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segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Aquecimento global vai provocar queda na produção agrícola brasileira

Alana Gandra, repórter da Agência Brasil

11 agosto 2008/Agência Brasil http://www.agenciabrasil.gov.br

Rio de Janeiro - O aumento da temperatura global vai provocar crescimento menor da agricultura brasileira nos próximos anos. Essa é uma das conclusões do estudo “Aquecimento Global e Cenários Futuros da Agricultura Brasileira”, elaborado em parceria pela Universidade de Campinas (Unicamp) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

O engenheiro agrônomo Hilton Silveira Pinto, diretor do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri), da Unicamp, um dos coordenadores da pesquisa, disse à Agência Brasil que o estudo detectou a possibilidade de quebra da produção agrícola, principalmente de grãos.

“Das culturas que nós vimos até agora, apenas a cana-de-açúcar é que sai ganhando, pelo menos até 2050. Nas outras culturas, a área [plantada] diminui e a produtividade diminui”. Ao contrário do que muitos poderiam pensar, essa expansão projetada para a cana não se deve à produção de etanol. “O etanol é conseqüência”, afirmou Hilton Silveira.

Ele esclareceu que a produção de cana vai aumentar porque a modificação climática continua sendo adequada a essa cultura. “O etanol vai sair ganhando porque o clima vai favorecer a produção de cana”.

A mandioca é outro produto que não sairá perdendo com o aquecimento global, segundo o engenheiro agrônomo. Embora o Nordeste deixe de produzir mandioca, também conhecida como aipim ou macaxeira, essa raiz poderá ser cultivada na Amazônia, ainda que não imediatamente.

Isso ocorrerá “acima de um limite de anos em que a diminuição das chuvas na região permita [que se cultive] a mandioca”. Hilton Silveira estima que depois de 2020 e até 2050 serão criadas condições mais propícias para o cultivo de mandioca na Amazônia.

O estudo da Unicamp/Embrapa será divulgado hoje (11) à tarde no 7º Congresso Brasileiro do Agribusiness, em São Paulo e, segundo Silveria, não tem o objetivo de criar “terrorismo climático”.

“O que a gente está querendo é mostrar que tecnologias a serem desenvolvidas podem fazer com que o fantasma do aquecimento global na agricultura não seja tão ruim. A gente pode adaptar culturas, pode perder plantio ou produção de soja no Sul, por exemplo, e ganhar em cana-de-açúcar”.

O engenheiro agrônomo destacou também a necessidade de que as mudanças do clima preparem as autoridades para outro problema da maior relevância no Brasil, que são as migrações sociais e as dificuldades que isso representará na área da saúde.

Outro problema apontado pelo pesquisador da Unicamp é o fato de que “o Brasil tem uma mania muito grande de deixar acontecer para depois correr atrás”. Daí o alerta que está sendo feito para que o governo e a sociedade possam adotar medidas preventivas com bastante antecedência.

Silveira ressaltou que a única instituição que liberou recursos para trabalhos de pesquisa na área da agricultura e mudanças climáticas foi a Embrapa. Nas demais, “fala-se muito e age-se pouco”, criticou. Ele enfatizou que é preciso que o Brasil atue da mesma forma que países desenvolvidos, como Estados Unidos e Inglaterra, e passe a agir imediatamente para minimizar os efeitos do aquecimento global.

Ele criticou também o fato de os dados climáticos existentes não serem disponibilizados pelos órgãos oficiais do setor, como o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e a Secretaria Estadual de Agricultura de São Paulo, o que prejudica os trabalhos dos pesquisadores.

http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2008/08/07/materia.2008-08-07.6418769506/view

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quinta-feira, 26 de junho de 2008

Timor-Leste/Plano massivo de terra para biocombustivel levanta suspeitas

26 junho 2008

DILI — O governo de Timor-Leste está sob fogo por causa de um acordo para pôr mais de um sexto da terra arável do país num projecto de etanol de 100 milhões de dólares financiado por estrangeiros.
A Fretilin, na oposição. rotulou-o como uma "traição à terra" um memorando de entendimento entre o ministro da agricultura e a GTLeste Biotech para uma plantação de açúcar e fábrica de etanol de 100,000 hectares (247,000 acres) .
O acordo com a pouca conhecida companhia Indonésia garante pelo menos 100 milhões de dólares em investimento em retorno pela doação à GTLeste num aluguer de 50 anos sobre uma faixa "de terra improdutiva" com a opção de mais 50 anos.
O governo está a vender a jogada como uma potencial grande fonte de dinheiro estrangeiro que pode gerar mais de 2,000 empregos.
Mas o porta-voz da agricultura da oposição Estanislau da Silva disse à AFP que o plano foi feito com pouca consulta pública e pode ameaçar a produção de alimentos no país empobrecido e preponderantemente agrário.
"Eles dizem que vão plantar cana-de-açúcar em terra improdutiva. Onde é que no mundo se planta cana-de-açúcar em terra improdutiva?" disse da Silva.
"A própria intenção é muito suspeita e vai contra o que estamos a fazer em termos de desenvolvimento e de aumentar a produção de alimentos e a segurança alimentar," disse ele.
"Dois mil empregos nada me diz quando se dá de barato 100,000 hectares."
"Em primeiro lugar o que nos preocupa é o processo. Para um projecto tão grande como este... o governo devia abrir uma consulta antes de assinar o contrato," disse Maximus Tahu, do observador de desenvolvimento independente La'o Hamutuk.
Apesar das estimativas serem difíceis de fazer, os 100,000 hectares propostos para o projecto compreendem pelo menos um sexto da terra arável de Timor-Leste, incluindo quintas já em funcionamento, disse Tahu. A Fretilin põe o número num quarto.
"Aprendemos de outros países que as plantações de cana-de-açúcar terão impactos negativos na agricultura e na vida dos agricultores. Mais de 80 por cento dos Timorenses são agricultores, vivem da agricultura, por isso a terra é muito importante para eles," disse ele.
"A nossa preocupação é que o projecto contribuiria para a destruição da fertilidade da terra."
O governo empurrou para o lado as críticas, dizendo que as discussões estão a começar e que nenhuma localização precisa foi encontrada para a plantação.
O Ministro do Ambiente, Mariano Sabino, disse as críticas do plano tinham sido espalhar "falsa propaganda" de que o governo já havia concordado em dar a terra para o GTLeste.
"Seja quem for que queira discutir isto, certo vamos discutir isso. Mas não façam campanhas falsas e não mintam que o ministério já deu a terra," disse ele na Segunda-feira.
A fábrica de etanol traria investimento muito necessário para o Timor-Leste rural, disse Sabino.
Timor-Leste, que ganhou a independência formal em 2002 depois de 24 anos de ocupação muitas vezes brutal Indonésia, é um dos países mais pobres na Ásia, com cerca de 50 por cento de desemprego.
Aumentos de preços do petróleo crescentes e receio do aquecimento global têm levado ao aumento na produção de biocombustíveis, que são fabricados principalmente de produções tais como óleo de palma, cana-de-açúcar e grãos de soja.
Contudo, os cientistas têm questionado os benefícios ambientais dos biocombustíveis, dizendo que a produção pode encorajar o desmatamento das terras bem como desviar da produção de alimentos, empurrando para cima os preços globais de alimentos.

AFP/Tradução de Margarida/Fonte: timorlorosaenacao


sábado, 17 de maio de 2008

"ESPECULAÇÃO CAUSA CRISE DOS ALIMENTOS"

Por Igor Felippe Santos


16 maio 2008 / Portal do MST
http://www.mst.org.br

O integrante da coordenação nacional do MST, Egidio Brunetto, analisa que especulação financeira causou a elevação dos preços dos alimentos no mundo. “Os produtos agrícolas passaram a ser commodities, que agora são vendidas nas bolsas de valores em ações. Grandes especuladores controlam 60% do trigo, por exemplo. A alta do preço dos produtos agrícolas tem origem na especulação financeira”, afirma.

Egídio Brunetto avalia que existe produção de alimentos em excesso a nível internacional e discorda da avaliação do presidente Lula, que atribuiu o aumento do preço dos alimentos ao crescimento do consumo. “Como uma família que recebe a bolsa do governo de 60 reais vai aumentar o consumo se o preço do alimento duplicou? Diminuiu o consumo de alimentos. Aumentou o preço do feijão, do arroz, da carne e do óleo, como vão consumir mais?”, rebate.

Em 12 meses, houve uma disparada de preços dos alimentos no Brasil, ficando em torn de 11,2%, em média. O feijão aumentou 168,3%; o arroz, 7,7%; a farinha de trigo, 17,6%; o macarrão, 17,6%; e o pão francês, 16,9%. Os óleos cresceram em média 50%; a carne bovina, 19%; a carne suína, 10,7%; o frango, 6%; queijo provolone, 35,8%; o queijo fresco, 30,6%.

Segundo ele, o Estado precisa retomar o seu papel na agricultura e na produção, inclusive com subsídios para os agricultores, e a democratização da terra ganha peso na discussão política por ser uma saída para a crise. “Precisamos de Reforma Agrária para resolver problema da fome, das mudanças climáticas e da estratégia da soberania alimentar”.

Leia a seguir a entrevista do dirigente do MST, que atua no Mato Grosso do Sul.

Qual a avaliação do MST e da Via Campesina sobre a polêmica em torno da elevação do preço dos alimentos?

Não existe uma polêmica, mas uma desculpa do capital para justificar o aumento. Em primeiro lugar, é reflexo de um modelo de produção agrícola baseado na Revolução Verde. Houve uma industrialização da produção de alimentos baseados em insumos petroquímicos, pesticidas e agrotóxicos. Passamos depois por uma segunda fase, com a liberalização do comércio agrícola, dentro do neoliberalismo, no qual as empresas transnacionais passaram a dominar as sementes, o comércio e as grandes cadeias de supermercados. Esse modelo de produção e o novo padrão de consumo levaram os agricultores e os países a perder a sua soberania alimentar. Hoje as grandes empresas têm monopólios que controlam o comércio dos produtos alimentares. Os governos não têm o que fazer porque não controlam esse sistema, não têm o controle de preços nem políticas de controle de estoque. Nessa etapa, o grande problema é a especulação financeira.

Como isso funciona?

Os produtos agrícolas passaram a ser commodities, que agora são vendidas nas bolsas de valores em ações. Grandes especuladores controlam 60% do trigo, por exemplo. A alta do preço dos produtos agrícolas tem origem na especulação financeira. Esses produtos são vendidos a seis ou sete vezes mais caros nas bolsas, sem em muitos casos existirem. O segundo elemento é a produção de agrocombustíveis, com a utilização de terras agrícolas em várias partes do mundo, onde poderia se produzir alimentos, e com o uso de produtos agrícolas para etanol. O terceiro está relacionado à alta do preço do petróleo. O modelo atual usa petroquímicos para fertilização e faz os alimentos circularem ao redor do mundo, o que causa um custo de transporte muito alto, encarecendo os produtos. Tem outros elementos marginais, como intempéries em algumas regiões. O fundamental é que não existe um problema de produção agrícola nem de superconsumo, mas uma quantidade maior de produtos que o consumido e a especulação financeira.

Uma das teses é que o preço dos alimentos está subindo por conta do aumento do consumo. O presidente Lula disse que o preço aumentou no país por causa do elevação do número de consumidores com seus programas sociais e com o crescimento da economia.

Não concordamos com essa avaliação. É uma mentira. Em geral, não aumentou o consumo nem diminuiu a produção, existe alimento em excesso. O verdadeiro problema é a especulação financeira. O modelo de produção e consumo levou a um monopólio, controlado pelas empresas, que causaram a perda da soberania alimentar. Os agricultores não têm soberania alimentar e a população pobre não consegue comprar alimentos. Com a subida dos preços dos alimentos, o consumo vai diminuir. Como uma família que recebe a bolsa do governo de 60 reais vai aumentar o consumo se o preço do alimento duplicou? Diminuiu o consumo de alimentos. Aumentou o preço do feijão, do arroz, da carne e do óleo, como vão consumir mais? Essa é uma saída pela tangente para explicar o aumento dos preços. O modelo agroexportador é a principal causa dessa crise.

Qual a avaliação dos protestos que aconteceram no mundo, em cerca de 30 países, por conta da crise do preço dos alimentos?

Isso é uma tendência. Não são apenas protestos, mas aconteceram mortes no Haiti, na Argentina, no Paraguai, além dos países africanos, por causa da fome. O povo precisa protestar porque a fome é violenta e está levando as pessoas à morte. A tendência é que as manifestações aumentem em todos os continentes, na Ásia, África e na América Latina. A saída proposta pelos organismos internacionais é a “ajuda alimentar”. Isso significa que o capital vai ganhar ainda mais dinheiro com base na fome dos pobres. Não vão doar alimentos, mas vender a preços internacionais do mercado. O capital propõe mais do mesmo, com mais neoliberalismo. Querem mais liberalização comercial e aprofundar o modelo da transgenia, como se o problema fosse a produtividade. Isso não vai resolver, porque o problema é de renda para que as famílias possam consumir. A alternativa é a chamada soberania alimentar, com produção e comércio local e regional para evitar que os alimentos sejam transportados por grandes distâncias. O custo de exportar e importar encarece o preço dos alimentos. Com a produção regional, todos os países têm condições de produzir e alimentar seu povo.

Como fazer essas mudanças para garantir a soberania alimentar?

Precisamos da volta do papel do Estado na agricultura e na produção, e sim aos subsídios para os agricultores, diferente do que defende o governo. Por que o presidente Lula dá subsídios para as grandes empresas, para as papeleiras, para os exportadores agrícolas com a Lei Kandir? Esses recursos deveriam ir para a produção de alimentos. O Estado precisa criar uma legislação que proteja a produção de alimentos, assistência técnica e políticas de garantia de preços para que cheguem de forma barata para os consumidores, porque o salário não permite comprar alimentos suficientes e diversificados. Nem os acordos da OMC (Organização Mundial do Comércio) nem o aumento das exportações vão resolver esses problemas. A resolução da Rodada de Doha, da OMC, vai significar mais liberalização comercial da agricultura. A nossa proposta é a saída da agricultura e dos alimentos dos tratados comerciais, porque devem obedecer a uma política interna de cada um dos países. O governo precisa estar voltado para uma política forte de produção de alimentos diversificados, de qualidade e baratos para a população. Precisamos também distribuir renda para que as famílias possam comprar alimentos. É necessário também uma política de interiorização da produção agrícola e das agroindústrias locais para garantir o abastecimento regional. Não precisa o arroz sair do Rio Grande do Sul e ir para a Amazônia, agregando custo. Em todas as regiões, podemos produzir arroz, feijão, milho, mandioca e carne. Para isso, o governo precisa ter programas. No entanto, deram prioridade para a agricultura de exportação. Assim, tanto faz se o povo come ou não come. Se importam apenas com indicadores gerais, porque o povo que tem acesso alimentos come mal.

Não há problema de falta de alimentos no mundo. Diante disso, a tese de que o Brasil pode produzir alimentos para o mundo inteiro é propaganda para justificar o avanço no agronegócio no país?

O Brasil é uma potencia agrícola e pode produzir produtos que possam faltar em algumas regiões do mundo, mas o problema fundamental não é esse. A África não tem problema de capacidade de produção. As terras, os solos e o clima são suficientes, assim como no Haiti, que precisa de recursos para garantir a produção de alimentos. Eles têm condições e mandar alimentos não vai resolver o problema. Precisam de recursos e estrutura. Dentro do livre comercio, não há solução e pode-se exportar a quantidade de comida possível. O Brasil tem uma visão arrogante. São poucos os países que hoje não têm condições de produzir seus alimentos, a não ser os países árabes pela falta de terras agricultáveis. O problema é a política agrícola.

Qual deveria ser a prioridade do governo?

O Brasil deveria ter uma política de produção de alimentos para o seu povo porque, se 11 milhões de famílias recebem uma bolsa do governo, é uma vergonha para um país arrogante que se coloca para resolver o problema do mundo. Ainda não foi resolvido nem o problema do povo brasileiro. Mais de 70% das famílias que recebem assistência de programas sociais estão na faixa de insegurança alimentar. Mais de 30% estão no nível de pobreza. O Brasil deveria se envergonhar de ser uma potência agrícola, querer alimentar o mundo sem resolver o problema do seu povo.

Qual o potencial da Reforma Agrária para resolver a crise alimentar?

Não podemos resolver o problema da crise alimentar e dos preços dos alimentos sem a Reforma Agrária e uma política de agricultura para agricultores, não uma agricultura industrial, que vai gerar crises porque produz o que dá dinheiro. Nem sempre é alimento. Podem plantar eucalipto, soja, fumo, laranja, enquanto o povo compra alimentos caros. Reforma agrária significa distribuição das terras com capacidade de produção de alimentos para o mercado local. Assim, volta a ser a pauta do dia em diversos países, especialmente na América Latina e no Caribe. Precisamos de Reforma Agrária para resolver problema da fome, das mudanças climáticas e da estratégia da soberania alimentar. O debate é entre o agronegócio, a agricultura industrial, ou uma agricultura com agricultores. Não há saída para esses problemas sem passar pelos agricultores, porque a agricultura industrial aumenta o aquecimento global, destrói o meio ambiente, a biodiversidade e a base da soberania alimentar.

Os assentados sofrem com a falta de crédito, investimento e infra-estrutura. Quais as políticas necessárias para garantir a sustentação e desenvolvimento dos assentamentos?

Esperamos que o governo tome vergonha e garanta questões básicas. O primeiro é o crédito especial para Reforma Agrária, que faz mais de dois anos que está sendo discutido. Precisamos de um crédito que viabiliza a produção de alimentos e o aumento de renda das famílias. Precisamos de recursos suficientes na Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), que são bastante reduzidos, para a compra desses produtos e doação simultânea. Estamos pedindo R$1 bilhão, que não é muito dinheiro para o governo, para que se possa comprar mais produtos agrícolas, pagar um preço justo e garantir o abastecimento das populações em situação de insegurança alimentar, de forma doada ou mais barata. O terceiro ponto é assistência técnica, porque até hoje está muito complicado todos esses programas, em função da legislação. O quarto ponto é a infra-estrutura. Esperamos que o programa de habitação se desenvolva. O quinto ponto é o programa de agroindústria, porque durante o governo Lula nada foi feito. É impossível industrializar e conservar os alimentos sem ter um apoio estrutural para a criação de agroindústrias nas regiões para beneficiar, conservar e armazenar os produtos.

http://www.mst.org.br/mst/pagina.php?cd=5381

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domingo, 2 de março de 2008

REVISTA SEM TERRA / Edição 43 - Jan/Fev - 2008


ÍNDICE 11/02/2008


Foto de capa: Sem Terrinha durante ato ecumênico em Santa Tereza do Oeste (PR), em memória a Valmir Mota de Oliveira, o Keno, morto por pistoleiros em outubro de 2007 num acampamento da Via Campesina montado na sede da Syngenta


Crédito: Joka Madruga


Editorial

Viva os impostos!


ENTREVISTA

Roberto Baggio, da Direção Nacional do MST, faz balanço da Reforma Agrária e do cenário político

Por Beatriz Pasqualino e Gisele Barbieri


POLÍTICA

O aquecimento global como um grande negócio

Por Patrícia Benvenuti


Governo inicia privatização da Amazônia

Por Juliano Domingues


Nunca estivemos tão participativos

Por Ermínia Maricato


INTERNACIONAL

Em entrevista, István Mészáros diz que capitalismo ameaça futuro da humanidade

Por Igor Felippe Santos e Miguel Enrique Stedile


MST

Pequenos produtores esfriam o planeta

Por Via Campesina


CULTURA

O legado de Mestre Pastinha na capoeira angola

Por Paulo Andrade Magalhães Filho


Jongo: mais que uma dança

Por Rebecca de Luna Guidi


Crônica do trabalhador: O campo e a cidade

Por Wladyr Nader


RESENHA

Que tipo de República?

Por Heloísa Fernandes


EM PAUTA

Em entrevista, ex-craque Zé Maria fala sobre esporte e inclusão social

Por Régis Nascimento


ESTUDO

Golpes e contragolpes na Venezuela

Por Marta Harnecker


ENTRELINHAS


MUNDO: Em 2008, sorrir lutando e lutar sorrindo – Por Pietro Lora Alarcón


MOVIMENTOS SOCIAIS: Trabalhadoras domésticas em luta por políticas públicas – Por Creuza Oliveira


CULTURA: Pela Educação, Pedagogia e Cultura - Por Augusto Boal


BALAIO


HUMOR

Ohi

domingo, 18 de novembro de 2007

Brasil/Preservação da Amazônia depende da redução das emissões de gases dos países ricos, diz secretária

Lourenço Canuto/Repórter da Agência Brasil

Brasília, 17 novembro 2007 - O esforço do Brasil em combater o aquecimento global e preservar a Floresta Amazônica será em vão se os países desenvolvidos não reduzirem as emissões de gás carbônico. A avaliação é da secretária de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, Thelma Krug.
“O trabalho extraordinário do Brasil na área ambiental de nada adianta se os países ricos, que já estabilizaram o desenvolvimento industrial, não derem sua contribuição”, afirmou Thelma ao comentar o relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, em inglês) sobre o aquecimento global, divulgado hoje (17) na Espanha. Ao comentar o estudo, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, afirmou que a Amazônia está cada vez mais "sufocada" pelas mudanças climáticas.
De acordo com Thelma Krug, os próprios órgãos internacionais que discutem a preservação ambiental reconhecem o esforço dos países em desenvolvimento para o equilíbrio climático no planeta. “As nações menos desenvolvidas conseguem implementar medidas ambientais enquanto ainda lutam para erradicar a pobreza e melhorar a qualidade de vida da população", comentou.
Para a secretária, a expectativa do Brasil se concentra nos resultados da reunião em Bali, na Indonésia, que discutirá, no próximo mês, a prorrogação dos compromissos firmados no Protocolo de Quioto, que estabelece metas de redução da emissão de gás carbônico pelos países desenvolvidos até 2012.
“O mundo espera que os compromissos sejam não apenas prorrogados, mas que haja um comprometimento maior dos países desenvolvidos na reunião, para a melhoria do clima, já que eles são os maiores poluidores”, avaliou.
Apesar das afirmações de Ban Ki-moon de que o relatório apresentado hoje (17) deve servir de base para uma possível revisão do protocolo, Thelma acredita que o documento não terá impacto sobre as discussões em Bali.
Segundo ela, as recomendações estão contidas em outros relatórios já conhecidos. “Já existe um desequilíbrio provocado por um aquecimento irreversível. Por isso, os países têm que se esforçar para reduzir substancialmente suas emissões”, declarou.
Mesmo com avanços no setor ambiental, a secretária afirmou que o país precisa intensificar os trabalhos no combate ao desmatamento e às queimadas: “No caso do Brasil, é preciso um esforço substantivo de todos, para reduzir as queimadas, pois os impactos esperados sobre a Amazônia, que é um dos ecossistemas mais importantes do mundo, são grandes". Segundo ela, com essas medidas, os brasileiros estão dando sua contribuição para conter o aquecimento global.

http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2007/11/17/materia.2007-11-17.1337712861/view

sábado, 17 de novembro de 2007

Brasil/Amazônia está sendo sufocada, diz secretário-geral da ONU

Juliana Cézar Nunes/Repórter da Agência Brasil

Brasília, 17 novembro 2007 - A Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou hoje (17), na Espanha, um relatório com recomendações para governos e formuladores de políticas públicas sobre as medidas necessárias para conter e reduzir os efeitos das mudanças climáticas.

Em entrevista coletiva divulgada pela assessoria de imprensa da ONU, o secretário-geral das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, disse que parte dos principais “tesouros” do planeta estão ameaçados pela ação humana. Entre eles, a Antártida, as geleiras de Torres del Paine (geleiras no Chile) e a Amazônia.

“Na Amazônia, eu vi como a floresta tropical – o pulmão da terra – está sendo sufocada”, alertou Ban Ki-moon, para quem o Brasil tem feito um esforço sério para reduzir o desmatamento e promover o desenvolvimento sustentável.

“Mas o governo [brasileiro] teme que o aquecimento global já esteja minando esses esforços. Se as piores projeções desse painel se tornarem verdade, boa parte da Amazônia vai se transformar em savana.”

O secretário-geral da ONU disse que em regiões mais afetadas pelas mudanças climáticas, como Punta Arenas, no Chile, as crianças já estão usando roupas protetores contra a radiação ultravioleta.

“Em algumas épocas, os pais não deixam as crianças brincarem na rua ou mesmo ir à escola. Essas cenas são tão aterrorizadoras como filmes de ficção científica. Mas elas são ainda mais arrepiantes porque são reais.”

http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2007/11/17/materia.2007-11-17.7274213813/view


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Entrevista 2 – Munasinghe sugere uso de dinheiro do Nobel em fundo contra mudança no clima

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Resultados de debate do IPCC serão levados a conferência na Indonésia sobre o clima

Pesquisadores pedem urgência para políticas que atenuem efeito estufa

Marina Silva diz que crescimento não pode ser usado para causar dano ao meio ambiente

Cientista premiado defende reforço nas ações para adaptação às mudanças climáticas

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Moçambique/Presidente angolano evoca triunfo da luta pela independência

Foto: Presidentes José Eduardo, Angola, e Armando Guebuza, Moçambique

Maputo, 31 outubro 2007 (Dos enviados especiais) – O Chefe de Estado angolano, José Eduardo dos Santos, disse hoje, em Maputo, Moçambique, que os povos destes países escreveram páginas gloriosas na luta contra o colonialismo, o Apartheid, bem como pela manutenção das respectivas independências nacionais e preservação da integridade territorial.

“Na esteira do legado de Agostinho Neto e de Samora Machel, fizemos história”, reconheceu o estadista angolano, quando discursava no jantar oferecido pelo seu homólogo, Armando Guebuza, em honra a sua visita oficial de dois dias a Moçambique, iniciada hoje.

Segundo o Presidente José Eduardo dos Santos, Angola e Moçambique forjaram uma amizade indestrutível, ganharam respeito e consideração a nível do continente e do mundo, protagonizando uma nova era de liberdade e do resgate da dignidade dos povos da África Austral.

Frisou que os resultados já alcançados traduzem bem a identidade existente entre os dois povos, que sempre percorreram de forma solidária os mesmos caminhos, desde o alvor da luta de libertação nacional até à conquista da paz e à construção da democracia.

“Angola e Moçambique souberam assim dar um exemplo único e grandioso na luta pelos direitos humanos e pela liberdade dos povos” sublinhou José Eduardo dos Santos.
Segundo ele, hoje os dois países estão unidos num combate igualmente empolgante e dão as mãos na luta pelo progresso e bem-estar dos respectivos povos, vaticinando que juntos vão vencer este novo desafio.

“Neste processo, não podemos perder de vista que os nossos êxitos também dependem da unidade que estamos a forjar com os outros povos da nossa sub-região e do continente em geral, pois que a complexidade do mundo actual impõe uma complementaridade de esforços e de recursos”, disse.

Neste sentido, acrescentou o Presidente angolano, pretende-se articular melhor com Moçambique a participação de Angola no quadro da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), da União Africana e da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

No plano internacional, José Eduardo dos Santos disse que os dois Estados pretendem continuar a conjugar esforços no sentido de adoptarem posições comuns nas grandes questões que afligem actualmente a humanidade, tais como o aquecimento global e as mudanças climáticas, os conflitos locais, o terrorismo, o narco-tráfico e a emigração ilegal.

Já no plano interno, o estadista angolano acha que foi dado um impulso sem precedentes à cooperação bilateral com a assinatura dos acordos de cooperação efectuada hoje em áreas fundamentais do desenvolvimento dos dois países.

“Devemos agora trabalhar no sentido de tornar realidade as intenções contidas nesses documentos que se inserem no nosso esforço para a erradicação da pobreza e da fome e na luta contra as endemias e as pandemias que assolam os nossos respectivos países”, sugeriu.

José Eduardo dos Santos reconheceu, por outro lado, que foi difícil a luta pela paz, “mas ela está ganha".

Segundo disse é também difícil, talvez mais difícil, a luta contra a miséria e a fome. "Mas juntos, estou convencido, também venceremos essa luta”, declarou.

“Estamos aqui para mais uma vez demonstrar essa nossa determinação de caminhar juntos, como no passado, para vencer, não apenas os desafios do presente mas construir uma amizade e conjugar esforços para realizarmos também todas as operações de natureza estratégica que projectem os nossos dois países para patamares altos, para a modernidade e para que eles possam um dia, porque não, sonhar se inserem naquilo que é chamado hoje o primeiro mundo”, disse.

Eduardo dos Santos terminou a sua intervenção agradecendo as "amáveis" manifestações de apreço, simpatia e amizade, traduzidos pela recepção apoteótica no aeroporto internacional de Maputo, onde foi saudado por milhares de pessoas, incluindo a comunidade angolana neste país do Índico.

Integram a delegação presidencial os ministros das Relações Exteriores, João Miranda, das Pescas, Salomão Xirimbimbi, da Comunicação Social, Manuel Rabelais, os vices da Administração do Território Mota Liz das Finanças Job Graça, dos Petróleos Teixeira da Silva, secretário para o Ensino Superior, Adão do Nascimento e altos funcionários do gabinete da Presidência da República. (AngolaPress)

sábado, 20 de outubro de 2007

Brasil/Questões sociais e de desenvolvimento se chocam no debate sobre exploração de petróleo no Acre

Brasília, 20 outubro 2007 - A extração de petróleo e gás natural na região do Rio Juruá, no Acre, está longe de ser um consenso na região. Enquanto o governo e alguns deputados apontam a oportunidade de desenvolvimento com geração de emprego e renda, moradores e organizações da sociedade civil se preocupam com possíveis danos ambientais e, principalmente, o deslocamento de populações tradicionais.
“Elas [populações] serão diretamente afetadas e não sabemos ainda para onde serão levadas e como se dará a reparação a essas famílias”, diz a coordenadora do Grupo de Trabalho Amazônico (GTA) no Acre, Joci Aguiar.

Na região do Juruá, há 12 comunidades indígenas de várias etnias. A Constituição não permite sondagem para verificar a existência de petróleo em áreas indígenas, mas existem no Congresso propostas para regulamentar tais atividades.

De acordo com o coordenador do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) no Acre, Lindomar Padilha, os índios acreanos são contrários a essas propostas parlamentares. “Eles soltaram uma nota, no início do ano, contra a exploração de petróleo porque não acreditam que a renda gerada pelos prováveis royalties do petróleo compensem os danos”.

Além do documento, diz ele, há “toda consciência de que não é possível mais a humanidade usar combustíveis de origem fóssil em uma sociedade moderna porque eles emitem uma quantidade imensa de gases poluentes na atmosfera e está aí o problema do aquecimento global”.

Padilha diz que a comunidade indígena local discorda "totalmente" da idéia "por causa da experiência trágica que temos em Coari”, conta. Segundo ele, a iniciativa de explorar combustíveis fósseis na cidade amazonense causou vários danos ambientais. “Os dutos que tiveram de construir são como uma estrada aberta no meio da mata, que depois não pode ser reflorestada porque embaixo existem os tubos condutores”.

Já o deputado federal Marcelo Serafim (PSB-AM) prefere lembrar que a experiência em Coari “rendeu à prefeitura, só no ano passado, R$ 43 milhões”. Segundo ele, “o argumento de que isso poderá trazer danos ecológicos não procede. Temos em Coari uma riqueza extraordinária que hoje se encontra desenvolvida e próspera e isso tem sido fundamental para o estado do Amazonas”.

A geração de empregos, segundo Lindomar Padilha, não beneficiou a comunidade indígena de Coari. Em um primeiro momento, diz, os índios trabalharam na abertura de clareiras, "o que não precisa de profissionais muito qualificados”. Depois, “é exigido mão-de-obra qualificada, como um soldador ou um operador de máquinas. Aí, a mão-de-obra local já não serve mais e é dispensada”. Além disso, segundo ele, a contratação de profissionais de fora fez aumentar a exploração sexual.


http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2007/10/19/materia.2007-10-19.3403449152/view


Leia mais sobre o assunto.

sábado, 6 de outubro de 2007

Brasil pretende defender em conferência que países ricos liderem redução de gases

Alana Gandra/Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro, 5 outubro 2007 - A posição que o governo brasileiro levará à Conferência das Partes do Protocolo de Quioto, em dezembro, em Bali (Indonésia), é de que os países industrializados devem assumir a liderança na redução dos gases poluentes na atmosfera. Foi isso que o embaixador extraordinário do Brasil para Mudanças Climáticas, Sérgio Serra, disse hoje (5) na Câmara de Comércio Americana do Rio de Janeiro.
Por trás dessa postura, informou Serra, está a visão de que estas nações são responsáveis pela maior parte das emissões consideradas causadoras do aquecimento global, e tem sido assim historicamente. Para ele, é necessário chegar a um "roteiro ou um mandato o mais ambicioso possível para as negociações que irão ocorrer ao longo de 2008 e, nós esperamos, terminar até o fim de 2009”.
Sérgio Serra afirmou também que os países em desenvolvimento podem e devem encontrar uma forma concreta de contribuir para esse esforço, por meio de políticas públicas que contenham compromissos mensuráveis de contenção ou controle das emissões – mas sem metas. Essas nações chamadas emergentes assumiriam esses compromissos de forma voluntária, sem punição caso não conseguissem cumpri-los, uma vez que a prioridade máxima dos países em desenvolvimento, reconhecida pela Convenção da ONU que trata do clima, é combater a fome e a pobreza e se desenvolver de uma forma sustentável, assinalou o diplomata. Foi nessa linha a fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na abertura da Assembléia-Geral da ONU.
O Brasil, de acordo com Serra, aceita que esses compromissos sejam fiscalizados pelos demais países. Ele afirmou que ao contrário do que se pode pensar, não é a China, mas os países produtores de petróleo os que mais resistem à redução de suas emissões de gases poluentes.
O embaixador comunicou que a expectativa do governo brasileiro é que a reunião de Bali defina um cronograma de negociações e critérios que devem nortear essas negociações. Ainda não aderiram ao Protocolo de Quioto, que estabeleceu metas de redução de emissões para os países industrializados até 2012, os Estados Unidos e a Austrália. “A gente deve fazer um esforço para trazer esses países para dentro e fazer com que eles assumam esse compromisso”, comentou.
Ele opinou, ainda, que a concessão de algum tempo para que isso ocorra é positiva porque favorece a evolução do pensamento interno nos Estados Unidos sobre a importância do combate às emissões dos gases do efeito estufa. A seu ver, o cenário das eleições norte-americanas “vai servir para motivar mais, qualquer que seja o partido que ganhar, a adotar perante a pressão da sua própria opinião pública uma posição mais construtiva do que tem sido a norma até agora”.
Até 2009 terão de ser definidas as novas metas de redução de emissões de gases poluentes da atmosfera para depois de 2012, dentro de um novo protocolo, que poderá continuar com a mesma denominação. O Protocolo de Quioto, assinado em 1997, só começou a vigorar em 2005, após a ratificação do acordo pela Rússia, quando teve um número razoável de países emissores.
“Nós estamos estimando agora três anos. Talvez menos tempo seja necessário para que um novo acordo seja ratificado. Achamos que é realista ter isso pronto em meados ou fim de 2009”, avaliou o embaixador de Mudanças Climáticas. A esperança, acrescentou, é que se consigam compromissos que levem a um equilíbrio em termos de emissões até 2050.
http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2007/10/05/materia.2007-10-05.8912219360/view

Moçambique/Noruegueses avaliam recursos pesqueiros

A costa moçambicana está, desde a semana passada, a ser alvo de uma pesquisa que visa fazer o levantamento de todos os recursos pesqueiros existentes.

Maputo, 5 outubro 2007 - Trata-se de segundo estudo do género realizado no pais desde a independência nacional (1975), sendo que, desta vez, irá também apurar os efeitos do aquecimento global nos recursos pesqueiros.

Segundo uma fonte do ministério das Pescas, este trabalho irá ditar as medidas a tomar para a continuação da exploração desses recursos no país.

O estudo está a ser realizado pelo cruzeiro norueguês de pesquisa 'Dr. Fridtjof Nansen', em Maputo no quadro das comemorações dos 30 anos da cooperação entre aquele reino e Moçambique no domínio das pescas.

Falando na ocasião da recepção do cruzeiro, o Ministro das Pescas, Cadmiel Muthemba, enalteceu a importância desse estudo uma vez que deverá contribuir para a melhoria das condições de vida da população residente ao longo da costa moçambicana, com mais de 2.700 quilómetros de extensão.

”Desde sempre defendemos uma pesca baseada no conhecimento, daí terem sido realizados estudos nessa área logo depois da independência nacional, em 1975”, disse o Ministro.

Cadmiel Muthemba referiu que a informação recolhida na primeira pesquisa permitiu a elaboração do Plano Director das Pescas até agora em vigor no país.

Por seu turno, o embaixador da Noruega em Moçambique, Thorbjorn Gaustadsather, disse que este tipo de pesquisa, combinada a gestão, formação e educação sobre esta matéria, constitui uma componente importante para o combate a pesca ilegal.

”A pesca ilegal representa uma perda anual de quase nove biliões de dólares norte-americanos ao nível global. Em Moçambique esta perda atinge perto de 40 milhões de dólares”, disse.

Assim, ele defendeu a necessidade de o país trabalhar mais no sentido de garantir uma gestão sustentável dos recursos marinhos.

Esta pesquisa irá decorrer durante 90 dias, envolvendo igualmente técnicos noruegueses, moçambicanos e de alguns países da África Austral. (Notícias)

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Brasil/Encontro em Foz do Iguaçu discute gases do efeito estufa em reservatórios

Agência Brasil

Brasília, 4 outubro 2007 - O Parque Tecnológico Itaipu, em Foz do Iguaçu, promove hoje (4) e amanhã o 2º Workshop sobre Emissão de Gases de Efeito Estufa em Reservatórios. A iniciativa, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), conta com o apoio do Banco Mundial, da Itaipu Binacional e da International Hydropower Association (IHA), entidade voltada à promoção da hidroeletricidade sustentável.

O encontro dá continuidade ao 1º Workshop que a Unesco realizou em dezembro de 2006, em sua sede em Paris. Estarão reunidos cientistas e especialistas do Brasil e do exterior que estudam o tema de emissão de gases de efeito estufa em reservatórios, bem como representantes de diversas entidades nacionais e internacionais interessadas em acompanhar as discussões do assunto.

Entre as atividades do encontro estão a discussão de recentes trabalhos científicos sobre o tema, identificação das informações que podem ser consolidadas até o momento e indicação dos futuros caminhos de pesquisa para complementação do conhecimento necessário.

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sábado, 29 de setembro de 2007

Brasil/Para embaixador, falta "substância" em encontro de Bush sobre mudanças climáticas

Juliana Cézar Nunes/Enviada especial/Agência Brasil

Washington (EUA), 28 setembro 2007 - O governo norte-americano promoveu, entre ontem e hoje (28), o Encontro das Maiores Economias sobre Segurança Energética e Mudança Climática. Representantes de 15 países, inclusive o Brasil, participam do evento, que teve a programação totalmente elaborada pela Casa Branca e enfrentou protestos de organizações contrárias à política ambiental de George W. Bush.

Chefe da delegação brasileira no encontro, o subsecretário-geral de Política 1 do Itamaraty, embaixador Everton Vargas, diz que "falta substância" na iniciativa. "O fórum adequado para essa discussão é o multilateral, é a Organização das Nações Unidas. Os países que vieram aqui tentam persuadir os Estados Unidos a finalmente ingressar nesse debate no âmbito multilateral", contou Vargas, em entrevista na embaixada brasileira em Washington.

Hoje (28), em um discurso de exatos 20 minutos, o presidente norte-americano, George W. Bush apresentou algumas propostas, citou números de investimentos do país em tecnologias sustentáveis e disse que os Estados Unidos vão liderar os esforços para conservar o meio ambiente sem comprometer o crescimento econômico. Para Bush, o essencial é investir em tecnologia.

"Acredito que a transferência de tecnologia é essencial. Mas não resolve tudo. Países como a China e a Índia precisam de energia para a área rural e precisam disso agora. Não podemos esperar novas tecnologias", pondera o embaixador brasileiro Everton Vargas. Sobre a aspiração dos EUA de liderar os debates, o diplomata finaliza: "Você só alcança a liderança quando tem ações".

Leia, abaixo, alguns dos principais trechos da entrevista concedida pelo embaixador:

Agência Brasil: Qual é o balanço dessa reunião promovida pelo governo norte-americano?

Embaixador: A reunião serviu muito mais para caracterizar o esforço dos Estados Unidos de sensibilizar o mundo e sua opinião pública de que eles estão fazendo alguma coisa na área de mudanças climáticas. A sociedade americana, o Congresso perceberam que não era mais possível ficar de fora desse debate. Mas eu acho que faltou substância. E esse é o sentimento que permeia os delegados que estiveram aqui. Esperava-se mais do governo americano. Agora, nós temos que olhar como será a Conferência de Clima da ONU, em dezembro, em Bali.

ABr: Como o sr. avalia esse fundo internacional para financiar tecnologias em energia limpa proposto pelo presidente George W. Bush hoje?

Embaixador: Precisamos ver como ele vai funcionar. Os Estados Unidos são sempre o primeiro país a dizer que estabelecer fundo é muito complicado. Quando propusemos em 1990 um fundo específico para a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, os Estados Unidos e os outros países industrializados foram os primeiros a dizer que era muito difícil estabelecer um fundo específico e que isso tudo tinha ficar no âmbito das instituições existentes. Vamos analisar a proposta desse novo fundo proposto hoje quando ela for feita de maneira mais concreta. Precisamos saber quais são os termos disso. O que o presidente Bush propôs foi uma idéia geral. E de idéia geral qualquer um pode viver.

ABr:
No discurso para os representantes das maiores economias, Bush propôs também a eliminação de barreiras para exportação de equipamento para energia limpa. Qual é o objetivo dessa proposta?

Embaixador: Ela visa facilitar a venda de um equipamento que os Estados Unidos desenvolveram para diminuir as emissões das termelétricas a carvão. Ele quer mais facilidade para vender esse material. Os Estados Unidos são o país que tem o parque industrial mais avançado nessa área. São os maiores consumidores de carvão do mundo. Tem subsídio para a indústria de carvão aqui dentro. Negociações comerciais são no âmbito da OMC. É algo que a gente vai ter que olhar com cuidado. Não se trata de algo que nós possamos reagir assim de maneira imediata.

http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2007/09/28/materia.2007-09-28.2369401117/view

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Agência Brasil/Arquivo: Leia a íntegra do Protocolo de Quioto, ou Kyoto. (application/pdf)

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Mulheres pedem a ONU atenção na luta contra aquecimento global e cobram posição do Brasil

Juliana Cézar Nunes, enviada especial/Agência Brasil/24 setembro 2007

Nova York (EUA) - As organizações civis que atuam na defesa da igualdade de gênero anteciparam o debate sobre mudanças climáticas na Organização das Nações Unidas (ONU) e apresentaram propostas para estimular governos e empresas a envolver as mulheres na formulação de políticas contra o aquecimento global. O documento deve ser analisado na reunião marcada pela ONU para esta segunda-feira (24), na qual o Brasil será representado pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva.
As ativistas argumentam que a população feminina está mais vulnerável aos efeitos dos desastres naturais por, entre outros fatores, ser maioria nas comunidades pobres e em condições precárias de moradia. Em situações de emergência, as mulheres seriam as últimas a receber informações sobre formas de proteção e serviços de assistência.
"A liderança exercida na família e vizinhança ainda obriga essas mulheres a desempenharem um papel fundamental na reconstrução de bairros e cidades inteiras após desastres como o Katrina [furacão que devastou Nova Orleans, no sul dos Estados Unidos, há dois anos]. Isso apesar de as mulheres serem as principais afetadas pelos desastres", lembrou, em entrevista à Agência Brasil, a costa-riquenha Lorena Aguilar, uma das diretoras da Organização de Mulheres pelo Ambiente e o Desenvolvimento (Wedo, na sigla em inglês).
Ela critica o Painel Intergovernamental em Mudança do Clima (IPCC) da ONU por não ter dado destaque em seu último relatório à situação das mulheres frente ao aquecimento global. Para Lorena, países como o Brasil, que já tem desenvolvido projetos de promoção dos direitos das mulheres, também precisam assumir, internacionalmente, a defesa de uma política ambiental diferenciada no que diz respeito à eqüidade de gênero.
"Se o presidente Lula tem exercido liderança em outros aspectos na ONU, como fome e pobreza, espero que nos acompanhe no que diz respeito às mudanças climáticas", afirma a ativista, para quem a política brasileira de promoção dos biocombustíveis também precisa ser analisada a partir dos impactos nas condições de vida das mulheres.
"É uma política que começa a ser copiada por vários países da região, apesar de algumas dúvidas sobre os benefícios ecológicos, sociais e para a segurança alimentar. O impacto disso estará certamente concentrado nas mulheres, principais responsáveis pela subsistência e garantia de alimentação em todo o mundo."

http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2007/09/23/materia.2007-09-23.5890027942/view

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Brasil/Aquecimento global não pode passar de dois graus, alerta conselho

Alana Gandra/Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro, 19 setembro 2007 - O presidente executivo do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), Fernando Almeida, disse hoje (19) na Conferência Intwernacional Rio + 15 que os países já aceitam algum nível de aquecimento atmosférico no planeta, mas reconhecem a necessidade de se estabelecer um teto. “Não pode passar de dois graus", argumentou.

Ele considerou fundamental acelerar o processo de “descarbonização” do mundo, via mudança de matriz energética, reposicionamento de energias difíceis e revisão também da questão automobilística. “Isso significa dar rapidez e escala a esse processo, ou não haverá tempo – conviveremos com catástrofes como o [furacão] Katrina, no sul dos Estados Unidos, ou o Catarina, no sul do Brasil”, indicou.

Para Almeida, a meta conjunta estabelecida pelo Protocolo de Quioto de redução de 5,2% das emissões de gás carbônico até 2012 é "irrisória". Ele comentou que “naquele momento, tinha que ser 60% e por isso hoje nós já estamos com emissão em torno de 7,8 gigatoneladas de carbono, podendo chegar a 16 gigatoneladas de carbono de gases supostamente causadores do efeito estufa, o que geraria uma concentração de mil partes por milhão (ppms) em 2050".

Com as medidas sugeridas por ele, esse teto seria de cerca de 9 gigatoneladas de carbono, produzindo uma concentração na atmosfera abaixo de 550 partes por milhão, o que daria um aquecimento de dois graus, no máximo.

“Nós necessitamos de operadores para fazer isso, de lideranças que saibam o que estão fazendo e tenham a capacidade de operar essa mudança para um mundo muito menos poluído", disse. Na comemoração da Rio + 15, acrescentou, o que se espera são compromissos e resultados.


O executivo avaliou que a participação das empresas e sua conscientização nesse processo de mudança global não é homogênea. Ele informou que existem setores que já perceberam que a sua própria sobrevivência depende de uma postura ética e correta em relação à questão do aquecimento global e a outras questões, como a realização de contratos adequados, a não-utilização de crianças em trabalho escravo.

Os setores que mais têm problemas nessas áreas são os que apresentam mais risco de desaparecer, alertou, e listou aqueles relacionados à área de petróleo como os mais poluentes. Em contrapartida, disse, o setor de seguros está entre os mais preocupados com o aquecimento global, assim como os ligados à inovação tecnológica, à informática.

Almeida lembrou ainda que as montadoras automobilísticas já procuram criar modelos híbridos e poderão passar, em seguida, para os carros movidos a células de energia.


http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2007/09/19/materia.2007-09-19.4307504349/view

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quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Brasil tem 235 projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo

Luana Lourenço / Repórter da Agência Brasil

Brasília, 19 setembro 2007 - O estabelecimento de metas de redução de gases do efeito estufa, regulado pelo Protocolo de Quioto, criou um mercado entre as nações ricas – que têm obrigações de redução – e os países em desenvolvimento que atuam como vendedores de créditos de carbono, criados em projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). O Brasil tem atualmente 235 desses projetos.


“Até 2012, eles têm potencial para gerar 150 milhões de certificados, considerando uma média de US$ 10 por cada, e isso pode representar um potencial de US$ 1,5 bilhão [por volta de de R$ 3 bilhões]”, calcula o pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura Luís de Queiroz (Esalq), Marcelo Rocha.


Os projetos de MDL são validados por regras da Organização das Nações Unidas (ONU) e dos governos; no caso brasileiro, por meio da Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima.


De acordo com o pesquisador, o mercado de carbono movimenta 10 bilhões de euros (cerca de R$ 26,5 bilhões) por ano no mundo e, com a aproximação do período de comprovação do cumprimento das metas de Quioto, entre 2008 e 2012, esse mercado deve se aquecer. O Brasil ocupa a terceira posição entre os vendedores de créditos, atrás de China e Índia.


Dos 781 projetos de créditos de carbono já registrados na ONU, 109 são brasileiros. Segundo Rocha, as iniciativas brasileiras são responsáveis por 16% das 79 milhões de unidades de Redução Certificada de Emissão (RCE) emitidas pelas Nações Unidas.

Os projetos mais comuns são iniciativas de produção de energia renovável, que não emitem gases do efeito estufa. No Brasil, segundo o representante da Ecoinvest, empresa desenvolvedora de projetos de MDL, Marco Mazaferro, “já existem pequenas centrais elétricas que produzem a partir de bagaço de cana, além de projetos em aterros sanitários e instalação de biodigestores em granjas de suínos”.


No mercado há sete anos, Mazaferro avalia positivamente a participação brasileira. “Considerando nossa matriz energética limpa é compreensível que estejamos atrás de China e Índia, que têm matrizes energéticas menos limpas, como carvão, com maior potencial de geração de créditos”, diz.


Na próxima quarta-feira (26), a prefeitura de São Paulo e a Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) realizarão o primeiro leilão brasileiro de créditos de carbono, que pode arrecadar cerca de R$ 30 milhões.


http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2007/09/14/materia.2007-09-14.2859668908/view

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

As alternativas energéticas ameaçam o futuro

Leonardo Boff *

Adital / 12 setembro 2007

Pertence aos que se dedicam ao pensamento, refletir sobre os destinos da sociedade em que vivem e, ousadamente, também sobre os destinos do planeta e da humanidade. Digo isso a propósito do novo estado da Terra produzido pelo aquecimento global, a esta altura irrefreável. A grande maioria não se dá conta das conseqüências que advirão de tal verificação empiricamente comprovada.

A primeira constatação que importa fazer é: o aquecimento precisa ser qualificado. Não basta dizer que é andrópico; vale dizer produzido pelo ser humano. Que ser humano? Pelos índios, pelos esquimós? Precisamos dizer com todas as letras: o aquecimento foi produzido por aquela porção de homens que introduziram a produção industrial já há três séculos, aceleraram o consumo energético, inventaram a tecno-ciência que agride ecossistemas (ecologia ambiental), indutora de uma perversa desigualdade social (ecologia social) e devastadora do planeta como um todo (ecologia integral) e projetaram a cultura do consumo ilimitado (ecologia mental). Hoje são corporações industriais globalizadas, gigantes da bioquímica e do agro-negócio e instituições afins. São eles que mais poluem (só os USA 25%) e que mais resistem às mudanças paradigmáticas. Se eles não se alfabetizarem ecologicamente e não mudarem o rumo do mundo poderão levar a biosfera para um impasse desastroso.

A segunda constatação, por mais desafiadora que seja, é singelamente esta: como está não dá mais para continuar. Somos obrigados, se queremos salvar o planeta e a humanidade, a imaginar e a inventar um outro modo de conviver, de produzir para toda a comunidade de vida, de distribuir os bens necessários, de consumir responsável e solidariamente e de tratar os dejetos. Precisamos, como enfatiza a Carta da Terra, de "um modo sustentável de viver" porque o vigente, como foi comprovado matematicamente, não é mais sustentável para 2/3 da humanidade. Isto quer dizer: todas as alternativas energéticas que se estão tomando na construção de uma Arca de Noé salvadora do sistema imperante, escamoteiam o cerne da questão. Elas, tomadas em si, não nos salvarão do dilúvio. Dentro de dezenas de anos vão mostrar sua ineficácia o que vai provocar a maldição da humanidade sobre a nossa geração. Dir-se-á: "vocês foram alertados e sabiam, mas preferiram a cegueira voluntária e a nossa perdição para garantir o curso que lhes dava vantagens".

O memorando Bush-Lula prevê uma produção massiva de etanol seja de cana (Brasil) seja de milho (USA). Atualmente o Brasil produz 17,5 bilhões de litros de álcool. Com a utilização de 90 milhões de hectares agricultáveis poderá chegar a produzir 110 bilhões, podendo controlar 50% do mercado mundial. É incompleta a afirmação que é uma energia limpa. É limpa apenas no uso em carros. Mas em seu processo de produção é poluente porque inclui os fertilizantes, o transporte, a estocagem, as máquinas e a liberação de nitrogênio que contamina poderosamente as águas e, transformado em ácido nítrico, produz chuvas ácidas, danosas para as florestas. Oxalá não ocorra no Brasil o que ocorreu na Malásia: 87% de desflorestamento, expulsões de camponeses e terras roubadas à produção de alimentos.

Para nos salvar importa redesenhar todo o processo produtivo, adequado a cada ecossistema, valorizando tudo o que a humanidade inventou para sobreviver, dos sistemas agropastoris e agroecológicos até à moderna nanotecnologia com sua imensa possibilidade de resfriar o planeta.

* Teólogo e professor emérito de ética da UERJ

http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=29475

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Brasil/Ministra comemora receptividade à proposta brasileira de organismo da ONU para o meio ambiente

Vladimir Platonow / Repórter da Agência Brasil


Rio de Janeiro, 4 setembro 2007 - A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, comemorou a receptividade obtida hoje (4) pela proposta brasileira para a criação de um novo organismo dedicado ao meio ambiente na Organização das Nações Unidas (ONU). A sugestão foi feita durante a Reunião Ministerial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável: Desafios para a Governança Internacional, com representantes de 22 países.

“A proposta brasileira surpreendeu positivamente e criou uma nova base negocial, tanto na relação com a União Européia (UE), quanto com os países em desenvolvimento. Foi possível dar uma contribuição para sairmos das posições polarizadas e agora temos uma plataforma sobre a qual a negociação pode avançar”, comentou a ministra.

Segundo o secretário-executivo do ministério, João Paulo Capobianco, existia um impasse entre duas propostas de melhoria da governança global para o desenvolvimento sustentável. Uma é apoiada pela UE e prevê a criação de um novo organismo na ONU, dedicado à preservação do meio ambiente. Outra defende o fortalecimento do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), que já existe, mas dispõe de recursos escassos e de pouca força política.

“O Brasil buscou uma proposta intermediária. Uma organização 'guarda-chuva', que não faria alterações no Pnuma, que permaneceria como um programa da ONU, com mais recursos e capacidade, mas estaria vinculada a esta organização, a quem estariam ligadas as convenções [sobre o meio ambiente] e também mecanismos financeiros para viabilizar os objetivos”, esclareceu Capobianco.

De acordo com ele, a idéia é trabalhar um consenso entre os países até o próximo dia 25, quando será aberta a Assembléia Anual das Nações Unidas, em Nova York. Um dia antes, haverá um encontro de presidentes sobre as mudanças climáticas. Paralelamente, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, promoverá um outro encontro sobre o assunto. Capobianco elogiou a iniciativa do presidente americano, mas ressaltou que o fórum das discussões deve permanecer no âmbito da ONU.

Outro ponto debatido desde ontem (3) entre os participantes do encontro foram as formas de financiamento para as ações em defesa do meio ambiente e contra os efeitos do aquecimento global.

Marina Silva reconheceu que atualmente os aportes financeiros estão bem abaixo do ideal. “Os recursos financeiros para a viabilização dos esforços do desenvolvimento sustentável estão muito aquém da necessidade”, afirmou a ministra. E Capobianco lembrou que o Brasil investe cerca de 1% do Produto Interno Bruto (PIB, a soma das riquezas produzidas no país) em ações dirigidas ao desenvolvimento sustentável.

O subsecretário de Assuntos Políticos do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Everton Vieira Vargas, disse que os países europeus definiram gasto de 0,7% do PIB em desenvolvimento sustentável, mas que a maior parte deles ainda não atingiu esse índice e está na média de 0,35%.

Dados da Convenção sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas divulgados em agosto apontam que serão necessários investimentos de cerca de US$ 200 bilhões até 2030 – em ações de eficiência energética e desenvolvimento sustentável – para garantir que a temperatura do planeta permaneça nos níveis atuais.

O valor é muito superior ao orçamento anual de US$ 115 milhões de que o Pnuma dispõe para investir em projetos em todo o mundo, de acordo com o diretor-executivo do programa, Achim Steiner. “Para o cidadão comum, US$ 200 bilhões parece muito dinheiro. Mas o furacão Katrina [que atingiu Nova Orleans, nos Estados Unidos, em 2005], em apenas 10 horas, deu um prejuízo de US$ 81 bilhões. Só a guerra do Iraque já consumiu centenas de bilhões de dólares”, comparou.

Para Steiner, o financiamento das ações contra o aquecimento global é responsabilidade de cada país, seja rico ou pobre, por meio da promoção de políticas públicas para o desenvolvimento sustentável, e também de esforços de organismos internacionais, como o Banco Mundial.


http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2007/09/04/materia.2007-09-04.9336994200/view