguiu difundir a

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

ASSANGE: A HISTÓRIA NÃO CONTADA DE UMA LUTA HERÓICA PELA JUSTIÇA

2 agosto 2015, Resistir.info http://resistir.info (Portugal)

por John Pilger


Este artigo é uma versão actualizada da investigação feita em 2014 por John Pilger, com a história não contada de uma campanha implacável – na Suécia e nos EUA – para recusar justiça a Julian Assange e silenciar a WikiLeaks:   uma campanha que agora atinge uma etapa perigosa.

O cerco de Knightsbridge [NR] é símbolo de uma injustiça brutal e de uma farsa repugnante. Durante três anos, um cordão policial em torno da Embaixada do Equador em Londres serviu só para ostentar o poder do estado. Ele já custou £12 milhões. A caça é um australiano que não é acusado de qualquer crime, um refugiado cuja única segurança é a sala que lhe foi dada por um corajoso país sul-americano. O seu "crime" foi ter iniciado uma onda de verdade numa era de mentiras, cinismo e guerra. 

A perseguição a Julian Assange está prestes a inflamar-se outra vez pois entra numa etapa perigosa. A partir de 20 de Agosto, três quartos do processo do promotor sueco contra Assange quanto a uma [alegada] má conduta sexual em 2010 desaparecerá pois a lei das prescrições o determina. Ao mesmo tempo, a obsessão de Washington com Assange e a WikiLeaks intensifica-se. Na verdade, é a vingativa potência americana que constitui a maior ameaça – como Chelsea Manning e aqueles ainda mantidos em Guantanamo podem confirmar. 

Os americanos estão a perseguir Assange porque a WikiLeaks revelou seus crimes monstruosos no Afeganistão e no Iraque:   a matança por atacado de dezenas de milhares de civis, que eles encobriam, e o seu desprezo pela soberania e o direito internacional, como demonstrado

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Brasil e Bolivia/FUGA DE SENADOR FOI AÇÃO ORQUESTRADA, DIZ DEPUTADO DO PT



27 agosto 2013, Carta Maior http://www.cartamaior.com.br (Brasil)

Para o deputado Cláudio Puty (PT-PA), que participou de uma missão oficial à Bolívia, em março, onde conheceu os principais personagens envolvidos na trama, fuga do senador boliviano Roger Pinto (foto) não foi obra individual de um destemido diplomada brasileiro, mas ação organizada pela direita com apoio de setores conservadores do Itamaraty, que atuam contra governos progressistas latino-americanos e a favor do agronegócio. Por Najla Passos, de Brasília


Brasília – A fuga do senador boliviano que custou o cargo ao ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota, não foi obra individual de um destemido diplomada brasileiro, mas uma ação organizada pela direita com apoio de setores conservadores do Itamaraty, que mantêm estreitos laços em questões políticas e econômicas, como o boicote aos governos socialistas e a defesa intransigente do agronegócio.

A avaliação é do deputado Cláudio Puty (PT-PA), que participou de uma missão oficial à Bolívia, em março, onde conheceu os três principais personagens envolvidos na trama: o então embaixador do Brasil na Bolívia, Marcel Biato, que patrocinou a aceitação brasileira ao pedido de asilo político do senador, o diplomata brasileiro Eduardo Sabóia, que afirma ter organizado sozinho a fuga do político, e o próprio senador oposicionista Roger Pinto, que viveu 545 dias na embaixada brasileira na Bolívia.

“Esta foi uma ação sem precedente na história da diplomacia brasileira. Como pode um diplomata patrocinar a fuga de um criminoso comum, à revelia do governo brasileiro, escondido do governo boliviano e com o apoio explícito da direita brasileira, que já o aguardava na fronteira do país?”,

terça-feira, 23 de julho de 2013

Moçambique/Nas representações diplomáticas: Governo introduz emissão de passaportes biométricos



23 julho 2013, Jornal Notícias http://www.jornalnoticias.co.mz (Moçambique)

O governo vai lançar, em breve, o serviço de emissão de passaportes biométricos nas representações diplomáticas do país no estrangeiro.

A ideia, segundo o Director Nacional de Migração, é acelerar a substituição dos passaportes analógicos cuja emissão

terça-feira, 6 de outubro de 2009

HONDURAS, UMA BATALHA LATINO-AMERICANA

A entrada do presidente Manuel Zelaya na Embaixada brasileira em Tegucigalpa, representou um cheque-mate nas pretensões dos ditadores de plantão

30 setembro 2009/Brasil de Fato EDITORIAL http://www.brasildefato.com.br

A entrada do presidente Manuel Zelaya na Embaixada brasileira em Tegucigalpa, representou um cheque-mate nas pretensões dos ditadores de plantão. Além disso, recolocou na ordem do dia, a luta de classes local, na imprensa e na correlação de forças da América Latina.

Como já comentamos nesse espaço, no editorial da edição 339 sob título “O império contra-ataca”, a batalha de Honduras foi uma iniciativa da velha guarda do imperialismo estadunidense, representado pelos interesses do capital internacional e do complexo industrial-militar que opera dentro do pentágono e nas estruturas do Estado imperial, independente da eleição do Obama.

A conjuntura política da América Latina vem se alterando, e nesse momento, está mais evidente que estão em jogo e em disputa três projetos para o continente. O primeiro, segue sendo a recomposição de forças servis aos interesses das empresas transnacionais dos Estados Unidos e a seus interesses de controlar fontes energéticas para manter o abastecimento da economia norte-americana. É o projeto clássico de dominação imperialista, que nos transformou em pátio traseiro, na expressão deles. Perderam na Área de Livre Comércio das Américas (Alca) e na eleição de governos progressistas. Agora tentam colocar uma barreira à Aliança Bolivariana de Integração dos Povos das Américas (Alba). Por isso, era preciso derrotar o governo Zelaya (que havia aderido a Alba) por ser o elo mais fraco na Meso-América. Ampliaram as bases na Colômbia, intensificaram os acordos dos Tratados de Livre Comércio (TLCs) com outros países, e tentam convencer o Paraguai a manter uma base militar de inteligência. Poucos soldados, mas muitos equipamentos no centro geográfico do continente. Esse projeto tem nos governos do México, da Colômbia e do Peru, seus ponta-lanças no continente.

Há um segundo projeto que está sendo articulado pelos interesses das empresas brasileiras, argentinas e mexicanas, que atuam no continente. A proposta é muito parecida com as antigas formulações da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), e defendem uma integração capitalista entre as grandes empresas do continente, em parceria com as do Norte. Ou seja, buscaríamos maior autonomia e investimentos sob controle das burguesias locais, sem confrontar com o império, mas mantendo uma certa autonomia e parceria. Seria potencializar o desenvolvimento do capitalismo na região.

A disputa de Honduras tem sua presença também, pelo que representaria o potencial dos agro-combustíveis da região.

Há um terceiro projeto, representado pelos governos progressistas que articulam a Alba, que tem uma postura claramente anti-imperialista, anti-Estados Unidos. A proposta da Alba ultrapassa as articulações governamentais e comerciais. Pretende ser um espaço de integração regional entre governos, Estados, infra-estrutura energética, integração econômica e integração popular. O projeto da Alba já tem adesão de diversos governos, liderados por Chávez (Venezuela, Equador, Nicarágua, Cuba, Bolívia, Honduras e dois países-ilhas do Caribe). Tem adesão também de praticamente todos os movimentos sociais que atuam em todos os países, desde o Canadá até o Chile.

O desfecho da batalha de Honduras, nas suas formas e correlação de forças é a disputa dos três projetos. Seu resultado fortalecerá um dos três projetos que estão em disputa na América Latina.

Em nível internacional, o apoio mais decisivo do governo brasileiro fez com que a balança da disputa pendesse para o projeto dois. Ou seja, a recomposição de Zelaya no governo, nesse momento contribuiria para um enorme prestígio do governo brasileiro na região.

Em nível interno, a correlação de forças que parecia consolidada pelos golpistas se alterou fundamentalmente com o regresso de Zelaya e recolocou os atores sociais em movimento em grandes manifestações populares, que são as únicas que agora podem de fato derrotar os golpistas. Há também um salto qualitativo nas propostas políticas. Se antes a proposta era apenas reempossar Zelaya, seguir o calendário eleitoral, com anistia ampla e irrestrita aos golpistas (que é o Acordo de San José - Costa Rica), agora, as forças populares recolocam que o problema não é Zelaya, o problema é a oligarquia econômica e política. E, portanto, além de reempossar Zelaya e prender os golpistas, é necessário reajustar o calendário eleitoral e sobretudo convocar uma Assembléia Constituinte, que represente um novo pacto social entre as forças em disputa. Dessa constituinte certamente haveria um salto na consolidação dos direitos sociais, da soberania do país em relação aos recursos naturais (que seguem espoliados por empresas estrangeiras) e na instalação de um processo político mais democrático.

A batalha de Honduras segue, sem prognósticos de seus resultados, mas estamos diante de um novo cenário em que as forças populares voltaram a cena política e os resultados agora dependem mais delas do que da OEA.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Portugal pede que governo de Micheletti respeite embaixada

Lisboa, 1º outubro 2009 (Lusa) - O vice-ministro português das Relações Exteriores, João Gomes Cravinho, disse nesta quinta-feira que Portugal vigia de perto a situação em Honduras, e considerou fundamental que as atuais autoridades hondurenhas respeitem a embaixada brasileira, onde está abrigado o presidente deposto, Manuel Zelaya.

"As relações diplomáticas se regem pela Convenção de Viena, que estabelece a inviolabilidade das missões diplomáticas, e é fundamental que as autoridades atuais, ilegítimas, nas Honduras respeitem essa inviolabilidade", disse Cravinho à Agência Lusa, após a conferência “As relações luso-chinesas e a Região Administrativa Especial de Macau”, em Lisboa.

Zelaya foi deposto em 28 de junho e permaneceu no exílio até 21 de setembro, quando voltou a Honduras, onde se encontra abrigado na Embaixada do Brasil.

No domingo, o governo de fato de Honduras, presidido por Roberto Micheletti, deu um ultimato ao Brasil para que defina, em dez dias, a situação do líder deposto, considerado um "convidado" pelo ministério das Relações Exteriores.

O governo de Micheletti afirmou que, caso isso não aconteça, a embaixada brasileira, sob cerco militar, poderá perder o status diplomático.

Cravinho disse que Portugal, que atualmente detém a presidência da Comunidade Ibero-Americana, acompanha a situação "com muita proximidade". Nas Nações Unidas, o país assumiu posições no sentido de uma rápida retomada da normalidade constitucional em Honduras, com a restituição de Zelaya no poder.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

CRISE HONDURENHA TESTA PRINCÍPIOS DO BRASIL

29 setembro 2009/Vermelho EDITORIAL http://www.vermelho.org.br

Há momentos na vida de um país que põem à prova seus princípios e seu valor. Honduras vive dias assim. Quis a história que o Brasil também se visse conduzido à ribalta da crise. Que passe com brio no teste, é o que desejam os democratas de Honduras, do Brasil e do mundo.

Na madrugada do último dia 21, Manuel Zelaya, presidente de Honduras, eleito pelo povo em 2005, derrubado, sequestrado e expulso pelo golpe militar de 28 de junho, bate à porta da embaixada brasileira em Tegucigalpa. Explica que voltou à pátria clandestinamente, buscando forçar um diálogo que restaure o Estado de direito. O Brasil abriga Zelaya. Considera-o hóspede da embaixada. Não asilado, o que sepultaria as esperanças dos hondurenhos que se lançam à Resistência, mas o único presidente legítimo da República de Honduras.

Esta não é a postura só do Brasil. Foi votada por unanimidade na Organização dos Estados Americanos (OEA), nas Nações Unidas (ONU) e em seu Conselho de Segurança. É a única posição de princípios nas trágicas circunstâncias criadas. O Brasil violentaria a soberania hondurenha caso reconhecesse outro presidente que não o eleito pelo povo daquele país.

A cada dia o michelettismo se desmascara como a ditadura militar que é, com o mesmo DNA das ditaduras latino-americanas dos anos 60 e 70. Desde o dia 21, temendo a presença de Zelaya na embaixada e da Resistência nas ruas, promove mesmo uma escalada ditatorial. Decreta um monstruoso estado de sítio, que manteve secreto por seis dias, até as portas da eleição marcada para novembro; expulsa diplomatas da OEA e da Espanha; descarta a proposta conciliatória do mediador Oscar Arias, presidente da Costa Rica; reprime brutalmente o povo, tortura e assassina; fecha uma estação de rádio e um canal de TV; mantém a embaixada brasileira sitiada por tropas; num supremo acinte, faz um ultimato ao Brasil, para que em dez dias "defina o status do señor Zelaya", ou "a embaixada vai perder sua condição diplomática". O presidente Lula respondeu devidamente: "O Brasil não irá tolerar um ultimato de um governo golpista".

Lula aprendeu na escola da militância sindical os méritos da negociação, da transigência, mas também que é preciso "ter lado". Está do lado do povo hondurenho, de seu governo legítimo, da OEA e da ONU, dos princípios democráticos; contra os gorilas de Tegucigalpa.

A fúria de Micheletti com a volta de Zelaya é sinal de medo e fraqueza. Caso as instituições multilaterais acompanhem a firmeza brasileira, é provável que os gorilas terminem por ceder e acatar uma solução pacífica da crise, nos termos do Plano Arias – que tem como primeiro ponto a devolução do mandato presidencial.

Também não se exclui que prevaleça a contemporização com os golpistas – pregada com estridência por certa elite político-diplomático-midiática brasileira. Ainda assim o povo hondurenho, com a solidariedade de seus irmãos, achará o caminho da vitória. Do tenebroso ciclo tirânico latino-americano do século passado, emerge uma verdade: as ditaduras, mesmo as piores, acabam.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

MICHELETTI IMPÔS ESTADO DE SÍTIO (SECRETO!) EM HONDURAS



Bandeira de protesto em manifestação pró-Zelaya

28 setembro 2009/Vermelho http://www.vermelho.org.br

O governo golpista de Roberto Micheletti decretou o estado de sítio em todo o território de Honduras, suspendendo as liberdades constitucionais de expressão, de imprensa, de associação e união, de livre circulação e os direitos dos presos. A medida foi tomada no Conselho de Ministros na terça-feira (22), um dia depois da volta do presidente Manuel Zelaya, mas só publicada pelo diário oficial no sábado, e numa edição que permaneceu secreta até o anoitecer deste domingo (27).

Em uma leitura brasileira, o Decreto de Micheletti pode ser comparado ao Ato Institucional Nº 5 da ditadura brasileira: um golpe dentro do golpe, prenunciando uma fase ainda mais sinistra e liberticida, dentro de uma escalada ditatorial.

Ao mesmo tempo, é uma prova de fogo para os homens públicos e os meios de comunicação que vinham flertando com os gorilas de Tegucigalpa, um pouco por toda a América latina, a exemplo das Organizações Globo no Brasil. Assim como é uma confissão muda do quanto o retorno do presidente Zelaya abalou os fundamentos do regime de 28 de junho.

Liberdades constitucionais suspensas
O estado de emergência tem de 45 dias: ou seja, vai até duas semanas antes das eleições marcadas para 22 de novembro, que os golpistas apresentam como promessa de normalização. Até lá, suspende a vigência de cinco artigos da Constituição hondurenha, a saber:

Artigo 69: "A liberdade pessoal é inviolável e apenas dentro da lei poderá ser restringida ou suspendida temporariamente".

Artigo 72: "É livre a expressão de pensamento por qualquer meio de difusão, sem censura prévia".

Artigo 78: "Garante-se as liberdades de associação e de reunião sempre que não sejam contrárias à ordem pública e aos bons costumes".

Artigo 81: "Toda pessoa tem direito de circular livremente, sair, entrar e permanecer no território nacional. Ninguém pode ser obrigado a mudar de domicílio ou residência, exceto em casos excepcionais e dentro da lei".

Artigo 84: "Ninguém pode ser preso ou detido, exceto em virtude de mandato escrito de autoridade competente, expedido com as formalidades legais e por motivo previamente estabelecido na lei".

O Artigo 4º do Decreto ordena: "Deter toda pessoa que seja encontrada fora do horário de circulação estabelecido, ou de alguma maneira se presuma como suspeitosa por parte das autoridades policiais e militares". Linhas abaixo, um detalhe sinistro: "todo recinto policial do país" manterá um registro dos presos políticos, "fazendo constar o estado físico do detido, para evitar futuras denúncias por supostos delitos de tortura".

Rádio e TV na mira de Micheletti
Uma das medidas ditatoriais do chamado Decreto Executivo PCM-M-016-2009 autoriza a Polícia nacional e as Forças Armadas a "suspender qualquer rádio-emissora, canal de televisão ou sistema a cabo que não ajuste sua programação às presentes disposições" – ou seja, "que ofendam a dignidade humana, a funcionários públicos, ou atentem contra a lei e as resoluções governamentais, ou de qualquer modo atentem contra a par e a ordem pública".

A imprensa hondurenha pró-golpe, ao noticiar o decreto, citou a Rádio Globo e o Canal 36 de TV como em vias de serem fechados. O site do diário ultramichelettista El Heraldo acusa os dois veículos de "fortes críticos do governo de Roberto Micheletti" e, suprema ilegalidade, de "transmitirem constantemente declarações de Manuel Zelaya".

O Decreto secreto só veio a público graças à Rádio Globo e ao Canal 36, que noticiaram seu conteúdo. O assunto chegou a ser indagado durante a coletiva de imprensa neste domingo, em que Carlos López Contreras, o chanceler golpista, ameaçou a embaixada do Brasil de "perder sua condição diplomática" dentro de de dias. Uma jornalista estrangeira perguntou "se é verdadeiro um certo rumor que corre por Tegucigalpa", de suspensão das liberdades civis. Contreras, cinico, respondeu: "Não tenho conhecimento".

Logo depois da coletiva, as primeiras xerocópias do Estado de Sítio começaram a vazar para os correspondentes estrangeiros. Constatou-se então que a assinatura de Contreras figura em terceiro lugar no Decreto Executivo. E o Decreto secreto veio à luz, em sua monstruosa feiura.

"Duas páginas que dão medo"
Pablo Ordaz, jornalista enviado a Tegucigalpa pelo diário espanhol El País – insuspeito de simpatias esquerdistas – comentou: "O Decreto Executivo PCM-M-016-2009 ocupa apenas duas páginas, mas são duas páginas que dão medo. Porque no final o que assinalam é que a liberdade dos cidadãos fica, a partir de agora, por 45 dias, à mercê dos militares e policiais a quem Micheletti deu carta branca."

O regime de Micheletti argumentou, em defesa de seu decreto, que as liberdades constitucionais podem ser suspensas, com base no Artigo 187 da Carta Magna hondurenha. Esta prevê a exceção "em caso de invasão do território nacional, perturbação grave da paz, epidemia ou qualquer outra calamidade geral". O Artigo seguinte (188), deixa claro que em tais casos vige a Lei de Estado de Sítio.

O presidente Zelaya – que, por ironia, os michelettistas acusam de violar a Constituição – ficou sabendo do Decreto na embaixada do Brasil, onde se abriga desde seu retorno a Honduras, dia 21. Para Zelaya, "é uma barbaridade que indigna".

O presidente eleito voltou a estimular seus seguidores à resistência pacífica. A Resistência planejou para esta segunda-feira um grande protesto na capital, assinalando três meses do golpe.

Veja também:

Escalada golpista em Honduras ameaça embaixada do Brasil

Candidatos hondurenhos veem diálogo no horizonte

Golpistas hondurenhos dão ultimato de 10 dias ao Brasil

Lula não tolera "ultimato de governo golpista" de Honduras

Clique aqui para ter acesso à Constituição da República de Honduras (em espanhol)

OEA convoca reunião urgente para discutir Honduras

28 setembro 2009/Vermelho http://www.vermelho.org.br

A Organização dos Estados Americanos (OEA) fez uma convocação urgente nesta segunda (28) ao Conselho Extraordinário para analisar a situação em Honduras, depois de o governo golpista negar a entrada de uma missão do organismo ao país no domingo.

A OEA entende que a situação de crise se agravou após o retorno do presidente deposto Manuel Zelaya a Tegucigalpa, na semana passada, desde então refugiado na embaixada do Brasil. A reunião será às 10h (11h no horário de Brasília).

Roberto Micheletti impediu a entrada no país de três funcionários da OEA e mais dois da Embaixada da Espanha porque em sua opinião este não era o momento oportuno.

Ao mesmo tempo, o governo de fato sustentou que a Embaixada do Brasil perderá o status diplomático em 10 dias se não definir a situação do presidente deposto, Manuel Zelaya, que na segunda-feira passada retornou ao país e se estabeleceu na embaixada brasileira.

No início da noite de domingo, o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, condenou a decisão das autoridades hondurenhas de impedir a entrada da comitiva da OEA, cuja missão era preparar a visita de vários chanceleres e do próprio Insulza ao país.

O secretário-geral lamentou a decisão e ressaltou que ações como esta "dificultam seriamente os esforços para promover a tranquilidade social em Honduras e a busca de soluções ao atual conflito político com base no diálogo e na reconciliação nacional".

Neste contexto, Insulza quer analisar nesta segunda-feira com o Conselho a situação para decidir sobre futuras ações da organização. O secretário-geral informou que "a OEA seguirá comprometida com a busca de uma solução pacífica à crise em Honduras".

O CAMPO DE CONCENTRAÇÃO DE HONDURAS

25 setembro 2009/Blog do Miro (Brasil)

Numa entrevista à jornalista Lúcia Rodrigues, da revista Caros Amigos, Ramon Navarro, ativista da Via Campesina em Honduras, denuncia que seu país se transformou num autêntico campo de concentração. Seu depoimento é chocante e mostra a urgência da solidariedade internacionalista. O clima de repressão, imperante desde o golpe de junho, ficou ainda mais tenso após o retorno ao país do presidente Manuel Zelaya, que se refugiou na embaixada brasileira em Tegucigalpa. O governo golpista está acuado, interna e externamente, mas não dá sinais de recuo.

“Há uma grande tensão. Reprimem as passeatas contra o golpe de Estado. O Exército e a polícia estão matando nossos companheiros. A polícia reprime, inclusive, nos bairros. Buscam pessoas que estão reunidas. Estamos debaixo de um estado de sítio. As pessoas são levadas para campos de concentração… Em Tegucigalpa há três campos de concentração, além de centros de repressão oficial”. Navarro garante que as pessoas são torturadas, “psicológica e fisicamente… Apagam cigarros no corpo das pessoas, golpeiam com garrotes. Há muitas pessoas com ossos fraturados”.

Censura e mídia golpista
O líder da Via Campesina relata que ocorrem protestos diários pelo retorno do presidente eleito democraticamente. “Em Tegucigalpa realizamos manifestações com mais de 300 mil pessoas. Mas há muito temor. Ninguém está armado, as pessoas temem ser reprimidas”. O país está sob toque de recolher das 18 às seis horas de manhã e toda a noite os golpistas usam cadeia nacional de televisão para divulgar suas mentiras e fazer terrorismo. As transmissões oficiais são feitas em inglês. “Não respeitam os hondurenhos. Falam para os norte-americanos”.

Navarro também confirma que a maior parte da mídia está com os “gorilas” e incentivou o golpe. “A televisão, de maneira geral, é de ultradireita. Só temos dois canais que passam as informações como realmente ocorrem. E uma rádio, a Rádio Globo de Honduras”. Mas os golpistas sabotam as transmissões. “Cortam os meios de comunicação que nos informam. Enviam fortes correntes elétricas para queimar os transformadores. Isso tira esses canais do ar. As transmissões ocorrem com interrupções, com dificuldades. A polícia também reprime os jornalistas”.

“Jornalistas presos e demitidos”
O dramático relato de Ramon Navarro coincide com inúmeros outros que chegam daquele país e que são ofuscados pela mídia nativa. A agência de notícias Minga, ligada ao setor progressista da Igreja Católica, tem produzido boletins eletrônicos diários sobre o terror reinante. “As ruas da capital, Tegucigalpa, estão desoladas… Só circulam a polícia e o exército. Desalojaram milhares de pessoas que se concentraram diante da embaixada brasileira, o que resultou em vários feridos. A situação está muito difícil, igual ou pior do que quando deram o golpe em 28 de junho”.

A exemplo de outros golpes, a mídia adquiriu papel estratégico neste confronto. “A comunicação está bloqueada. Rádio Globo e Canal 36 ficam fora do ar e o povo está desinformado. As mídias fascistas fazem chamadas para que o povo fique em casa”, denuncia. O repórter Celso Martins também relata em seu blog (honduraselogoali.blogspot) a dura situação dos jornalistas contrários ao golpe. “Muitos tem sido presos, perseguidos, demitidos ou constrangidos a realizar coberturas sob o ponto de vista dos golpistas. Tentam tirar do ar os canais de televisão 11 e 36 e a rádio Globo Honduras… A tensão aumenta a cada dia. Existem ameaças de morte contra jornalistas”.

Começo do fim dos golpistas?
Estes relatos reforçam a indignação diante da porca cobertura da mídia nativa, que é cúmplice dos golpistas e nada fala sobre a rigorosa censura e a perseguição de jornalistas – o que evidencia como é falso o seu discurso sobre a “liberdade de imprensa”. Ainda não dá para saber o desfecho do golpe. Mas, qualquer que seja ele, a mídia hegemônica estará novamente no banco de réus. O ideal é que o sociólogo argentino Atílio Boron esteja com a razão. Num texto recente, ele afirmou que o retorno do presidente Zelaya pode indicar o “princípio do fim” dos golpistas.

“São várias as razões em fundamentam essa esperança. Primeiro, porque os gorilas hondurenhos e seus incentivadores e protetores nos EUA (principalmente o Comando Sul e o Departamento de Estado) subestimaram a massividade, a intensidade e a perseverança da resistência popular… Em segundo, porque o regime golpista mostrou ser incapaz de romper seu duplo isolamento [interno e externo]… Em terceiro, devido às ambíguas políticas dos EUA… Em quarto e último, o regime instaurado em 28 de junho constitui uma séria dor de cabeça para Obama porque desmente a sua promessa de fundar uma nova relação entre os EUA e os países do hemisfério”.

sábado, 26 de setembro de 2009

Honduras/Conselho de Segurança da ONU exige fim de cerco à embaixada

25 setembro 2009/Vermelho http://www.vermelho.org.br

O Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) corroborou a denúncia feita pelo chanceler Celso Amorim e exigiu que o governo interino de Honduras encerre o cerco militar imposto à embaixada brasileira da capital Tegucigalpa desde segunda-feira (21), quando o presidente deposto Manuel Zelaya chegou em busca de refúgio. O organismo exigiu que "atos de intimidação" realizados pelo governo golpista sejam imediatamente interrompidos.

"Condenamos os atos de intimidação contra a embaixada brasileira e exigimos que o governo de fato de Honduras pare de acossá-la", disse a embaixadora norte-americana na ONU, Susan Rice, que atualmente preside o conselho, após reunião de emergência convocada pelo Brasil.

Rice agregou que o Conselho chama a todas as partes a "permanecerem em calma e a evitarem ações que possam provocar uma escalada na situação que coloque indivíduos em risco", colocou. Os membros do conselho destacaram a necessidade "de respeitar o direito internacional, preservando a inviolabilidade da embaixada do Brasil" e "garantir a segurança dos indivíduos"

O comunicado atende ao pedido do chanceler brasileiro, para quem a embaixada permanece "virtualmente sitiada". O chanceler chamou de "acossamento" os cortes de luz e energia realizados no começo da semana e a restrição à circulação feita por integrantes das forças de segurança hondurenhas e pelos próprios toques de recolher impostos no país.

O chanceler denunciou que as ações constituem uma clara violação da Convenção de Viena e pediu ao Conselho de Segurança da ONU "condenação expressa" para evitar qualquer um ato hostil. Pelo 22º artigo da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, de 1961, locais de missões diplomáticas (embaixadas e os edifícios anexos) são invioláveis, e agentes do Estado acreditado (que recebe a embaixada) não podem entrar sem consentimento do chefe.

Pelo 22º artigo da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, de 1961, os locais das missões diplomáticas (embaixadas e edifícios anexos) são invioláveis. Os agentes do Estado acreditado (que recebe a embaixada) não podem entrar sem consentimento do chefe da representação.

Dentro da embaixada, permanecem Zelaya, a família dele e cerca de 70 apoiadores, além dos funcionários da missão diplomática brasileira. O grupo diz que o governo golpista, além de racionar a entrega de alimentos e outros materiais, faz barulhos à noite, em uma aparente tentativa de levá-los à exaustão.

Na sessão com o Conselho de Segurança da ONU, o brasileiro Amorim disse acreditar que um "diálogo político" é o início da solução para a crise no país, mas que não sabe "qual vai ser o resultado". O chanceler aproveitou ainda para dizer que o governo brasileiro não teve influência na viagem de Zelaya até Tegucigalpa, que é ilegal por haver ordens de prisão emitidas contra o presidente deposto.

Gás
O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, denunciou nesta sexta que a embaixada do Brasil teria sido atingida por um "gás tóxico". Ele pediu a intervenção urgente da Cruz Vermelha Internacional, segundo a France Presse. "Espalharam um gás tóxico que os militares usam para evacuar gente. As 60 pessoas que estão aqui estão tentando respirar no pátio", disse. Ele reclamou que estava usando máscara e "com a garganta seca".

Segundo ele, o gás afetou a saúde de todos os presentes. Um fotógrafo da AFP que está na Embaixada disse ter visto pessoas vomitando sangue. Uma repórter da Telesur também relatou ter visto pessoas com o nariz sangrando e afirmou que os policias estão bloqueando a entrada de mantimentos. Um médico que se encontra na embaixada estaria tratando de atender os atingidos. A polícia desmentiu o ataque e acusou Zelaya de mandar "mensagens falsas" à comunidade internacional

Dilma
Durante entrevista coletiva em São Paulo, hoje, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, reforçou a posição do governo brasileiro de repúdio ao golpe de Estado em Honduras, afirmou que o destino político do país dependerá de negociações e que o Brasil não intervirá.

“Não existe ditadura mais leve. Ditadura é ditadura, ponto. Sempre fomos contra os golpistas, mas não controlamos o tempo dessa crise”, afirmou. Dilma criticou aqueles que se posicionam contra o abrigo dado ao presidente deposto. “Zelaya nos pediu abrigo e não teríamos como negá-lo. Muitos que atuam hoje na política brasileira utilizaram o asilo político no passado e hoje criticam a atitude brasileira”.