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quarta-feira, 27 de julho de 2016

ATAQUE AL MONCADA: ALGUNAS LECCIONES DEL NACIMIENTO DE LA REVOLUCIÓN CUBANA



25 julio 2016, TeleSur http://www.telesurtv.net (Venezuela)

Hoy, los progresistas de un extremo al otro del globo podrían extraer múltiples lecciones del Ataque al Moncada encabezado por Fidel Castro el 26 de julio de 1953.

En 1953, época en la cual prácticamente todas las fuerzas progresistas y revolucionarias de Cuba no aportaban ninguna solución viable para oponerse a la dictadura de Batista apoyado por los Estados Unidos, Fidel Castro y sus camaradas definitivamente dieron con la salida. De esta ruta, caracterizada por declaraciones innovadoras a los cuales se asociaron hechos excepcionalmente valerosos, surgió el Movimiento 26 de Julio. Este movimiento, apoyado por aliados que más tarde se unieron a la causa, condujo al Triunfo de la Revolución el 1 de enero de 1959. Lo demás, como suele decirse, pertenece a la historia. No empero, la historia continúa escribiéndose, máxime cuando Cuba afronta retos considerables en la actualidad.

Hoy, los progresistas de un extremo al otro del globo podrían extraer múltiples lecciones de 1953. Vale la pena describir

domingo, 22 de maio de 2016

O GOLPE DE ESTADO DE 2016 NO BRASIL




Por Michael Löwy*, no Blog da Boitempo

"Vamos dar nome aos bois. O que aconteceu no Brasil, com a destituição da presidente eleita Dilma Rousseff, foi um golpe de Estado. Golpe de Estado pseudolegal, ‘constitucional’, ‘institucional’, parlamentar ou o que se preferir. Mas golpe de Estado”, diz o sociólogo em artigo publicado nesta terça-feira (17). Confira:

Vamos dar nome aos bois. O que aconteceu no Brasil, com a destituição da presidente eleita Dilma Rousseff, foi um golpe de Estado. Golpe de Estado pseudolegal, "constitucional”, "institucional”, parlamentar ou o que se preferir. Mas golpe de Estado. Parlamentares – deputados e senadores – profundamente envolvidos em casos de corrupção (fala-se em 60%) instituíram um processo de destituição contra a presidente pretextando irregularidades contábeis, "pedaladas fiscais”, para cobrir déficits nas contas públicas – uma prática corriqueira em todos os governos

sábado, 11 de julho de 2015

A OPERAÇÃO EM CURSO – NOME DE CÓDIGO: GRÉCIA

9 julho 2015, Resistir.info http://resistir.info (Portugal)

por Daniel Vaz de Carvalho

"Perdoai as nossas dívidas assim como nós perdoamos aos nossos devedores",
Mateus 6.12, da mais importante oração cristã, de que a Europa se reivindica.
 O Pai Nosso na Igreja Primitiva.

1 – No passado domingo a agressão sofreu uma derrota 
O domínio da alta finança através da hegemonia alemã, depara com crescente resistência dos povos que não se conformam com a subserviência de governos colaboracionistas e falsos tratados que põem em causa a soberania e a democracia. A expressiva vitória do NÃO no referendo grego, só pode servir para prosseguir e reforçar a luta, contudo não vai fazer parar a agressão. Passada a primeira a surpresa e ao contrário do que a propaganda e a chantagem fariam prever, a ditadura financeira mascarada de "europeísmo" recompõe-se e prossegue a ofensiva.

A direita perdeu por momentos a sua farronca, insistindo na "intransigência" grega", nas culpas dos "gregos", quando afinal a situação do país se deve precisamente ao fracasso das políticas que a direita defende e quer que continuem. Seria fastidioso desmontar a sua argumentação de tal forma se se refugia na mentira, no obscurantismo, no intelectualmente indigente perante as evidências. Os partidos "socialistas" que antes se remetiam a uma ambiguidade cúmplice, colocando no mesmo nível agressores e agredidos, apelam agora à benevolência das "instituições". Como se o capitalista – nesta condição - não colocasse o capital no lugar do coração (Marx).

A comparação do que se passa na UE com o fascismo, o neofascismo, não é despicienda. Já foi referido que a troika estava a fazer na Grécia o que a ditadura dos coronéis não tinha conseguido. Em Portugal e em Espanha o totalitarismo da UE

terça-feira, 9 de junho de 2015

Colombia/¿CAGUANAZO A LAS FARC-EP?

5 de Junho de 2015ADITAL Agencia de Información Fray Tito para América Latina (Brasil)

Por José Antonio Gutiérrez D.

Ni siquiera Pastrana ya niega que el proceso de paz del Caguán, a finales de los años 1990, sirvió para que el Estado colombiano ganara tiempo ante unas FARC-EP que se encontraban a la ofensiva, y pudiera aplicar una profunda reingeniería militar, un aislamiento político a fondo del movimiento guerrillero – que incluyó la calificación de terrorista --, así como preparar, a través del Plan Colombia, la entrada de lleno de los gringos al conflicto – sin lo cual, ninguno de los golpes que han recibido los insurgentes hubiera sido posible.

Es decir, el proceso de "paz” del Caguán sirvió, no para una búsqueda de paz, sino para profundizar la guerra [1]. Pastrana, que aparte de ladrón salió también bufón, culpa a las FARC-EP de su "fracaso”. Sin embargo, desde la lógica oligárquica, el Caguán no fue un fracaso sino un tremendo golazo.

El bloque oligárquico se re-organiza… para el Caguanazo
A Santos también le tocó negociar para ganar tiempo. El 2012 fue

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Fidel Castro: NOSSO DIREITO DE SERMOS MARXISTAS-LENINISTAS

8/05/2015, Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)

 Montagem/Vermelho

O líder histórico da Revolução cubana expressa, quando se comemora o 70º aniversário da vitória na Grande Guerra Patriótica, a sua profunda admiração pelo heroico povo soviético, que prestou colossal serviço à humanidade. A reflexão foi escrita na última quinta-feira (7).

Depois de amanhã, 9 de maio, se comemorará o 70º aniversário da Grande Guerra Patriótica. Dada à diferença de horário, quando elaboro estas linhas, os soldados e oficiais do Exército da Federação Russa estarão, cheios de orgulho, desfilando na Praça Vermelha de Moscou com os rápidos e marciais passos que os caracterizam.

Lênin foi um genial estrategista revolucionário que não vacilou em assumir as ideias de Marx e levá-las a cabo em um país imenso e somente em parte industrializado, cujo partido proletário se converteu no mais radical e audaz do planeta depois da maior matança que o capitalismo havia promovido no mundo, onde pela primeira vez os tanques, as armas automáticas, a aviação e

sábado, 10 de maio de 2014

Venezuela/LA BURGUESÍA VENEZOLANA Y SU LUCHA POR RETORNAR AL PODER POLÍTICO

10 mayo 2014, Rebelión http://www.rebelion.org (México)


Desde el inicio de la Revolución Bolivariana la burguesía nacional en su afán de restablecer el poder político en Venezuela ha efectuado diversas acciones desestabilizadoras con el propósito de debilitar y acabar por completo con el proceso revolucionario que se ha venido llevando a cabo desde el año 1999.
 
Sin duda es una lucha de clases, los dos principales factores sociales predomínate en la actualidad, la burguesía y la clase trabajadora colisionan con más contundencia en todos los escenarios existentes y posibles en comparación con otras épocas, la burguesía acostumbrada al poder político en el país se siente minimizada por ausencia de dicho poder, y por la otra parte, la clase trabajadora en su lucha incansable por obtener por completo el poder político está dispuesta asumir la responsabilidad que obedece gran cambio social a pesar de los inconvenientes y obstáculos reformistas y reaccionarios que hoy en día envuelven al proceso revolucionario, dificultando el salto definitivo a la implementación del estado socialista. 

Desde el inicio del proceso revolucionario en el año 1999 tras la promulgación de la nueva carta magna se pensaba llevar a cabo un modelo social

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Portugal/ACERCA DAS “NOVAS RELAÇÕES LABORAIS”

1 outubro 2012/Odiario.info http://www.odiario.info (Portugal)


Um ex-secretário de Estado do Trabalho, dizia numa entrevista que “todos os bons profissionais estão preparados para as novas relações laborais”. Esta frase é exatamente a argumentação usada então pelos defensores do regime fascista contra a crescente difusão do movimento sindical de classe. Ao trabalhador é-lhe proposta a distinta honra de ser um “prestador de serviços” e o empregador o seu “cliente”. Eis a filosofia corporativista do fascismo com roupagem “pós-moderna”, sem interesses de classe contraditórios e antagónicos em que tudo se transforma em relações de mercado. O ser humano, uma mercadoria como qualquer outra, uma coisa, um objeto.

Devolvam-nos o nosso futuro. Estamos fartos do vosso passado.
(do filme “Michael Collins”)
Um ex-secretário de Estado do Trabalho, dizia numa entrevista (1) que “todos os bons profissionais estão preparados para as novas relações laborais”. Esta frase é exatamente a argumentação usada então pelos defensores do regime fascista contra a crescente difusão do movimento sindical de classe.
Lembro-me que na Ordem do Engenheiros, no final dos anos 60, princípio dos anos 70, sendo bastonário, o eng. Cunha Serra, figura de grande dignidade cívica, se promoveram conferências sobre sindicalismo. Nessa altura, o sector ligado ao grande patronato e ao regime, opunha-se a esta orientação e argumentava com mal disfarçada arrogância, mas também inquietação, que os bons engenheiros não precisavam de sindicatos ou ação sindical, assim defendendo a divisão entre trabalhadores e a arbitrariedade patronal. É justamente esta a ideologia que atualmente o espaço mediático se esforça por propagar-
As teses das “novas relações laborais” são apresentadas como factos consumados, atribuídos aos “novos contextos”, perante os quais não restaria às pessoas senão submeterem-se e adaptarem-se.
Costuma dizer-se que quando as teorias não batem certo com a realidade se inventa um mito, acrescentamos que quando os mitos não funcionam na prática se inventa um enigma. A falência dos mitos capitalistas (2) leva a que a questão do desemprego se tenha tornado agora um enigma, “a grande incógnita do século XXI”.
Mas não é incógnita nenhuma, é a expressão exacerbada das contradições do capital que para se realizar precisa de trabalhadores produtivos, mas para maximizar o lucro tem de reduzir ao máximo o número de trabalhadores. Numa sociedade baseada no lucro e na competição, a guerra de uns capitalistas contra os outros, “não se ganha tanto alistando exércitos de trabalhadores como licenciando-os. Os generais capitalistas rivalizam com quem despede mais soldados industriais” (3)
Mas por que será o desemprego uma incógnita? O emprego é uma necessidade social, não apenas uma necessidade individual de subsistência, de equilíbrio e desenvolvimento psíquico. Uma sociedade que considera uma incógnita sem solução o que seria desde logo um dado de entrada da economia política, é uma sociedade sem capacidade de resolução dos seus problemas, individuais e sociais, bloqueada e que tem inevitavelmente de ser substituída.
Os protagonistas destas políticas podem mentir em público acerca das suas preocupações com o desemprego, as medidas que tomam são em tudo contraditórias com o que dizem. Estas alegadas “preocupações” parecem no entanto não ter os seus consultores, os seus especialistas em “managing” ou em “executive search” - aqui a terminologia anglo-saxónica tem o efeito do latim na religião de outros tempos para os leigos. Para estes tecnocratas a segurança da existência dos trabalhadores “é um cenário cada vez mais distante”. Claro que sim. Já Engels alertava que no capitalismo, para além de eventuais ganhos através da luta dos trabalhadores, a insegurança da existência cresce sempre. (da “Crítica ao Programa de Erfhurt”)
As pessoas neste “contexto” são como cobaias do laboratório neoliberal, em que os seus “especialistas” nunca têm dúvidas e raramente se enganam, exceto nas suas previsões económicas e sociais - sempre.
Que se propõe então aos trabalhadores? Sobreviver, adaptando-se às “novas realidades”, decretam os tecnocratas ao serviço do grande capital monopolista e da especulação financeira. É assim, adaptem-se, sem mais? Mas a que realidade? A dos seus mitos e incógnitas? Criar uma sociedade de seres “flexíveis”, isto é, em permanente insegurança e instabilidade, sem valores de humanismo, que se limitam a lutar desesperadamente pela sobrevivência, tentado adaptar-se ao aumento das desigualdades e à sobre-exploração?
Claro que este termo não existe no seu léxico, pois é camuflada pelos “mercados” e pela sua “mão invisível”, como se não estivesse bastante visível nas rendas monopolistas e na especulação. Mas o que dizer quando se considera que a tecnologia “permite-nos estar disponíveis quase 24 horas por dia”? É um regresso a um passado de opressão sobre quem trabalha, agora à conta das “tecnologias”, o que só comprova que as tecnologias não foram desenvolvidas para minorar o esforço ou melhorar condições de vida dos trabalhadores – se assim fosse o desemprego não seria “uma incógnita”, para mais não dizer – mas tendo em vista garantir o aumento de lucro. E já Marx o tinha dito.
Ao trabalhador é-lhe proposta a distinta honra de ser um “prestador de serviços” e o empregador o seu “cliente”. Eis a filosofia corporativista do fascismo com roupagem “pós-moderna”, sem interesses de classe contraditórios e antagónicos em que tudo se transforma em relações de mercado. O ser humano, uma mercadoria como qualquer outra, uma coisa, um objeto.
As causas do desemprego caem então ou na responsabilidade individual ou na abstração. Aponta-se que os jovens não se estão a preparar para as necessidades de trabalho, mas não dizem quais, nem quem as deveria definir, pois parece que o mercado também não resolve o problema. Porém quando entre os jovens o desemprego atinge mais de 36%, nem os mais qualificados encontram emprego. Eis então uma sociedade em que as qualificações perdem valor. O problema não é de formação, inclusive continua, como se isto fosse responsabilidade exclusiva do próprio trabalhador, é a engrenagem programada do neoliberalismo que faz do desemprego não um acidente, mas uma forma de gestão.
Eis uma sociedade que não serve, uma sociedade para a qual o desenvolvimento tecnológico e a maior qualificação serviram para aumentar as desigualdades e reduzir o “custo de trabalho”, numa dramática transferência de riqueza da força de trabalho para o capital – o grande capital, que a transforma em capital fictício na vertigem da especulação. Como salientou Marx nos Manuscritos de 1844, o motivo condutor do liberalismo não é a humanidade, é o egoísmo.
Diz-se que cada qual tem de adaptar-se à realidade. Mas que realidade? Primeiro, promove-se a livre circulação de capitais, a fuga de lucros e rendimentos para paraísos fiscais, a competição fiscal dentro da UE, as políticas do BCE a favor da especulação, depois, candidamente, apontam-se as inevitabilidades: austeridade, reduzir salários e direitos laborais. Não, esta realidade não é para ninguém fora da orla oligárquica se adaptar, é para ser radicalmente transformada.
No futuro, diz-se, as empresas não oferecem emprego, compram trabalho. Marx desmontou há 150 anos de forma irrefutável, esta falácia ao expor em que consistia a mais-valia. Mas eles não têm mais nada para dizer, é o grau zero do pensamento que recua 200 anos. As pessoas não são como que “produtos” para a empresa comprar. O que é espantoso é que estes “experts” e consultores mostram com as suas “relações laborais” não ter a mínima ideia de como deve funcionar uma empresa para ter êxito.
O empreendedorismo acaba por ser a sua solução das soluções. Foco no negócio! Mas que empreendedorismo sem crédito, sem procura? Na recessão? Claro que depois vem o habitual procedimento da desonestidade intelectual: é a arte de ter sempre razão (segundo o sr. Schopenhauer), argumentando com exceções. Aparecem exemplos dos EUA, esquecendo os 46 milhões de pobres e o desemprego que em sentido lato atinge cerca de 22% (4). Quem havia de dizer, na pátria do empreendedorismo…
Em Portugal também há exceções claro, mas para quem tem o que é preciso para estas coisas: relações (boas) e informações (também), omitindo o drama das mais de 500 falências por mês este ano. O empreendedorismo é mais um mito da teoria da oferta (a desacreditada supply side economics) sem procura solvente.
Enfim, o sistema é ótimo e se há desemprego é por se ser incompetente, incapaz e não ser empreendedor. É porque os desempregados não prestam, não assumem a sua condição como uma “oportunidade”, não passam de “useless eaters” (conforme definiu o candidato republicano Mitt Romney) ou de “subsídio dependentes” no ver de certos comentadores. Como escreveu Brecht em “Mahagonny “a falta de dinheiro é na verdade o maior crime que se pode cometer sobre a terra”.
Que resta então às pessoas? Fazer mais por menos – apesar das tecnologias – sem perguntar por quê nem para quem, esquecendo também que grande parte da mais valia criada nas MPME é absorvida pelos monopólios e pela especulação.
Neste admirável mundo das “novas relações laborais” a depressão psicológica tornou-se endémica, e a taxa de suicídios aumentou dramaticamente. De facto, é extremamente doentio uma pessoa adaptar-se a esta sociedade que está doente. Aliás também a psicologia – ou o bom senso – nos recomenda que a melhor forma de combater a depressão é lutar contra as suas causas.
A completa ausência de noção do que seja o funcionamento da economia real prova-se ao serem apontadas profissões do futuro: saúde, tecnologias da informação, serviços financeiros, educação (emigrem…), consultoria. Não há aqui um exemplo de trabalho diretamente produtivo a partir do qual se gera valor para repartir pelas outras profissões – umas mais necessárias que outras, claro.
Com a sobranceria das verdades absolutas afirma-se que o desemprego é uma luta que tem de ser ganha individualmente e que não se espere que o Estado social lhes resolva a vida. Claro que não! Com estes governos, o Estado existe em primeiro lugar para garantir o capital especulador e rentista (monopólios, PPP, privatizações a saldo, etc.).
Desde sempre foi desejo das oligarquias dividir os trabalhadores em lutas individuais, competindo uns com os outros por migalhas. Foi na luta contra este desígnio do capital, que no século XIX os trabalhadores derrotaram a lei Chapelier que proibia com severas penas as associações operárias, precisamente em nome da defesa da “livre empresa” e da iniciativa privada. Desenganem-se, não a vão trazer de de volta no século XXI, por muito que o seu ideal seja tornar todos os vínculos laborais precários.
De acordo com as suas teorias, tão autoconvencidos especialistas deveriam apresentar os cálculos de quanto seria necessário o salário decrescer para o desemprego se reduzir a um número “aceitável” e que investimentos seriam necessários para o alcançar. E com que taxa de lucro.
Dizem que não há alternativas. Há, e começa por algo muito simples: substituir o cálculo económico baseado na obtenção do máximo lucro privado, pela obtenção do máximo de benefícios sociais, entre os quais justamente a criação de postos de trabalho com direitos e a devida recompensa.
Os políticos do sistema habituaram-se a mentir despudoradamente. As pessoas não são chamadas a decidir das suas vidas, perdem cidadania, são tratadas como hilotas ou servos da gleba, o que se queira chamar, menos cidadãos. Sob o sofisma de uma “revolução de mentalidades” é um neofascismo – fascismo de fachada democrática - que querem impor. O neoliberalismo, a ideologia que atualmente suporta o capitalismo, também não é um acidente ou um desvio do “capitalismo bom”. O neoliberalismo, foi a resposta que o capital encontrou para conservar o seu domínio e os seus privilégios e tentar resolver insuperáveis contradições.
Escreveu Antoine Saint-Exupery, em “A terra dos Homens” “A grandeza de uma profissão consiste talvez, acima de tudo em unir os Homens. Só há uma verdadeira riqueza: a das relações humanas. Trabalhando apenas para alcançar bens materiais construimos a nossa própria prisão.”
Para o marxismo a liberdade do trabalhador resulta da tomada de consciência, da compreensão, que a sua atividade integra o pessoal e o social. É este o caminho `de um futuro aberto ao humanismo e à esperança. O neoliberalismo com mais ou com menos verniz social democrata, será derrotado,


1 – Luís Pais Antunes, no governo entre 2002 e 2004, à revista “Saber Viver” - já vamos compreender como! - de agosto de 20012
2 – Ver “Os 12 mitos do capitalismo” -www.odiario.info – 07.jan.2012 – por Guilherme Alves Coelho - Também em informatioclesringhouse -Ten Myths About Capitalism By Lubov Lulko -article first published April 02, 2012 at Pravda”
3 – Trabalho assalariado e Capital – C. Marx – Obras Escolhidas de Marx e Engels – Ed. Progresso - Moscovo – 1973 – p.175
4 - Tornar boas as más notícias financeiras - -www.odiario.info - por Paul Craig Roberts - 16.set.12

quarta-feira, 16 de maio de 2012

A CRISE SISTÉMICA E SUAS REPERCUSSÕES EM PORTUGAL*

14 maio 2012/Odiario.info http://www.odiario.info (Portugal) 


A «austeridade» é a forma como o sistema capitalista responde às crises cíclicas decorrentes do processo de acumulação de capital, de forma a retomar o processo de valorização do capital, por via da restauração das condições de rentabilidade - as taxas de lucro.
Dito por outras palavras, os ditos «programas de austeridade», independentemente da forma em que se apresentam, tem como principal propósito a redução dos custos unitários do trabalho, garantir uma maior apropriação da riqueza produzida pelo trabalho pelo capital, ou seja, garantir a transferência dos ganhos de produtividade do trabalho para o capital na tentativa de aumentar a taxa de exploração. 

O desenvolvimento das relações sociais de produção em Portugal está directamente ligado ao papel que a «economia nacional» desempenha no sistema capitalista mundial e da resposta deste aos sucessivos episódios de crise. Ao papel que esta desempenha no contexto da integração capitalista europeia.
Capital nacional cada vez mais concentrado e centralizado, de natureza monopolista e rentista, subordinado ao capital estrangeiro, sobretudo financeiro. Subordinado aos imperialismos, sobretudo alemão.
A «austeridade» que hoje se vive, que resulta do programa de ajustamento imposto pela(s) Troika(s), não é nova, aliás tem sido um factor perene nos últimos 40 anos, não só em Portugal, mas a nível dos países capitalistas mais desenvolvidos.
A «austeridade» é a forma como o sistema capitalista responde às crises cíclicas decorrentes do processo de acumulação de capital, de forma a retomar o processo de valorização do capital, por via da restauração das condições de rentabilidade - as taxas de lucro.
Dito por outras palavras, os ditos «programas de austeridade», independentemente da forma em que se apresentam, tem como principal propósito a redução dos custos unitários do trabalho, garantir uma maior apropriação da riqueza produzida pelo trabalho pelo capital, ou seja, garantir a transferência dos ganhos de produtividade do trabalho para o capital na tentativa de aumentar a taxa de exploração.
A «austeridade» está por isso ao serviço da exploração do trabalho.
Portugal é hoje um dos países na linha da frente da ofensiva de classe em curso, com vista a responder aos interesses do capital monopolista multinacional que opera no mercado interno europeu.
A compreensão da crise do capitalismo nacional é por isso indissociável da compreensão da crise sistémica em que nos encontrámos. Sendo este o nosso quadro de acção.

Crise, o processo de acumulação e a taxa de lucro
Para compreendermos a(s) crise(s) do sistema capitalista, temos de compreender como este se reproduz, ou seja, a acumulação capitalista e o processo de valorização do capital. Temos que reconhecer que a(s) crise(s) são inerentes ao modo de produção capitalista, fazem parte do seu processo de regeneração, germinam das suas contradições e limites. Estando sempre a operar a lei da baixa tendencial das taxas de lucro.
A taxa de lucro é o principal orientador das decisões do capitalista, a lei do valor o seu regulador. O objectivo do processo de acumulação capitalista é valorizar o capital, obter um acréscimo de capital, na forma de dinheiro, que permita continuar a sua acumulação.
É com base na taxa de lucro esperada que o capitalista toma as suas decisões de investimento, mas é a taxa de lucro efectivamente realizada que mede o desempenho dos capitalistas, na sua luta por mais quota de mercado com outros capitalistas, através do «motor» da concorrência.
A taxa de lucro mede a capacidade do capitalista extrair mais-valia da força de trabalho que comanda.
As condições para a sua maximização através da redução dos custos unitários de trabalho, mede a capacidade do capitalista transferir mais-valia de outros capitalistas menos eficientes.
A taxa de lucro esperada é por isso o factor mais importante para determinar a taxa de acumulação. Sendo a realização da mais-valia um essencial para a continuação ininterrupta do circuito do capital, em última instância é o investimento capitalista que estimula a procura agregada, uma vez que é a compra por parte do capitalista de meios de produção (bens de produção e força de trabalho), que irá promover o consumo por parte de outros capitalistas (bens de produção) e dos trabalhadores (salários, consumo de bens e serviços).
A perspectiva de não obtenção da taxa de lucro esperada ou perspectiva de uma taxa de lucro realizada inferior à esperada, leva a redução do investimento e com ele à interrupção do processo de acumulação.
Existe assim uma ligação de longo prazo entre a rentabilidade e a acumulação capitalista. O progressivo abrandamento do ritmo de acumulação é geralmente antecedido pelo declínio da rentabilidade das empresas capitalistas, o que leva a intensificação da concorrência intercapitalista, ao nível nacional e internacional, por mercados, matérias-primas e força de trabalho.
A redução dos custos unitários de produção/trabalho, obtida por intermédio dos ganhos de produtividade, permite a um capitalista ganhar mais quota de mercado face aos seus concorrentes, por via dos lucros adicionais, aumentado o potencial de investimento, ou por via da redução dos preços de venda.
Os ganhos de um capitalista, realizando taxas de lucro superiores às esperadas, são as perdas de outros, o que quer dizer que houve investimento em meios de produção que não será utilizado nem renumerado à taxa de lucro esperada, contribuindo para o excesso de capacidade produtiva instalada e o aumento estrutural do desemprego.
Estes ganhos de um capitalista individual traduzem-se numa redução das taxas médias de lucro para o sistema globalmente. O volume de lucros pode baixar, tendo em conta que a remuneração (taxa de retorno) do capital face ao stock de capital existente tende a declinar.
Tendo em conta a pressão concorrencial para reduzir custos de produção, os capitalistas intensificam a exploração do trabalho. De uma forma directa, por via do aumento dos ganhos de produtividade através da mecanização e/ou do aumento da intensidade de trabalho. De uma forma indirecta, com a importação de força de trabalho mais barata (imigração) ou exportação de capitais (deslocalização) para regiões com a força de trabalho mais barata (pondo as forças de trabalho em concorrência).
A redução dos custos unitários do trabalho através da intensificação do capital por unidade de produto, vai criar as condições para novos decréscimos da rentabilidade com o aumento da composição orgânica do capital.
Progressivamente, o aumento da taxa de exploração barra com limites «naturais», como a duração máxima do dia de trabalho e a capacidade dos capitalistas em reduzir os salários reais abaixo do limiar de subsistência que marca a reprodução da força de trabalho, face à correlação de forças entre capital e trabalho em cada momento, que resulta da luta de classes.
Assim, para contrariar o declínio da rentabilidade a resposta passa pelo aumento da produtividade, com o aumento da escala da produção (mais capital fixo por trabalhador) e a revolução permanente dos instrumentos de produção.
A adopção de métodos produtivos cada vez mais eficientes, não é uma escolha do capitalista, é uma necessidade objectiva que decorre da concorrência no processo de circulação.
Os capitais que dão mais eficiência à força de trabalho que comandam (chamam a si os ganhos de produtividade) elevam em cada crise o patamar da composição orgânica do capital, criando assim condições para uma nova crise
As dificuldades crescentes de obtenção pelos capitalistas das taxas de lucro esperadas e de realização das mais-valias geradas na esfera produtiva, provocam a interrupção do processo de acumulação capitalista e a sua progressiva transferência para a esfera financeira, de acordo com as taxas de retorno medidas, por exemplo, pelas taxas de juro.
Esta autonomização dos fluxos financeiros reduz progressivamente o circuito do capital à transformação de capital-dinheiro em mais capital-dinheiro, conduzindo à financeirização progressiva do capital e o predomínio do capital financeiro.
A transferência de mais-valias para a esfera financeira e a antecipação dos resultados do processo de valorização por via do crédito, apenas adiam a consequência lógica da crise de rentabilidade, mas possibilitam a sustentação a prazo do consumo da classe trabalhadora, numa expropriação adicional sobre a forma de juros pagos ao capital financeiro.
O crescimento dos meios monetários em circulação, o aumento do crédito e dos activos financeiros, são instrumentos de resposta à crise de rentabilidade, mas que progressivamente manifestam a sua natureza fictícia, com a desproporção crescente entre o seu «valor facial» e a base material que os sustenta.
A destruição de forças produtivas, capital e força de trabalho, cria as condições para retomar o processo de valorização do capital (de restaurar as taxas de lucro), mas está dependente do grau de sobre-acumulação de capital sobre todas as formas em que o sistema se encontra num determinado momento.
Cada episódio de crise implica uma modificação das relações sociais de produção e na resposta a cada episódio de crise o sistema diminui os meios de prevenção, potenciando novos e mais gravosos episódios de crise.

A crise e as respostas do sistema
Este podia ser a fotografia dos desenvolvimentos que conduziram à Grande Depressão (1929) e o interregno posterior da crise, em virtude da destruição maciça de forças produtivas decorrentes da segunda guerra mundial e das condições particulares que se geraram no pós-guerra (o capital dos Estados Unidos aprendera a lição da primeira guerra mundial e o paradigma produtivo/tecnológico do sistema sofria uma alteração significativa), até ao retorno visível da crise nos anos 70, que marca o falhanço da resposta inflacionária do sistema e o início da resposta deflacionária ou neoliberal nos anos 80, consubstanciada no denominado «consenso de Washington», que nos conduziu a presente situação, com episódios de crise decenais, do centro à periferia do sistema capitalista mundial.
A crise que vivemos actualmente é por isso a «soma» de todas as crises e do grau de sobre-acumulação atingindo pelo sistema capitalista mundial.
Se hoje o capitalismo tem outros instrumentos que não tinha no tempo da Grande Depressão, como a existência de um consumo de massas e de um papel reforçado da intervenção do Estado, agravou, por um lado, a sua capacidade de resposta, tendo em conta o grau de financeirização e concentração e centralização do capital atingido.
Para além de ter de fazer face a outros problemas, como seja o da sobre-extensão do sistema a nível mundial, o declínio da potência hegemónica central (os Estados Unidos), o esgotamento da sua indústria motor (binómio automóvel/petróleo), o excesso de capacidade instalada e a sobreprodução existente em amplos segmentos industriais, a mercantilização de todas as esferas da vida social, os constrangimentos energéticos existentes e os limites impostos pela natureza, com o grau de delapidação dos recursos naturais e de destruição ambiental atingido, onde o baixa da taxa de reposição do «capital natural» mete em causa o processo de acumulação e potencia os conflitos e rivalidades interimperialistas.
Isto num contexto em que as baixas taxas de juro contribuíram artificialmente para a sustentação das taxas de lucro, para o grau excessivo de endividamento do capital e da classe trabalhadora, para além da inflação dos activos. Um contexto em que os estados contribuíram de forma significativa para o refinanciamento do capital, transformando a dívida privada em dívida pública, mais uma vez a conta dos impostos sobre o trabalho, que constituem neste contexto mais uma forma de expropriação.
A crise sistémica pode-se depreender, assim, das dificuldades crescentes do sistema em restaurar as condições de valorização do capital e o esgotamento das respostas. Condições que permitam, não só retomar o processo de acumulação de capital, como encetar um novo ciclo (longo) de expansão do capital.
Esta é a crise de rentabilidade em que sistema se encontra nos últimos quarenta anos. Acompanhada por um crescimento sistémico do desemprego (do exército industrial de reserva).
O capital constitui em si mesmo uma barreira a sua própria expansão, face à contradição existente entre elevação da composição orgânica do capital e a baixa tendencial das taxas de lucro. Face à contradição entre o desenvolvimento das forças produtivas e as condições limitadas em que se processa o crescimento do consumo. Face à contradição entre o grau de socialização da produção e a apropriação privada das condições de produção.
Na resposta o capital responde com a radicalização da ofensiva contra o trabalho, tentando elevar as taxas de exploração. Por um processo de expropriação adicional, com a transferência e a centralização da massa de mais-valias a nível mundial, canalizando-as para a oligarquia financeira dominante, apesar dos níveis existentes de crédito e de capital fictício.
Não tendo a crise rentabilidade solução cabal no quadro do sistema, aumentam os riscos de derivas destrutivas, tendo em conta que a depressão e a guerra são irmãs siamesas sempre presentes na história do capitalismo.
Sabemos que o sistema consegue sobreviver com crescimentos letárgicos (como mostra a situação do Japão nos últimos 20 anos) e não cairá por si.
A questão que se põe é se o sistema ainda consegue revolucionar as relações sociais de produção, modificando o seu paradigma produtivo, tecnológico e energético, para encetar um novo ciclo de expansão?
Tendo consciência que no quadro do capitalismo, só a guerra poderá provocar o grau de destruição do capital necessário para a restauração das condições de valorização do capital.
O caminho que está a ser trilhado, nesta nova ofensiva do capital monopolista ao nível mundial, evidencia a questão central da propriedade dos meios de produção. Este é o limite do sistema e sua contradição suprema. Esta é a relação social que o capital corporiza – a exploração.

A integração capitalista europeia
É neste quadro que se situa a crise do capitalismo nacional. Obviamente tendo em conta as respostas contidas nestes últimos 40 anos pelo capital europeu, incorporados no processo hoje denominado de União Europeia, cuja agenda política está ao serviço da redução dos custos unitários de trabalho, da transferência dos ganhos de produtividade do capital do trabalho, do aumento da taxa de exploração.
Este é o objectivo primordial do Euro, do Pacto de Estabilidade e dos PECs, da Agenda de Lisboa, do Semestre Europeu e do Pacto para o Euro mais, finalizando agora com o denominado Tratado Orçamental. Estes são os instrumentos de classe.
Para os países da Zona Euro, do qual Portugal faz parte, a perda da soberania monetária para BCE e a restrição orçamental e fiscal com o Pacto de Estabilidade, torna o trabalho, por via dos salários e do emprego, a única variável para fazer face aos choques económicos externos.
A política monetária seguida pelo BCE, com o objectivo estrito da dita «estabilidade dos preços», promove a «moderação» salarial (que os salários reais cresçam pelo menos abaixo da produtividade do trabalho) e os interesses dos detentores de dívida (os credores europeus e internacionais), sustentada num Pacto de Estabilidade, que em nome da consolidação orçamental, promove um ataque ao sector público e aos seus trabalhadores, com repercussões sobre todos os trabalhadores, ao mesmo tempo que mantém e reforça benefícios ao nível orçamental para o capital, sobretudo o financeiro.
A Estratégia 2020 confirma por mais uma década da grande agenda do capital que (é) foi a Estratégia de Lisboa, apontando a continuação da desregulamentação dos mercados públicos e do «mercado» de trabalho. Conjuntamente com a liberalização do comércio e da «libertina» circulação de capitais a nível mundial, cumpre as orientações estabelecidas no «consenso de Washington», emanadas dos principais centros de decisão do sistema capitalista mundial.
Voltemos por isso a questão da «austeridade» e suas repercussões em Portugal.

Portugal, austeridade e exploração
Desde a Revolução de Abril que Portugal vive sobre a égide de programas de austeridade, em nome da resolução dos desequilíbrios crónicos na balança comercial (e corrente) e nas contas públicas.
Primeiro, com os dois programas de ajustamento estrutural do FMI em 1978-1979 e em 1983-1985.
Depois com os programas de adaptação ao mercado único após a nossa integração na então CEE, seguidos dos programas de convergência nominal no caminho para a União Económica e Monetária.
Desde 1997, com a aprovação do Pacto de Estabilidade, a austeridade tomou a forma de programas de estabilidade e crescimento - os PECs. Reforçados agora com intervenção externa do FMI, BCE e da UE em Portugal, o programa da(s) Troika(s), ao serviço do grande capital europeu, sobretudo financeiro e alemão.
Resultado? Desde a década de 70 do século passado que as taxas de crescimento do PIB nacional têm vindo a desacelerar, quase estagnando na última década e entrando em recessão em 2011-2012, estimando-se uma contracção média anual do produto de cerca de 2%.
Em paralelo, de década para década também tem vindo a desacelerar, a nossa convergência real com os restantes países da UE, entrando em rota de divergência na última década. Como consequência, o número médio de desempregados teve um aumento estrutural de 200 mil, entre a década de setenta e a última década, prevendo-se que em 2011-2012 existam em termos médios mais 300 mil desempregados.
E os ditos desequilíbrios nacionais? Esses permanecem, reflectidos no défice comercial e no défice público, crónicos e crescentes.
O défice da balança corrente, em termos médios, passou de 0,2 mil milhões de euros na década de setenta para 15,5 mil milhões na última década (72 vezes mais), tendo-se agravado significativamente após a nossa adesão à então CEE.
Obviamente, que este défice é financiado por um crescente endividamento externo e/ou venda de activos nacionais a estrangeiros, ou seja, uma crescente dependência externa. Como irmãos siameses, o défice público também tem vindo a aumentar, em termos médios, apesar do objectivo proclamado de consolidação orçamental.
Desde a primeira intervenção do FMI, o défice público passou dos 0,4 mil milhões de euros para os 7,9 mil milhões na última década (tendo ultrapassado mesmo os 17 mil milhões de euros em 2009), situando-se numa média de 8,8 mil milhões de euros para 2011-2012.
Em paralelo, no mesmo período a dívida pública aumentou 101 vezes, duplicando a cada década que estamos na UE, estimando-se que atinja em termos médios os 177,9 mil milhões de euros em 2011-2012.
Mas, a questão de fundo é que a debilidade estrutural da economia nacional advém do seu aparelho produtivo e do aproveitamento dos seus recursos endógenos, designadamente o papel que desempenha com a sua progressiva integração no sistema capitalista mundial, por intermédio da integração europeia.
O país foi preparado, principalmente através dos dois primeiros programas de ajustamento estrutural do FMI, para o actual modelo económico baseado nos baixos salários, assente na reexportação e na subcontratação, em obediência a uma cadeia de produção externa das grandes multinacionais europeias.
Um país fornecedor de mão-de-obra barata, com 10 milhões de consumidores para o escoamento de bens transaccionáveis e de produção do centro da Europa, nomeadamente da Alemanha.
Podíamos referenciar a progressiva destruição do nosso sector agrícola e pesqueiro, mas evolução da produção industrial é, por si só, demonstrativa da questão de fundo nacional e do ciclo vicioso em que nos encontramos.
Desde os anos setenta do século passado que as taxas de crescimento da produção industrial, em termos médios, têm vindo a desacelerar de década para década, tendo-se mesmo contraído entre 2001 e 2010 (uma redução acumulada de 14,1%).
Em 2010, a produção industrial nacional encontrava-se ao nível de 1996.
A década do Euro foi significativa para o aceleramento do nosso processo de desindustrialização, ou seja, de perda de riqueza, de capacidade de gerar bens para satisfazer as nossas necessidades e que possam ser transaccionáveis com exterior.
Em paralelo o défice da balança de bens agravava-se de década para década, passando, em termos médios, de 0,5 mil milhões de euros na década de setenta para 16,6 mil milhões de euros na última década. Em termos acumulados, só na década do Euro, o défice da balança de bens atingiu os 166,4 mil milhões de euros.
Este défice ajuda explicar a nossa crescente dependência externa e obviamente o nosso endividamento externo global, público e privado. O país tem vindo a tornar-se progressivamente um cada vez maior importador líquido e, por isso mesmo, um devedor líquido.
Facto para que contribuíram os fundos estruturais e agrícolas comunitários, que ajudaram a moldar o nosso modelo económico desde a adesão, ao serviço das necessidades do grande capital dos países centrais do sistema (como a Alemanha), a braços com crises de rentabilidade e de sobreprodução.
Os Fundos Estruturais prestaram o mesmo serviço que o Plano Marshall prestou ao capital dos Estados Unidos, após a segunda guerra mundial.
Se olharmos só para a última década, vemos claramente que os défices comerciais de uns são os excedentes de outros. Veja-se o caso alemão, com o seu excedente comercial intra-comunitário a aumentar 172,3%, entre 2000 e 2007, enquanto países como Portugal viram o seu défice comercial intra-comunitário agravar-se no mesmo período 23%.
O capital alemão exporta e financia as suas exportações, emprestando dinheiro a países como Portugal para comprar os seus bens, à conta dos trabalhadores alemães que viram os seus salários reais congelados na última década.
Este é o ciclo vicioso em que Portugal se encontra, não só de desvalorização progressiva do valor de trabalho e de desemprego crescente, mas também de um aumento progressivo da dependência externa, em nome de restauração da rentabilidade do capital. Dependência crescente marcada por uma expropriação da economia nacional, como se pode ver pelo volume de pagamentos de dividendos e juros ao exterior.
Desde 1974, em cada momento de crise, a austeridade serve para (tentar) restaurar a rentabilidade perdida (os lucros), transferindo a riqueza criada pelos trabalhadores para o capital (com o peso dos salários no produto/rendimento a descer de década para década de forma estrutural), ao mesmo tempo que se acumulam as condições para uma nova crise.
Em cada crise, o Estado intervém com a sua política fiscal e orçamental, com mais défice e mais divida pública, transformando dívida privada em pública (veja-se a intervenção nos últimos anos só no sector bancário, como o caso BPN, ou das parcerias público-privadas - as PPP, ou ainda a despesa fiscal em isenções para o capital), justificando assim, em nome dos novos desequilíbrios a necessidade de outras e mais gravosas medidas de austeridade sobre o trabalho.
Se analisarmos a evolução dos custos unitários do trabalho em Portugal vemos esse ciclo, em que os programas de austeridade contribuem sempre para períodos de redução dos custos unitários do trabalho, em resposta ao seu aumento em anos de crise e/ou eleitorais.
O resultado pode-se evidenciar por exemplo na última década, a década do Euro, em que os lucros líquidos em Portugal cresceram em média 4 vezes mais que os salários reais, contribuído para a redução dos custos unitários do trabalho reais, ou seja, de transferência dos ganhos de produtividade do trabalho para o capital.
O poder de compra dos trabalhadores tem sido sustentado artificialmente por via do endividamento, que em 2009 já representava quase 100% do PIB.
Desde a instauração dos PECs, o grau de endividamento das famílias portuguesas passou de 59% do seu rendimento disponível para 138% em 2009. Endividamento que constitui em si mesmo uma forma adicional de exploração do trabalho, com os juros a pagar ao capital financeiro.
Vemos assim a quem servem os programas de austeridade. Não só cá, mas em toda a zona Euro, onde os lucros líquidos cresceram 7 vezes mais que os salários ou na Alemanha em que cresceram 81 vezes mais! Os lucros líquidos, desde o primeiro programa do FMI em Portugal, tiveram taxas de crescimento médio anual de 22,8% entre 1977 e 1980 e 30,6% na década de oitenta, tendo depois uma desaceleração na década de noventa e na última década.
As previsões para 2011 e 2012 são para uma redução dos lucros líquidos de 7,7%, no seguimento do que já tinha acontecido em 2009. Esta é a grande preocupação do programa da Troika e do orçamento de estado para 2012 que lhe dá corpo, restaurar as condições de rentabilidade do capital à conta de uma intensificação da exploração do trabalho.
Aliás como aconteceu com a aplicação do PEC entre 2005 e 2007, que conduziu a um aumento dos lucros de quase 31,4% em dois anos, ao mesmo tempo que o peso dos salários no produto registou uma redução de 2,3 pontos percentuais, indicador de um dos maiores aumentos da taxa de exploração sobre o trabalho desde o 25 de Abril.
A intervenção externa foi imposta ao país pelos interesses da banca, nomeadamente a europeia, numa gigantesca operação de transferência de recursos do trabalho para o capital financeiro, cerne da fase actual de desenvolvimento capitalista.
Mas a política nela contida, escrita no famigerado «consenso de Washington» (inscrito nos Tratados da UE), visava dar força de execução à ofensiva de classe em curso com os ditos PEC I, II e III.
Mas quando se viu que a resistência dos trabalhadores era um obstáculo ao avanço do PEC IV, este acabou por ser transformado no programa da Troika.
Em 2011, estima-se que pela primeira vez nos últimos 50 anos, se venha a registar uma redução da compensação salarial nominal dos trabalhadores portugueses (-1,2%), tendo o mesmo já acontecido aos trabalhadores do sector público em 2003 (-1,9%), e repetindo-se em 2006, 2007 e 2010.
O capital tenta aumentar a taxa de exploração de trabalho por todas as formas, por via aumento do horário de trabalho, pela redução salarial e pelo incremento da produtividade/intensidade do trabalho hora. Tudo em nome da redução dos custos unitários de trabalho, para restauração das condições de rentabilidade do capital.
O abrandamento do processo de acumulação, que pode ser evidenciado pelo declínio das taxas de crescimento do produto, da produção industrial e do stock de capital; o aumento da taxa de exploração que pode ser evidenciado pelo declínio do peso dos salários no produto/rendimento e crescimento da produtividade superiores ao crescimento dos salários reais; a terciarização do produto nacional, que contribui para pôr em evidência que parte do produto representa consumo e não criação de valor; assim, como o grau de financeirização e concentração do capital a nível nacional, são tudo traços do desenvolvimento do capitalismo nacional que podiam ter exportados para os países capitalistas mais desenvolvidos.
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Os episódios de crise financeira e outros conjunturais, como a dita crise da dívida soberana, são um «sintoma» da crise estrutural que o sistema capitalista atravessa, que não nos pode fazer distrair das causas profundas subjacentes à actual crise – as contradições e limites do modo de produção capitalista.
As crises estruturais são períodos chaves para a intensificação da luta de classes.
Podem potenciar a consciencialização da classe operária e o desenvolvimento da acção revolucionária. Mas não resultam em processos revolucionários, a não ser quando surgem sujeitos sociais com disposição e força revolucionária. Sabemos, por experiência, que o processo revolucionário é irregular, feito de avanços e recuos, de períodos de refluxo e de períodos de ascenso. São nestes tempos de resistências que vamos ter de (re)construir a alternativa.
A superação do sistema tem que se evidenciar de imediato num “programa mínimo” de resistência e de luta pela melhoria de vida das camadas sociais mais desfavorecidas, num projecto de desenvolvimento económico e social endógeno virado para a satisfação das necessidades humanas, numa democracia avançada em todas as vertentes das relações humanas que, ao mesmo tempo, crie e potencie as condições revolucionárias para a real transformação da sociedade.
Estamos a viver um momento particular da história que terá de trazer mudanças estruturais ao mundo que conhecemos. Um momento de enormes perigos para a Humanidade, mas também de imensas oportunidades, cujo pêndulo dependerá da luta, resistência e conquistas dos trabalhadores e dos povos. Da luta de classes. A Humanidade precisa do triunfo do socialismo, para derrotar a ditadura do lucro e libertar-se do jugo da exploração.
Sendo certo que é fundamental continuar Outubro e Abril para a construir o futuro, também é certo que cada vez mais é necessário afirmar o socialismo para construir o presente.

*Comunicação apresentada no I Congresso «Marx em Maio»
Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (3, 4 e 5 de Maio de 2012)


sábado, 24 de março de 2012

Chile/DOS AÑOS DE PIÑERA EN LA MONEDA


24 marzo 2012/Rebelión http://www.rebelion.org (México)

Crónica anunciada de un gobierno represivo


Se han cumplido dos años de gobierno de la Alianza por Chile. La situación política, social y económica actual del país ya estaba anunciada desde el 17 de Enero del 2010, cuando su candidato a presidente, Sebastián Piñera, saliera elegido en la segunda vuelta de las elecciones presidenciales en Chile, dónde se enfrentaron dos fuerzas políticas que, con diferentes matices defienden el mismo sistema político, social y económico.

Si bien es cierto que el Gobierno de la Concertación representó a los sectores que asumieron como propio el proyecto de la dictadura, aplicando algún parche para que siguiera todo igual, adscribiéndose plenamente al neoliberalismo y profundizando el modelo, sería necio no reconocer que hay una frontera que limita estas dos fuerzas políticas. 

En tanto, la Alianza Por Chile representaba a los sectores más reaccionarios del capital interno, contando entre sus filas con los "herederos" del General Pinochet, gestores y cómplices junto con la CIA, del golpe de estado en Chile, autores y sostenedores de la dictadura que terminó con el estado de derecho, y por ende con la democracia en Chile dando inicio al período más siniestro y nefasto de nuestra historia; ministros, voceros y altos funcionarios de gobierno, hoy señorones de cuello y corbata, fueron otrora pijes y señoritos fascistas, militantes de Patria y Libertad y del Comando Rolando Matos. 

Desde el primer día estaba anunciado que del gobierno de la Alianza Por Chile no se podía esperar absolutamente nada en beneficio del pueblo y de los trabajadores. Durante el gobierno de la concertación, la derecha más reaccionaria del capital interno, fue un obstáculo objetivo para implementar reformas sustanciales en cuestiones tan sensibles como Derechos Humanos, Legislación Laboral, Regulación Medioambiental, Fiscalización a los Fondos Previsionales. 

La crónica del Chile que tenemos hoy, si bien comenzó anunciarse esa noche del 17 de Enero del 2010, comenzó a escribirse cuando el gobierno dio a conocer el gabinete "de excelencia" del presidente de Chile, Sebastián Piñera. En el discurso de la campaña presidencial Piñera dijo que iba trabajar a favor de los sectores vulnerables y necesitados, que iba a ir al rescate de clase media, lo que reiteró en el primer discurso como presidente. No obstante el gabinete "de excelencia" que presentó estaba conformado por la "flor y nata" del gran capital y por ende representaba los intereses de empresarios y gerentes nacionales y de las multinacionales. 

En el gabinete de los "excelentes” no había un solo representante de la clase media, ni un solo trabajador y eso que según Piñera iba a gobernar para todos los chileno. Los trabajadores son la inmensa mayoría de los chilenos. 

De lo anterior se desprende que todo lo que acontece hoy comenzó anunciarse desde los primeros días del gobierno de la Alianza por Chile, ya que considerando el elitismo del gabinete, su poca representatividad social y el carácter y contenido de clases de los partidos que conforman la Alianza, todas las medidas o reformas, sociales, políticas y económicas que han aplicado han ido en función de favorecer los intereses de la clase y sectores que representan. La esencia de la política neoliberal de libre mercado, la que han seguido desarrollando y profundizando, ha afectado aún más los trabajadores, los pensionados, estudiantes, dueñas de casas, pueblos aborígenes, y no los grandes monopolios, ni la alta burguesía. 

Piñera los tecnócratas y los políticos
Un año y medio después del primer gabinete, entraron a él los más duros y conocidos políticos de la coalición oficialista: Longueira, Chadwick, Allamand y Matthei. El Gabinete "de excelencia" fue sobrepasado por los movimientos sociales en Chile, que se fueron superando en rapidez, masividad y persistencia: la protesta regional de Magallanes, las movilizaciones contra el megaproyecto de HidroAysén, las marchas por los derechos de la diversidad sexual, los paros comunales de Calama, la protesta de Arica, las huelgas de los trabajadores del cobre (estatales y privados), los paros de los empleados fiscales, lucha de los mapuches por la recuperación de sus tierras y la reconquista de su autonomía, y el más masivo y de mayores efectos sociales, culturales y políticos, el movimiento por la educación pública cuya columna vertebral y principal componente son los estudiantes. 

Las acusaciones realizadas por el ministro del Interior, Rodrigo Hinzpeter, sobre la articulación política del movimiento de puerto Aysén, son excusas para aplicar el terrorismo del estado, la represión a los movimientos sociales. Todos estos movimientos, todas las protestas y acciones de lucha por los derechos, reivindicaciones y demandas, como las que sostiene el Movimiento Social por la Región de Aysén, no son culpa de los comunistas como ha declarado el oficialismo, son la consecuencia de la política de gobierno, de la falta de voluntad, de la falta de dirección política para resolver las demandas de la población. 

Si el gobierno no muestra la voluntad política para resolverlos, si además responde a estas demandas con represión, es porque resolver estas demandas va contra su esencia neoliberal, es decir en contra del neoliberalismo. 

Los comunistas apoyamos todas las acciones de las organizaciones sociales que se planteen contra el régimen social y político imperante. Los comunistas no guardamos encubiertas nuestras ideas e intenciones, somos un partido de raigambre obrera, campesina e intelectual, inspirado por el pensamiento de Marx y Lenin. Nuestro objetivo inmediato es la unidad y en entendimiento de todos los actores sociales, organizaciones políticas y sociales, que conlleven al desarrollo de las luchas sociales para alcanzar un gobierno de nuevo tipo .Y seguiremos existiendo y luchando por el socialismo en el convencimiento de que otro mundo mejor es posible. 

(*) Norton Contreras Robledo . Nació en Canela, Chile. Comunicador social, Poeta, Escritor. Miembro De La Sociedad De Escritores De Chile ( SECH) Integrante De Poetas Del Mundo. Miembro De la Red Mundial De Escritores (REMES por sus siglas en español). Asociación Internacional de Comunicadores y Periodistas chilenos en el exterior (AICPCH). Miembro De La Organización Cultural Víctor Jara