17 março 2014, Pátria Latina http://www.patrialatina.com.br
(Brasil)
Por Mauro Santayana, na Rede Brasil Atual
A arquitetura das pirâmides e os guerreiros de
terracota do primeiro imperador da China são evidências de que, desde a
antiguidade, a ideia de vencer a morte – e se deslocar no tempo – sempre
fascinou o espírito humano. Seria ótimo se pudéssemos – como descrito no livro
The Time Machine, de H.G. Wells (de 1895) – também voltar ao passado e corrigir
nossos erros, para garantir uma vida melhor no presente ou no mais remoto
futuro. A ciência moderna tem desmentido essa possibilidade. Há, no entanto,
outras maneiras de estabelecer pontes entre antes e agora, sem o recurso a
outras dimensões, como hipotéticos “buracos de minhoca” ou “dobras” no
espaço-tempo einsteiniano.
A História, por exemplo, mescla, com naturalidade
e ironia, o passado e o presente, e, bruxa ou fada, surpreende e enfeitiça,
burlando-se dos sonhos, esperanças, desventuras, dos indivíduos, povos e
nações, que participam da caminhada desta nossa pobre espécie em sua ingente
jornada para o futuro.
Completam-se, neste mês, os primeiros 50 anos do
golpe militar de 1964. Pela forma como foi engendrado e deflagrado, com a
participação de uma potência estrangeira – a cada dia crescem as provas e
evidências do envolvimento norte-americano –, o golpe já deveria, há muito, ter
sido condenado. Pelos abusos cometidos desde o primeiro momento, e que se
multiplicaram depois com o fortalecimento do radicalismo antidemocrático e da
repressão mais sanguinária, era para se tratar de um episódio já execrado pela
sociedade brasileira.
A geração que levou o povo às ruas nas
memoráveis campanhas das