1 julho 2010/Vermelho http://www.vermelho.org.br
O ex-presidente de Honduras, Manuel Zelaya, ressaltou, em entrevista à Ansa, a postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva contra o golpe de Estado que o destituiu, um dia depois de o governo brasileiro reiterar sua posição em relação ao caso.
Na semana em que o golpe contra o então mandatário constitucional hondurenho completa um ano, Zelaya explicou que Lula, assim como os demais presidentes da Unasul (União das Nações Sul-Americanas), quer que "não nos aconteça o mesmo do século 20".
"Que neste novo século não se inicie este turbilhão fascista dos golpes militares promovidos por interesse geopolítico e comercial da potência do norte, os Estados Unidos", rebateu o ex-líder do país centro-americano, que concedeu a entrevista por e-mail a fim de não colocar em risco seu asilo na República Dominicana.
Zelaya partiu para o exílio após um acordo entre o mandatário dominicano, Leonel Fernández, e o atual chefe de Governo de Honduras, Porfirio Lobo, que venceu as eleições realizadas durante o regime de facto e por isso não tem sua administração reconhecida por parte da comunidade internacional -- inclusive a maioria dos membros da Unasul, liderados por Lula.
Nesta quarta-feira (30/06), o assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, apontou que a reintegração de Honduras à OEA (Organização dos Estados Americanos), entidade da qual a nação foi suspensa após a ação contra o regime democrático que instaurou o governo de fato de Roberto Micheletti, dependeria da anistia do ex-presidente.
A reincorporação do país centro-americano à OEA continua a ser rechaçada por nações como Venezuela, Equador e Argentina, além do Brasil, ainda que outros governos da região -- como Peru e Colômbia -- defendam a iniciativa.
De acordo com a Agência Brasil, Garcia relembrou que na última assembleia geral do organismo muitos dos presentes concluíram que "não foram reunidas as condições" para a reintegração, já que "todos foram anistiados em Honduras, inclusive os golpistas, menos o presidente Zelaya", o que seria "imprescindível".
Também os países da América Central -- reunidos no Sistema de Integração Centro-Americano (Sica) -- não conseguiram chegar a um consenso sobre o tema. Embora já tenham reconhecido o governo de Lobo, com exceção da Nicarágua, em encontro realizado entre terça-feira e quarta-feira no Panamá os líderes da região terminaram os debates sem um posicionamento comum sobre o tema.
Ainda em declarações à ANSA, Zelaya fez elogios a Lula, definido por ele como um "patriota americano de primeira qualidade" e "o melhor que poderia acontecer ao Brasil e à América do Sul nos últimos 100 anos".
"Suas democráticas e progressistas posições obedecem a sua consciência de classe e seu conhecimento da realidade de nossos povos explorados da América Latina", exaltou.
Questionado sobre quais seriam suas reivindicações atuais, o ex-mandatário assegurou não necessitar de "reconhecimento" e garantiu não trabalhar por isso. "Sou humanista cristão. Não pratico o hedonismo nem temo a morte", declarou.
Ele também disse não se arrepender de ter "enfrentado os Estados Unidos e a oligarquia midiática e econômica de Honduras", e que está "pagando um alto preço por isso".
"Tenho confiança que será retificado e um dia terminará o apartheid, que já tem vários séculos em Honduras, será buscada e então se terá a reconciliação nacional", acrescentou Zelaya, que atualmente ocupa seu tempo escrevendo um livro sobre democracia e organizando uma fundação. (Com agências)
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quinta-feira, 1 de julho de 2010
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Brasil/HILLARY CLINTON, EM BUSCA DO TEMPO (E DO PRESTÍGIO) PERDIDO
10 junho 2010/Vermelho http://www.vermelho.org.br
Viagem no tempo, de volta ao passado. Esta é a sensação deixada pela atuação recente da diplomacia dos EUA, dirigida por Hillary Clinton que, nesta semana, teve dois lances reveladores: a visita da Secretária de Estado a um grupo de países na América do Sul (Peru, Equador, Colômbia e Barbados) e a votação, pelo Conselho de Segurança da ONU, da quarta rodada de sanções contra o Irã.
Dois lances que estão interligados pelo protagonismo da diplomacia brasileira que, juntamente com a Turquia, conseguiu chegar com o Irã a um acordo sobre pesquisa nuclear que o grupo de países do Conselho de Segurança da ONU liderado pelos EUA foi incapaz de obter.
A diplomacia norte-americana tem sofrido revezes impensáveis num passado recente, e que apontam para o fim da unilateralidade que prevaleceu desde a queda do Muro de Berlim, em 1989, quando os EUA passaram a impor, pela força militar, sua vontade e seus interesses e iniciaram uma era de grande insegurança para os povos cuja marca são as agressões ao Afeganistão, ao Iraque e aos palestinos, as ameaças à Coréia do Norte, ao Irã e à Venezuela, e o recrudescimento das hostilidades contra Cuba.
Na última década essa primazia começou a declinar, embora ninguém possa ainda, em sã consciência, proclamar seu fracasso final. De qualquer forma, os países da América do Sul retomaram sua soberania, fortaleceram a integração continental com o crescimento do comércio, o fortalecimento do Mercosul, a cooperação política e militar e a criação de instituições próprias, como a Unasul. Foram movimentos soberanos que criaram condições para afastar a intromissão norte-americana nos assuntos do continente, embora não se tenha ainda alcançado a unanimidade dos países, quebrada pela notória submissão dos governos da Colômbia e do Peru às imposições de Washington.
Um desdobramento dessa nova realidade é o papel que os países da região passam a desempenhar no cenário mundial, representado principalmente pela atuação da diplomacia brasileira que, sinalizando a emergência de nosso próprio país e do continente, tem se destacado pela atuação independente e pela busca de novos parceiros fora do eixo EUA-Europa-Japão. A conquista do acordo com o Irã é a indicação mais visível desse novo protagonismo do Brasil, respaldado por vizinhos da América do Sul.
São movimentos que incomodam o stablishment nos EUA. Contra o acordo e a negociação com o Irã, sua diplomacia impôs - e os demais membros do Conselho de Segurança da ONU acataram, com as notáveis exceções do Brasil, da Turquia e do Líbano - o caminho do confronto, conseguindo a aprovação de mais uma rodada de sanções contra Teerã. Caminho que indica o móvel da política dos EUA: a manutenção, pelas potências atômicas, do monopólio não só das armas mas também da tecnologia nuclear, à qual o governo de Washington quer agora barrar o acesso para os demais países.
A visita de Hillary Clinton à América do Sul (Peru, Equador, Colômbia e Barbados) faz parte desse xadrez no qual o governo de Barack Obama tenta recuperar a influência perdida sobre o continente que, desde o presidente James Monroe, há quase dois séculos, os governos norte-americanos têm considerado como uma espécie de "reserva" de seu próprio país.
A tentativa de retomar a hegemonia e a iniciativa política no continente veio embalada por Hillary Clinton num discurso conciliador, fugindo às questões mais espinhosas. Ela teve a cara de pau de citar Simon Bolivar e o cubano antiimperialista José Marti; elogiou as políticas sociais dos países da região; tentou assegurar que as sete bases militares na Colômbia são colombianas e não norte-americanas e foi por aí.
Mas foi obrigada a enfrentar manifestações com as quais os políticos de seu país não estão acostumados. A Coalición Colombia No Bases denunciou a presença militar dos EUA no país e criticou o Tratado de Livre Comércio assinado pelo direitista Álvaro Uribe como benéfico apenas para as multinacionais estadunidenses, significando, junto com o acordo militar, a "maior entrega da soberania nacional e da dignidade do povo colombiano em toda a história”.
Hillary Clinton compareceu a uma 40ª Assembléia Geral da Organização de Estados Americanos (OEA) esvaziada, que não teve a presença do ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim. Lá, enfrentou a oposição da maioria dos países do continente (Brasil à frente) à volta de Honduras à organização, como quer o governo que ela representa. A medida aprovada naquele encontro foi a criação de uma Comissão para avaliar ao impasse. Os países se opõem à volta de Honduras desde o golpe militar que afastou o presidente Manuel Zelaya, não aceitam como legítima a eleição presidencial realizada sob o governo golpista e denunciam a perseguição e o assassinato de oposicionistas e a situação de insegurança para o retorno ao país de Manuel Zelaya, que se encontra exilado na República Dominicana. Precisou enfrentar também a manifestação do Comitê Peruano de Solidariedade aos Cinco, que distribuiu entre os chanceleres presentes à assembleia da OEA um documento exigindo a liberdade dos cinco lutadores antiterroristas cubanos ilegalmente presos e condenados nos EUA há mais de uma década.
São outros tempos, nos quais o comando de Washington não encontra mais concordância automática e submissa. Hillary Clinton, o Departamento de Estado e o governo de Washington querem voltar ao passado mas a realidade mostra que este caminho vai se tornando cada vez mais inviável, à medida em que a soberania continental se fortalece e se consolida.
Viagem no tempo, de volta ao passado. Esta é a sensação deixada pela atuação recente da diplomacia dos EUA, dirigida por Hillary Clinton que, nesta semana, teve dois lances reveladores: a visita da Secretária de Estado a um grupo de países na América do Sul (Peru, Equador, Colômbia e Barbados) e a votação, pelo Conselho de Segurança da ONU, da quarta rodada de sanções contra o Irã.
Dois lances que estão interligados pelo protagonismo da diplomacia brasileira que, juntamente com a Turquia, conseguiu chegar com o Irã a um acordo sobre pesquisa nuclear que o grupo de países do Conselho de Segurança da ONU liderado pelos EUA foi incapaz de obter.
A diplomacia norte-americana tem sofrido revezes impensáveis num passado recente, e que apontam para o fim da unilateralidade que prevaleceu desde a queda do Muro de Berlim, em 1989, quando os EUA passaram a impor, pela força militar, sua vontade e seus interesses e iniciaram uma era de grande insegurança para os povos cuja marca são as agressões ao Afeganistão, ao Iraque e aos palestinos, as ameaças à Coréia do Norte, ao Irã e à Venezuela, e o recrudescimento das hostilidades contra Cuba.
Na última década essa primazia começou a declinar, embora ninguém possa ainda, em sã consciência, proclamar seu fracasso final. De qualquer forma, os países da América do Sul retomaram sua soberania, fortaleceram a integração continental com o crescimento do comércio, o fortalecimento do Mercosul, a cooperação política e militar e a criação de instituições próprias, como a Unasul. Foram movimentos soberanos que criaram condições para afastar a intromissão norte-americana nos assuntos do continente, embora não se tenha ainda alcançado a unanimidade dos países, quebrada pela notória submissão dos governos da Colômbia e do Peru às imposições de Washington.
Um desdobramento dessa nova realidade é o papel que os países da região passam a desempenhar no cenário mundial, representado principalmente pela atuação da diplomacia brasileira que, sinalizando a emergência de nosso próprio país e do continente, tem se destacado pela atuação independente e pela busca de novos parceiros fora do eixo EUA-Europa-Japão. A conquista do acordo com o Irã é a indicação mais visível desse novo protagonismo do Brasil, respaldado por vizinhos da América do Sul.
São movimentos que incomodam o stablishment nos EUA. Contra o acordo e a negociação com o Irã, sua diplomacia impôs - e os demais membros do Conselho de Segurança da ONU acataram, com as notáveis exceções do Brasil, da Turquia e do Líbano - o caminho do confronto, conseguindo a aprovação de mais uma rodada de sanções contra Teerã. Caminho que indica o móvel da política dos EUA: a manutenção, pelas potências atômicas, do monopólio não só das armas mas também da tecnologia nuclear, à qual o governo de Washington quer agora barrar o acesso para os demais países.
A visita de Hillary Clinton à América do Sul (Peru, Equador, Colômbia e Barbados) faz parte desse xadrez no qual o governo de Barack Obama tenta recuperar a influência perdida sobre o continente que, desde o presidente James Monroe, há quase dois séculos, os governos norte-americanos têm considerado como uma espécie de "reserva" de seu próprio país.
A tentativa de retomar a hegemonia e a iniciativa política no continente veio embalada por Hillary Clinton num discurso conciliador, fugindo às questões mais espinhosas. Ela teve a cara de pau de citar Simon Bolivar e o cubano antiimperialista José Marti; elogiou as políticas sociais dos países da região; tentou assegurar que as sete bases militares na Colômbia são colombianas e não norte-americanas e foi por aí.
Mas foi obrigada a enfrentar manifestações com as quais os políticos de seu país não estão acostumados. A Coalición Colombia No Bases denunciou a presença militar dos EUA no país e criticou o Tratado de Livre Comércio assinado pelo direitista Álvaro Uribe como benéfico apenas para as multinacionais estadunidenses, significando, junto com o acordo militar, a "maior entrega da soberania nacional e da dignidade do povo colombiano em toda a história”.
Hillary Clinton compareceu a uma 40ª Assembléia Geral da Organização de Estados Americanos (OEA) esvaziada, que não teve a presença do ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim. Lá, enfrentou a oposição da maioria dos países do continente (Brasil à frente) à volta de Honduras à organização, como quer o governo que ela representa. A medida aprovada naquele encontro foi a criação de uma Comissão para avaliar ao impasse. Os países se opõem à volta de Honduras desde o golpe militar que afastou o presidente Manuel Zelaya, não aceitam como legítima a eleição presidencial realizada sob o governo golpista e denunciam a perseguição e o assassinato de oposicionistas e a situação de insegurança para o retorno ao país de Manuel Zelaya, que se encontra exilado na República Dominicana. Precisou enfrentar também a manifestação do Comitê Peruano de Solidariedade aos Cinco, que distribuiu entre os chanceleres presentes à assembleia da OEA um documento exigindo a liberdade dos cinco lutadores antiterroristas cubanos ilegalmente presos e condenados nos EUA há mais de uma década.
São outros tempos, nos quais o comando de Washington não encontra mais concordância automática e submissa. Hillary Clinton, o Departamento de Estado e o governo de Washington querem voltar ao passado mas a realidade mostra que este caminho vai se tornando cada vez mais inviável, à medida em que a soberania continental se fortalece e se consolida.
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quarta-feira, 26 de maio de 2010
Argentina/Bicentenário com festa popular e latino-americana
26 maio 2010/Vermelho http://www.vermelho.org.br
Milhares de pessoas encheram as ruas de Buenos Aires nesta terça-feira (25), nos eventos em comemoração pelo Bicentenário da Revolução de Maio, que abriu o caminho para a independência da Argentina, em 1816. "Querímaos um bicentenário diferente, popular, com o povo nas ruas. Faz apenas 27 anos que temos uma democracia continuada", disse a presidente Cristina Kirchner.
O último dia das comemorações contou com a presença do presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, o da Bolívia, Evo Morales; o do Chile, Sebastían Piñera; o do Equador, Rafael Correa; o do Paraguai, Fernando Lugo; o do Uruguai, José Mujica; e o da Venezuela, Hugo Chávez. Também compareceram os ex-governantes de Honduras, Manuel Zelaya, e do Panamá, Martín Torrijos.
No ato central, Cristina convocou os argentinos a superarem as diferenças e a participarem da construção do país. "Convoco todos os argentinos a construírem um país no qual todos possamos nos sentir parte dele, não só porque se está no governo, mas porque soubemos superar diferenças e construir um projeto estratégico que nos guie", disse a presidente, depois de inaugurar a Galeria dos Patriotas Latino-americanos na Casa Rosada.
Cristina revelou que desde que assumiu o poder, em dezembro de 2007, seu governo estava "quase obsessivo" com o Bicentenário. Ela agradeceu aos cidadãos por seu "patriotismo, alegria e sentido cívico" com os quais participaram dos eventos. "Nosso povo está melhor que há 100 anos", disse Cristina, que lembrou que "não existiam direitos sociais e a atividade sindical era proibida" e que seu país não podia eleger seus governantes "livre e democraticamente".
"Temos identidade, temos paixão pela verdade, pela Justiça", ressaltou a presidente, que foi aos eventos nesta terça com um vestido branco e um casaco azul, as cores da bandeira argentina. Cristina quis comemorar o Bicentenário com a inauguração da Galeria de Patriotas Latino-americanos, da qual fazem parte de Simón Bolívar a José de San Martín, passando por Ernesto Che Guevara, Salvador Allende, Juan Domingo Perón e Evita. As imagens refletiam que outra história está sendo escrita na Argentina. São rostos impensáveis na historiografia oficial da América Latina há apenas alguns anos.
Horas antes do discurso presidencial, a cúpula da Igreja Católica fez chamados à unidade, na catedral de Buenos Aires, com a presença de dirigentes da oposição, e na basílica de Nossa Senhora de Luján (padroeira da Argentina), com a participação da presidente e de seu governo. Os pedidos da Igreja foram feitos em um momento de conflito político entre a presidente e o prefeito de Buenos Aires, o conservador Mauricio Macri, que se traduziu, ontem à noite, na ausência de Cristina na reabertura do Teatro Colón, na cidade.
No entanto, os argentinos demonstraram estar acima das tensões políticas e o enfrentamento entre o governo nacional e o da Prefeitura da capital não conseguiu estragar a festa para os mais de um milhão de pessoas que foram às ruas para comemorar o 200º aniversário da Revolução de Maio.
Recebida pelos líderes convidados, Cristina conseguiu a duras penas abrir passagem em meio à multidão nos arredores da Casa Rosada, para assistir ao espetáculo de luz e som projetado na fachada do edifício, reproduzindo cenas da história argentina.
A festa continuou com o desfile dos 200 anos, um espetáculo musical comandado pelo grupo Fuerzabruta, com mais de 2 mil participantes entre atores e técnicos, e de fogos de artifício. De volta à Casa Rosada, Cristina ofereceu um jantar a 200 convidados, entre os quais os líderes de outros países, governadores, parlamentares, dirigentes sindicais, empresários, cientistas, atletas e representantes do setor de cultura.
"No centenário, queríamos nos parecer com a Europa e, não, sermos nós mesmos. Trouxemos um membro da Casa Real da Espanha. Hoje, ao contrário - apesar do respeito com a Espanha -, estamos aqui com quem abonou a América com suas ideias, seu sangue, seus ideais, que defendeu a liberdade para a igualdade", disse Cristina.
Dirigindo-se aos governantes presentes, ela declarou: se alguém olhar para nós, verá diferençãs de origem, mas um só objetivo - que os povos, as sociedades tenham mais liberdade, igualdade, uma distribuição mais equitativa da riqueza, mais educação e saúde". A presidente também agradeceu a todos os presentes o apoio unânime em sua reivindicação de soberania nas Ilhas Malvinas. (Com agências)
Milhares de pessoas encheram as ruas de Buenos Aires nesta terça-feira (25), nos eventos em comemoração pelo Bicentenário da Revolução de Maio, que abriu o caminho para a independência da Argentina, em 1816. "Querímaos um bicentenário diferente, popular, com o povo nas ruas. Faz apenas 27 anos que temos uma democracia continuada", disse a presidente Cristina Kirchner.
O último dia das comemorações contou com a presença do presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, o da Bolívia, Evo Morales; o do Chile, Sebastían Piñera; o do Equador, Rafael Correa; o do Paraguai, Fernando Lugo; o do Uruguai, José Mujica; e o da Venezuela, Hugo Chávez. Também compareceram os ex-governantes de Honduras, Manuel Zelaya, e do Panamá, Martín Torrijos.
No ato central, Cristina convocou os argentinos a superarem as diferenças e a participarem da construção do país. "Convoco todos os argentinos a construírem um país no qual todos possamos nos sentir parte dele, não só porque se está no governo, mas porque soubemos superar diferenças e construir um projeto estratégico que nos guie", disse a presidente, depois de inaugurar a Galeria dos Patriotas Latino-americanos na Casa Rosada.
Cristina revelou que desde que assumiu o poder, em dezembro de 2007, seu governo estava "quase obsessivo" com o Bicentenário. Ela agradeceu aos cidadãos por seu "patriotismo, alegria e sentido cívico" com os quais participaram dos eventos. "Nosso povo está melhor que há 100 anos", disse Cristina, que lembrou que "não existiam direitos sociais e a atividade sindical era proibida" e que seu país não podia eleger seus governantes "livre e democraticamente".
"Temos identidade, temos paixão pela verdade, pela Justiça", ressaltou a presidente, que foi aos eventos nesta terça com um vestido branco e um casaco azul, as cores da bandeira argentina. Cristina quis comemorar o Bicentenário com a inauguração da Galeria de Patriotas Latino-americanos, da qual fazem parte de Simón Bolívar a José de San Martín, passando por Ernesto Che Guevara, Salvador Allende, Juan Domingo Perón e Evita. As imagens refletiam que outra história está sendo escrita na Argentina. São rostos impensáveis na historiografia oficial da América Latina há apenas alguns anos.
Horas antes do discurso presidencial, a cúpula da Igreja Católica fez chamados à unidade, na catedral de Buenos Aires, com a presença de dirigentes da oposição, e na basílica de Nossa Senhora de Luján (padroeira da Argentina), com a participação da presidente e de seu governo. Os pedidos da Igreja foram feitos em um momento de conflito político entre a presidente e o prefeito de Buenos Aires, o conservador Mauricio Macri, que se traduziu, ontem à noite, na ausência de Cristina na reabertura do Teatro Colón, na cidade.
No entanto, os argentinos demonstraram estar acima das tensões políticas e o enfrentamento entre o governo nacional e o da Prefeitura da capital não conseguiu estragar a festa para os mais de um milhão de pessoas que foram às ruas para comemorar o 200º aniversário da Revolução de Maio.
Recebida pelos líderes convidados, Cristina conseguiu a duras penas abrir passagem em meio à multidão nos arredores da Casa Rosada, para assistir ao espetáculo de luz e som projetado na fachada do edifício, reproduzindo cenas da história argentina.
A festa continuou com o desfile dos 200 anos, um espetáculo musical comandado pelo grupo Fuerzabruta, com mais de 2 mil participantes entre atores e técnicos, e de fogos de artifício. De volta à Casa Rosada, Cristina ofereceu um jantar a 200 convidados, entre os quais os líderes de outros países, governadores, parlamentares, dirigentes sindicais, empresários, cientistas, atletas e representantes do setor de cultura.
"No centenário, queríamos nos parecer com a Europa e, não, sermos nós mesmos. Trouxemos um membro da Casa Real da Espanha. Hoje, ao contrário - apesar do respeito com a Espanha -, estamos aqui com quem abonou a América com suas ideias, seu sangue, seus ideais, que defendeu a liberdade para a igualdade", disse Cristina.
Dirigindo-se aos governantes presentes, ela declarou: se alguém olhar para nós, verá diferençãs de origem, mas um só objetivo - que os povos, as sociedades tenham mais liberdade, igualdade, uma distribuição mais equitativa da riqueza, mais educação e saúde". A presidente também agradeceu a todos os presentes o apoio unânime em sua reivindicação de soberania nas Ilhas Malvinas. (Com agências)
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segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Honduras/ZELAYA INSTA A LA COMUNIDAD INTERNACIONAL A MANTENERSE ALERTA TRAS ACUERDO

Zelaya señala que la lucha por restaurar la democracia en Honduras pese al nuevo pacto entre su misión y el gobierno de facto no ha terminado. (teleSUR)
1 noviembre 2009/TeleSUR http://www.telesurtv.net
El presidente constitucional de Honduras, Manuel Zelaya, instó a la comunidad internacional a mantenerse firmes y alertas, pues en el acuerdo logrado entre sus representantes y la delegación del presidente de facto Roberto Micheletti podría manejarse "un juego oscuro".
"Siempre en estos acuerdos existe la posibilidad de manipulación de juegos oscuros que se pueden dar dentro de ellos mismos (Gobierno de facto) por lo cual debemos mantenernos alertas para su cumplimiento", aseguró Zelaya.
Asimismo, Zelaya dijo que "le solicito a toda la comunidad internacional, a todos los presidentes, presidentas de las diferentes naciones del mundo que las posiciones sigan firmes para lograr tener éxito y al final que este acuerdo pueda cumplirse para el beneficio" de todo el país centroamericano y las naciones del mundo.
Zelaya señaló en entrevista exclusiva para teleSUR que la lucha, los objetivos y propósitos que se ha trazado la población hondureña y su comisión no han terminado pese al acuerdo pactado.
A continuación se transcribe la entrevista íntegra:
¿Cuáles son las probabilidades para que el Congreso de la nación decida su restitución a la presidencia de la República, para cuándo está estimado un plazo y sobre todo para que se produzca un resultado?
Quiero informar aquí desde la colonia Palmira (Tegucigalpa) sede diplomática de Brasil, quiero informar a América y al mundo nuestra posición en defensa de la democracia que es un bien universal que transciende las fronteras de Honduras, no hemos cambiado ni un solo ápice de los compromisos que adquirí en Naciones Unidas y en la OEA (Organización de Estados Americanos) y mucho menos los compromisos que he adquirido con el pueblo hondureño de sostener que la soberanía popular es la única encargada en el que se deposita el poder para elegir presidentes en nuestra patria y en los demás países de América, así es que este acuerdo lo celebramos, pero también advertimos a la comunidad internacional que no ha terminado la lucha, ni los propósitos, ni los objetivos que nos hemos trazado para revertir el golpe de Estado, hasta que se cumpla este acuerdo.
Estaremos satisfechos los pueblos de América y los pueblos del mundo porque hemos logrado un gran éxito a favor de la democracia y los pueblos de nuestras naciones. Por el momento le solicito a toda la comunidad internacional a todos los presidentes, presidentas de las diferentes naciones del mundo, que las posiciones sigan firmes para lograr tener éxito y al final que este acuerdo pueda cumplirse para el beneficio de nuestras naciones. Por el momento, yo sigo siendo el Presidente reconocido por el pueblo hondureño y por todas las naciones de América, en ese sentido le solicito, pido a todos los gobiernos de América tengan sus posiciones hasta que se cumpla el acuerdo, tenemos confianza en ellos y en el pueblo, pero siempre en estos acuerdos existe la posibilidad de manipulación de juegos oscuros que se pueden dar dentro de ellos mismos por lo cual debemos mantenernos alertas para su cumplimiento.
¿Para cuándo estaría estimado que se reúna el Congreso del país y sobre todo si existirá algún plazo para que esto ocurra y se produzca un resultado?
El Congreso de la nación ya está listo para reunirse en el momento que así lo estimen conveniente, nosotros hemos dado al Congreso nacional, convenido en este acuerdo una oportunidad. El Congreso tiene la opción de continuar con el golpe de Estado y de reafirmar que no va a cambiar, sin embargo, tiene la opción de lo que espera las naciones del mundo y el pueblo hondureño que ha sido heróico en esta lucha, tiene la posibilidad extraordinaria de convertir a Honduras en un ejemplo para América y un ejemplo para la democracia.
En este sentido el Congreso Nacional debe actuar con responsabilidad frente a los pueblos que los eligieron, que su elección también sea válida y respetada por las naciones del mundo.
Un diputado del Parlamento hondureño, se trata de Marvin Ponce quien es diputado por el Partido de la Unificación Democrática declaró que existe un pacto secreto entre usted, el gobierno de facto y Estados Unidos, para lograr su regreso al poder antes del 10 de noviembre, pero con una condición de que usted como presidente no podría ejercer a plenitud sus funciones. ¿Qué hay de cierto de esa afirmación realizada por el diputado del Parlamento hondureño?
No existe ningún pacto secreto, todos los acuerdos son públicos son de conocimiento general más bien manifiesto en forma prudente que tengo indicio de que posiblemente el Congreso Nacional, algunos diputados del Congreso estén tratando de impedir que se logre culminar este acuerdo.
En este sentido, quiero aclarar porque en esto no debemos ser ingenuos, el presidente del Congreso Nacional sigue siendo Roberto Micheletti, él está ejerciendo un presidencia de facto. De hecho el Congreso actuó de una forma ilegal porque hubo una ruptura del hilo democrático, lo que él firmó como presidente de facto. en mi opinión. los que firmaron el acuerdo deben ser congruentes con la opinión del Congreso Nacional, si el Congreso Nacional empieza con juegos, con manipulaciones, tratar de postergar su decisión, no tendríamos ninguna duda que es el propio Micheletti que está haciendo un juego doble con este acuerdo político que se ha avalado por el Congreso Nacional.
Estas declaraciones del diputado Ponce no obedecen a más que informaciones equivocadas, si hay en el acuerdo limitaciones para mis facultades como presidente, limitaciones que yo las he aceptado con el fin de que la democracia vuelva a su estado natural y a su estado de derecho, son limitaciones aceptables para un mandatario que respeta la soberanía popular como el derecho para elegir y escoger presidentes.
Las directivas de las principales instituciones en Honduras incluyendo la Fuerzas Armadas están alineadas con el gobierno de facto. ¿ Qué va a pasar cuando usted regrese al gobierno con quién contaría usted como aliados a su regreso?
El acuerdo es precisamente para la reconciliación nacional, el acuerdo habla de que hay que salir de la crisis, de que es necesario restaurar la democracia. Habla de un acuerdo de buena fe, esperamos que esa buena fe sea partícipe de todos los grupos y sectores sociales, económicos, políticos del pueblo hondureño, si no, el acuerdo no tendría ningún sentido.
El acuerdo también especifica en algunos de sus párrafos, muy taxativamente, que la reconstrucción de la paz social y los acuerdos políticos son el verdadero camino para la paz social. En este momento la única forma que las elecciones de Honduras que están programadas para el final de noviembre puedan realizarse en forma transparente, sin fraudes, que haya libertad de competencia, que no exista participación para unos y persecución para otros, que no haya persecución política, ni represión, ni contra el pueblo, ni contra los grupos opositores al régimen.
Igual como la cancelación de medios y la censura de medios de comunicación, en este sentido mi retorno garantiza la paz social en reconocimiento de los observadores internacionales y vuelva el Estado democrático como un símbolo de nuestras naciones.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
UE y Brasil condenan gobierno de Micheletti y exigen el regreso de Zelaya

Luiz Inácio Lula da Silva en un encuentro con miembros de la Unión Europea (UE). (Foto:efe)
6 octubre 2009/TeleSUR http://www.telesurtv.net
En el documento firmado instan a régimen de facto a respetar la inviolabilidad de la embajada de Brasil en Tegucigalpa y a mantener la integridad física de Zelaya, su familia y los integrantes de su Gobierno.
La Unión Europea (UE) y Brasil firmaron una declaración conjunta este martes que condena la violación del orden constitucional en Honduras, tras el golpe de Estado del pasado 28 de junio que derrocó al presidente Manuel Zelaya e instaló un gobierno de facto liderado por Roberto Micheletti.
El presidente brasileño, Luz Inacio Lula da Silva, junto con el primer ministro sueco y presidente de turno de la UE, Fredrik Reinfeldt, y el jefe de la Comisión Europea, José Manuel Barroso, aprobaron el documento en Estocolmo donde se realiza la tercera cumbre entre la UE y Brasil.
En el texto se insta al régimen de facto que respete la inviolabilidad de la embajada brasileña en Tegucigalpa, donde Zelaya permanece desde hace tres semanas cuando regresó sorpresivamente al país.
También se pide respeto a su integridad física, la de su familia y miembros de su Gobierno, quienes se han visto asediados por las fuerzas militares que rodean la sede diplomática como método de hacer presión para que el mandatario salga y se arrestado.
Lula da Silva, pidió en rueda de prensa la salida del poder de los ejecutores del golpe de Estado en Honduras, y llamó a la restitución de Zelaya a la primera magistratura, lo que para él sería la solución fácil a los problemas del país.
El presidente brasileño llegó esta martes a Suecia para participar en el encuentro que está centrado en la lucha contra el cambio climático y el refuerzo de las relaciones bilaterales.
Las negociaciones internacionales para lanzar un ambicioso acuerdo contra el calentamiento planetario en diciembre figurarán en el centro de la cumbre de este martes, así como la crisis económica mundial y el refuerzo de las relaciones bilaterales.
Lula y Reinfeldt también tienen previsto asistir a una reunión entre empresarios europeos y brasileños y mantener una reunión a nivel bilateral entre Brasil y Suecia.
HONDURAS, UMA BATALHA LATINO-AMERICANA
A entrada do presidente Manuel Zelaya na Embaixada brasileira em Tegucigalpa, representou um cheque-mate nas pretensões dos ditadores de plantão
30 setembro 2009/Brasil de Fato EDITORIAL http://www.brasildefato.com.br
A entrada do presidente Manuel Zelaya na Embaixada brasileira em Tegucigalpa, representou um cheque-mate nas pretensões dos ditadores de plantão. Além disso, recolocou na ordem do dia, a luta de classes local, na imprensa e na correlação de forças da América Latina.
Como já comentamos nesse espaço, no editorial da edição 339 sob título “O império contra-ataca”, a batalha de Honduras foi uma iniciativa da velha guarda do imperialismo estadunidense, representado pelos interesses do capital internacional e do complexo industrial-militar que opera dentro do pentágono e nas estruturas do Estado imperial, independente da eleição do Obama.
A conjuntura política da América Latina vem se alterando, e nesse momento, está mais evidente que estão em jogo e em disputa três projetos para o continente. O primeiro, segue sendo a recomposição de forças servis aos interesses das empresas transnacionais dos Estados Unidos e a seus interesses de controlar fontes energéticas para manter o abastecimento da economia norte-americana. É o projeto clássico de dominação imperialista, que nos transformou em pátio traseiro, na expressão deles. Perderam na Área de Livre Comércio das Américas (Alca) e na eleição de governos progressistas. Agora tentam colocar uma barreira à Aliança Bolivariana de Integração dos Povos das Américas (Alba). Por isso, era preciso derrotar o governo Zelaya (que havia aderido a Alba) por ser o elo mais fraco na Meso-América. Ampliaram as bases na Colômbia, intensificaram os acordos dos Tratados de Livre Comércio (TLCs) com outros países, e tentam convencer o Paraguai a manter uma base militar de inteligência. Poucos soldados, mas muitos equipamentos no centro geográfico do continente. Esse projeto tem nos governos do México, da Colômbia e do Peru, seus ponta-lanças no continente.
Há um segundo projeto que está sendo articulado pelos interesses das empresas brasileiras, argentinas e mexicanas, que atuam no continente. A proposta é muito parecida com as antigas formulações da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), e defendem uma integração capitalista entre as grandes empresas do continente, em parceria com as do Norte. Ou seja, buscaríamos maior autonomia e investimentos sob controle das burguesias locais, sem confrontar com o império, mas mantendo uma certa autonomia e parceria. Seria potencializar o desenvolvimento do capitalismo na região.
A disputa de Honduras tem sua presença também, pelo que representaria o potencial dos agro-combustíveis da região.
Há um terceiro projeto, representado pelos governos progressistas que articulam a Alba, que tem uma postura claramente anti-imperialista, anti-Estados Unidos. A proposta da Alba ultrapassa as articulações governamentais e comerciais. Pretende ser um espaço de integração regional entre governos, Estados, infra-estrutura energética, integração econômica e integração popular. O projeto da Alba já tem adesão de diversos governos, liderados por Chávez (Venezuela, Equador, Nicarágua, Cuba, Bolívia, Honduras e dois países-ilhas do Caribe). Tem adesão também de praticamente todos os movimentos sociais que atuam em todos os países, desde o Canadá até o Chile.
O desfecho da batalha de Honduras, nas suas formas e correlação de forças é a disputa dos três projetos. Seu resultado fortalecerá um dos três projetos que estão em disputa na América Latina.
Em nível internacional, o apoio mais decisivo do governo brasileiro fez com que a balança da disputa pendesse para o projeto dois. Ou seja, a recomposição de Zelaya no governo, nesse momento contribuiria para um enorme prestígio do governo brasileiro na região.
Em nível interno, a correlação de forças que parecia consolidada pelos golpistas se alterou fundamentalmente com o regresso de Zelaya e recolocou os atores sociais em movimento em grandes manifestações populares, que são as únicas que agora podem de fato derrotar os golpistas. Há também um salto qualitativo nas propostas políticas. Se antes a proposta era apenas reempossar Zelaya, seguir o calendário eleitoral, com anistia ampla e irrestrita aos golpistas (que é o Acordo de San José - Costa Rica), agora, as forças populares recolocam que o problema não é Zelaya, o problema é a oligarquia econômica e política. E, portanto, além de reempossar Zelaya e prender os golpistas, é necessário reajustar o calendário eleitoral e sobretudo convocar uma Assembléia Constituinte, que represente um novo pacto social entre as forças em disputa. Dessa constituinte certamente haveria um salto na consolidação dos direitos sociais, da soberania do país em relação aos recursos naturais (que seguem espoliados por empresas estrangeiras) e na instalação de um processo político mais democrático.
A batalha de Honduras segue, sem prognósticos de seus resultados, mas estamos diante de um novo cenário em que as forças populares voltaram a cena política e os resultados agora dependem mais delas do que da OEA.
30 setembro 2009/Brasil de Fato EDITORIAL http://www.brasildefato.com.br
A entrada do presidente Manuel Zelaya na Embaixada brasileira em Tegucigalpa, representou um cheque-mate nas pretensões dos ditadores de plantão. Além disso, recolocou na ordem do dia, a luta de classes local, na imprensa e na correlação de forças da América Latina.
Como já comentamos nesse espaço, no editorial da edição 339 sob título “O império contra-ataca”, a batalha de Honduras foi uma iniciativa da velha guarda do imperialismo estadunidense, representado pelos interesses do capital internacional e do complexo industrial-militar que opera dentro do pentágono e nas estruturas do Estado imperial, independente da eleição do Obama.
A conjuntura política da América Latina vem se alterando, e nesse momento, está mais evidente que estão em jogo e em disputa três projetos para o continente. O primeiro, segue sendo a recomposição de forças servis aos interesses das empresas transnacionais dos Estados Unidos e a seus interesses de controlar fontes energéticas para manter o abastecimento da economia norte-americana. É o projeto clássico de dominação imperialista, que nos transformou em pátio traseiro, na expressão deles. Perderam na Área de Livre Comércio das Américas (Alca) e na eleição de governos progressistas. Agora tentam colocar uma barreira à Aliança Bolivariana de Integração dos Povos das Américas (Alba). Por isso, era preciso derrotar o governo Zelaya (que havia aderido a Alba) por ser o elo mais fraco na Meso-América. Ampliaram as bases na Colômbia, intensificaram os acordos dos Tratados de Livre Comércio (TLCs) com outros países, e tentam convencer o Paraguai a manter uma base militar de inteligência. Poucos soldados, mas muitos equipamentos no centro geográfico do continente. Esse projeto tem nos governos do México, da Colômbia e do Peru, seus ponta-lanças no continente.
Há um segundo projeto que está sendo articulado pelos interesses das empresas brasileiras, argentinas e mexicanas, que atuam no continente. A proposta é muito parecida com as antigas formulações da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), e defendem uma integração capitalista entre as grandes empresas do continente, em parceria com as do Norte. Ou seja, buscaríamos maior autonomia e investimentos sob controle das burguesias locais, sem confrontar com o império, mas mantendo uma certa autonomia e parceria. Seria potencializar o desenvolvimento do capitalismo na região.
A disputa de Honduras tem sua presença também, pelo que representaria o potencial dos agro-combustíveis da região.
Há um terceiro projeto, representado pelos governos progressistas que articulam a Alba, que tem uma postura claramente anti-imperialista, anti-Estados Unidos. A proposta da Alba ultrapassa as articulações governamentais e comerciais. Pretende ser um espaço de integração regional entre governos, Estados, infra-estrutura energética, integração econômica e integração popular. O projeto da Alba já tem adesão de diversos governos, liderados por Chávez (Venezuela, Equador, Nicarágua, Cuba, Bolívia, Honduras e dois países-ilhas do Caribe). Tem adesão também de praticamente todos os movimentos sociais que atuam em todos os países, desde o Canadá até o Chile.
O desfecho da batalha de Honduras, nas suas formas e correlação de forças é a disputa dos três projetos. Seu resultado fortalecerá um dos três projetos que estão em disputa na América Latina.
Em nível internacional, o apoio mais decisivo do governo brasileiro fez com que a balança da disputa pendesse para o projeto dois. Ou seja, a recomposição de Zelaya no governo, nesse momento contribuiria para um enorme prestígio do governo brasileiro na região.
Em nível interno, a correlação de forças que parecia consolidada pelos golpistas se alterou fundamentalmente com o regresso de Zelaya e recolocou os atores sociais em movimento em grandes manifestações populares, que são as únicas que agora podem de fato derrotar os golpistas. Há também um salto qualitativo nas propostas políticas. Se antes a proposta era apenas reempossar Zelaya, seguir o calendário eleitoral, com anistia ampla e irrestrita aos golpistas (que é o Acordo de San José - Costa Rica), agora, as forças populares recolocam que o problema não é Zelaya, o problema é a oligarquia econômica e política. E, portanto, além de reempossar Zelaya e prender os golpistas, é necessário reajustar o calendário eleitoral e sobretudo convocar uma Assembléia Constituinte, que represente um novo pacto social entre as forças em disputa. Dessa constituinte certamente haveria um salto na consolidação dos direitos sociais, da soberania do país em relação aos recursos naturais (que seguem espoliados por empresas estrangeiras) e na instalação de um processo político mais democrático.
A batalha de Honduras segue, sem prognósticos de seus resultados, mas estamos diante de um novo cenário em que as forças populares voltaram a cena política e os resultados agora dependem mais delas do que da OEA.
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Honduras/ISOLADO, MICHELETTI DIZ: ZELAYA FOI DEPOSTO POR SER PROGRESSISTA
1 outubro de 2009/Vermelho http://www.vermelho.org.br
Já reconhecendo seu isolamento, o presidente golpista de Honduras, Roberto Micheletti, admitiu, pela primeira vez, que a deposição de Manuel Zelaya, em 28 de julho, foi uma tentativa de frear a guinada à esquerda de um presidente eleito com credenciais de centro-direita. Em entrevista ao jornal argentino Clarín, o mandatário de fato disse que Zelaya, eleito em 2005 pelo Partido Liberal(mesmo de Micheletti) “preocupou” autoridades do país ao tomar iniciativas como o aumento do salário mínimo.
O golpista falou claramente que a direita hondurenha derrubou Manuel Zelaya por ele ter se tornado "esquerdista", por sua proximidade com governos progressistas latino-americanos. "Tiramos Zelaya por seu esquerdismo e corrupção. Ele foi presidente, liberal, como eu. Mas se tornou amigo de Daniel Ortega, (Hugo) Chávez, (Rafael) Correa, Evo Morales", declarou Micheletti, referindo-se aos presidentes de Nicarágua, Venezuela, Equador e Bolívia, respectivamente.
Micheletti, ex-presidente do Congresso elevado à Presidência após a deposição de Zelaya, disse que a posição do presidente deposto "preocupou" as autoridades do país, citando que ele "convidou comunistas" para compor seu governo.
Indagado sobre a necessidade de promover reformas e mudanças sociais em um país pobre como Honduras - o que é reivindicado por Zelaya - Micheletti comentou que "pode haver reformas, inclusive constitucionais", mas desde que não afetem três pontos: "território, forma de governo e reeleição".
Para ele, o "único erro" de seu grupo foi a forma como foi feita a deposição. "Nosso único erro foi tirá-lo (do poder) como tiramos. De resto, atuamos conforme a lei. Ele violava a Constituição ao buscar uma Constituinte para uma reeleição. Se o tivéssemos prendido e deixássemos aqui, teríamos mortos", argumentou Micheletti, que desde esta segunda-feira passou a adotar um tom mais conciliador, depois de ter endurecido medidas de segurança e fechado duas emissoras oposicionistas que transmitiam pronunciamentos de Zelaya, abrigado desde a semana passada na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, após voltar clandestinamente ao país.
Micheletti já admite isolamento
Micheletti começou a ver fissuras no apoio da elite hondurenha ao seu governo, em especial após decretar Estado de Sítio no país. Em entrevista para a Efe, ontem, ele assegurou que o decreto que impõe limites às liberdades no país não vai durar 45 dias, como era previsto, e que alguns políticos estão se distanciando dele para "trazer água a seu moinho" nas eleições de 29 de novembro.
"Eu fui posto como presidente e me responsabilizam por tudo", disse, assegurando que se sente tão respaldado pelos partidos políticos quanto no dia do golpe. "Eles são os responsáveis que eu esteja aqui, acaso não foram eles os que votaram no Congresso para que eu pudesse aceder a esta posição?", perguntou. No entanto, Micheletti indicou que esses mesmos partidos políticos "possivelmente não estejam muito de acordo" com ele "porque têm aspirações de atrair todos os eleitores do país".
O presidente de fato tentou justificar o estado de sítio afirmando qur Zelaya estaria chamando à "insurreição e às armas". "Isso pode ser considerado um chamado de sedição em um país. Mas o estado de sítio, não vai durar 45 dias, vão se restituir as garantias o mais em breve possível. Sexta-feira possivelmente chamamos ao Conselho de Ministros e entre todos decidiremos qual é a situação que vamos viver, a decisão será tomada na sexta-feira", anunciou menos de uma semana após ditar o decreto.
Micheletti também declarou que deixará o cargo se as instituições do país determinarem a restituição de Manuel Zelaya. "No momento em que a população, no momento no qual a Corte Suprema, no momento em que a Promotoria, no momento em que o Congresso diga que eu não devo seguir, eu imediatamente saco as fotografias que tenho aí e me vou para minha casa", disse. Ele insistiu que Zelaya tem que apresentar-se nos tribunais para responder por acusações que se lhe acusam de caráter econômico e político. "Se os tribunais o deixam em liberdade eu imediatamente saio daqui para que ele se instale", acrescentou.
Recuo de ameça ao Brasil
O presidente golpista de Honduras também recuou do ultimato que havia imposto ao Brasil para que decidisse o destino do presidente deposto Manuel Zelaya, abrigado na embaixada brasileira em Tegucigalpa desde que voltou a seu país, há mais de uma semana. Micheletti disse que não tomará "medidas adicionais" contra a embaixada brasileira em Tegucigalpa.
O Ministério do Exterior do governo de fato havia dado um prazo de dez dias, no último sábado, para que o Brasil decidisse se concederia asilo a Zelaya ou o entregaria à Justiça, o que irritou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em uma entrevista à Reuters, Micheletti disse, ontem, que não foi consultado previamente sobre a ameaça de tomar "medidas adicionais" quando o prazo for cumprido.
"Nenhuma medida adicional", disse Micheletti, em um claro recuo. A declaração foi dada em uma sala do palácio presidencial que ele ocupa desde o golpe militar de 28 de junho, e que transformou em estúdio de televisão para atender a avalanche de jornalistas que chegam do mundo todo para cobrir a pior crise em décadas na América Central.
"Não vamos fazer neste país nada que possa romper os tratados internacionais que temos", acrescentou, enquanto um soldado uniformizado e carregando um fuzil AR-15 observava desde o canto da sala. O Brasil disse que não aceitava o ultimato de um "governo golpista" e exigiu que se respeite a imunidade da embaixada.
"Eles podem ficar ali o tempo que quiserem. A única coisa que precisamos é a garantia por parte do Brasil de que não lhe permitam fazer uma campanha política em sua própria sede", afirmou Micheletti. Na quarta-feira Zelaya completou 9 dias na embaixada. (Com agências)
Já reconhecendo seu isolamento, o presidente golpista de Honduras, Roberto Micheletti, admitiu, pela primeira vez, que a deposição de Manuel Zelaya, em 28 de julho, foi uma tentativa de frear a guinada à esquerda de um presidente eleito com credenciais de centro-direita. Em entrevista ao jornal argentino Clarín, o mandatário de fato disse que Zelaya, eleito em 2005 pelo Partido Liberal(mesmo de Micheletti) “preocupou” autoridades do país ao tomar iniciativas como o aumento do salário mínimo.
O golpista falou claramente que a direita hondurenha derrubou Manuel Zelaya por ele ter se tornado "esquerdista", por sua proximidade com governos progressistas latino-americanos. "Tiramos Zelaya por seu esquerdismo e corrupção. Ele foi presidente, liberal, como eu. Mas se tornou amigo de Daniel Ortega, (Hugo) Chávez, (Rafael) Correa, Evo Morales", declarou Micheletti, referindo-se aos presidentes de Nicarágua, Venezuela, Equador e Bolívia, respectivamente.
Micheletti, ex-presidente do Congresso elevado à Presidência após a deposição de Zelaya, disse que a posição do presidente deposto "preocupou" as autoridades do país, citando que ele "convidou comunistas" para compor seu governo.
Indagado sobre a necessidade de promover reformas e mudanças sociais em um país pobre como Honduras - o que é reivindicado por Zelaya - Micheletti comentou que "pode haver reformas, inclusive constitucionais", mas desde que não afetem três pontos: "território, forma de governo e reeleição".
Para ele, o "único erro" de seu grupo foi a forma como foi feita a deposição. "Nosso único erro foi tirá-lo (do poder) como tiramos. De resto, atuamos conforme a lei. Ele violava a Constituição ao buscar uma Constituinte para uma reeleição. Se o tivéssemos prendido e deixássemos aqui, teríamos mortos", argumentou Micheletti, que desde esta segunda-feira passou a adotar um tom mais conciliador, depois de ter endurecido medidas de segurança e fechado duas emissoras oposicionistas que transmitiam pronunciamentos de Zelaya, abrigado desde a semana passada na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, após voltar clandestinamente ao país.
Micheletti já admite isolamento
Micheletti começou a ver fissuras no apoio da elite hondurenha ao seu governo, em especial após decretar Estado de Sítio no país. Em entrevista para a Efe, ontem, ele assegurou que o decreto que impõe limites às liberdades no país não vai durar 45 dias, como era previsto, e que alguns políticos estão se distanciando dele para "trazer água a seu moinho" nas eleições de 29 de novembro.
"Eu fui posto como presidente e me responsabilizam por tudo", disse, assegurando que se sente tão respaldado pelos partidos políticos quanto no dia do golpe. "Eles são os responsáveis que eu esteja aqui, acaso não foram eles os que votaram no Congresso para que eu pudesse aceder a esta posição?", perguntou. No entanto, Micheletti indicou que esses mesmos partidos políticos "possivelmente não estejam muito de acordo" com ele "porque têm aspirações de atrair todos os eleitores do país".
O presidente de fato tentou justificar o estado de sítio afirmando qur Zelaya estaria chamando à "insurreição e às armas". "Isso pode ser considerado um chamado de sedição em um país. Mas o estado de sítio, não vai durar 45 dias, vão se restituir as garantias o mais em breve possível. Sexta-feira possivelmente chamamos ao Conselho de Ministros e entre todos decidiremos qual é a situação que vamos viver, a decisão será tomada na sexta-feira", anunciou menos de uma semana após ditar o decreto.
Micheletti também declarou que deixará o cargo se as instituições do país determinarem a restituição de Manuel Zelaya. "No momento em que a população, no momento no qual a Corte Suprema, no momento em que a Promotoria, no momento em que o Congresso diga que eu não devo seguir, eu imediatamente saco as fotografias que tenho aí e me vou para minha casa", disse. Ele insistiu que Zelaya tem que apresentar-se nos tribunais para responder por acusações que se lhe acusam de caráter econômico e político. "Se os tribunais o deixam em liberdade eu imediatamente saio daqui para que ele se instale", acrescentou.
Recuo de ameça ao Brasil
O presidente golpista de Honduras também recuou do ultimato que havia imposto ao Brasil para que decidisse o destino do presidente deposto Manuel Zelaya, abrigado na embaixada brasileira em Tegucigalpa desde que voltou a seu país, há mais de uma semana. Micheletti disse que não tomará "medidas adicionais" contra a embaixada brasileira em Tegucigalpa.
O Ministério do Exterior do governo de fato havia dado um prazo de dez dias, no último sábado, para que o Brasil decidisse se concederia asilo a Zelaya ou o entregaria à Justiça, o que irritou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em uma entrevista à Reuters, Micheletti disse, ontem, que não foi consultado previamente sobre a ameaça de tomar "medidas adicionais" quando o prazo for cumprido.
"Nenhuma medida adicional", disse Micheletti, em um claro recuo. A declaração foi dada em uma sala do palácio presidencial que ele ocupa desde o golpe militar de 28 de junho, e que transformou em estúdio de televisão para atender a avalanche de jornalistas que chegam do mundo todo para cobrir a pior crise em décadas na América Central.
"Não vamos fazer neste país nada que possa romper os tratados internacionais que temos", acrescentou, enquanto um soldado uniformizado e carregando um fuzil AR-15 observava desde o canto da sala. O Brasil disse que não aceitava o ultimato de um "governo golpista" e exigiu que se respeite a imunidade da embaixada.
"Eles podem ficar ali o tempo que quiserem. A única coisa que precisamos é a garantia por parte do Brasil de que não lhe permitam fazer uma campanha política em sua própria sede", afirmou Micheletti. Na quarta-feira Zelaya completou 9 dias na embaixada. (Com agências)
Honduras/REGIME DE MICHELETTI CAI NO ISOLAMENTO E NA DEFENSIVA
1 outubro de 2009/Vermelho http://www.vermelho.org.br
"Pode-se fazer qualquer tudo com as baionetas, exceto sentar-se sobre elas". Por ignorar essa frase de Napoleão Bonaparte, Roberto Micheletti, inquilino da Casa Presidencial de Honduras desde o golpe de 28 de junho, isola-se não só do Brasil, da OEA e da ONU, mas do Parlamento Hondurenho, do Tribunal Supremo Eleitoral, dos candidatos presidenciais, dos empresários, da Igreja e até do general Romeo Vásquez, o homem que deu o golpe. Por isso já começou a balançar.
Por Bernardo Joffily
A frase provavelmente não é de autoria de Napoleão – que provavelmente tomou-a de empréstimo de Talleyrand (1754-1838). Mas é uma santa verdade, comprovada pela trajetória de todas as ditaduras latino-americanas do século passado.
Podia ter dado certo até o dia 21
É sempre arriscado adiantar previsões. Mais ainda numa situação tão conflituosa e instável, em um país com peculiaridades bem distintas dos seus vizinhos El Salvador, Nicarágua e Guatemala. Mas há momentos em que um jornalista, mesmo correndo o risco de morder a língua, tem o dever de ofício de tentar se adiantar aos fatos. Os fatos apontam para um diálogo entre golpistas e zelaystas que já começou, apesar de Micheletti, e tende inexoravelmente a atropelar o aprendiz de ditador.
A estratégia micheletista consistia em segurar as pontas, reprimir a Resistência, fazer as eleições de 29 de novembro sob seu controle e entregar ao sucessor "eleito" o abacaxi de um regime que não é reconhecido por nenhum dos 192 países do mundo. Poderia ter dado certo... até o 21 de Setembro.
Mas o retorno do presidente Manuel Zelaya, e o abrigo que este encontrou na embaixada brasileira, mudaram esse cenário. E o próprio 'Goriletti', como dizem os hondurenhos, à sua maneira, ajudou. Com a escalada de medidas ditatoriais do último fim de semana, começando com o ultimato de dez dias ao Brasil e culminando com a decretação do estado de sítio, quis "sentar-se sobre as baionetas".
Tapete vermelho para a OEA no dia 7
Com isso, o campo do golpismo fragmentou-se – outro processo clássico no crepúsculo de ditaduras em Nuestra America. Por enquanto, os atores citados no primeiro parágrafo manifestam sua discordância do estado de sítio, enquanto pronunciam-se pelo (e praticam o) diálogo com o campo de Zelaya.
O cenário mais provável é que a missão da Organização dos Estados Americanos que desembarcará em Tegucigalpa na próxima quarta-feira (4) encontrará um tapete vermelho estendido pelo regime golpista – o mesmo que no sábado expulsou sumariamente quatro diplomatas da OEA encarregados de preparar a visita. E que o 'Acordo de San José', costurado pelo presidente Costarriquenho Oscar Arias.
Em síntese, San José significa: 1) o retorno do presidente Zelaya ao seu cargo, até a conclusão do mandato constitucional, em janeiro que vem; 2) o veto a uma hipotética candidatura de Zelaya a um segundo mandato nas eleições presidenciais de 29 de novembro (pretensão que o presidente deposto aliás nunca assumiu); e 3) anistia geral, como é de praxe em tais processos de pacificação.
95 dias de magnífica Resistência
Não é uma plataforma insurreicional-revolucionária (nem poderia ser, vindo de Arias). Mas também não é uma imposição de "estrangeiros", como tentaram vender os michelettistas – que aliás andam de bola murcha e desistiram da "Marcha em Defesa das Eleições" que estava programada para esta terça-feira. Será, se for, um êxito parcial porém notável do povo hondurenho e sua Resistência.
O movimento popular hondurenho sempre foi visto como incipiente, em comparação com seus vigorosos vizinhos salvadorenhos, nicaraguenses e guatemaltecos. Honduras não tinha forças guerrilheiras, nem partidos ou frentes de esquerda com grande implantação de massas. Mas isso terá que ser revisto.
Noventa e cinco dias de uma magnífica Resistência Nacional contra o Golpe de Estado, ou simplesmente 'A Resistência' transformaram a realidade do movimento popular hondurenho. Não houve um só dia sem protestos, greves, barricadas, denúncias. O retorno do presidente eleito deu novo ânimo e vigor às mobilizações; a multidão que se concentrou diante da embaixada brasileira no primeiro dia foi estimada entre 20 mil e 100 mil pessoas, e só não se repetiu, em escala ampliada, porque foi dispersada pela força.
Ainda há muitas incógnitas por esclarecer na situação hondurenho. A classe dominante local, oligárquica e reacionária, que deu o golpe e empossou Micheletti, agora se distancia dele mas não abdicou de seus interesses. Washington, antes tarde do que nunca suspenderam a ajuda não humanitária ao país, mas permanece com um discurso cheio de ambiguidades. E Micheletti, mesmo isolado, permanece no poder. Porém há motivos para avaliar que a ditadura micheletista, aos três meses de idade, já está em seu ocaso. E o movimento popular, que segurou 'a Resistência' mesmo nos piores dias e com Zelaya no exílio, tem tudo para conquistar um novo protagonismo – conforme outra lei geral das experiências ditatoriais latino-americanas.
"Pode-se fazer qualquer tudo com as baionetas, exceto sentar-se sobre elas". Por ignorar essa frase de Napoleão Bonaparte, Roberto Micheletti, inquilino da Casa Presidencial de Honduras desde o golpe de 28 de junho, isola-se não só do Brasil, da OEA e da ONU, mas do Parlamento Hondurenho, do Tribunal Supremo Eleitoral, dos candidatos presidenciais, dos empresários, da Igreja e até do general Romeo Vásquez, o homem que deu o golpe. Por isso já começou a balançar.
Por Bernardo Joffily
A frase provavelmente não é de autoria de Napoleão – que provavelmente tomou-a de empréstimo de Talleyrand (1754-1838). Mas é uma santa verdade, comprovada pela trajetória de todas as ditaduras latino-americanas do século passado.
Podia ter dado certo até o dia 21
É sempre arriscado adiantar previsões. Mais ainda numa situação tão conflituosa e instável, em um país com peculiaridades bem distintas dos seus vizinhos El Salvador, Nicarágua e Guatemala. Mas há momentos em que um jornalista, mesmo correndo o risco de morder a língua, tem o dever de ofício de tentar se adiantar aos fatos. Os fatos apontam para um diálogo entre golpistas e zelaystas que já começou, apesar de Micheletti, e tende inexoravelmente a atropelar o aprendiz de ditador.
A estratégia micheletista consistia em segurar as pontas, reprimir a Resistência, fazer as eleições de 29 de novembro sob seu controle e entregar ao sucessor "eleito" o abacaxi de um regime que não é reconhecido por nenhum dos 192 países do mundo. Poderia ter dado certo... até o 21 de Setembro.
Mas o retorno do presidente Manuel Zelaya, e o abrigo que este encontrou na embaixada brasileira, mudaram esse cenário. E o próprio 'Goriletti', como dizem os hondurenhos, à sua maneira, ajudou. Com a escalada de medidas ditatoriais do último fim de semana, começando com o ultimato de dez dias ao Brasil e culminando com a decretação do estado de sítio, quis "sentar-se sobre as baionetas".
Tapete vermelho para a OEA no dia 7
Com isso, o campo do golpismo fragmentou-se – outro processo clássico no crepúsculo de ditaduras em Nuestra America. Por enquanto, os atores citados no primeiro parágrafo manifestam sua discordância do estado de sítio, enquanto pronunciam-se pelo (e praticam o) diálogo com o campo de Zelaya.
O cenário mais provável é que a missão da Organização dos Estados Americanos que desembarcará em Tegucigalpa na próxima quarta-feira (4) encontrará um tapete vermelho estendido pelo regime golpista – o mesmo que no sábado expulsou sumariamente quatro diplomatas da OEA encarregados de preparar a visita. E que o 'Acordo de San José', costurado pelo presidente Costarriquenho Oscar Arias.
Em síntese, San José significa: 1) o retorno do presidente Zelaya ao seu cargo, até a conclusão do mandato constitucional, em janeiro que vem; 2) o veto a uma hipotética candidatura de Zelaya a um segundo mandato nas eleições presidenciais de 29 de novembro (pretensão que o presidente deposto aliás nunca assumiu); e 3) anistia geral, como é de praxe em tais processos de pacificação.
95 dias de magnífica Resistência
Não é uma plataforma insurreicional-revolucionária (nem poderia ser, vindo de Arias). Mas também não é uma imposição de "estrangeiros", como tentaram vender os michelettistas – que aliás andam de bola murcha e desistiram da "Marcha em Defesa das Eleições" que estava programada para esta terça-feira. Será, se for, um êxito parcial porém notável do povo hondurenho e sua Resistência.
O movimento popular hondurenho sempre foi visto como incipiente, em comparação com seus vigorosos vizinhos salvadorenhos, nicaraguenses e guatemaltecos. Honduras não tinha forças guerrilheiras, nem partidos ou frentes de esquerda com grande implantação de massas. Mas isso terá que ser revisto.
Noventa e cinco dias de uma magnífica Resistência Nacional contra o Golpe de Estado, ou simplesmente 'A Resistência' transformaram a realidade do movimento popular hondurenho. Não houve um só dia sem protestos, greves, barricadas, denúncias. O retorno do presidente eleito deu novo ânimo e vigor às mobilizações; a multidão que se concentrou diante da embaixada brasileira no primeiro dia foi estimada entre 20 mil e 100 mil pessoas, e só não se repetiu, em escala ampliada, porque foi dispersada pela força.
Ainda há muitas incógnitas por esclarecer na situação hondurenho. A classe dominante local, oligárquica e reacionária, que deu o golpe e empossou Micheletti, agora se distancia dele mas não abdicou de seus interesses. Washington, antes tarde do que nunca suspenderam a ajuda não humanitária ao país, mas permanece com um discurso cheio de ambiguidades. E Micheletti, mesmo isolado, permanece no poder. Porém há motivos para avaliar que a ditadura micheletista, aos três meses de idade, já está em seu ocaso. E o movimento popular, que segurou 'a Resistência' mesmo nos piores dias e com Zelaya no exílio, tem tudo para conquistar um novo protagonismo – conforme outra lei geral das experiências ditatoriais latino-americanas.
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
NOITES DE TERROR EM HONDURAS
29 setembro 2009/Resistir Info http://resistir.info/
por Angel Palacios [*]
Nas noites de Honduras impera o terror. A ditadura converteu Honduras numa imensa prisão onde as noites são aproveitadas por matilhas de polícias e militares que invadem, torturam e saqueiam.
À noite em Honduras o que percorre as ruas é o terror com botas, capacetes e uniformes. Veículos com militares e polícias encapuzados patrulham as ruas nas noites, disparando contra os bairros e as casas. Saem a toda velocidade dos comissariados para regressar em pouco tempo com as camionetas repletas de cidadãos golpeados, humilhados, sangrentos...
A noite com toque de recolher é o cenário preferido pelos sabujos. O toque de recolher, sem garantias constitucionais, sem câmaras de televisão, nem multidões nas ruas, é o momento que os cães da ditadura aproveitam para semear o terror. Na noite passada pudemos percorrer vários bairros e foi isto que vimos:
Avisam-nos que numa das escadas de um bairro um comando policial chegou de forma intempestiva e vão invadir uma vivenda. Trata-se da casa de uma pintora muito conhecida na vizinhança. Na volta de uma escada oito polícias, como gatos na escuridão, cercam a casa. A casa está pintada de rosa e tem um grafitti contra o golpe na fachada. Os polícias golpeavam a porta com paus. Partem os vidros da janela. Um dos polícias, com uma bomba lacrimogénea na mão, calcula o ângulo para lançá-la dentro da casa. O veículo identificado como Polícia Nacional aguarda-os na parte debaixo das escadas. O polícia que conduz dá o alerta de que um grupo de jornalistas estão a gravá-los. O chefe da operação (subcomissário García) tapa-nos a lente de uma das câmaras. Outros tapam-se o nome costurado nos seus coletes. Há vizinhos que abrem as suas portas e janelas confiados na presença da imprensa internacional e gritam-lhes, denunciam-nos. Os polícias tratam de retirar-se. O polícia identificado como García justifica-se argumentando que vive nessa vizinhança e que não suportava que a sua vizinha houvesse pintado na fachada: "GOLPISTAS: EL MUNDO LOS CONDENA", "VIVA MEL". Foi esse o argumento do funcionário para desencadear o terror contra uma mulher humilde. Membros de organizações de Direitos Humanos e da Frente de Advogados contra o Golpe fazem-se presente e os polícias fogem acossados pela denúncia. A mulher que, temerosa, por fim abriu a porta, também saiu do bairro. Foi dormir num lugar seguro, perante a ameaça de que voltassem à sua procura mais tarde.
Um jovem a aparentar 20 anos caminha por uma rua escura em plena noite. Tem o rosto banhado em sangue e uma ferida na fronte de uns 5 centímetros. Anda descalço. Explica-nos: estava na porta da sua casa quando uma camioneta da polícia apareceu na sua rua e sem meias palavras saíram e golpearam-no entre outros. Atiraram-no para cima da camioneta e arrancaram com ele. Enquanto davam voltas e o pateavam, revistaram-lhe os bolsos despojando-o de um telemóvel e do seu relógio. Continuava jogado no piso da camioneta enquanto escutava os polícias a discutirem sobre quem ficava com o relógio e quem com o celular. Deixaram-no estendido longe da sua casa. O jovem não quis fazer a denúncia. Não queria mais problemas com a polícia, estava aterrorizado. Só pedia que o levássemos à sua casa.
Outro jovem é detido na esquina do seu bairro. Antes de subi-lo para a camioneta, quatro polícias lhe dão uma sova. A seguir esvaziam uma lata de tinta em spray na sua cara. O jovem respira com dificuldade. Conta-nos no hospital, enquanto lhe limpam a tina dos olhos inflamados pelos golpes, que um dos polícias lhe dizia enquanto o golpeava: "Não é da resistência? Poi resiste!"
Numa ponte há um posto de controle. Detêm-nos e entabulamos conversação com os polícias qualquer assunto para poder seguir. Um veículo que passa por ali percebe o posto de controle e retrocede lentamente. Um dos polícias que nos mandou parar olha o carro a retroceder e convida-nos, divertido, a ver o que vai acontecer, mas obrigando-nos a manter as câmaras desligadas. Sob a ponte, pela rua que seguiu o carro que tentar evitar o posto de controle, há um grupo de polícias a caçar os que tentam evadir-se. Detêm-no. Na parte de cima da ponte não se vê mas ouve-se... ouve-se a porta que se abre... ouve-se a raiva e os insultos dos polícias, os golpes contra o carro... ouvem-se outros golpes e os gritos do condutor. Não ouvimos mais. O carro seguiu dali a pouco.
Ouvem-se disparo numa avenida paralela a um bairro popular. Uma camioneta cheia de polícias é a que dispara na noite, às cegas, contra as casas do bairro. Vão devagar. Nada os ameaça. Disparam repetidamente. Nem sequer apontam. Só semeiam o terror na sua passagem.
Num comissariado à meia-noite, os membros de organizações de direitos humanos, advogados e imprensa internacional perguntam pelos detidos, que acabámos de ver que desceram de uma pick-up patrulha (eram cerca de 10). Sarcasticamente, o oficial diz-nos que ali não têm ninguém preso. Mas os presos gritam que são da resistência. Gritam os seus nomes. O oficial continua a negar o que é evidente. A insistência dos advogados e dos defensores dos direitos humanos consegue que soltem a metade dos detidos e que um médico venha a essa hora constatar o estado físico do resto. Todos golpeados, sangrando. Pela manhã os advogados da resistência conseguiram que os soltassem.
Em outro comissariado, atrás de um portão negro, escutam-se as vozes de pelo menos uma vintena de pessoas a recitarem os seus nomes. Do lado de fora umas quantas mães e esposas tentam estabelecer contacto com o seu familiar, tentam reconhecer-lhes a voz. Os uniformizados riem diante da cena. Aproximam-se e golpeiam contra o portão... ...e contra os familiares.
Em outro bairro, nas alturas de Tegucigalpa, cerca de 40 uniformizados, entre policias e militares, avançam apontando fuzis de guerra às casas. Quando se pergunta quem é o comandante dessa operação todos os uniformizados assinalam-nos um militar. Este diz que é uma operação de rotina, porque "o governo não vai continuar a permitir desordens" e que "o que se passe a essa hora não é da sua responsabilidade porque há toque de recolher". As credenciais de imprensa internacional e de organizações humanitárias dificilmente conseguem abrir-nos passagem e continuar. Os uniformizados afastam-se. As luzes das casas no bairro se vão acendendo à medida que o esquadrão do terror se afasta. Ninguém sai, mas ouvem-se gritos: "Assassinos", "Urge Mel", "Viva a Resistência".
Estes são apenas alguns casos dos que pudemos ver numa noite. Todos os dias ocorre o mesmo. Não se sabe quantos detidos há a cada noite. Não se sabe quantos corpos são rompidos, maltratados, humilhados nas noites de Honduras. Não se sabe quantas mulheres são violadas. Não se sabe os nomes, as idades, não se conhecem os testemunhos... porque os toques de recolher são para isso. Para que a matilha de assassinos que sustentam esta ditadura semeie o terror sem que transpira aos media e para que as vítimas se imobilizem e não denunciem.
Nas noites de Honduras não brilham as estrelas. Só as luzes das patrulhas e o sangue dos que caem nas mãos da matilha uniformizada. Botas e mais botas nas ruas, nas costas, nos rostos dos hondurenhos. E apesar do terror que a cada noite semeia a ditadura, não há medo. A resistência continua.
Quando sai o sol, há marchas, tomadas de ruas, mobilizações pacíficas mas desafiantes e contundentes. Os que curam as suas feridas talvez não os vejamos durante alguns dias nos protestos, mas a notícia corre e a indignação pelo que se está a passar hoje em Honduras faz com que muitos mais se incorporem. Noventa dias de resistência. Corpos contra balas. Os organismos direitos humanos referem-se a mais de 600 detidos, dos que se tem conhecimento. Mas muitos são detidos e torturados na noite e não denunciam por medo. Honduras precisa que o mundo reaja mais rapidamente perante a terrível violação dos direitos humanos que se está a verificar. A diplomacia não basta. É urgente que o mundo actue, aqui em Honduras e agora.
PS: As organizações de direitos humanos e advogados solidários fazem um trabalho incansável para atender as vítimas, para acompanhar as denúncias, para efectuar registos. Mas não têm recursos. Não contam com o mínimo. Não têm como encher o reservatório de gasolina para se deslocarem aos lugares, não têm saldo nos telefones para efectuar as chamadas necessárias. E ainda assim fazem magia para defender os direitos dos seus compatriotas. Levam 90 dias fazendo magia e é muito o que conseguem. A sede da COFADEH está a toda hora cheia de gente que vai denunciar os atropelos vividos, e cheia também de gente que vai apoiar o seu trabalho. Muitos e muitas dirigentes destas organizações de direitos humanos foram perseguidos, encarcerados para tentar calá-los. Apesar das dificuldades continuam a ser o único lugar aonde acudir para buscar refúgio diante da repressão. É urgente a solidariedade povo a povo, que os organismos de direitos humanos de outros países, que os comités de solidariedade de outros países se ponham em contacto com eles e os apoiem, divulguem as suas denúncias, enviem apoio a essas organizações que em Honduras lutam contra o Terror da Ditadura.
[*] apoiante do Comité de Familiares de Detenidos Desaparecidos en Honduras (COFADEH)
O original encontra-se em http://www.resumenlatinoamericano.org , nº 2088
por Angel Palacios [*]
Nas noites de Honduras impera o terror. A ditadura converteu Honduras numa imensa prisão onde as noites são aproveitadas por matilhas de polícias e militares que invadem, torturam e saqueiam.
À noite em Honduras o que percorre as ruas é o terror com botas, capacetes e uniformes. Veículos com militares e polícias encapuzados patrulham as ruas nas noites, disparando contra os bairros e as casas. Saem a toda velocidade dos comissariados para regressar em pouco tempo com as camionetas repletas de cidadãos golpeados, humilhados, sangrentos...
A noite com toque de recolher é o cenário preferido pelos sabujos. O toque de recolher, sem garantias constitucionais, sem câmaras de televisão, nem multidões nas ruas, é o momento que os cães da ditadura aproveitam para semear o terror. Na noite passada pudemos percorrer vários bairros e foi isto que vimos:
Avisam-nos que numa das escadas de um bairro um comando policial chegou de forma intempestiva e vão invadir uma vivenda. Trata-se da casa de uma pintora muito conhecida na vizinhança. Na volta de uma escada oito polícias, como gatos na escuridão, cercam a casa. A casa está pintada de rosa e tem um grafitti contra o golpe na fachada. Os polícias golpeavam a porta com paus. Partem os vidros da janela. Um dos polícias, com uma bomba lacrimogénea na mão, calcula o ângulo para lançá-la dentro da casa. O veículo identificado como Polícia Nacional aguarda-os na parte debaixo das escadas. O polícia que conduz dá o alerta de que um grupo de jornalistas estão a gravá-los. O chefe da operação (subcomissário García) tapa-nos a lente de uma das câmaras. Outros tapam-se o nome costurado nos seus coletes. Há vizinhos que abrem as suas portas e janelas confiados na presença da imprensa internacional e gritam-lhes, denunciam-nos. Os polícias tratam de retirar-se. O polícia identificado como García justifica-se argumentando que vive nessa vizinhança e que não suportava que a sua vizinha houvesse pintado na fachada: "GOLPISTAS: EL MUNDO LOS CONDENA", "VIVA MEL". Foi esse o argumento do funcionário para desencadear o terror contra uma mulher humilde. Membros de organizações de Direitos Humanos e da Frente de Advogados contra o Golpe fazem-se presente e os polícias fogem acossados pela denúncia. A mulher que, temerosa, por fim abriu a porta, também saiu do bairro. Foi dormir num lugar seguro, perante a ameaça de que voltassem à sua procura mais tarde.
Um jovem a aparentar 20 anos caminha por uma rua escura em plena noite. Tem o rosto banhado em sangue e uma ferida na fronte de uns 5 centímetros. Anda descalço. Explica-nos: estava na porta da sua casa quando uma camioneta da polícia apareceu na sua rua e sem meias palavras saíram e golpearam-no entre outros. Atiraram-no para cima da camioneta e arrancaram com ele. Enquanto davam voltas e o pateavam, revistaram-lhe os bolsos despojando-o de um telemóvel e do seu relógio. Continuava jogado no piso da camioneta enquanto escutava os polícias a discutirem sobre quem ficava com o relógio e quem com o celular. Deixaram-no estendido longe da sua casa. O jovem não quis fazer a denúncia. Não queria mais problemas com a polícia, estava aterrorizado. Só pedia que o levássemos à sua casa.
Outro jovem é detido na esquina do seu bairro. Antes de subi-lo para a camioneta, quatro polícias lhe dão uma sova. A seguir esvaziam uma lata de tinta em spray na sua cara. O jovem respira com dificuldade. Conta-nos no hospital, enquanto lhe limpam a tina dos olhos inflamados pelos golpes, que um dos polícias lhe dizia enquanto o golpeava: "Não é da resistência? Poi resiste!"
Numa ponte há um posto de controle. Detêm-nos e entabulamos conversação com os polícias qualquer assunto para poder seguir. Um veículo que passa por ali percebe o posto de controle e retrocede lentamente. Um dos polícias que nos mandou parar olha o carro a retroceder e convida-nos, divertido, a ver o que vai acontecer, mas obrigando-nos a manter as câmaras desligadas. Sob a ponte, pela rua que seguiu o carro que tentar evitar o posto de controle, há um grupo de polícias a caçar os que tentam evadir-se. Detêm-no. Na parte de cima da ponte não se vê mas ouve-se... ouve-se a porta que se abre... ouve-se a raiva e os insultos dos polícias, os golpes contra o carro... ouvem-se outros golpes e os gritos do condutor. Não ouvimos mais. O carro seguiu dali a pouco.
Ouvem-se disparo numa avenida paralela a um bairro popular. Uma camioneta cheia de polícias é a que dispara na noite, às cegas, contra as casas do bairro. Vão devagar. Nada os ameaça. Disparam repetidamente. Nem sequer apontam. Só semeiam o terror na sua passagem.
Num comissariado à meia-noite, os membros de organizações de direitos humanos, advogados e imprensa internacional perguntam pelos detidos, que acabámos de ver que desceram de uma pick-up patrulha (eram cerca de 10). Sarcasticamente, o oficial diz-nos que ali não têm ninguém preso. Mas os presos gritam que são da resistência. Gritam os seus nomes. O oficial continua a negar o que é evidente. A insistência dos advogados e dos defensores dos direitos humanos consegue que soltem a metade dos detidos e que um médico venha a essa hora constatar o estado físico do resto. Todos golpeados, sangrando. Pela manhã os advogados da resistência conseguiram que os soltassem.
Em outro comissariado, atrás de um portão negro, escutam-se as vozes de pelo menos uma vintena de pessoas a recitarem os seus nomes. Do lado de fora umas quantas mães e esposas tentam estabelecer contacto com o seu familiar, tentam reconhecer-lhes a voz. Os uniformizados riem diante da cena. Aproximam-se e golpeiam contra o portão... ...e contra os familiares.
Em outro bairro, nas alturas de Tegucigalpa, cerca de 40 uniformizados, entre policias e militares, avançam apontando fuzis de guerra às casas. Quando se pergunta quem é o comandante dessa operação todos os uniformizados assinalam-nos um militar. Este diz que é uma operação de rotina, porque "o governo não vai continuar a permitir desordens" e que "o que se passe a essa hora não é da sua responsabilidade porque há toque de recolher". As credenciais de imprensa internacional e de organizações humanitárias dificilmente conseguem abrir-nos passagem e continuar. Os uniformizados afastam-se. As luzes das casas no bairro se vão acendendo à medida que o esquadrão do terror se afasta. Ninguém sai, mas ouvem-se gritos: "Assassinos", "Urge Mel", "Viva a Resistência".
Estes são apenas alguns casos dos que pudemos ver numa noite. Todos os dias ocorre o mesmo. Não se sabe quantos detidos há a cada noite. Não se sabe quantos corpos são rompidos, maltratados, humilhados nas noites de Honduras. Não se sabe quantas mulheres são violadas. Não se sabe os nomes, as idades, não se conhecem os testemunhos... porque os toques de recolher são para isso. Para que a matilha de assassinos que sustentam esta ditadura semeie o terror sem que transpira aos media e para que as vítimas se imobilizem e não denunciem.
Nas noites de Honduras não brilham as estrelas. Só as luzes das patrulhas e o sangue dos que caem nas mãos da matilha uniformizada. Botas e mais botas nas ruas, nas costas, nos rostos dos hondurenhos. E apesar do terror que a cada noite semeia a ditadura, não há medo. A resistência continua.
Quando sai o sol, há marchas, tomadas de ruas, mobilizações pacíficas mas desafiantes e contundentes. Os que curam as suas feridas talvez não os vejamos durante alguns dias nos protestos, mas a notícia corre e a indignação pelo que se está a passar hoje em Honduras faz com que muitos mais se incorporem. Noventa dias de resistência. Corpos contra balas. Os organismos direitos humanos referem-se a mais de 600 detidos, dos que se tem conhecimento. Mas muitos são detidos e torturados na noite e não denunciam por medo. Honduras precisa que o mundo reaja mais rapidamente perante a terrível violação dos direitos humanos que se está a verificar. A diplomacia não basta. É urgente que o mundo actue, aqui em Honduras e agora.
PS: As organizações de direitos humanos e advogados solidários fazem um trabalho incansável para atender as vítimas, para acompanhar as denúncias, para efectuar registos. Mas não têm recursos. Não contam com o mínimo. Não têm como encher o reservatório de gasolina para se deslocarem aos lugares, não têm saldo nos telefones para efectuar as chamadas necessárias. E ainda assim fazem magia para defender os direitos dos seus compatriotas. Levam 90 dias fazendo magia e é muito o que conseguem. A sede da COFADEH está a toda hora cheia de gente que vai denunciar os atropelos vividos, e cheia também de gente que vai apoiar o seu trabalho. Muitos e muitas dirigentes destas organizações de direitos humanos foram perseguidos, encarcerados para tentar calá-los. Apesar das dificuldades continuam a ser o único lugar aonde acudir para buscar refúgio diante da repressão. É urgente a solidariedade povo a povo, que os organismos de direitos humanos de outros países, que os comités de solidariedade de outros países se ponham em contacto com eles e os apoiem, divulguem as suas denúncias, enviem apoio a essas organizações que em Honduras lutam contra o Terror da Ditadura.
[*] apoiante do Comité de Familiares de Detenidos Desaparecidos en Honduras (COFADEH)
O original encontra-se em http://www.resumenlatinoamericano.org , nº 2088
Las líneas de Chávez ¡SOMOS ÁFRICA....SOMOS SURAMÉRICA!
27 septiembre 2009/Agencia Bolivariana de Noticias (ABN)
Esta semana ha sido de una trascendencia indudable en cuanto a la batalla de las ideas que, día a día, Venezuela viene librando en el campo internacional junto a los pueblos del Sur. Y batalla de las ideas fue, en realidad y en verdad, la que tuvo como escenario la 64ª Asamblea General de la Organización de Naciones Unidas en Nueva York.
Quiero destacar, en primer término, que en Nueva York no hubo la menor duda a la hora de condenar al régimen dictatorial hondureño. El mundo en pleno, salvo el sombrío estado de Israel, exige el retorno a su puesto del heroico presidente Zelaya –quien, con decisión y coraje, ha vuelto a su Patria– y el restablecimiento de la democracia en esa hermana nación, gloriosa en su empeño y en su indeclinable resistencia popular.
Ahora bien, la condena verbal ya no basta. Honduras está en una hora aciaga: nos queda a nosotros demostrar con entereza si somos hermanos o no de este bravo pueblo centroamericano. Dilatarnos es darle licencia a la muerte.
A la hora del balance, tres intervenciones me parecieron tan memorables como medulares en esta Asamblea: me refiero a las de Muammar Gaddafi, Luiz Inácio Lula da Silva y Evo Morales.
Gaddafi puso los puntos sobre las íes sobre la necesidad impostergable de refundar a la ONU: suscribo, punto por punto, todas sus consideraciones sobre la organización y funcionamiento del Consejo de Seguridad y, también, sobre el rol protagónico que debe tener la Asamblea General.
Lula hizo énfasis en la refundación del orden económico mundial sobre bases nuevas.
Coincidimos plenamente con él en que el mundo no puede seguir rigiéndose por las mismas normas y los mismos valores dictados tras la Segunda Guerra Mundial.
Por la voz de Evo habló nuevamente la sabiduría de los pueblos originarios: lúcida y conmovedora fue su defensa de los derechos de la madre Tierra en relación con la gravísima amenaza del cambio climático. Y, con toda razón, propuso que los países desarrollados deben reconocer la deuda que tienen con el planeta.
Venezuela fue a Naciones Unidas a recordarle al mundo que si aspira a cambiar, como se evidenció en el ánimo que inundó esta Asamblea en distintas voces, debe contar con los pueblos de Nuestra América y el Caribe.
Quiero retomar lo que fue el centro de mi intervención el jueves 24 de septiembre: hay una revolución en Suramérica, en Nuestra América, en el Caribe, y es necesario que el mundo lo vea, lo asuma y lo acepte porque es una realidad irreversible. Además, es una revolución que trasciende lo ideológico: es geográfica, geopolítica; es una revolución de los tiempos, una revolución moral; es una revolución necesaria.
Es grande esta revolución necesaria y va a seguir creciendo a medida que pase el tiempo. Es grande por el tiempo que carga por dentro: es grande por el espacio que abarca.
No quiero concluir estas reflexiones sobre la 64ª Asamblea General de la ONU, sin hacer referencia a la intervención del presidente Obama. Reconociendo ciertos y alarmantes vacíos e inconsistencias en su discurso –ni una sola mención a Honduras por ejemplo– su lenguaje es muy diferente al de Bush. Ahora bien, la diferencia en materia verbal que ha marcado con respecto a su antecesor, debe traducirse en una praxis consecuente. Pero primero tendría que resolver la dualidad que hasta el día de hoy caracteriza su desempeño.
Si Obama está dispuesto a acompañarnos en la creación de un nuevo orden mundial signado por el entendimiento, la sensatez y el respeto, bienvenido sea: si se deja presionar por el Pentágono –ese Estado dentro del Estado– y se resigna a seguir el mismo guión imperialista de siempre, entonces pasará a la historia como aquél que tuvo la oportunidad de dar una sólida contribución a la causa de la humanidad y prefirió echarse a un lado por temor a enfrentar, con el resto de las naciones, el reto de construir un mundo sin hegemonía imperial, esto es, en igualdad de condiciones y en paz.
Los historiadores del siglo XIX se encargaron de falsificarnos al continente africano poblándolo de falsas concepciones que son las que han reiterado los medios de comunicación. Nos vendieron perversas ideas, como que la historia llega a esos pueblos a raíz de la presencia europea; que son, por condiciones raciales, inferiores, violentos, ignorantes; que son holgazanes porque no han sabido aprovechar sus recursos; que no han podido darse estados modernos porque han preferido ser dependientes y atrasados. Esta distorsión de la realidad, hay que decirlo, ha tenido el propósito de perpetuar el discurso y la praxis de la más brutal dominación: ayer por los colonizadores, hoy por el capital transnacional.
Desconocen la fuerza y el rico legado cultural africanos porque aún sobrevive, en los fabricantes de mentiras, la ambición y el atropello de nuevas formas de coloniaje.
No puedo dejar de recordar lo dicho por el presidente mártir del Congo, Patricio Lumumba, el 30 de junio de 1960 al proclamarse la Independencia de su Patria: “De esta lucha que fue de lágrimas, de fuego y de sangre, estamos orgullosos en lo más profundo de nuestro ser, ya que fue una lucha noble y justa, una lucha indispensable para terminar con la humillación y la esclavitud que se nos impuso por la fuerza. Este fue nuestro destino durante 80 años de régimen colonialista; nuestras heridas son aún demasiado frescas para poderlas separar de nuestra memoria”.
Parafraseando a Lumumba, queremos agregar: todavía son demasiado frescas las heridas en el año 2009. La memoria de África es una inmensa herida.
Es muy fácil afirmar que el futuro de África depende de los africanos y luego pedirles que se olviden del colonialismo y del imperialismo: la Madre África no puede olvidar, al igual que no puede hacerlo Nuestra América. Nadie puede ser dueño de su destino, si olvida.
Por todo ello, Suramérica hoy se levanta, abre sus brazos y estrecha lazos con los pueblos africanos, porque entiende que, de uno y otro lado del Atlántico, la sangre, la historia y la esperanza son las mismas.
Ese ha sido el espíritu que ha reinado en Margarita durante la II Cumbre América del SurÁfrica: el espíritu que nos alienta a buscar la unión política, social y económica con África toda, teniendo como horizonte el nuevo orden mundial multipolar que estamos forzados a labrar si queremos mañana entonar el himno común de la verdadera justicia y la auténtica fraternidad en el planeta.
África y Suramérica son esenciales en la fundación de un nuevo equilibrio universal, y eso pasa por fundir nuestras voluntades y trazarnos metas comunes y viables. Un nuevo mapa estratégico común y compartido ha nacido a partir de esta Cumbre.
Lo digo con un antiguo proverbio de Senegal: “El que quiere miel tiene el coraje de afrontar las abejas. Queremos la dulce miel para nuestros hijos y los hijos de nuestros hijos.
Coraje es lo que nos sobra: juntos avanzaremos a pesar de las abejas”.
Desde Margarita ¡Venceremos!
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El Mundo Multinuclear: El Nuevo Mundo
Desde Teherán (II)
Esta semana ha sido de una trascendencia indudable en cuanto a la batalla de las ideas que, día a día, Venezuela viene librando en el campo internacional junto a los pueblos del Sur. Y batalla de las ideas fue, en realidad y en verdad, la que tuvo como escenario la 64ª Asamblea General de la Organización de Naciones Unidas en Nueva York.
Quiero destacar, en primer término, que en Nueva York no hubo la menor duda a la hora de condenar al régimen dictatorial hondureño. El mundo en pleno, salvo el sombrío estado de Israel, exige el retorno a su puesto del heroico presidente Zelaya –quien, con decisión y coraje, ha vuelto a su Patria– y el restablecimiento de la democracia en esa hermana nación, gloriosa en su empeño y en su indeclinable resistencia popular.
Ahora bien, la condena verbal ya no basta. Honduras está en una hora aciaga: nos queda a nosotros demostrar con entereza si somos hermanos o no de este bravo pueblo centroamericano. Dilatarnos es darle licencia a la muerte.
A la hora del balance, tres intervenciones me parecieron tan memorables como medulares en esta Asamblea: me refiero a las de Muammar Gaddafi, Luiz Inácio Lula da Silva y Evo Morales.
Gaddafi puso los puntos sobre las íes sobre la necesidad impostergable de refundar a la ONU: suscribo, punto por punto, todas sus consideraciones sobre la organización y funcionamiento del Consejo de Seguridad y, también, sobre el rol protagónico que debe tener la Asamblea General.
Lula hizo énfasis en la refundación del orden económico mundial sobre bases nuevas.
Coincidimos plenamente con él en que el mundo no puede seguir rigiéndose por las mismas normas y los mismos valores dictados tras la Segunda Guerra Mundial.
Por la voz de Evo habló nuevamente la sabiduría de los pueblos originarios: lúcida y conmovedora fue su defensa de los derechos de la madre Tierra en relación con la gravísima amenaza del cambio climático. Y, con toda razón, propuso que los países desarrollados deben reconocer la deuda que tienen con el planeta.
Venezuela fue a Naciones Unidas a recordarle al mundo que si aspira a cambiar, como se evidenció en el ánimo que inundó esta Asamblea en distintas voces, debe contar con los pueblos de Nuestra América y el Caribe.
Quiero retomar lo que fue el centro de mi intervención el jueves 24 de septiembre: hay una revolución en Suramérica, en Nuestra América, en el Caribe, y es necesario que el mundo lo vea, lo asuma y lo acepte porque es una realidad irreversible. Además, es una revolución que trasciende lo ideológico: es geográfica, geopolítica; es una revolución de los tiempos, una revolución moral; es una revolución necesaria.
Es grande esta revolución necesaria y va a seguir creciendo a medida que pase el tiempo. Es grande por el tiempo que carga por dentro: es grande por el espacio que abarca.
No quiero concluir estas reflexiones sobre la 64ª Asamblea General de la ONU, sin hacer referencia a la intervención del presidente Obama. Reconociendo ciertos y alarmantes vacíos e inconsistencias en su discurso –ni una sola mención a Honduras por ejemplo– su lenguaje es muy diferente al de Bush. Ahora bien, la diferencia en materia verbal que ha marcado con respecto a su antecesor, debe traducirse en una praxis consecuente. Pero primero tendría que resolver la dualidad que hasta el día de hoy caracteriza su desempeño.
Si Obama está dispuesto a acompañarnos en la creación de un nuevo orden mundial signado por el entendimiento, la sensatez y el respeto, bienvenido sea: si se deja presionar por el Pentágono –ese Estado dentro del Estado– y se resigna a seguir el mismo guión imperialista de siempre, entonces pasará a la historia como aquél que tuvo la oportunidad de dar una sólida contribución a la causa de la humanidad y prefirió echarse a un lado por temor a enfrentar, con el resto de las naciones, el reto de construir un mundo sin hegemonía imperial, esto es, en igualdad de condiciones y en paz.
Los historiadores del siglo XIX se encargaron de falsificarnos al continente africano poblándolo de falsas concepciones que son las que han reiterado los medios de comunicación. Nos vendieron perversas ideas, como que la historia llega a esos pueblos a raíz de la presencia europea; que son, por condiciones raciales, inferiores, violentos, ignorantes; que son holgazanes porque no han sabido aprovechar sus recursos; que no han podido darse estados modernos porque han preferido ser dependientes y atrasados. Esta distorsión de la realidad, hay que decirlo, ha tenido el propósito de perpetuar el discurso y la praxis de la más brutal dominación: ayer por los colonizadores, hoy por el capital transnacional.
Desconocen la fuerza y el rico legado cultural africanos porque aún sobrevive, en los fabricantes de mentiras, la ambición y el atropello de nuevas formas de coloniaje.
No puedo dejar de recordar lo dicho por el presidente mártir del Congo, Patricio Lumumba, el 30 de junio de 1960 al proclamarse la Independencia de su Patria: “De esta lucha que fue de lágrimas, de fuego y de sangre, estamos orgullosos en lo más profundo de nuestro ser, ya que fue una lucha noble y justa, una lucha indispensable para terminar con la humillación y la esclavitud que se nos impuso por la fuerza. Este fue nuestro destino durante 80 años de régimen colonialista; nuestras heridas son aún demasiado frescas para poderlas separar de nuestra memoria”.
Parafraseando a Lumumba, queremos agregar: todavía son demasiado frescas las heridas en el año 2009. La memoria de África es una inmensa herida.
Es muy fácil afirmar que el futuro de África depende de los africanos y luego pedirles que se olviden del colonialismo y del imperialismo: la Madre África no puede olvidar, al igual que no puede hacerlo Nuestra América. Nadie puede ser dueño de su destino, si olvida.
Por todo ello, Suramérica hoy se levanta, abre sus brazos y estrecha lazos con los pueblos africanos, porque entiende que, de uno y otro lado del Atlántico, la sangre, la historia y la esperanza son las mismas.
Ese ha sido el espíritu que ha reinado en Margarita durante la II Cumbre América del SurÁfrica: el espíritu que nos alienta a buscar la unión política, social y económica con África toda, teniendo como horizonte el nuevo orden mundial multipolar que estamos forzados a labrar si queremos mañana entonar el himno común de la verdadera justicia y la auténtica fraternidad en el planeta.
África y Suramérica son esenciales en la fundación de un nuevo equilibrio universal, y eso pasa por fundir nuestras voluntades y trazarnos metas comunes y viables. Un nuevo mapa estratégico común y compartido ha nacido a partir de esta Cumbre.
Lo digo con un antiguo proverbio de Senegal: “El que quiere miel tiene el coraje de afrontar las abejas. Queremos la dulce miel para nuestros hijos y los hijos de nuestros hijos.
Coraje es lo que nos sobra: juntos avanzaremos a pesar de las abejas”.
Desde Margarita ¡Venceremos!
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sábado, 26 de setembro de 2009
Honduras/Rodas denunció que las empresas que vendieron el gas tóxico son de capital israelí

Patricia Rodas denunció a las empresas Alfacom e Intercom de haber suministrado los gases tóxicos. (Foto:Efe)
26 septiembre 2009/TeleSUR http://www.telesurtv.net
La ministra de Relaciones Exteriores, Patricia Rodas, denunció a las empresas que vendieron los gases tóxicos al gobierno de facto de Honduras. Estas corporaciones serían de un israelí que sirvió de intermediario entre Honduras y Tel Aviv.
Patricia Rodas, canciller del gobierno constitucional de Honduras, confirmó la denuncia de que las fuerzas militares del gobierno de facto lanzaron gases tóxicos a la embajada de Brasil en Tegucigalpa y dio los nombres de dos empresas de capital israelí que los vendieron.
Durante una rueda de prensa en la ciudad de Nueva York, al noreste de Estados Unidos (EE.UU.), la jefa de la diplomacia del país centroamericano aseguró que "fuentes de la inteligencia militar leales" a Zelaya "nos han filtrado que los químicos y armas de asedio han sido proporcionadas por las empresas Alfacom e Intercom".
Esas empresas se encuentran en Tegucigalpa y son propiedad del ciudadano israelí Yehuda Leitner, que "sirvió de intermediario con Israel. Ingresaron (en el país) en un vuelo privado en los últimos días", explicó Rodas.
El presidente Manuel Zelaya denunció este viernes en rueda de prensa, desde la embajada de Brasil, que las fuerzas militares hondureñas, que reciben ordenes del gobierno de facto, lanzaron gases tóxicos contra la embajada.
Según la información suministrada por la Comisión Interamericana de los Derechos Humanos (CIDH), estos gases no identificados, provocaron intoxicaciones, sangramiento, vómitos y mareos a las personas que se encuentran dentro de la sede diplomática.
Esta denuncia fue negada por el gobierno de facto liderado por Roberto Micheletti que calificó el hecho de "totalmente falso".
Rodas afirmó que el especialista en salud pública, Mauricio Castellanos, también ministro de esta rama, tomó las pruebas desde las afueras de la embajada brasileña, a unos 300 metros del recinto "debido a que los militares tienen bloqueado el acceso a la embajada".
El especialista utilizó un equipo aprobado por la Administración de Drogas y Alimentos (FDA, por su sigla en inglés) estadounidense y dijo que "los resultados muestran una concentración arriba de lo normal de amoniaco, que se usa como gas pimienta", explicó la ministra de relaciones exteriores, Patricia Rodas.
En el análisis de la muestra se encontró una alta concentración de ácido cianhídrico, del que señaló produce "una reacción rápida al inhalarlo, y al contacto con el hierro de la sangre produce vértigo, náuseas, vómitos, cefaleas y dificultades respiratorias", añadió.
Aunado a este hecho, Rodas declaró también que las personas que se encuentran dentro de la embajada son víctimas del "lanzamiento de armas químicas desde helicópteros y aviones o bien utilizadas por las tropas, aparatos sofisticados de radiaciones sónicas y electromagnéticas" que les han causado diversos trastornos.
Pese a que la CIDH hizo un llamado para que el gobierno de Micheletti pusiera fin al operativo y dejara pasar a médicos y a miembros de la Cruz Roja hondureña, la canciller afirmó que no dejan entrar a la delegación diplomática de Brasil ni a los médicos.
La ministra de Relaciones Exteriores hondureña, se encuentra en estos momentos en Nueva York para asistir a los debates de la 64ª Asamblea General de la Organización de las Naciones Unidas (ONU), en la que su país aún no ha intervenido y está a la espera de hacerlo la próxima semana. Por tal motivo Rodas urgió a que se envíe "una misión médica internacional de la ONU", y expresó que su país se encuentra ante "una guerra irregular".
Chávez lo anunció
El presidente de Venezuela, Hugo Chávez Frías, en la rueda de prensa que convocó el jueves después de su intervención en la Asamblea de la Organización de Naciones Unidas (ONU), declaró que en una conversación con el presidente Manuel Zelaya, éste había descubierto, en el techo de una casa vecina, un objeto de intercepción y sabotaje para los equipos electrónicos. Este equipo era de fabricación israelí.
Ante el hecho, el presidente Chávez recordó que el gobierno de "Israel reconoció el gobierno de los golpistas".
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sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Honduras/Zelaya denuncia que gas militar afectó a todas las personas dentro de embajada brasileña

25 septiembre 2009/TeleSUR http://www.telesurtv.net
Militares hondureños comenzaron este viernes una nueva arremetida de presión contra la embajada lazando bombas de gas y bloqueando la entrada de insumos a la sede diplomática.Zelaya hizo un llamado a la resistencia y les pidió manifestar pacíficamente.
El presidente constitucional de Honduras, Manuel Zelaya, condenó este viernes el lanzamiento de gases a la embajada de Brasil en Tegucigalpa por parte de las fuerzas militares a las órdenes del régimen de facto, que afectó el estado de salud de la mayoría de las personas que se mantienen en esa sede diplomática acompañando al mandatario desde el lunes.
En rueda de prensa, el jefe de Estado mostró las pruebas del hostigamiento del que son víctimas los delegados de sede diplomática y recordó que estas acciones desestiman lo establecido en la Convención de Viena sobre la inviolabilidad de la embajadas internacionales.
El mandatario hondureño, mostró pruebas fotográficas donde se apreciaban a los efectivos militares instalando aparatos que sirven para lanzar los gases, al tiempo que a través de los micrófonos de los medios presentó la grabación del ruido ensordecedor que envía zumbidos y "atacan a los nervios de las personas que están dentro de la embajada".
Entre tanto, Zelaya hizo un llamado a la resistencia y les pidió manifestar pacíficamente, indicándoles mantenerse a distancia de las fuerzas policiales de facto, para que no resulten heridos.
En medio de la conferencia de prensa, se presentó un informe técnico de la situación, suministrado por el doctor Mauricio Castellano, quien según una medición de los gases en el ambiente se presentaron concentraciones de amoníaco, Cianuro de hidrógeno o Ácido Cianhídrico, el cual genera reacción rápida al inhalarlo.
También explicó que al tener contacto con el hierro de la sangre se genera cefalea
y dificultades respiratorias, vértigos y náuseas.
Ante tal asedio el presidente Zelaya fue categórico e indicó que se mantendrá en resistencia. "Estamos dispuestos a resistir, sin importar los riesgos hasta que se establezca la constitucionalidad en Honduras", dijo.
Asimismo, Zelaya agradeció el apoyo dado por el Consejo de Seguridad de la ONU y la condenatoria a la situación vivida en la embajada de Brasil en Honduras.
Por su parte el medico Marcos Girón, pidió a las autoridades hondureñas que permitan el ingresos de los medicamentos expedidos por la Cruz Roja Internacional ya que los necesitan debido a los constantes ataques con gases que han afectado la salud de todos los que se encuentran dentro de la embajada.
"El stock (de medicamentos) que tenemos es muy pequeño (...) somos seres humanos los que estamos aquí, exigimos que dejen pasar esos medicamentos"
El sacerdote, Andrés Tamayo, pidió también la retirada de los cuerpos de seguridad del Estado "a por lo menos un kilómetro" de distancia, pues se encuentra a solo "un metro o menos de un metro" de las rejas de la embajada brasileña.
Exigió "a la comisión internacional que nos retiren esos militares, porque tenemos derecho de estar aquí (...) si están de día tan cerca, ¿qué no pueden hacer de noche en lo oscuro?".
El presidente Zelaya afirmó que "aquí estamos en un régimen represivo que están sacrificando este país". "El diálogo seguirá abierto (...) no queremos más violencia, queremos resolver los problemas en una mesa de negociación", agregó.
Para finalizar la rueda de prensa el mandatario derrocado agradeció a los medios de comunicación tanto nacionales como internacionales el apoyo prestado a la situación por los que los hondureños están pasado.
Militares hondureños comenzaron este viernes una nueva arremetida de presión contra la embajada lazando bombas de gas y bloqueando la entrada de insumos a la sede diplomática.
De acuerdo con el reporte de la corresponsal de teleSUR, Adriana Sívori, varias de las personas que se encuentran dentro de la embajada empezaron a sangrar por la nariz y al orinar. Mientras uno de los médicos que se encuentra en la sede se encarga de atenderlos.
La sede diplomática hasta este viernes se encuentra rodeada con efectivos militares y policías y el gobierno de facto de Roberto Micheletti no se presta para el diálogo con Zelaya.
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Argentina/Cristina Fernández pide multilateralismo activo en la ONU para resolver crisis hondureña
24 septiembre 2009/TeleSUR http://www.telesurtv.net
La mandataria argentina considera que es importante para restablecer la democracia y restitución del presidente legítimo de Honduras, Manuel Zelaya, crear mecanismos de multilateralidad justos para la nación y el resto de los países del mundo bajo las claves de la democracia, vigencia de los Derechos Humanos y reglas similares para las naciones.
La presidenta de Argentina, Cristina Fernández consideró este jueves que es importante que frente a la situación que vive actualmente Honduras por el golpe de Estado liderizado por Roberto Micheletti, se logre en la Organización de Naciones Unidas (ONU) un “multilateralismo efectivo, activo y no declarativo” para solucionar la crisis del país centroamericano.
"Damos fe de esta posición de un multilateralismo activo cuando concurrimos a la reunión de la OEA y cuando nos trasladamos con el entonces presidente de la Asamblea de las Naciones Unidas, Miguel D'Escoto y demás personas de los países de Latinoamérica para ir a El Salvador y recuperar en un primer intento la restitución del presidente Zelaya" al poder, recordó la mandataria argentina para las cámaras de teleSUR.
Asimismo, planteó que la Organización de las Naciones Unidas (ONU) y la Organización de Estados Americanos (OEA) no se deben convertir en lugares "donde una vez al año venimos a discutir asuntos" y dijo que en este tipo de intervenciones es importante que se propongan mecanismos como el multilateralismo para poner en marcha acciones y solucionar así problemas como los de Honduras.
Por otro lado, Fernández dijo que Estados Unidos ha tenido un protagonismo importante durante la situación de este país, pero cree conveniente que el Gobierno que lidera, Barack Obama, debe ejercer sanciones fuertes en materia económica que permita destrabar la crisis y Zelaya pueda ser restituido al poder.
Igualmente, aseguró que las actuaciones de la ONU son limitadas, pues considera que los golpistas tienen como meta dejar que trascurran las elecciones previstas para el próximo mes de noviembre y una vez agotado el tiempo "los amigos que tienen aquí en EE.UU. los ayuden y finalmente éstos sean recocidos".
Expresó que los golpistas hondureños quieren consolidar una "democracia pos moderna" dentro "de lo mediático que ha tomado fuerza".
"Antes las estrategias eran intervenciones cívico-militar, ahora son mediáticas. Los golpistas quieren que pase el tiempo y el tiempo que todo lo cura ellos sean reconocidos", expresó Fernández.
La mandataria hizo un llamado a los gobernantes de América Latina y el mundo a estar atentos y mantener planteamientos puntualizados, para lograr restablecer la democracia en Honduras.
"Mientras yo sea la presidenta de la República de Argentina no reconoceré a ningún gobierno que llegue bajo estas condiciones (golpe de Estado) y creo que la mayoría de mis colegas en América Latina no lo van a reconocer", recalcó la presidenta argentina.
La presidenta de Argentina criticó este miércoles ante la plenaria de la Asamblea General de la ONU, la actuación del gobierno de facto hondureño hacia la embajada de Brasil en ese país, que mantiene albergado al presidente legítimo de esa nación, Manuel Zelaya.
"Ni en Chile durante la dictadura del General Pinochet ni en Argentina cuando la dictadura del general Jorge Rafael Videla, hubo un comportamiento similar con embajadas que activamente trabajaban en el asilo de los refugiados", denunció Fernández.
Asimismo, solicitó en la reunión número 64 de la ONU, tres claves concretas para alcanzar una nueva multilateralidad justa entre las naciones: "Democracia, vigencia de los Derechos Humanos (DDHH) y reglas similares para todos los países del mundo".
La mandataria argentina considera que es importante para restablecer la democracia y restitución del presidente legítimo de Honduras, Manuel Zelaya, crear mecanismos de multilateralidad justos para la nación y el resto de los países del mundo bajo las claves de la democracia, vigencia de los Derechos Humanos y reglas similares para las naciones.
La presidenta de Argentina, Cristina Fernández consideró este jueves que es importante que frente a la situación que vive actualmente Honduras por el golpe de Estado liderizado por Roberto Micheletti, se logre en la Organización de Naciones Unidas (ONU) un “multilateralismo efectivo, activo y no declarativo” para solucionar la crisis del país centroamericano.
"Damos fe de esta posición de un multilateralismo activo cuando concurrimos a la reunión de la OEA y cuando nos trasladamos con el entonces presidente de la Asamblea de las Naciones Unidas, Miguel D'Escoto y demás personas de los países de Latinoamérica para ir a El Salvador y recuperar en un primer intento la restitución del presidente Zelaya" al poder, recordó la mandataria argentina para las cámaras de teleSUR.
Asimismo, planteó que la Organización de las Naciones Unidas (ONU) y la Organización de Estados Americanos (OEA) no se deben convertir en lugares "donde una vez al año venimos a discutir asuntos" y dijo que en este tipo de intervenciones es importante que se propongan mecanismos como el multilateralismo para poner en marcha acciones y solucionar así problemas como los de Honduras.
Por otro lado, Fernández dijo que Estados Unidos ha tenido un protagonismo importante durante la situación de este país, pero cree conveniente que el Gobierno que lidera, Barack Obama, debe ejercer sanciones fuertes en materia económica que permita destrabar la crisis y Zelaya pueda ser restituido al poder.
Igualmente, aseguró que las actuaciones de la ONU son limitadas, pues considera que los golpistas tienen como meta dejar que trascurran las elecciones previstas para el próximo mes de noviembre y una vez agotado el tiempo "los amigos que tienen aquí en EE.UU. los ayuden y finalmente éstos sean recocidos".
Expresó que los golpistas hondureños quieren consolidar una "democracia pos moderna" dentro "de lo mediático que ha tomado fuerza".
"Antes las estrategias eran intervenciones cívico-militar, ahora son mediáticas. Los golpistas quieren que pase el tiempo y el tiempo que todo lo cura ellos sean reconocidos", expresó Fernández.
La mandataria hizo un llamado a los gobernantes de América Latina y el mundo a estar atentos y mantener planteamientos puntualizados, para lograr restablecer la democracia en Honduras.
"Mientras yo sea la presidenta de la República de Argentina no reconoceré a ningún gobierno que llegue bajo estas condiciones (golpe de Estado) y creo que la mayoría de mis colegas en América Latina no lo van a reconocer", recalcó la presidenta argentina.
La presidenta de Argentina criticó este miércoles ante la plenaria de la Asamblea General de la ONU, la actuación del gobierno de facto hondureño hacia la embajada de Brasil en ese país, que mantiene albergado al presidente legítimo de esa nación, Manuel Zelaya.
"Ni en Chile durante la dictadura del General Pinochet ni en Argentina cuando la dictadura del general Jorge Rafael Videla, hubo un comportamiento similar con embajadas que activamente trabajaban en el asilo de los refugiados", denunció Fernández.
Asimismo, solicitó en la reunión número 64 de la ONU, tres claves concretas para alcanzar una nueva multilateralidad justa entre las naciones: "Democracia, vigencia de los Derechos Humanos (DDHH) y reglas similares para todos los países del mundo".
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segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Honduras/RESISTENCIA RINDE HOMENAJE A FRANCISCO MORAZÁN
Minga Informativa de Movimientos Sociales http://movimientos.org/
AL CONMEMORARSE 188 AÑOS DE INDEPENDENCIA: RESISTENCIA EN HONDURAS RINDE HOMENAJE AL HÉROE FRANCISCO MORAZÁN
Comunicaciones - Vía Campesina en Honduras
Hoy Martes 15 de Septiembre del 2009, es una fecha muy esperada y recordada año a año por todos los hondureños, cuando el país celebra cada año la independencia. Para celebrar esta fecha tan importante, la resistencia contra el golpe de Estado, en sus 80 días de lucha en las calles de todo el país, días antes, hizo el llamado a toda la población hondureña para que se sumara este día a la marcha, no tanto para celebrar la independencia como tal, sino para demostrarle al mundo que nuestra amada Honduras está de luto porque los golpistas continúan empecinados en mantenerse en el poder, pero que hay un pueblo que está exigiendo el retorno al orden constitucional y a la democracia.
En la marcha de hoy, fue indescriptible el apoyo que las y los ciudadanos honestos le brindaron a la resistencia. Muchos niños acompañados de sus padres, incluso varios ciudadanos llevaron hasta sus mascotas a marchar; cientos de jóvenes, adultos y ancianos portando pancartas, banderas, afiches, fotos de los compañeros asesinados en esta lucha mostraron a todo el pueblo su rechazo al golpe de Estado. Esta fue una muy buena oportunidad para que todos los sectores que no se habían pronunciado por cualquier motivo hoy lo hicieran por su propia voluntad, sin que nadie les obligara.
El ambiente que se vivió en las marchas de la resistencia hoy en Honduras dejó un mensaje muy claro de rechazo a los golpistas que realizaban los actos cívicos de esta fecha en el estadio nacional, que lució vacío. Solo acompañaron al gobierno de facto de Micheletti los empleados públicos, a quienes les obligaron a ir a este desfile, y algunos cercanos seguidores de este régimen. Sin embargo, por el lado de la resistencia, la mayoría de ciudadanos acudió al llamado que hizo el frente de resistencia; por iniciativa propia hicieron muchos afiches con mensajes en contra de los golpistas.
En las principales ciudades de Honduras, se llevaron a cabo marchas de la resistencia. Las personas aprovecharon el feriado de hoy para acudir a las protestas. El ambiente en todo el país era similar, pues la euforia se apoderó del pueblo que está cansado de tanto abuso de este régimen de facto, y hoy en día son miles y miles de personas que se han unido a la resistencia por que se restituya el orden constitucional.
La protesta en Tegucigalpa inició al final del boulevard Morazán hacia el centro de la Ciudad capital y donde se encuentra la estatua del héroe Francisco Morazán. La resistencia colocó una bandera color negro y varias ofrendas florales en señal del luto en el que se encuentra el pueblo hondureño desde el pasado 28 de Junio.
La cantidad de personas que asistieron a las diferentes marchas de la resistencia de todo el país fue impresionante. En Tegucigalpa, la plaza central fue insuficiente para albergar a tanto ciudadano y ciudadana, que con mucho entusiasmo participaron en el acto que se desarrolló. En esta marcha estuvo presente la primera dama de la nación Xiomara Castro de Zelaya, junto a su familia y la madre del Presidente Zelaya.
Por otra parte, miembros del frente de resistencia contra el golpe de Estado, tal como se había programado, realizaron un ayuno mundial por Honduras, en Tegucigalpa. Se hizo frente a la catedral en el parque central, lugar donde se desarrollaron los actos de la resistencia. Ahí se encontraban muchos compañeros en ayuno y solidaridad con la resistencia. Los manifestantes que pasaban por ese lugar en la marcha de hoy se solidarizaban con estos compañeros y compañeras que estaban realizando esta actividad y muchos ciudadanos se anotaron en un libro en apoyo a esta iniciativa del frente.
Entre tanto, la Vía Campesina en Honduras, como ya es sabido, ha venido participando activamente desde un inicio en el frente de resistencia contra el golpe de Estado, a través del compañero Rafael Alegría, que desde el pasado 28 de Junio, día en que nos dieron el golpe de Estado, ha formado parte de la dirigencia del frente de resistencia. Hoy no fue la excepción, ya que participaron muchos compañeros y compañeras de diferentes organizaciones campesinas en la masiva marcha de este 15 de Septiembre, día en que todos los hondureños lanzamos un grito de independencia de nuestra querida Honduras, que se encuentra de luto por la ruptura del orden constitucional.
EL PUEBLO UNIDO, JAMAS SERÁ VENCIDO
ALTA ES LA NOCHE Y MORAZÁN VIGILA
http://www.movimientos.org/show_text.php3?key=15621
Más información sobre la resistencia al golpe de Estado en Honduras:
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AL CONMEMORARSE 188 AÑOS DE INDEPENDENCIA: RESISTENCIA EN HONDURAS RINDE HOMENAJE AL HÉROE FRANCISCO MORAZÁN
Comunicaciones - Vía Campesina en Honduras
Hoy Martes 15 de Septiembre del 2009, es una fecha muy esperada y recordada año a año por todos los hondureños, cuando el país celebra cada año la independencia. Para celebrar esta fecha tan importante, la resistencia contra el golpe de Estado, en sus 80 días de lucha en las calles de todo el país, días antes, hizo el llamado a toda la población hondureña para que se sumara este día a la marcha, no tanto para celebrar la independencia como tal, sino para demostrarle al mundo que nuestra amada Honduras está de luto porque los golpistas continúan empecinados en mantenerse en el poder, pero que hay un pueblo que está exigiendo el retorno al orden constitucional y a la democracia.
En la marcha de hoy, fue indescriptible el apoyo que las y los ciudadanos honestos le brindaron a la resistencia. Muchos niños acompañados de sus padres, incluso varios ciudadanos llevaron hasta sus mascotas a marchar; cientos de jóvenes, adultos y ancianos portando pancartas, banderas, afiches, fotos de los compañeros asesinados en esta lucha mostraron a todo el pueblo su rechazo al golpe de Estado. Esta fue una muy buena oportunidad para que todos los sectores que no se habían pronunciado por cualquier motivo hoy lo hicieran por su propia voluntad, sin que nadie les obligara.
El ambiente que se vivió en las marchas de la resistencia hoy en Honduras dejó un mensaje muy claro de rechazo a los golpistas que realizaban los actos cívicos de esta fecha en el estadio nacional, que lució vacío. Solo acompañaron al gobierno de facto de Micheletti los empleados públicos, a quienes les obligaron a ir a este desfile, y algunos cercanos seguidores de este régimen. Sin embargo, por el lado de la resistencia, la mayoría de ciudadanos acudió al llamado que hizo el frente de resistencia; por iniciativa propia hicieron muchos afiches con mensajes en contra de los golpistas.
En las principales ciudades de Honduras, se llevaron a cabo marchas de la resistencia. Las personas aprovecharon el feriado de hoy para acudir a las protestas. El ambiente en todo el país era similar, pues la euforia se apoderó del pueblo que está cansado de tanto abuso de este régimen de facto, y hoy en día son miles y miles de personas que se han unido a la resistencia por que se restituya el orden constitucional.
La protesta en Tegucigalpa inició al final del boulevard Morazán hacia el centro de la Ciudad capital y donde se encuentra la estatua del héroe Francisco Morazán. La resistencia colocó una bandera color negro y varias ofrendas florales en señal del luto en el que se encuentra el pueblo hondureño desde el pasado 28 de Junio.
La cantidad de personas que asistieron a las diferentes marchas de la resistencia de todo el país fue impresionante. En Tegucigalpa, la plaza central fue insuficiente para albergar a tanto ciudadano y ciudadana, que con mucho entusiasmo participaron en el acto que se desarrolló. En esta marcha estuvo presente la primera dama de la nación Xiomara Castro de Zelaya, junto a su familia y la madre del Presidente Zelaya.
Por otra parte, miembros del frente de resistencia contra el golpe de Estado, tal como se había programado, realizaron un ayuno mundial por Honduras, en Tegucigalpa. Se hizo frente a la catedral en el parque central, lugar donde se desarrollaron los actos de la resistencia. Ahí se encontraban muchos compañeros en ayuno y solidaridad con la resistencia. Los manifestantes que pasaban por ese lugar en la marcha de hoy se solidarizaban con estos compañeros y compañeras que estaban realizando esta actividad y muchos ciudadanos se anotaron en un libro en apoyo a esta iniciativa del frente.
Entre tanto, la Vía Campesina en Honduras, como ya es sabido, ha venido participando activamente desde un inicio en el frente de resistencia contra el golpe de Estado, a través del compañero Rafael Alegría, que desde el pasado 28 de Junio, día en que nos dieron el golpe de Estado, ha formado parte de la dirigencia del frente de resistencia. Hoy no fue la excepción, ya que participaron muchos compañeros y compañeras de diferentes organizaciones campesinas en la masiva marcha de este 15 de Septiembre, día en que todos los hondureños lanzamos un grito de independencia de nuestra querida Honduras, que se encuentra de luto por la ruptura del orden constitucional.
EL PUEBLO UNIDO, JAMAS SERÁ VENCIDO
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quarta-feira, 9 de setembro de 2009
AMÉRICA LATINA DEJA ATRÁS LA IGNORANCIA
9 septiembre 2009/TeleSUR http://www.telesurtv.net
"La alfabetización es más, mucho más que leer y escribir. Es la habilidad de leer el mundo, es la habilidad de continuar aprendiendo y es la llave de la puerta del conocimiento", afirma el pedagogo brasileño Paulo Freire.
Por: Mariela Pérez Valenzuela
En una escalada sin precedente en la historia de la Educación, América Latina comienza a alejarse de la ignorancia que dominó el panorama de esa región durante siglos, con la aniquilación del analfabetismo en cinco países y la ejecución de programas con igual fin en otros.
Ecuador se convertirá este martes, según anunciaron sus autoridades gubernamentales, en el quinto país del área e igual número de miembros de la Alianza Bolivariana para los pueblos de América (ALBA) en ser declarado libre de analfabetismo, tras disminuir la cifra de iletrados hasta un 2,7 por ciento, inferior al cuatro por ciento exigido por la Organización de las Naciones Unidas para la Educación, la Ciencia y la Cultura (UNESCO) para obtener tal condición.
Son casi un millón de ecuatorianos los que durante meses se sentaron en un aula, por primera vez, para identificar las letras del abecedario, aprender a escribir su nombre, sus pensamientos, sus opiniones.
Para la oligarquía latinoamericana es fundamental mantener a los pueblos sumidos en la ignorancia, pues así resultan incapaces de pensar por si mismos y de comprender la necesidad de los cambios estructurales en una región que hasta hace apenas una década atrás vivía sumida en males de siglos, heredados primero de la colonización española y luego de las políticas de Estados Unidos y sus seguidores.
Con la asunción de gobiernos de corte progresista y de izquierda, empeñados en transformar la calidad de vida de sus ciudadanos, uno de los primeros programas sociales puestos en marcha fueron las Campañas de Alfabetización, apoyadas por la experiencia de Cuba en la materia, pues fue el primer país en dejar atrás ese flagelo en 1961.
El gobierno y pueblo cubanos, con su ejemplar solidaridad, ha puesto a disposición de las naciones que así lo han solicitado a sus asesores y profesores, quienes han sido de valiosa ayuda pues han llegado hasta los lugares más recónditos de América Latina para sacar de la ignorancia a sus habitantes de menos recursos.
Asimismo, en las Campañas fue utilizado el reconocido método de alfabetización Yo sí Puedo, creado por una experimentada profesora, mediante el cual incluso se puede alfabetizar en lenguas autóctonas.
EL ALBA: DETONANTE CONTRA LA IGNORANCIA
Millones de personas iletradas se abren paso al conocimiento gracias al ALBA, cuyos nueve Estados miembros tienen entre sus prioridades acabar con el analfabetismo en sus territorios para el 2010, y colaborar en ese propósito con otras naciones del área.
En Ecuador no se realizó una tradicional campaña de alfabetización, sino que el proceso de enseñar a leer y a escribir a varios miles de sus ciudadanos se efectuó mediante el Programa de Educación Básica para Jóvenes y Adultos ''Manuela Sáenz'' e iniciativas locales.
El citado Programa se propuso como primer objetivo reducir el analfabetismo, según las exigencias de la ONU, en agosto pasado, apenas dos años después de que el presidente Rafael Correa asumiera el cargo por primera vez.
Tras alcanzar esta meta, que libera oficialmente a los ecuatorianos del analfabetismo, el gobierno de Correa continuará en el empeño de incorporar a las aulas a aquellas personas que, por diversas razones no pudieron hacerlo en esta etapa, hasta reducir la cifra a cero.
El proyecto educacional ''Manuela Sáenz'', también basado en el método cubano, está diseñado para individuos con características específicas; de ahí que conste de varios sub-programas, entre otros, los que permiten alfabetizar a indígenas en sus lenguas ancestrales pues desconocen el Español, individuos privados de libertad, personas con capacidades especiales, y los que viven en zonas de frontera.
Al igual que en Cuba, Venezuela, Bolivia y Nicaragua, la alfabetización en Ecuador es solo un primer paso victorioso contra la ignorancia en que estuvo sumido la población más pobre, pues es interés de sus dirigentes mantener a los nuevos estudiantes en las aulas para que alcancen niveles superiores de enseñanza.
NICARAGUA TAMBIÉN DIJO ADIÓS A LA IGNORANCIA
En los últimos días Nicaragua también fue declarada libre de analfabetismo, tras reducir el índice de iletrados al 3,56 por ciento, también una cifra avalada por la UNESCO.
Sólo otras tres naciones del área ostentan esa condición: Cuba (1961), que logró tan difícil meta dos años después del triunfo de la Revolución cuando más de un millón de personas aprendieron a leer y a escribir; Venezuela (2005) y Bolivia (2008).
En Venezuela y Bolivia hubo un gran movimiento de masas que apoyó las respectivas Campañas hasta en los lugares más recónditos, con la asesoría cubana y el método de aprendizaje Yo, sí Puedo.
El presidente nicaragüense, Daniel Ortega, retomó la campaña de alfabetización iniciada cuando triunfó la Revolución Sandinista en la década de los 80 y ese país centroamericano, miembro del ALBA, tenía un índice de iletrados de 53 %, el cual fue disminuido hasta un 12 por ciento.
Luego, durante 16 años de gobierno neoliberal, la educación sufrió un retroceso, pues dejó de ser una prioridad para los gobernantes. En ese tiempo, el porcentaje de analfabetos se elevó de nuevo al 30% de la población.
En la ceremonia donde se declaró a la tierra de Augusto Sandino libre de analfabetismo, hace apenas unos días, Ortega señaló que ''la gran meta que tenemos es que Nicaragua pueda sentirse orgullosa cuando llegue al bicentenario de su independencia, en el 2021, sin analfabetos y con un nivel mínimo de bachillerato en su ciudadanía''
El presidente centroamericano exhortó al Ministro de Educación a alfabetizar a los nicas en el conocimiento de la Constitución Nacional - cuyos artículos son desconocidos para la mayoría de la ciudadanía- ''porque así, precisó, podrán defender sus derechos. Mientras mas se aprenda mas libre serán los hombres y mujeres, puntualizó el ex líder guerrillero.
Autoridades nicaragúenses reiteraron que en lo adelante continuará profundizándose el proceso de educación. La meta es mantener este año en las aulas a 300 mil personas recién alfabetizadas.
El objetivo es que para el 2015 la población que fue iletrada hasta hace unos días tenga vencido el nivel de sexto grado.
En Honduras, otro país centroamericano miembro del ALBA, el gobierno del presidente constitucional Manuel Zelaya, quien fue víctima de un golpe de Estado el pasado 28 de junio, se había propuesto declarar a ese territorio libre de analfabetismo en enero del 2010, cuando concluía oficialmente su mandato. En Honduras, antes de que comenzara la campaña de alfabetización, con el método Yo sí Puedo, existían más de un millón 300 mil analfabetos, en una población de más de siete millones y medio de habitantes.
El interés de los gobiernos y de las personas por estudiar, una posibilidad vedada para millones de latinoamericanos una década atrás, abre nuevos caminos en diversas ramas del conocimiento y en la formación de los obreros, técnicos y profesionales que necesita la región.
El analfabetismo va quedando atrás en las tierras latinoamericanas. Son varias las naciones, como México, Paraguay y República Dominicana, que sin pertenecer al ALBA, se han acogido al modelo cubano de alfabetización con resultados alentadores.
Este es uno de los logros sociales mas importantes alcanzados a partir de la creación del ALBA, en diciembre del 2004, cuando Cuba y Venezuela dejaron constituido ese bloque regional.
Cada país que se declara libre de ese mal embrutecedor es una nueva victoria en la definitiva liberación de los pueblos latinoamericanos.
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"La alfabetización es más, mucho más que leer y escribir. Es la habilidad de leer el mundo, es la habilidad de continuar aprendiendo y es la llave de la puerta del conocimiento", afirma el pedagogo brasileño Paulo Freire.
Por: Mariela Pérez Valenzuela
En una escalada sin precedente en la historia de la Educación, América Latina comienza a alejarse de la ignorancia que dominó el panorama de esa región durante siglos, con la aniquilación del analfabetismo en cinco países y la ejecución de programas con igual fin en otros.
Ecuador se convertirá este martes, según anunciaron sus autoridades gubernamentales, en el quinto país del área e igual número de miembros de la Alianza Bolivariana para los pueblos de América (ALBA) en ser declarado libre de analfabetismo, tras disminuir la cifra de iletrados hasta un 2,7 por ciento, inferior al cuatro por ciento exigido por la Organización de las Naciones Unidas para la Educación, la Ciencia y la Cultura (UNESCO) para obtener tal condición.
Son casi un millón de ecuatorianos los que durante meses se sentaron en un aula, por primera vez, para identificar las letras del abecedario, aprender a escribir su nombre, sus pensamientos, sus opiniones.
Para la oligarquía latinoamericana es fundamental mantener a los pueblos sumidos en la ignorancia, pues así resultan incapaces de pensar por si mismos y de comprender la necesidad de los cambios estructurales en una región que hasta hace apenas una década atrás vivía sumida en males de siglos, heredados primero de la colonización española y luego de las políticas de Estados Unidos y sus seguidores.
Con la asunción de gobiernos de corte progresista y de izquierda, empeñados en transformar la calidad de vida de sus ciudadanos, uno de los primeros programas sociales puestos en marcha fueron las Campañas de Alfabetización, apoyadas por la experiencia de Cuba en la materia, pues fue el primer país en dejar atrás ese flagelo en 1961.
El gobierno y pueblo cubanos, con su ejemplar solidaridad, ha puesto a disposición de las naciones que así lo han solicitado a sus asesores y profesores, quienes han sido de valiosa ayuda pues han llegado hasta los lugares más recónditos de América Latina para sacar de la ignorancia a sus habitantes de menos recursos.
Asimismo, en las Campañas fue utilizado el reconocido método de alfabetización Yo sí Puedo, creado por una experimentada profesora, mediante el cual incluso se puede alfabetizar en lenguas autóctonas.
EL ALBA: DETONANTE CONTRA LA IGNORANCIA
Millones de personas iletradas se abren paso al conocimiento gracias al ALBA, cuyos nueve Estados miembros tienen entre sus prioridades acabar con el analfabetismo en sus territorios para el 2010, y colaborar en ese propósito con otras naciones del área.
En Ecuador no se realizó una tradicional campaña de alfabetización, sino que el proceso de enseñar a leer y a escribir a varios miles de sus ciudadanos se efectuó mediante el Programa de Educación Básica para Jóvenes y Adultos ''Manuela Sáenz'' e iniciativas locales.
El citado Programa se propuso como primer objetivo reducir el analfabetismo, según las exigencias de la ONU, en agosto pasado, apenas dos años después de que el presidente Rafael Correa asumiera el cargo por primera vez.
Tras alcanzar esta meta, que libera oficialmente a los ecuatorianos del analfabetismo, el gobierno de Correa continuará en el empeño de incorporar a las aulas a aquellas personas que, por diversas razones no pudieron hacerlo en esta etapa, hasta reducir la cifra a cero.
El proyecto educacional ''Manuela Sáenz'', también basado en el método cubano, está diseñado para individuos con características específicas; de ahí que conste de varios sub-programas, entre otros, los que permiten alfabetizar a indígenas en sus lenguas ancestrales pues desconocen el Español, individuos privados de libertad, personas con capacidades especiales, y los que viven en zonas de frontera.
Al igual que en Cuba, Venezuela, Bolivia y Nicaragua, la alfabetización en Ecuador es solo un primer paso victorioso contra la ignorancia en que estuvo sumido la población más pobre, pues es interés de sus dirigentes mantener a los nuevos estudiantes en las aulas para que alcancen niveles superiores de enseñanza.
NICARAGUA TAMBIÉN DIJO ADIÓS A LA IGNORANCIA
En los últimos días Nicaragua también fue declarada libre de analfabetismo, tras reducir el índice de iletrados al 3,56 por ciento, también una cifra avalada por la UNESCO.
Sólo otras tres naciones del área ostentan esa condición: Cuba (1961), que logró tan difícil meta dos años después del triunfo de la Revolución cuando más de un millón de personas aprendieron a leer y a escribir; Venezuela (2005) y Bolivia (2008).
En Venezuela y Bolivia hubo un gran movimiento de masas que apoyó las respectivas Campañas hasta en los lugares más recónditos, con la asesoría cubana y el método de aprendizaje Yo, sí Puedo.
El presidente nicaragüense, Daniel Ortega, retomó la campaña de alfabetización iniciada cuando triunfó la Revolución Sandinista en la década de los 80 y ese país centroamericano, miembro del ALBA, tenía un índice de iletrados de 53 %, el cual fue disminuido hasta un 12 por ciento.
Luego, durante 16 años de gobierno neoliberal, la educación sufrió un retroceso, pues dejó de ser una prioridad para los gobernantes. En ese tiempo, el porcentaje de analfabetos se elevó de nuevo al 30% de la población.
En la ceremonia donde se declaró a la tierra de Augusto Sandino libre de analfabetismo, hace apenas unos días, Ortega señaló que ''la gran meta que tenemos es que Nicaragua pueda sentirse orgullosa cuando llegue al bicentenario de su independencia, en el 2021, sin analfabetos y con un nivel mínimo de bachillerato en su ciudadanía''
El presidente centroamericano exhortó al Ministro de Educación a alfabetizar a los nicas en el conocimiento de la Constitución Nacional - cuyos artículos son desconocidos para la mayoría de la ciudadanía- ''porque así, precisó, podrán defender sus derechos. Mientras mas se aprenda mas libre serán los hombres y mujeres, puntualizó el ex líder guerrillero.
Autoridades nicaragúenses reiteraron que en lo adelante continuará profundizándose el proceso de educación. La meta es mantener este año en las aulas a 300 mil personas recién alfabetizadas.
El objetivo es que para el 2015 la población que fue iletrada hasta hace unos días tenga vencido el nivel de sexto grado.
En Honduras, otro país centroamericano miembro del ALBA, el gobierno del presidente constitucional Manuel Zelaya, quien fue víctima de un golpe de Estado el pasado 28 de junio, se había propuesto declarar a ese territorio libre de analfabetismo en enero del 2010, cuando concluía oficialmente su mandato. En Honduras, antes de que comenzara la campaña de alfabetización, con el método Yo sí Puedo, existían más de un millón 300 mil analfabetos, en una población de más de siete millones y medio de habitantes.
El interés de los gobiernos y de las personas por estudiar, una posibilidad vedada para millones de latinoamericanos una década atrás, abre nuevos caminos en diversas ramas del conocimiento y en la formación de los obreros, técnicos y profesionales que necesita la región.
El analfabetismo va quedando atrás en las tierras latinoamericanas. Son varias las naciones, como México, Paraguay y República Dominicana, que sin pertenecer al ALBA, se han acogido al modelo cubano de alfabetización con resultados alentadores.
Este es uno de los logros sociales mas importantes alcanzados a partir de la creación del ALBA, en diciembre del 2004, cuando Cuba y Venezuela dejaron constituido ese bloque regional.
Cada país que se declara libre de ese mal embrutecedor es una nueva victoria en la definitiva liberación de los pueblos latinoamericanos.
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sábado, 5 de setembro de 2009
INTERVENÇÃO MILITAR ESTADUNIDENSE: QUANTO MAIS GUERRAS, MELHORES NEGÓCIOS
Agência de Informação Frei Tito para a América Latina http://www.adital.com.br
[ADITAL] 4 setembro 2009
O coronel-aviador da Força Aérea Brasileira, Sued Castro Lima, avaliou a intervenção militar estadunidense na América Latina. As ações dos Estados Unidos serão intensificadas com a instalação, agora em setembro, de sete bases militares na Colômbia. Para Sued, "os sucessivos conflitos bélicos em que o país tem se envolvido confirmam a avaliação de que ‘quanto mais guerras, melhores negócios’".
Sued Lima é graduado em Engenharia Civil e membro fundador do Observatório das Nacionalidades, entidade de pesquisa ligada à UFC (Universidade Federal do Ceará, estado na região Nordeste do Brasil) e à UECE (Universidade Estadual do Ceará). Já participou de diversas missões militares nos EUA, Israel, Argentina, Chile e Rússia. Deixou o serviço ativo em 1998. Confira a primeira parte (de duas) da entrevista que o coronel concedeu à ADITAL.
Adital - Como o senhor avalia a atual intervenção militar dos Estados Unidos na América Latina?
Sued Castro Lima - Avalio essas intervenções como coerentes com todo o histórico de ações militares e políticas que têm caracterizado a trajetória dos EEUU nas relações internacionais, desde o século XIX. São cerca de três dezenas de intervenções armadas e incontáveis ações golpistas para destituir ou tentar destituir governos de países latino-americanos que eventualmente não atendam os interesses imperiais da grande potência. Cuba é a campeã de intervenções armadas sofridas, com pelo menos seis casos, inclusive após a vitória da revolução de Fidel. Refiro-me à tentativa de invasão da ilha, no ataque à Baia dos Porcos, em 1961. Algumas dessas intervenções redundaram em anexação de extensas regiões, como no caso do México, em 1846, que perdeu metade de seu território, a parte mais rica, hoje os Estados da Califórnia, Novo México e Texas.
Adital - Na sua avaliação, essa intervenção militar está relacionada a aspectos como intervenção econômica e política? De que modo?
Sued Castro Lima - Os governos norte-americanos sempre atuaram, em maior ou menor escala, para atender os interesses do poder econômico do país. Em 1961, o presidente Dwight Eisenhower, general e herói de guerra, reconheceu publicamente que o chamado complexo militar-industrial influenciava decididamente nas políticas interna e externa dos Estados Unidos.
Os sucessivos conflitos bélicos em que o país tem se envolvido confirmam a avaliação de que "quanto mais guerras, melhores negócios". São guerras que têm três sentidos destacados: testar novos tipos de armamentos, fazer o marketing desses produtos e impor os interesses globais da grande potência imperial.
Há uma declaração de um general dos marines (fuzileiros navais), Smedley D. Butler, feita em tom de ironia, já em 1935, que responde bem à pergunta: "Nos 33 anos que passei no serviço ativo, atuei na maioria das vezes como um gangster a serviço do capitalismo. "Ajudei" a tornar o México um lugar seguro para os interesses petrolíferos norte-americanos, "ajudei" a tornar o Haiti e Cuba um lugar decente para os rapazes do National City Bank recolherem rendas, "ajudei" a purificar a Nicarágua para a casa bancária dos Irmãos Brown, "limpei" a República Dominicana para os interesses açucareiros e "ajudei" a endireitar Honduras para as companhias norte-americanas de frutas."
Adital - Algo mudou na política intervencionista dos EUA a partir da posse de Barack Obama?
Sued Castro Lima - Até o momento, não está visível um novo rumo na política externa dos EEUU. O governo Obama pouco tem feito de efetivo para conter o genocídio do povo palestino pelo Estado de Israel, reproduzindo o comportamento dos governos republicanos, em que os presidentes falavam muita coisa e pouco faziam; amplia a guerra no Afeganistão; mantém tropas no Iraque; desenvolve retórica intervencionista contra a Coreia do Norte e o Iran; não atua firmemente contra o golpe militar que depôs o presidente hondurenho Manuel Zelaya; e amplia sua presença militar na América do Sul, com as bases na Colômbia e no Peru.
Deve-se considerar, em verdade, que a margem de manobra de qualquer governo progressista norte-americano é bastante estreita em face do poderio da indústria de armamento, e correlatas, e dos conglomerados financeiros, que impõem seus interesses com firmeza e despudor.
Adital - O que representa, para a América Latina, a instalação das bases militares na Colômbia? E para o Brasil?
Sued Castro Lima - Segundo o pensador francês Michel Foucault, um dos instrumentos do exercício do poder resulta da presença física do dominador. Através dessa presença, pode ostentar a força destruidora que lhe é própria, intimidando o mais fraco.
Já o estrategista britânico Liddell Hart, que viveu no século passado, considerava que um dos maiores objetivos estratégicos do comandante militar é o de ter acesso prévio ao mais amplo grau de conhecimento sobre as forças do virtual inimigo, como ocupam o terreno, como pensam, quem são seus chefes, como se preparam, enfim, avaliar seus pontos fortes e suas vulnerabilidades. A presença militar no território de potencial conflito armado ajuda a resolver bem tais questões, pois possibilita a observação e o acompanhamento dos acontecimentos que interessam ao potencial invasor, abrindo-lhe acesso a informações cruciais para o desencadeamento de seus eventuais propósitos de intervenção militar.
A concessão do governo de Uribe à instalação em território colombiano de sete bases militares operadas por milhares de soldados norte-americanos tem duplo efeito: fere a soberania de seu país e mina a União Sul-americana de Nações (Unasul), com o seu Conselho de Defesa, ainda embrionários, filhos diletos da política externa e da estratégia de defesa regional desenvolvidas pelo governo Lula.
Ao publicar em meio impresso, favor citar a fonte e enviar cópia para: Caixa Postal 131 - CEP 60.001-970 - Fortaleza - Ceará - Brasil
Para receber o Boletim de Notícias da Adital escreva a adital@adital.com.br
[ADITAL] 4 setembro 2009
O coronel-aviador da Força Aérea Brasileira, Sued Castro Lima, avaliou a intervenção militar estadunidense na América Latina. As ações dos Estados Unidos serão intensificadas com a instalação, agora em setembro, de sete bases militares na Colômbia. Para Sued, "os sucessivos conflitos bélicos em que o país tem se envolvido confirmam a avaliação de que ‘quanto mais guerras, melhores negócios’".
Sued Lima é graduado em Engenharia Civil e membro fundador do Observatório das Nacionalidades, entidade de pesquisa ligada à UFC (Universidade Federal do Ceará, estado na região Nordeste do Brasil) e à UECE (Universidade Estadual do Ceará). Já participou de diversas missões militares nos EUA, Israel, Argentina, Chile e Rússia. Deixou o serviço ativo em 1998. Confira a primeira parte (de duas) da entrevista que o coronel concedeu à ADITAL.
Adital - Como o senhor avalia a atual intervenção militar dos Estados Unidos na América Latina?
Sued Castro Lima - Avalio essas intervenções como coerentes com todo o histórico de ações militares e políticas que têm caracterizado a trajetória dos EEUU nas relações internacionais, desde o século XIX. São cerca de três dezenas de intervenções armadas e incontáveis ações golpistas para destituir ou tentar destituir governos de países latino-americanos que eventualmente não atendam os interesses imperiais da grande potência. Cuba é a campeã de intervenções armadas sofridas, com pelo menos seis casos, inclusive após a vitória da revolução de Fidel. Refiro-me à tentativa de invasão da ilha, no ataque à Baia dos Porcos, em 1961. Algumas dessas intervenções redundaram em anexação de extensas regiões, como no caso do México, em 1846, que perdeu metade de seu território, a parte mais rica, hoje os Estados da Califórnia, Novo México e Texas.
Adital - Na sua avaliação, essa intervenção militar está relacionada a aspectos como intervenção econômica e política? De que modo?
Sued Castro Lima - Os governos norte-americanos sempre atuaram, em maior ou menor escala, para atender os interesses do poder econômico do país. Em 1961, o presidente Dwight Eisenhower, general e herói de guerra, reconheceu publicamente que o chamado complexo militar-industrial influenciava decididamente nas políticas interna e externa dos Estados Unidos.
Os sucessivos conflitos bélicos em que o país tem se envolvido confirmam a avaliação de que "quanto mais guerras, melhores negócios". São guerras que têm três sentidos destacados: testar novos tipos de armamentos, fazer o marketing desses produtos e impor os interesses globais da grande potência imperial.
Há uma declaração de um general dos marines (fuzileiros navais), Smedley D. Butler, feita em tom de ironia, já em 1935, que responde bem à pergunta: "Nos 33 anos que passei no serviço ativo, atuei na maioria das vezes como um gangster a serviço do capitalismo. "Ajudei" a tornar o México um lugar seguro para os interesses petrolíferos norte-americanos, "ajudei" a tornar o Haiti e Cuba um lugar decente para os rapazes do National City Bank recolherem rendas, "ajudei" a purificar a Nicarágua para a casa bancária dos Irmãos Brown, "limpei" a República Dominicana para os interesses açucareiros e "ajudei" a endireitar Honduras para as companhias norte-americanas de frutas."
Adital - Algo mudou na política intervencionista dos EUA a partir da posse de Barack Obama?
Sued Castro Lima - Até o momento, não está visível um novo rumo na política externa dos EEUU. O governo Obama pouco tem feito de efetivo para conter o genocídio do povo palestino pelo Estado de Israel, reproduzindo o comportamento dos governos republicanos, em que os presidentes falavam muita coisa e pouco faziam; amplia a guerra no Afeganistão; mantém tropas no Iraque; desenvolve retórica intervencionista contra a Coreia do Norte e o Iran; não atua firmemente contra o golpe militar que depôs o presidente hondurenho Manuel Zelaya; e amplia sua presença militar na América do Sul, com as bases na Colômbia e no Peru.
Deve-se considerar, em verdade, que a margem de manobra de qualquer governo progressista norte-americano é bastante estreita em face do poderio da indústria de armamento, e correlatas, e dos conglomerados financeiros, que impõem seus interesses com firmeza e despudor.
Adital - O que representa, para a América Latina, a instalação das bases militares na Colômbia? E para o Brasil?
Sued Castro Lima - Segundo o pensador francês Michel Foucault, um dos instrumentos do exercício do poder resulta da presença física do dominador. Através dessa presença, pode ostentar a força destruidora que lhe é própria, intimidando o mais fraco.
Já o estrategista britânico Liddell Hart, que viveu no século passado, considerava que um dos maiores objetivos estratégicos do comandante militar é o de ter acesso prévio ao mais amplo grau de conhecimento sobre as forças do virtual inimigo, como ocupam o terreno, como pensam, quem são seus chefes, como se preparam, enfim, avaliar seus pontos fortes e suas vulnerabilidades. A presença militar no território de potencial conflito armado ajuda a resolver bem tais questões, pois possibilita a observação e o acompanhamento dos acontecimentos que interessam ao potencial invasor, abrindo-lhe acesso a informações cruciais para o desencadeamento de seus eventuais propósitos de intervenção militar.
A concessão do governo de Uribe à instalação em território colombiano de sete bases militares operadas por milhares de soldados norte-americanos tem duplo efeito: fere a soberania de seu país e mina a União Sul-americana de Nações (Unasul), com o seu Conselho de Defesa, ainda embrionários, filhos diletos da política externa e da estratégia de defesa regional desenvolvidas pelo governo Lula.
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terça-feira, 25 de agosto de 2009
AS PEDRAS DE TEGUCIGALPA

Honduras: a revolução nacional-libertadora tardia
por Ivan Pinheiro *
19 agosto 2009/Resistir Info http://resistir.info/
Os dias que passei em Honduras, na fraterna companhia de Amauri Soares e Marcelo Buzetto, serviram para consolidar as impressões que, desde o Brasil, expusera no artigo "Contra a manobra do pacto de elites".
Definitivamente, o golpe não só contou como ainda conta com o apoio material e político do imperialismo estadunidense, que foi obrigado a dissimular sua participação em razão dos erros cometidos na execução do golpe, sobretudo o fato de o mundo ter sido surpreendido com a prisão e a retirada à força de Manuel Zelaya do país, sem uma satanização prévia.
O golpe em Honduras é parte do plano imperialista para tentar travar a ALBA e os processos de mudanças sociais na América Latina. Honduras fica entre a Nicarágua e El Salvador, vizinhos hoje governados por antigos movimentos guerrilheiros de libertação nacional, agora em versão moderada, que se desmilitarizaram nos anos 90: a Frente Sandinista e a Frente Farabundo Marti.
Além disso, o país possui grandes reservas não exploradas de petróleo, minério abundante e outros recursos naturais, além da base de Soto Cano, a mais importante e estratégica para os ianques na América Central. Zelaya é o detalhe do golpe, que é muito mais contra a ALBA, contra Cuba, Venezuela, Equador, Bolívia e os dois vizinhos limítrofes.
Ao que tudo indica, está a ponto de se consumar o plano B que o império adotou a partir da repulsa mundial no início do golpe: a sua legitimação e, em seguida, legalização.
A cada dia que passa fica mais difícil a volta de Zelaya ao governo, ainda que apenas para presidir as eleições gerais de novembro com as mãos atadas, sem ALBA, sem Constituinte, nem mesmo o direito de se candidatar ao mais simples cargo eletivo.
Um dos mais importantes lances deste plano B se deu no dia 12 de agosto, quando os membros da Corte Suprema e do Tribunal Superior Eleitoral anunciaram oficialmente a manutenção das eleições gerais para o dia 29 de novembro próximo. Logo em seguida, simulando surpresa, o presidente golpista reconhece a decisão do judiciário, como se estivesse submetendo-se a um poder autônomo, ao "império da lei e da justiça, ao estado democrático de direito".
Tudo isso em cadeia nacional de televisão. No horário nobre, como convém a uma boa novela. Em seguida, ainda ao vivo, Honduras ganha de quatro a zero da rival Costa Rica, pelas eliminatórias da Copa do Mundo.
A sinalização é óbvia: até a posse do novo Presidente, em janeiro, Micheletti preside o país, o TSE realiza as eleições, a Corte Suprema as preside, as Forças Armadas as garantem e observadores internacionais escolhidos a dedo as legitimam. Tudo para passar um ar de legalidade. Se assim for, Zelaya não volta nem para passar a faixa ao futuro Presidente.
No mesmo dia, em entrevista coletiva após uma cúpula do Nafta, entre sorridentes presidentes do Canadá e do México, Obama fez uma jogada de mestre, abandonando Zelaya à própria sorte. Aproveitando-se das ilusões alimentadas por este, de voltar ao poder por iniciativa dos EUA, Obama lavou as mãos, apontando a incoerência das pressões para que intervenha em Honduras por parte dos que pedem o fim da intervenção dos EUA nos países da América Latina.
No mesmo evento trilateral, Felipe Calderón – eleito presidente numa monumental fraude contra López Obrador – anuncia o reconhecimento do México ao governo Micheletti, seguindo o exemplo pioneiro do Canadá, cujas mineradoras transnacionais com sede no país ocupam quase um terço do território hondurenho. Para os que ainda não se deram conta de que o capitalismo brasileiro é parte do sistema imperialista, a mais poderosa dessas mineradoras tidas como canadenses (a INCO) foi recentemente comprada pela "nossa" Vale do Rio Doce.
Tudo indica que o núcleo duro da oligarquia e da cúpula militar que assumiu o governo em Honduras há mais de cinqüenta dias – agora falando grosso pelo decurso de prazo no poder – está com força para impor seu próprio projeto de pacto de elites para superar a crise e legitimar o golpe. Não só rechaçou as propostas conciliadoras feitas pelo Presidente da Costa Rica, como, em 10 de agosto, não recebeu uma delegação de chanceleres latino-americanos que, em nome da OEA, iriam a Tegucigalpa tentar mediar a crise. E olha que eram representantes apenas de governos moderados ou pró-imperialistas: Argentina, Canadá, Costa Rica, Jamaica, México e República Dominicana. Os golpistas só admitiram receber a Comissão da OEA no próximo 24 de agosto, ganhando mais duas semanas sem "mediações".
Os golpistas conseguiram unificar todas as instituições e personalidades das classes dominantes: as cúpulas das Forças Armadas, da Igreja Católica, das entidades empresariais, do Judiciário, a grande maioria do Congresso Nacional, incluindo parlamentares do próprio partido de Zelaya, aliás o mesmo de Micheletti, o centenário Partido Liberal, uma espécie de PMDB hondurenho.
Esta unificação se expressa na mídia. Estão com o golpe todos os quatro jornais diários e, com a intervenção militar no canal 36 e a repressão a jornalistas independentes, todas as emissoras de televisão. Apenas uma estação de rádio ainda resistia, mas quando escrevo, deve estar fora do ar.
Creio que presenciamos em Honduras os momentos cruciais para o desfecho desta batalha, um capítulo da luta de classes que se expressa no país. Nos dias 11 e 12 de agosto, não por coincidência, chegaram ao auge a mobilização popular e a repressão. Sinto expressar a impressão de que os golpistas saíram mais fortalecidos dessas dramáticas 48 horas.
No dia 11, os protestos em Tegucigalpa, São Pedro de Sula e outras localidades envolveram quase cem mil manifestantes. Na capital, a marcha tentou ir até a Casa Presidencial, sede do governo federal, que fica num bairro de elite afastado do centro, sendo reprimida por um aparato de milhares de soldados da Polícia Nacional e do Exército. Na dispersão, como expressão da revolta popular, as pedras das mal calçadas ruas de Tegucigalpa se transformaram em armas contra símbolos do capital: as vidraças de bancos e redes multinacionais de comida rápida.
Na noite do dia 11, o governo retoma o toque de recolher. Na madrugada, veículos sem placa percorrem a capital com atiradores em trajes civis metralhando os dois principais locais de reunião da direção da Frente Nacional Contra o Golpe de Estado: as sedes do Sindicato dos Trabalhadores de Bebidas e da Via Campesina.
Na manhã do dia 12, quando nova manifestação pacífica se dirigia ao centro da cidade, para um protesto diante do Congresso Nacional, a repressão já havia montado um aparato impressionante, destinado a evacuar todo o centro da cidade com violência contra quem estivesse nas ruas, fossem ou não manifestantes.
Sou testemunha ocular de que o pretexto para justificar a violenta repressão foi montado por agentes provocadores que, numa ação combinada, simularam uma agressão e logo em seguida a proteção do Vice-Presidente do Congresso Nacional, um dos principais articuladores do golpe. Exatamente na hora em que passavam os manifestantes, ele saíra sozinho à porta do Parlamento em plena sessão legislativa. Estas cenas, algumas horas depois, foram exibidas à exaustão em todas as emissoras de televisão hondurenhas e possivelmente no mundo todo.
Na dispersão desordenada, grande parte dos manifestantes se dirigiu ao quartel general da resistência desde o início das mobilizações, o até então inviolável campus da Universidade Pedagógica, onde se realizam as Assembléias da resistência e se alojavam os militantes que moram fora da capital. Mas o campus já estava tomado pelas tropas, que sequer permitiram aos alojados retirarem seus pertences pessoais, cuja apreensão ainda serviu para manipular a "descoberta" de coquetéis molotov.
É impressionante a combatividade, a coragem e a determinação do povo hondurenho. É digna de registro a unidade das forças que impulsionam até aqui a resistência, organizadas na Frente Nacional Contra o Golpe de Estado, apesar das debilidades políticas, materiais e organizativas dos movimentos sociais e grupos de esquerda. Não fossem estas debilidades, a história poderia ser outra. Nos momentos seguintes ao golpe havia um conjunto de fatores que poderiam configurar uma situação pré-revolucionária.
Os sindicatos ainda não têm a força desejável, sobretudo na iniciativa privada, onde a greve geral não vicejou. Os agrupamentos revolucionários só agora estão se reorganizando, recuperando-se da desarticulação das décadas de 80 e 90, em função da derrota da luta armada, da repressão e da crise na construção do socialismo. Para se ter uma idéia, dois partidos que se reivindicavam comunistas se dissolveram naquele período e só agora alguns comunistas estão refundando o Partido.
Mas as classes dominantes, para além do Estado, possuem uma arma decisiva numa batalha como esta: a mídia, sobretudo a televisão. É por este meio que os golpistas conseguiram calar, enquadrar e cooptar a grande maioria da pequena burguesia, restringindo a resistência aos setores proletários e parte minoritária das camadas médias.
Com muita competência, diuturnamente, todos os canais de televisão legitimam o golpe e satanizam a resistência. Jogam com o medo, mostrando cenas de violência nas ruas, em que as tropas só atacam para se defender dos "violentos" manifestantes, chamados de bárbaros e terroristas. Jogam com o risco de se perderem empregos e negócios, por conta da paralisação de parte importante da economia do país. Jogam com o sentimento de autodeterminação, acusando a resistência de ser dirigida e financiada pela Venezuela e pela Nicarágua.
Todos os meios de comunicação se utilizam do mesmo padrão de manipulação. Os manifestantes são "vândalos, terroristas"; o golpe é uma "sucessão constitucional". Não há qualquer debate na mídia eletrônica, em que haja espaço para o contraditório. Como aqui no Brasil, todos os "especialistas" chamados a comentar os fatos têm a mesma visão de mundo. A manipulação midiática não é apenas o que noticiam, mas também o que não noticiam. A solidariedade internacional não é conhecida pelo povo hondurenho. Zelaya tem sido satanizado como um meliante político, que queria rasgar a Constituição, a serviço de Hugo Chávez. Nesta fase de legitimação do golpe, o noticiário sobre Honduras vai sumindo na mídia mundial.
Confesso que foi impossível resistir à atração de vivenciar pessoalmente os confrontos do centro da cidade, ao lado dos manifestantes e do povo, para ajudar no que fosse possível. Confesso que foi difícil reprimir o impulso que as mãos suplicavam, quando as pedras me olhavam do chão.
A ofensiva da direita pode levar a um natural refluxo do movimento de massas, sobretudo face ao cansaço, à falta de resultados, ao isolamento social e, de uns tempos para cá, a uma certa desconfiança sobre a determinação de Zelaya. Ainda por cima, a mídia legitimou a repressão, o que dá ao governo golpista mãos livres para radicalizar mais nas próximas escaramuças.
Há muitos indícios de que o imperialismo já selou o destino de Zelaya: a possibilidade de uma volta ao país, "anistiado", após a posse do novo Presidente. Não há qualquer sinal da saída de Micheletti antes disso, nem com a assunção de um tertius para disfarçar o golpe. Se um fato novo não ocorrer, Micheletti passa a faixa para o novo Presidente, em janeiro, certamente um cidadão "ilibado, acima das classes, de união nacional", ou seja, da absoluta confiança do imperialismo e das classes dominantes locais.
Sinceramente, gostaria de trazer de Honduras avaliações diferentes.
Um exemplo deste plano é que, em 13 de agosto, partiu de Honduras para os EUA uma comissão de "notáveis" indicados pelo governo golpista, para explicar as razões do golpe ao Departamento de Estado, a convite deste. Lembram-se do compromisso de Obama de não receber delegações do governo golpista?
Os golpistas estão trocando os representantes diplomáticos hondurenhos no mundo todo, como a Cônsul Gioconda Perla, do Rio de Janeiro, que ficou fiel a Zelaya. Salvo os que aderiram ao golpe. Preencheram todos os cargos federais. O governo funciona a pleno vapor. As estradas estão sendo desobstruídas, para escoar a circulação de bens e a exportação, reativando a economia. Os defensores de Zelaya na elite política se calaram, com raras exceções. O caso mais emblemático do oportunismo político é do Embaixador hondurenho no Brasil, que havia sido nomeado por Zelaya. Como já sentiu para onde os ventos sopram, simulou uma internação por problema cardíaco no dia da chegada de Zelaya em Brasília, quando este foi recebido pelo Presidente Lula.
Como se vê, vai de vento em popa a tática da legitimação do golpe, ajudada pelo quase fim do mandato de Zelaya e, agora, por uma agenda eleitoral que dominará a cena política hondurenha daqui a poucos dias. Para se ter idéia do processo eleitoral, haverá mais de 20.000 candidatos a cerca de 2.850 cargos (Presidente, Deputados, Prefeitos, Vereadores), inclusive do único Partido considerado de esquerda entre os cinco registrados, o social democrata UD (Unificación Democrática), que tem seis Deputados - nem todos participando publicamente da resistência - numa Câmara de pouco mais de cem.
A partir deste 31 de agosto, os partidos e os candidatos registrados já poderão divulgar suas campanhas em matérias pagas, inclusive na televisão. Isto mudará a pauta nacional.
Aliás, a participação ou não no processo eleitoral pode ser um fator de divisão da Frente contra o golpe, que reúne a Unificación Democrática e o Bloque Popular, em que se encontram as organizações sociais e políticas mais à esquerda. A UD já lançou publicamente um candidato a Presidente, enquanto o Bloque Popular defende a não participação nas eleições, com o argumento de não legitimar o golpe.
Enquanto isso, Zelaya, num comportamento pendular, abandonou seu posto em território nicaragüense, em Ocotal, na fronteira com seu país, de onde anunciara que iria comandar pessoalmente a resistência popular, exatamente nos dias 11 e 12 de agosto, para os quais estava convocada a jornada de luta. Nesses dias, Zelaya optou por um giro pela América do Sul, visitando o Brasil e o Chile, para sinalizar uma inflexão do eixo Chávez/Ortega para Lula/Bachelet.
Mas já ontem o presidente deposto havia voltado ao seu posto na fronteira, de onde divulgou ao povo hondurenho um comunicado conclamando à manutenção da luta de resistência contra o golpe e ao não reconhecimento do processo eleitoral convocado, nem dos seus resultados. E as manifestações continuam, ainda que com participação menor. Neste domingo, haverá um grande concerto musical contra o golpe.
Em verdade, mesmo assim, parece chegar ao fim um dos últimos capítulos da ilusão da revolução nacional-libertadora, que já há algumas décadas passou do prazo de validade.
Zelaya, eleito por um partido da ordem, representava o que ainda resta de setores da burguesia hondurenha, pequenos e médios empresários, que têm algum nível de contradição com o imperialismo. Sua aproximação com a ALBA e a Petrocaribe não tinha um sentido de transição ao socialismo, ainda que o difuso "socialismo do século XXI". Tratava-se do interesse desses setores não monopolistas da burguesia hondurenha de fazer crescer o mercado interno e ter acesso ao mercado dos países da ALBA. Para isso, precisavam nacionalizar algumas riquezas nacionais, participar de uma integração não imperialista para importar petróleo e outros insumos mais baratos e mitigar as injustiças para aumentar o poder de consumo popular, através de políticas compensatórias e aumento do salário mínimo.
A realidade está mostrando que estes setores residuais da burguesia não têm a mínima condição de disputar com os setores monopolistas. Na fase imperialista do capitalismo, ainda mais em meio à sua crise, a hegemonia no Estado burguês pertence aos segmentos associados aos grandes monopólios. Quem manda em Honduras são os bancos, o agronegócio, os exportadores de matéria prima, e as indústrias maquiadoras voltadas, como no caso da Nike, para o mercado externo.
Mas em Honduras, nada será como antes, principalmente a esquerda e sua vanguarda. Amadurecem e formam-se nesta legendária luta milhares de militantes e quadros. O comando da Frente, em especial do Bloque Popular, já ajustou corretamente a linha política e a organização popular às necessidades desta nova fase da luta. A bandeira da convocação da Constituinte, livre e soberana, com ou sem Zelaya, é um dos eixos políticos principais. Em Assembléia neste domingo, a resistência resolveu priorizar a organização popular, a partir das bases.
A grande lição que os militantes hondurenhos aprenderam é que os proletários só podem contar com eles próprios. Para grande parte desta heróica vanguarda, acabaram-se as ilusões em alianças com a burguesia, nas possibilidades de humanização do capitalismo e de transição ao socialismo nos marcos da institucionalidade burguesa.
E a certeza de que não bastam as pedras de Tegucigalpa.
19/Agosto/2009/Rio de Janeiro
[*] Secretário Geral do PCB
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