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sexta-feira, 5 de outubro de 2007

A política morreu... Viva a Política!


Dom Pedro Casaldáliga *

Agência Adital/3 outubro 2007

Mensagem de Dom Pedro Casaldáliga para a Agenda Latino-americana: À maneira de introdução fraterna

O grande personalista cristão Emmanuel Mounier declara: «Tudo é política, mesmo que a política não seja tudo», Fábio Konder Comparato, jurista e militante, apesar das graves decepções que tem sofrido com a política, afirma categoricamente: «Fora da política não há salvação». Gilvander Moreira faz a mesma afirmação nesta Agenda. Vários institutos espanhóis, especialistas em juventude, constataram numa pesquisa que 60% dos jovens não sentem nenhum interesse pela política. O povo simples das nossas regiões do interior do Brasil falava e fala ainda da política, a priori e a posteriori, como de um mal: «Estar político» com alguém é estar brigado com ele.

Como fica então? Política sim ou política não?

Nesta nossa Agenda Latino-americana Mundial de 2008, depois de termos falado de democracia na Agenda 2007, achamos mais que oportuno falarmos de política.

Deve-se reconhecer que a decepção que vem provocando a política, praticamente em todos os países, cria uma atitude de desconfiança, de desprezo e até de indignação frente à política. Quais são as causas? Infelizmente é fácil enunciá-las: os escândalos de corrupção e nepotismo, a falsidade das promessas eleitorais, as alianças espúrias, a inércia interesseira das oligarquias nacionais e a submissão dos governos e políticos à macro-ditadura do capitalismo neoliberal...

A experiência coletiva, em quase todos os países, sobretudo no Terceiro Mundo, é de uma dança de siglas que encobrem, todas elas, a mesma pseudopolítica reinante no poder, no lucro, no privilégio. Tem-se feito da política um negócio, o recurso das elites que se sucedem, sempre as mesmas, abertamente na direita, consagrando o status quo. A charge diz: "Chega de fazer política com a política! Deixem a política para o que ela é: para fazer negócios!".

Essa política deve morrer. Já é mundialmente uma política morta para a sociedade que quer viver humanamente e construir um futuro autenticamente democrático, humanizador, participativo, sem essas desigualdades que clamam ao céu. A economia cresce, mas cresce simultaneamente a desigualdade. Os planos estruturais de ajuste, exigidos dos países pobres, pela política em exercício, fracassaram, cobrando-se muita dor, muita miséria e até muito sangue. "O processo atual de globalização, escreve Stiglitz em seu livro Como fazer que funcione a globalização, está provocando uns resultados desequilibrados tanto entre países como dentro dos mesmos. Cria-se riqueza, mas são demais os países e as pessoas que não partilham seus benefícios... Estes desequilíbrios globais são moralmente inaceitáveis e politicamente insustentáveis". Tem-se afirmado oportunamente que a desigualdade assassina a mundialização; e se convoca para um processo múltiplo em lugares e em modos a serviço de uma "mundialização eqüitativa", que reparta o bem-estar e que suprima a miséria.

Temos que fazer da política um exercício básico de cidadania. A cidadania é o reconhecimento político dos direitos humanos. Porque somos humanidade, somos sociedade. O filósofo italiano Giorgio Agamben afirma: "A separação entre o humano e o político que estamos vivendo na atualidade é a fase extrema da excisão entre os direitos do homem e os direitos do cidadão".

Nossa Agenda faz um percurso pela história da política. Confronta o exercício da política real com os direitos humanos, com a cidadania, com as culturas, com a laicidade e o diálogo inter-religioso, com a ecologia, com os meios de comunicação. Essa política real tem nas mãos a manipulação da opinião pública e «a colonização das subjetividades». Para a maior parte da humanidade é uma política que deve morrer, que já é uma política morta. E, entretanto, a política, a outra política, não pode morrer, precisamente porque a humanidade não pode viver sem ela. A política é a organização da vida humana, o processo da sociedade. A política é mais que uma dimensão, abrange todas as dimensões da vida social.

Denunciando em nossa Agenda a política iníqua, reivindicamos a verdadeira política. Uma política «outra», de justiça, de transparência, de serviço, de participação. Programada e vivida localmente e mundialmente. Renovando as instâncias tradicionais, muitas delas caducas e injustas, e propiciando instâncias novas. Formando politicamente a cidadania. Sugerindo atitudes, processos, campanhas; ajudando a buscar soluções. Sabemos que «agenda» é «o que se deve fazer». Esta edição da nossa Agenda, então, quer ajudar a pensar e a assumir o que se deve fazer para que a política viva, ressuscitada, longe dos «sepulcros caiados», e seja uma política humana e humanizadora.

Com Max Weber, queremos distinguir entre a política como profissão e a política como vocação. Rubem Alves escreveu, num memorável artigo "Sobre política e jardinagem": "De todas as vocações, a política é a mais nobre... De todas as profissões, a profissão política é a mais vil".

Vários especialistas escrevem em nossa Agenda, propiciando informação e pistas de ação, particularmente em áreas mais profanadas ou mais esquecidas: política e direitos humanos, a mulher e a política, a política e os meios de comunicação, a política e o movimento popular, a política e as culturas, a política e a religião, a política e a economia.

Devemos sonhar caminhando. Queremos e devemos ser políticos, fazer política. Nos autoconvocamos para entrar, mulheres e homens -cada vez mais as mulheres nas diferentes esferas da política-, adultos e jovens, todos comprometidos e esperançados, nessa grande mobilização de objetivos, de foros, de campanhas, de realizações. Pedimos, sonhando alto, que a política seja um exercício de amor, a celebração diária de uma convivência verdadeiramente humana. Uma política fraterna e sororal. Um culto diário à Humanidade e o melhor culto ao Deus vivo. Queremos ser políticos e fazer política, sem possível neutralidade, sem hipócritas eqüidistâncias. Em seu famoso discurso na universidade de Lovaina, o mártir São Romero da América afirmou: "Ser a favor da vida ou da morte. Cada dia vejo com mais clareza que essa é a opção a seguir. Nisso não existe neutralidade possível. Ou servimos à vida ou somos cúmplices da morte de muitos seres humanos. Aqui se revela qual é a nossa fé: Ou cremos no Deus da Vida ou usamos o nome de Deus servindo aos carrascos da morte".

* Bispo Emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia (MT) e um dos mais importantes militantes brasileiros pelos direitos humanos

http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=29839

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Brasil/Dulci defende integração de empresários e trabalhadores brasileiros e de países vizinhos

Stênio Ribeiro / Repórter da Agência Brasil

Brasília, 9 Agosto 2007 - O secretário-geral da Presidência da República, ministro Luiz Dulci, defendeu hoje (9) a associação de empresários brasileiros aos com empresários dos países vizinhos, como forma de fortalecer as relações comerciais. O ministro ressaltou, entretanto, que também é "fundamental" os trabalhadores estarem juntos para se operar uma integração da qual o povo participe.


"A integração tem que ser econômica e tecnológica, mas precisa também ser fortemente social", afirmou Dulci, ao participar da abertura do Seminário sobre Comércio Internacional e Integração Regional, no Centro de Ensino Rural da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag).


Segundo o ministro, o Brasil tem papel cada vez mais forte no cenário internacional; em especial no comércio.


Ele elogiou a iniciativa da Contag, ao realizar o seminário, e disse que, se a instituição "quer defender - o que faz muito bem - a agricultura familiar e os trabalhadores rurais, tem que defender aqui no país, mas também em todos os fóruns internacionais onde as questões agrícolas são discutidas".


O presidente da Contag, Manoel dos Santos, afirmou que os trabalhadores rurais precisam participar dos espaços de discussão política intrarregional, uma vez que a tendência é de um mundo cada vez mais globalizado. "E isso não pode se dar só pela ação dos grandes produtores e dos governos. Precisamos também ter informações e amplitude de visão das relações sociais", disse ele.

http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2007/08/09/materia.2007-08-09.8758036414/view

terça-feira, 24 de julho de 2007

CPLP/Mais de 100 jovens preparam Cimeira África/Europa

Lisboa, 23 Julho 2007 - Cerca de 130 representantes de organizações de jovens e de comunidades africanas residentes na Europa iniciaram hoje um encontro de três dias em França para preparar a Cimeira da Juventude África/Europa, prevista para Dezembro, em Lisboa.

"Este é o primeiro de seis encontros para reflexão, dos quais vamos retirar recomendações para alimentar a declaração final da Cimeira da Juventude", disse à agência Lusa Marcos Andrade, coordenador do programa da Juventude do Centro Norte-Sul do Conselho da Europa.
Cerca de 250 jovens europeus e africanos vão reunir-se em Lisboa, entre 04 e 07 de Dezembro, na Cimeira da Juventude África/Europa, durante a presidência portuguesa da União Europeia, encontro que antecede a realização, também em Lisboa, da II Cimeira de chefes de Estado e de Governo UE/África, marcada para 08 e 09 de Dezembro.
Hoje, os jovens iniciaram os três dias de reflexão em Marly le Roi, em França, na presença de representantes do governo francês no domínio das migrações, da juventude e do desenvolvimento, e de responsáveis da União Africana e da Comissão Europeia, entre outros.
De acordo com Marcos Andrade, nos meses de Agosto, Setembro e Outubro vão decorrer as restantes consultas em cinco regiões africanas.
A África do Sul vai receber o encontro sobre a África Austral, seguindo-se o Burkina-Faso (África Ocidental), Camarões (África Central) e a Etiópia (Africa de Leste).
Por definir está ainda o país que vai receber a consulta sobre a África do Norte, estando a organização a apontar para a Tunísia ou a Argélia.
Os objectivos do Milénio, a paz e os conflitos, o emprego e as condições de trabalho, a globalização, o desenvolvimento sustentável, as alterações climáticas, as políticas para a juventude e as migrações e o diálogo inter-cultural são os grandes temas já definidos para serem abordados na Cimeira de Dezembro.
A Cimeira da Juventude África/Europa tem como principal objectivo influenciar a política de juventude no seio de uma cooperação África-Europa.
A reunião de Marly le Roi é organizada pelo Centro Norte-Sul do Conselho da Europa, Instituto Nacional da Juventude e da Educação, Fórum Europeu da Juventude e Direcção da Juventude e do Desporto do Conselho da Europa. (Noticias Lusófonas)

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Portugal / Premiê luso endossa Lula em críticas a subsídios agrícolas

Lisboa, 4 Julho 2007 (Lusa) - O primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, endossou nesta quarta-feira as críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao peso dos subsídios da União Européia e dos Estados Unidos no setor agrícola nas negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC) e disse que o Brasil era o "pilar" que faltava à política européia.

Sócrates e Lula concederam entrevista conjunta à emissora de TV estatal portuguesa RTP no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, antes da 1ª cúpula entre União Européia e Brasil, considerada uma das prioridades da Presidência portuguesa do bloco europeu, que vai até o fim do semestre.

"Portugal percebeu que faltava à política européia a existência de um pilar com o Brasil. Não era possível a Europa ter um papel relevante mundial no domínio da regulação sem ter uma relação especial com o Brasil, que é um dos grandes atores mundiais", disse o primeiro-ministro luso, que assumiu a Presidência rotativa da União Européia no dia 1º.

Novos líderes políticos
Em relação ao bloqueio das negociações da OMC, assim como Sócrates, o presidente Lula se mostrou otimista em relação a um consenso, considerando que a Europa tem novos líderes políticos despontando, como Nicolas Sarkozy (França) e Gordon Brown (Reino Unido).

"Tenho mais de 62 anos de idade e mais de 40 de negociações e nunca esperei uma negociação fácil na ronda de Doha. Do ponto de vista técnico o trabalho está encerrado, mas falta a decisão política dos primeiros-ministros e dos presidentes da República", observou Lula.

"Queremos que os Estados Unidos baixem os seus subsídios agrícolas para US$ 12 bilhões (R$ 22,9 bilhões) e que a União Européia flexibilize os seus mercados no setor da agricultura. Mas tanto a União Européia como os Estados Unidos querem que o Brasil flexibilize os seus mercados ao nível da indústria e dos serviços", disse o presidente brasileiro, defendendo em seguida "uma proporcionalidade que leve em conta o Produto Interno Bruto de cada país".

Redução de subsídios
Sócrates também destacou a necessidade de identificar as questões importantes para direcionar as decisões políticas. "Procuramos uma regulação da globalização e um equilíbrio entre liberalização e incentivos ao desenvolvimento", disse o premiê luso, para quem um acordo está muito dependente "da redução dos subsídios agrícolas por parte dos países desenvolvidos".

Para Sócrates, a redução dos subsídios deverá permitir "um acesso aos mercados dos países mais desenvolvidos por parte dos menos desenvolvidos". "Isso é absolutamente justo. Há um excesso de ajudas estatais no setor agrícola dos Estados Unidos e de alguns países europeus. A compensação será uma maior abertura dos mercados dos países menos desenvolvidos aos produtos industriais."

"As negociações ainda não acabaram e a minha convicção é que um acordo comercial pode estar perto, porque é bom para todas as partes", afirmou o primeiro-ministro português.

Outras notícias

quinta-feira, 21 de junho de 2007

CPLP / Seis países lusófonos participam em cimeira promovida pela Turquia

Istambul, 20 Junho 2006 - Os 50 países menos desenvolvidos, entre eles seis lusófonos, participam em Julho, em Istambul, numa cimeira promovida por Ancara para debater a integração na economia mundial, noticiou hoje o jornal Turkish Daily News na sua edição electrónica.

Segundo o jornal, no encontro, a realizar nos dias 09 e 10 de Julho, será ainda solicitado àqueles 50 países o apoio à candidatura da Turquia a um dos lugares não permanentes do Conselho de Segurança da ONU, para o biénio 2009-2010.
O Turkish Daily News, que cita fonte diplomática turca, identifica os seis países lusófonos como sendo Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.
Os restantes 44 países participantes na cimeira, em que intervirá ou o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, ou o chefe da diplomacia, Abdullah Gul, referiu o jornal, provêm do continente africano (29) da Ásia (nove), Oceânia (cinco) e América (um).
A cimeira terá como tema "Fazer Funcionar a Globalização" e é co-organizada em colaboração com o Programa da ONU para o Desenvolvimento (PNUD) e o alto representante das Nações Unidas para os Países Menos Desenvolvidos, de Interior (Encravados) e Pequenos Estados Insulares (UN-OHRLLS). (Noticias Lusófonas)

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Cúpula Alternativa considera reunião do G8 ilegítima

Teve início nesta terça-feira (5) em Rostock, na Alemanha, uma cúpula crítica ao G-8. A Cúpula Alternativa, que defende o lema "Pensar a globalização de outra maneira", considera ilegítima a cúpula "oficial" por ela representar apenas 14% da população mundial.

A Cúpula Alternativa deverá reunir, até quinta-feira, cerca de mil participantes, incluindo alguns ativistas internacionais, como a Prêmio Nobel da Paz Alternativo, a indiana Vandana Shiva, e o cineasta Michael Moore, famoso pelas contundentes críticas ao sistema e ao presidente americano, George W. Bush.

A Cúpula foi organizada por 40 diferentes organizações não governamentais, com destaque para a americana ATTAC e para os ambientalistas do Greenpeace.

A Cúpula Alternativa pretende fazer o contraste com a Cúpula dos líderes do G8 (Alemanha, França, Itália, Reino Unido, Canadá, Estados Unidos, Japão e Rússia), que será realizada a partir de amanhã até 8 de Junho, num luxuoso hotel de Heiligendamm, estância balneária do Mar Báltico.

"Trata-se de lutar contra uma ordem mundial exterminadora e absurda", disse hoje a jornalistas, em Rostock, o relator especial das Nações Unidas para o direito à alimentação, Jean Ziegler, que fará a intervenção inaugural da Cúpula Alternativa, hoje à noite, na Igreja de S. Nicolau, em Rostock.

Segundo os organizadores, a Cúpula não é contra a globalização, "mas sim por uma globalização a partir das bases, que seja justa, social, e marcada por relações justas entre os países industrializados e os países em desenvolvimento".

Em dois dias, a Cúpula terá 120 painéis, nomeadamente sobre combate à pobreza, política climática, justiça global, migrações, racismo, militarização, trabalho e assuntos sociais.
Como os Estados do G8 apenas representam 14% da população mundial, "os bilhões de pessoas atingidas pela sua política também precisam de ter uma voz", argumentam os organizadores da Cúpula Alternativa.

Simultaneamente, distanciaram-se de violentas manifestações de rua contra o G8, que Jean Ziegler considerou "um fenômeno secundário".

A "violência primordial é morrer uma criança com menos de 10 anos a cada cinco segundos no mundo", disse o alto funcionário da ONU. (Vermelho / 5 de junho de 200)