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sexta-feira, 17 de junho de 2016
Brasil/Mais de 100 mil trabalhadores e trabalhadoras rurais ocuparam agências, gerências e superintendências da Previdência Social
quarta-feira, 4 de maio de 2016
Brasil/Dilma diz que injustiça contra ela continuará visível e que não vai renunciar
quinta-feira, 13 de agosto de 2015
Brasil/Marcha das Margaridas reúne 100 mil mulheres em apoio a Dilma
12agosto, Carta
Maior http://www.cartamaior.com.br (Brasil)
Entre as pautas do movimento, estão a defesa da
reforma agrária, o fim da violência contra a mulher e o apoio à presidenta
contra as tentativas de golpe
Aos gritos de “não vai ter golpe”, as manifestantes se reuniram em torno do Congresso Nacional ao fim da passeata. Do carro de som, um alerta: “Não é um abraço [no Congresso]. É um arrocho. Vamos arrochar esses cabras”. Maria Rita Fernandes, uma das lideranças do evento, afirmou que a ideia é expressar apoio a Dilma, diante das reiteradas ações da oposição para derrubá-la do posto.
“Eu acredito na capacidade política e na civilização do povo. Há 12 anos, a gente sofria muito, sequer tinha alimento. Viajamos 3, 4 mil quilômetros até aqui não por acaso. Foi para
sexta-feira, 18 de outubro de 2013
Brasil/Governo promete 100 decretos de reforma agrária até o fim do ano
terça-feira, 11 de junho de 2013
Brasil/CONTAG se solidariza à Comunidade Indígena Terena
Foi com profundo pesar que a CONTAG recebeu a notícia da morte do índio Terena, Oziel Gabriel, e de dezenas de índios feridos durante a trágica demonstração de força do Estado brasileiro sobre famílias desarmadas e indefesas
sexta-feira, 20 de abril de 2012
Brasil/Intelectuais entregam à Presidência manifesto a favor da reforma agrária
As 12 organizações são a Associação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), Cáritas Brasileira, Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Comissão Pastoral da Terra (CPT), Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Movimento Camponês Popular (MCP), Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e Via Campesina Brasil.
“A decisão nossa de partir para esse manifesto é um pouco lembrar que esse é um momento crucial para se definir a reforma agrária”, disse Moacir Palmeira, professor do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do Museu Nacional, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em referência à possibilidade de retrocesso não só na questão agrária, mas também na questão ambiental, caso o novo Código Florestal seja aprovado com as mudanças que foram enviadas ao Congresso. “Então esse manifesto, se por um lado é um manifesto crítico, é também um manifesto de apoio à firmeza que a presidente teve naquele primeiro momento de discussão do Código Florestal na Câmara, pois o significado da aprovação desse novo Código Florestal é realmente uma coisa inimaginável”, afirmou.
Cumpra-se
No manifesto, os intelectuais reconhecem que há “avanços importantes” em políticas adotadas pelo governo federal nos últimos dez anos, mas, “no que tange à questão agrária, o essencial ainda está por ser feito”. Para Palmeira, “está na hora de se avançar. Você tem a situação de irregularidades na ocupação territorial, quando a terra está registrada em nome do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) e o Incra não se apropria. Os posseiros e proprietários são indenizados, mas quando o Incra vai tomar posse os latifundiários não deixam entrar. O processo fica travado e aí a Justiça diz que é caso de polícia, e aí a coisa fica abandonada. Então esse é o momento de se entrar firme nisso, absolutamente dentro da lei, fazer cumprir”. O caso do Mato Grosso, denunciado no documento, ilustra a situação, com milhões de hectares da União ocupados de forma irregular e ilegal por grandes fazendas do agronegócio.
Uma das importantes medidas adotadas pelo governo federal nos últimos dez anos apontada pelos signatários do manifesto é o recém aprovado limite à estrangeirização das terras do país. No entanto, o declínio no processo de desapropriação de terras para a reforma agrária também é realçado. “Em 2005, segundo dados do próprio Incra, nós tivemos um total de 874 projetos de assentamentos executados. Em 2009, o último dado consolidado que temos, caiu para 297 projetos. Então tínhamos quase 900 projetos executados ao ano em 2005, caiu para 700 em 2006, para 400 em 2007, 330 em 2008 e 297 em 2009, o que mostra uma desaceleração”, ilustra Sérgio Leite, professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).
Em número de famílias, a queda passa de 100 mil em 2005 para pouco mais de 20 mil famílias assentadas em 2009. Para Leite, esse resultado foi causado tanto por problemas internos, no Incra, como externos. “você tem uma morosidade da própria Justiça no processo de desapropriação das terras; um processo de encarecimento no mercado de terras, que nesse período ficou aquecido; e também um comprometimento pela ação do Incra, que poderia ser um pouco mais célere”, enumera ele.
Novo ciclo
O secretário-geral da Presidência da República vê com bons olhos a união dos movimentos sociais para a discussão de um novo ciclo da questão. “De fato eu acho que é um grande avanço os movimentos terem se unido. A questão agrária e agrícola precisa de uma nova discussão. Esse é um debate muito atual dentro do governo e a pressão dos movimentos é importante. Nós temos aí perto de 150 mil famílias acampadas e é possível resolver essa questão. A presidenta tem um padrão de exigência muito grande, ela não quer saber de assentamento mal feito”, afirmou Gilberto Carvalho, dizendo que entregaria o manifesto à presidenta Dilma Rousseff assim que chegasse ao Palácio do Planalto na quarta-feira.
Em defesa desse bom padrão de assentamento, o secretário-geral citou sua experiência em visitas aos acampamentos, “o que o MST faz de qualificação agroecológica de seus quadros é impressionante. O MST tem em vários pontos do país escolas de agroecologia. Estão dando para a molecada uma capacidade, uma competência de gestão do empreendimento agrário e do novo manejo na linha de agroecologia que é de encantar. E outra coisa, as agroindústrias que eles estão montando atualmente têm um padrão de produtividade e eficácia que viabiliza os assentamentos”.
Para Carvalho, o manifesto chega como mais uma mola propulsora por novos padrões agrários. “O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) felizmente se mostrou sensível, e aí a Dilma foi fundamental, e começa a financiar esses empreendimentos; e por aí, nessa linha da qualificação de assentamentos, nós temos um belíssimo caminho para a gente viabilizar de fato uma reforma agrária que produza um novo padrão de agricultura em um novo padrão de produção de alimento, livre de transgênicos. Nesse sentido é que eu acho que esse manifesto, comprando esse embate, pode ser muito importante e ajuda muito”.
segunda-feira, 10 de setembro de 2007
Brasil - O dilema da Reforma Agrária
Adital - A concentração de terras em mãos de poucos fazendeiros, sistema de propriedade rural que se denomina latifúndio, tem sido o maior entrave à justiça social no campo. Sua problemática confunde-se com os primórdios da agricultura, da formação da família patriarcal e com a substituição da propriedade comunal para a propriedade privada.
Reforma agrária é o termo empregado para designar o conjunto de medidas jurídico-econômicas que visam a desconcentração da propriedade privada de terras cultiváveis a fim de torná-las produtivas. Sua implantação tem como resultados o aumento da produção agrícola, a ampliação do mercado interno de um país e a melhoria do nível de vida das populações rurais.
O Brasil apresenta uma estrutura agrária em que convivem extensos latifúndios improdutivos, grandes monoculturas de exportação e milhões de trabalhadores rurais sem terra. A área média de pequenas propriedades não ultrapassa os vinte hectares e a população rural vive em péssimas condições de higiene e alimentação, o que resulta em elevados índices de mortalidade. Há regiões no país nas quais os processos de irrigação, fertilização e recuperação do solo são desconhecidas, o analfabetismo prevalece e quase inexistem escolas técnico-agrícolas.
O segundo princípio na qual a posse não garante a propriedade veda ao trabalhador rural o acesso a terra e propicia a formação de uma casta de latifundiários que se apossa das áreas rurais brasileiras. Na base da pirâmide social, uma vasta classe de despossuídos foi relegada a mais extrema miséria e teve suas reivindicações reprimidas sistematicamente com violência. Portanto, a concentração da propriedade rural no Brasil dá origem a uma vasta camada de trabalhadores sem terra o que evidencia um dilema da política fundiária porque o modelo de reforma agrária do país pode fracassar.
Em vários momentos, esta camada de trabalhadores rurais organizados pelos movimentos sociais do campo reaparece, de tempos em tempos, ocupando posto de pedágio, ocupações de prédios públicos e saqueando caminhões de comida no melhor exemplo do que já dizia Santo Tomás de Aquino: se estiveres com fome, tome-o do outro que possua com fartura. Nestas ações coletivas há uma forte denuncia dos governos, de FHC a Lula, por sua lentidão em promover as desapropriações para a criação de projetos de assentamentos de reforma agrária.
Depois de um período de trégua quando foram saindo dos noticiários ridículos da Rede Globo e da Veja que nem sequer conseguem diferenciar a diferença de conceito entre invasão e ocupação, os sem-terra retornam à cena pública e com os mesmos problemas, apesar de reconhecermos alguns progressos obtidos nos últimos anos por parte do governo. Mas os dois últimos governos tratam os sem-terras quase da mesma forma, com descaso, pois o modelo de reforma agrária é o mesmo.
De acordo com as pesquisas mais detalhadas sobre o tema, o sistema defendido pelo MST não é adotado pelo governo. O governo adota o oposto da concepção de reforma agrária defendido pelo MST. Geralmente, adota o modelo de reforma agrária sindical a partir dos interesses da CONTAG que se baseia na desapropriação e distribuição da terra em pequenos assentamentos que estão divididos em parcelas individuais. De um latifúndio para o minifúndio. Já o MST, mesmo que em alguns casos seja obrigado a assumir este modelo devido a fatores culturais, possui outro modelo de reforma agrária baseado no cooperativismo e no associativismo.
Tais assentamentos minifundiários possuem pouca chance de sobrevivência, já que caminham na contramão da História legitimando o modelo capitalista de individualização da propriedade privada. Sem competitividade no mercado nem estrutura para engrenar a produção, os pequenos assentados agricultores que ganham suas terras depois de tanta luta social e estão destinados ao fracasso e ao retorno da fila da exclusão. Daí vem a mídia elitista dizendo: Ta vendo, são vagabundos, não querem trabalham. Com isso, formam o imaginário social do povo brasileiro com tais preconceitos. O governo, a serviço dos grandes monopólios do capital, representantes da indústria agrícola, continua acreditando que este modelo de reforma agrária seja o ideal, pois não compromete questionarmos a existência da propriedade privada como fazem a CPT e o MST.
A reforma agrária brasileira, cujo modelo atual funciona há mais de vinte anos, tem sido usada em grande parte para mandar ou devolver para o campo os desempregados urbanos e legiões de excluídos da atividade rural pelos processos da chamada modernização da agricultura como bem demonstrou em 2006 a TV Globo com um documentário apologeta sobre o Brasil Rural. Na verdade, o Brasil Rural das grandes empresas de soja transgênicas e dos fazendeiros com seus milhares de cabeças nelores pastando em terras que poderiam ser realmente utilizadas para a plantação e para outro modelo de reforma agrária que abolisse a propriedade privada.
Várias pesquisas demonstram esta situação onde se percebe a existência de trabalhadores com profissões diversificadas. Recentemente, num pré-assentamento na região do Araguaia conheci um químico formado pela Universidade Federal de Goiás (UFG) que estava na luta pela terra. Encontra-se entre os assentados gente com várias profissões urbanas, como alfaiate, professores, militares, encanadores, bancários, caminhoneiros, entre outros, que muitas vezes não possuem intimidade com a terra e não lhes é oferecido nenhuma formação para que possam estar aprendendo novas formas de manejo com a terra. Outra situação que observamos pela experiência junto aos assentamentos de reforma agrária trata-se de que a maioria dos assentados possuem mais de 40 anos de idade, ultrapassando, portanto, aquele limite que costuma ser considerado um marco perverso da exclusão do emprego braçal, principalmente na grande cidade. Outra situação interessante é que grande parte dos assentados já foram anteriormente arrendatários, donos, meeiros ou parceiros na exploração da atividade agropecuária.
Há outros sinais concretos de que a reforma agrária brasileira funciona equivocadamente. Por exemplo: Apenas 1/5 dos que recebem terra conseguem gerar renda suficiente para se manter no campo. Outros abandonam a terra num período máximo de dez anos. O fenômeno do esvaziamento populacional no campo, aliás, é absolutamente natural e faz parte da história da maioria dos países desenvolvidos desse século. Nos Estados Unidos, restam apenas 1,5% da população trabalhando no campo. Na França, 6%. Mas isso custa bastante em termos de subsídios. No caso do Brasil, a massa que vai sendo derrotado pela tecnologia ganha o rótulo de excluída e acaba abastecendo iniciativas que parecem exigir que o planeta gire ao contrário. Como por exemplo, a própria reforma agrária pensada para realizar a inclusão social de sujeitos acaba transformando assentamentos num processo crescente de favelização rural.
Percebo apenas uma vantagem no modelo atual de luta pela terra e pela reforma agrária, a atuação de resistência do MST que continua atuando para organizar o povo para reivindicar, ocupar, resistir e produzir em comunhão, no espírito da partilha. Em contrapartida às dificuldades encontradas nos projetos de reforma agrária, existe no Brasil, principalmente nos estados do Sul (até mesmo por motivos culturais) o sucesso do modelo de cooperativas do MST. Em alguns casos, as cooperativas respondem por mais de 40% da produção nacional de determinada cultura. O grande problema é que para ligar uma coisa com a outra, se depende da familiaridade e da aptidão do assentado para o trabalho em união o que percebemos ser difícil acontecer nos assentamentos das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Por isso, acredito, que a reforma agrária bem sucedida somente se efetivará com a total eliminação da propriedade privada.
claugnas@gmail.com
* Filósofo e Teólogo. Mestre em Educação pela Unicamp. Doutorando em Educação pela UnB. Pesquisador do Centro Transdisciplinar de Educação do Campo e Desenvolvimento Rural - CETEC/UnB.
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terça-feira, 21 de agosto de 2007
Brasil/Trabalhadoras rurais marcham pela reforma agrária e contra a violência
Clara Mousinho / Agência Brasil
Segundo a coordenadora de mulheres da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Carmen Foro, o principal objetivo da Marcha das Margaridas, desde o ano 2000, é discutir o tema da fome, da pobreza e da violência contra a as mulheres.
"Para resolver esses problemas, é preciso desenvolver políticas públicas e reforma agrária. Por isso, a gente marcha”, diz Carmem Foro. “Hoje é um momento de grande reflexão e debate. Vamos discutir o tema da Previdência, da terra, do desenvolvimento, da violência contra a mulher."
A integrante do Sindicato de Trabalhadores Rurais de Pernambuco Maria das Dores da Silva disse que as mulheres do campo sofrem muito preconceito, especialmente no acesso à terra. “A mulher hoje é discriminada na terra porque acham que só homem que podem conseguir a terra, mas que para a mulher hoje é um desafio”, destaca a pernambucana.
“A mulher sofre muita violência porque só por ela ser discriminada no campo é um violência. Então na Marcha das Margaridas a gente tirou por meta discutir a violência no campo, a violência sexista e também a igualdade.”
Durante a abertura da marcha, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, classificou a manifestação como um exemplo de unidade para o movimento social brasileiro. "As mulheres brasileiras estão mostrando aqui o que muitos movimentos sindicais não têm conseguido fazer. Aqui está o conjunto de movimentos de mulheres de norte a sul do país.”
Amanhã (22), os trabalhadores farão a Marcha da Margaridas na Esplanada e entregarão ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva um documento com as principais reivindicações das mulheres do campo.
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quinta-feira, 9 de agosto de 2007
Brasil/Dulci defende integração de empresários e trabalhadores brasileiros e de países vizinhos
Brasília, 9 Agosto 2007 - O secretário-geral da Presidência da República, ministro Luiz Dulci, defendeu hoje (9) a associação de empresários brasileiros aos com empresários dos países vizinhos, como forma de fortalecer as relações comerciais. O ministro ressaltou, entretanto, que também é "fundamental" os trabalhadores estarem juntos para se operar uma integração da qual o povo participe.
"A integração tem que ser econômica e tecnológica, mas precisa também ser fortemente social", afirmou Dulci, ao participar da abertura do Seminário sobre Comércio Internacional e Integração Regional, no Centro de Ensino Rural da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag).
Segundo o ministro, o Brasil tem papel cada vez mais forte no cenário internacional; em especial no comércio.
Ele elogiou a iniciativa da Contag, ao realizar o seminário, e disse que, se a instituição "quer defender - o que faz muito bem - a agricultura familiar e os trabalhadores rurais, tem que defender aqui no país, mas também em todos os fóruns internacionais onde as questões agrícolas são discutidas".
O presidente da Contag, Manoel dos Santos, afirmou que os trabalhadores rurais precisam participar dos espaços de discussão política intrarregional, uma vez que a tendência é de um mundo cada vez mais globalizado. "E isso não pode se dar só pela ação dos grandes produtores e dos governos. Precisamos também ter informações e amplitude de visão das relações sociais", disse ele.
quinta-feira, 5 de julho de 2007
Brasil / Expansão do etanol não pode transformar trabalhador em "escravo", avalia fundação
Brasília - O presidente da Conferação Nacional de Trabalhadores da Agricultura (Contag), Manoel dos Santos, fala em audiência pública sobre as condições de vida, trabalho, segurança e saúde dos trabalhadores das indústrias produtivas de álcool
Brasília - O crescimento da produção de cana-de-açúcar, para atender a crescente demanda por etanol, está piorando as condições de trabalho do bóia-fria, avalia o presidente da Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro), Remígio Todeschini. "É importante que se dê atenção ao trabalhador canavieiro. Ele não pode se tornar simplesmente um escravo da produção e tendo a capacidade de vida reduzida”, disse, após audiência pública realizada na última semana no Senado Federal.
Cerca de 80% da cana produzida no país é colhida à mão, o que garante o emprego de cerca de um milhão de brasileiros. Mas a Fundacentro está preocupada com a qualidade desse trabalho.
Oitento e quatro trabalhadores do setor morreram em 2005, segundo dados da fundação. Mais de 23 mil acidentes. Já o Relatório Nacional de Direitos Humanos, Econômicos, Sociais e Culturais, lançado esta semana em Brasília, aponta a morte de 15 bóias-frias, somente na região de Ribeirão Preto.
A expansão da produção deve se traduzir em melhora das condições de trabalho, defende Todeschini. “Temos de ter redução da jornada para seis horas. Para que os trabalhadores não morram ou se acidentem por causa de esgotamento. Além de melhorar as condições de alojamento dos canavieiros, a questão de refeição, a questão da produção menos intensiva", observou.
Algumas das principais causas de acidentes e mortes, de acordo com estudo, são ausência de proteção coletiva, desnutrição e estresse por calor, alojamentos inadequados, exaustão e intoxicação.
De acordo com Todeschini, o ministério do Trabalho tem uma ação intensiva de fiscalização para coibir a informalidade, a terceirização, e o não cumprimento das normas básicas, como fornecimento e utilização de equipamento individual. Ele sugere que as empresas fiquem atentas às condições de trabalho.
"É preciso que nesse investimento feito pelo governo haja uma contrapartida também por parte das entidades empresariais de sentar com o Sindicato dos Trabalhadores para estabelecer um contrato coletivo, uma negociação coletiva adequada. Para se preservar a saúde e para que todos tenham um trabalho decente", destacou.
Para o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Manoel dos Santos, a situação como está não pode continuar. E acredita que a ampliação do setor vá prejudicar a agricultura familiar. "Onde chega uma plantação de cana, a agricultura familiar não pode se estabelecer ali em volta. Então, esses trabalhadores são expulsos ou pela pressão ou pela sedução de venda da terra, ou pelos herbicidas que são colocados, muitas vezes de avião e prejudicam comunidades inteiras", disse.
Além disso, ele acredita que a expansão do setor não se traduzirá em empregos, porque, segundo ele, o grande foco da sucro-alcoleira está mais na mecanização e no uso de herbicida e não de mão-de-obra de trabalhadores.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que o Brasil deva colher 528 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na safra 2007/2008, com aumento de 11,20% sobre a safra 2006/2007. A área plantada cresceu 7,4% em relação à safra anterior, com ganhos de produtividade em torno de 3,5%. (Agência Brasil)
http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2007/06/01/materia.2007-06-01.1044653413/view
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