quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

O EUROCENTRISMO ATACA NOVAMENTE

15 fevereito 2014, Carta Maior http://www.cartamaior.com.br (Brasil)


Desde algum tempo o pensamento eurocêntrico vem tentando retomar a ofensiva. Aliás, dentro e fora da América Latina.


Desde que a América Latina ‘saiu do lugar’ – implementou programas consistentes de rompimento do ciclo da pobreza – os pensamentos, todos, de esquerda e de direita, se sentiram extremamente incomodados.

Perderam o primo pobre que os ajudava a se manter no próprio lugar. E auto-centrado, com premissas e conclusões inamovíveis. A Europa era a pátria-mãe do pensamento revolucionário. E o resto era comosto por seus discípulos. Mas a Europa deixou de ser um modelo, tanto para a esquerda, quanto para a direita.

Desde algum tempo o pensamento eurocêntrico vem tentando retomar a ofensiva.
 
Aliás, dentro e fora da América Latina.

À direita, o caso é negar a pertinência das alternativas de Estado à política de privilégios dos mercados.

The Economist, Financial Times et alii, inclusive em publicações como The Guardian, tomam a dianteira. No Brasil – diamante da América do Sul – nada funciona. É o caos. Citam apenas – Guardian inclusive – a velha mídia. A mídia alternativa não existe para eles. Só têm parâmetros eurocêntricos para pensar isto. Mídia alternativa aqui é coisa de paróquia, igreja, sindicato (aaargh!), não existe, e, se existe, não é respeitável. São políticas-bolha, evanescentes, desaparecerão com o tempo.

Mas há a esquerda. As políticas de combate à pobreza são irrelevantes. Oferecer melhor e mais alternativas às populações pobres é uma falácia. Constróem seu discurso sobre uma Europa que deixou de existir. Hoje, na Espanha, Portugal, Itália, Irlanda, Ucrânia, Bósnia-Herzegovina, França, Chipre, Esolvênia, Lituânia, etc., etc., destróem-se direitos como chupa-se picolé na praça. Esta é que é a verdade.
 
Entretanto, os pensadores do eurocentrismo continuam a achar que darão as cartas do milênio em matéria de ‘combate ao capitalismo’ – combate no qual se renderam. Renderam-se na frente política, onde partidos de esquerda são minorias bombardeadas continuamente na mídia e fora dela, e sem acomodaram a esta situação ‘cômoda-incômoda’, renderam-se na frente acadêmica, onde são minorias departamentais sem expressão institucional, e renderam-se na frente midiática: nada existe aqui equivalente à Carta Maior, Rede Brasil Atual, TVT, sites de Nassif, Amorim, etc., nem mesmo Democracy Now ou Al-Monitor. Nada.

Para este pensamento, tirar milhões da pobreza é extremamente incômodo. Pobre, afinal, é um bom argumento de discurso. Ao vivo, e saindo da pobreza em dimensões continentais, é um problema.

Rouba-lhe uma razão de ser, talvez até de pensar.

Que pensarão depois?

Não sabem.

Talvez nem nós. Ainda bem. Teremos de pensar tudo de novo. Na contra-mão deste povo.

Grandes projectos em Moçambique pagaram 299 milhões de dólares em impostos em 2013

18 fevereiro 2014, Macauhub http://www.macauhub.com.mo (China)
A contribuição dos grandes projectos em Moçambique para as receitas do Estado ascendeu a 9,3 mil milhões de meticais (299 milhões de dólares) em 2013, informou o matutino Notícias, de Maputo, que cita um relatório de execução governamental.
No relatório recentemente divulgado, o governo destaca a contribuição do sector petrolífero, com cerca de 6,1 mil milhões de meticais, sublinhando que os números reportam um crescimento em mais de 350% em termos homólogos.
Para o governo, esse crescimento encontrou suporte na entrada no mercado de um novo operador, concretamente na bacia do Rovuma, de que resultou o aumento dos rendimentos e a correspondente tributação.
Além disso, pesaram igualmente o aumento do volume de gás natural extraído, o reinício do pagamento de direitos (“royalties”) do gás condensado bem como a tributação de mais-valias em cerca de 3,6 mil milhões de meticais.

Outros grandes projectos considerados na avaliação são dos sectores de exploração de recursos minerais, que contribuiu com 1,7 mil milhões de meticais e de produção de energia, com 1,06 mil milhões de meticais, ambos com taxas de crescimento homólogas fixadas em 41 e 44,9%, respectivamente. (macauhub)

Ministra das Finanças de Cabo Verde defende associação entre companhias aéreas de Angola e de Cabo Verde

18 fevereiro 2014, Macauhub http://www.macauhub.com.mo (China)
A Transportes Aéreos de Cabo Verde pretende associar-se à sua congénere angolana TAAG para actuação conjunta na África Ocidental, disse segunda-feira em Luanda a ministra das Finanças e Planeamento de Cabo Verde.
A ministra Cristina Duarte adiantou que o governo de que faz parte tem abordado esta questão com o seu congénere de Angola no decurso dos últimos cinco anos, abordagem que não tem passado de conversas, “não havendo quaisquer negociações no sentido de as duas companhias aéreas se associarem.”
A ministra disse ainda que a TACV e a TAAG complementam-se em determinados pontos e garantiu que caso se juntassem teriam muito a ganhar, “atendendo a que o mercado da aviação da África Ocidental continua à espera de uma grande associação para uma melhor prestação de serviço.”
Cristina Duarte salientou que a concretização desta ideia esteve condicionada pela falta de infra-estruturas, mormente aeroportos internacionais, uma situação já ultrapassada por Cabo Verde.
“Uma empresa aeronáutica com vocação ou condição regional deve ter infra-estruturas e as infra-estruturas já existem em Cabo Verde, nomeadamente os aeroportos internacionais”, assegurou.

De acordo com a agência noticiosa angolana Angop, Cristina Duarte não se referiu em qualquer momento a anteriores afirmações suas, segundo as quais há pelo menos uma empresa chinesa interessada na privatização da Transportes Aéreos de Cabo Verde, decisão já anunciada pelo governo de José Maria Neves. (macauhub)

SERÃO OS MEDIA APENAS UMA OUTRA PALAVRA PARA CONTROLE?

7 fevereiro 2014, Resistir.info http://resistir.info (Portugal)

Por John Pilger*


Um inquérito recente perguntou ao povo britânico quantos iraquianos foram mortos devido à invasão do país em 2003. As respostas dadas foram chocantes. A maioria disse que menos de 10 mil haviam sido mortos. Estudos científicos informam que mais de um milhão de homens, mulheres e crianças iraquianos morreram num inferno desencadeado pelo governo britânico e seu aliado em Washington. Isso é o equivalente ao genocídio em Ruanda. E a carnificina prossegue. Implacavelmente. 

O que isto revela é como nós na Grã-Bretanha temos sido enganados por aqueles cujo trabalho é manter a informação correcta. O escritor e académico americano Edward Herman chama a isto "normalizar o impensável". Ele descreve dois tipos de vítimas no mundo das notícias: "vítimas valiosas" e "vítimas não valiosas". "Vítimas valiosas" são aquelas que sofrem nas mãos dos nossos inimigos: os tipos de Assad, Qadafi, Saddam Hussein. "Vítimas valiosas" qualificam para o que chamamos "intervenção humanitária". "Vítimas não valiosas" são aquelas que estorvam o caminho do nosso poder punitivo e aquelas dos "bons ditadores" que empregamos. Saddam Hussein foi outrora um "bom ditador" mas ficou arrogante e desobediente, tendo então sido despromovido a "mau ditador".
 

Na Indonésia, o general Suharto era um "bom ditador", pouco importando a sua carnificina de cerca de um milhão de pessoas, ajudada pelos governos da Grã-Bretanha e América. Ele também liquidou um terço da população de Timor Leste com a ajuda de caça britânicos e metralhadoras britânicas. Suharto foi mesmo saudado em Londres pela rainha e quando morreu pacificamente na sua cama, foi louvado como alguém esclarecido, um modernizador, um de nós. Ao contrário de Saddam Hussein, ele nunca se tornou arrogante.
 

Quando viajei no Iraque na década de 1990, os dois principais grupos muçulmanos, os xiitas e os sunitas, tinham suas diferenças mas viviam lado a lado, casavam-se mesmo entre si e consideravam-se com orgulho como iraquianos. Não havia Al Qaida, não havia jihadistas. Nós arrebentámos tudo aquilo em 2003 com "pavor e choque". E hoje sunitas e xiitas estão a combater-se por todo o Médio Oriente. Este assassínio em massa está a ser financiado pelo regime na Arábia Saudita que decapita pessoas e discrimina mulheres. A maior parte dos sequestradores do 11/Set vieram da Arábia Saudita. Em 2010, a Wikileaks divulgou um telegrama enviado a embaixadas dos EUA pela secretária de Estado Hilary Clinton. Ela escreveu isto: "A Arábia Saudita permanece um apoio financeiro crítico para a Al Qaeda, os Talibans, al Nusra e outros grupos terroristas... no mundo inteiro". E ainda assim os sauditas são nossos valiosos aliados. Eles são bons ditadores. Os membros da casa real britânica visitam-nos frequentemente. Nós lhes vendemos todas as armas que eles querem.
 

Utilizou a primeira pessoa do plural, "nós" e "nosso" de acordo com locutores e comentadores que frequentemente utilizam o "nós", preferindo não distinguir entre o poder criminoso dos nossos governos e nós, o público. Todos nós somos assumidos como partes de um consenso: Conservadores e Trabalhistas, a Casa Branca de Obama também. Quando Nelson Mandela morreu, a BBC foi a correr a David Cameron, depois a Obama. Cameron, que foi à África do Sul no 25º ano do aprisionamento numa viagem que equivalia ao apoio ao regime do apartheid, e Obama que recentemente derramou uma lágrima na cela de Mandela em Robben Island – ele que preside as jaulas de Guantanamo.
 

O que lamentavam eles quanto a Mandela? Evidentemente, não a sua extraordinária vontade de resistir a um regime opressivo cuja perversão os governos dos EUA e Grã-Bretanha apoiaram anos a fio. Ao invés disso, estavam gratos pelo papel crucial que Mandela desempenhou na supressão de um levantamento dos negros na África do Sul contra a injustiça da política branca e do poder económico. Isto foi certamente a única razão porque foi libertado. Hoje o mesmo poder económico implacável é apartheid de uma outra forma, fazendo da África do Sul a sociedade mais desigual da terra. Alguns chamam a isto "reconciliação".
 

Todos nós vivemos numa era de informação – ou assim nos dizemos um ao outro quando acariciamos nossos smart phones como contas de um rosário, com as cabeças inclinadas, verificando, monitorando, tweetando. Estamos ligados; enviamos mensagens; e o tema dominante das mensagens é nós mesmos. A identidade é o espírito da época. Há muito tempo, em "Admirável mundo novo", Aldous Huxley previu isto como o meio final de controle social porque era voluntário, viciante e amortalhado em ilusões de liberdade pessoal. Talvez a verdade seja que vivemos não numa era de informação mas numa era dos media. Tal como a memória de Mandela, a maravilhosa tecnologia dos media foi sequestrada. Desde a BBC até a CNN, a câmara de eco é vasta.
 

Ao aceitar o Prémio Nobel da Literatura em 2005, Harold Pinter falou acerca de uma "manipulação do poder à escala mundial, se bem que mascarando-o como uma força para o bem universal, um brilhante, mesmo esperto, acto de hipnose com grande êxito". Mas, disse Pinter, "isto nunca aconteceu. Nada alguma vez aconteceu. Mesmo enquanto estava a acontecer não estava a acontecer. Não importava. Não era de interesse".
 

Pinter referia-se aos crimes sistemáticos dos Estados Unidos e a uma censura não declarada por omissão – isto é, excluir informação crucial que possa ajudar-nos a dar sentido ao mundo.
 

Hoje a democracia liberal está a ser substituída por um sistema no qual o povo responde a um estado corporativo – não o inverso como deveria ser. Na Grã-Bretanha, os partidos parlamentares são devotados à mesma doutrina de cuidar dos ricos e combater os pobres. Esta negação da democracia real é uma mudança histórica. Eis porque a coragem de Edward Snowden, Chelsea Manning e Julian Assange é tamanha ameaça para os poderosos e inimputáveis. E é uma lição para aqueles de nós que pretendem manter as coisas claras. O grande repórter Claud Cockburn disse isto bem: "Nunca acredite em qualquer coisa até que seja oficialmente negada".
 

Imagine se as mentiras dos governos houvessem sido adequadamente desafiadas e reveladas quando eles secretamente preparavam-se para invadir o Iraque – talvez um milhão de pessoas estivesse viva hoje.

* Transcrição da participação de Pilger na edição especial do programa "Today", da BBC Radio 4, em 2/Janeiro/2014, editada pelo artista e músico Polly Harvey. Pode ouvir a transcrição acima aqui . 

O original encontra-se em johnpilger.com/articles/is-media-just-another-word-for-control 

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Bolivia, China/Evo Morales inaugura la era espacial de Bolivia



2 diciembre 2013, TeleSUR http://www.telesurtv.net (Venezuela)

El Túpac Katari comenzará a emitir señales a partir de abril de 2014 y permitirá ampliar y mejorar los servicios de telefonía, internet, televisión y radio. Los beneficios del satélite llegarán a los 337 municipios de Bolivia.


l presidente de Bolivia, Evo Morales, inauguró este lunes la estación terrena de Amachuma, en la ciudad de El Alto (oeste), desde donde se monitoreará el satélite de telecomunicación Túpac Katari.

Este satélite orbitará a partir del próximo 20 de diciembre y será lanzado en China. Sus operaciones arrancarán en el año 2014.

"No somos una potencia, pero nos hemos levantado con mucha fuerza (...) Ya tenemos nuestro satélite de comunicación, no sólo es para las potencias, ahora es también para países progresistas como nosotros", expresó Morales

RECESSO





MERCOSUL & CPLP ESTARÁ DE RECESSO NA PRIMEIRA QUINZENA DE DEZEMBRO. EVENTUALMENTE DEVERÃO SER POSTADOS MATERIAIS DE INTERESSE IMEDIATO.

GRATOS PELA COMPREENSÃO MANIFESTADA.

O Editor

Gobierno ultraconservador de España asesorará a FF.AA. de Colombia en su aspiración a la OTAN



30 noviembre 2013, ANCOL Agencia de Noticias Nueva Colombia http://anncol.eu

Polo Democratico

El ultraconservador gobierno español que preside el cuestionado presidente Mariano Rajoy anunció que asesorará a las Fuerzas Militares de Colombia para que hagan parte de la Organización del Atlántico Norte (OTAN), asociación militar de agresión europea que está bajo la orientación de Estados Unidos.

En efecto, un militar español experto en OTAN asesorará al Ministerio de Defensa de Colombia de cara a las aspiraciones del país sudamericano a acercarse a la Alianza Atlántica. Asimismo, oficiales colombianos podrán tener la oportunidad de colaborar en operaciones en el exterior en las que participe España.

Así lo acordaron los ministros de Defensa de España y Colombia, Pedro Morenés y Juan Carlos Pinzón, respectivamente, durante la reunión que mantuvieron el pasado 27 de noviembre en Bogotá

Brasil/ATY GUASU: INFORME SOBRE A REUNIÃO DAS LIDERANÇAS COM O MINISTÉRIO DA JUSTIÇA E SECRETARIA GERAL DA PRESIDÊNCIA DO BRASIL



1 dezembro 2013, Facebook GUARANI/KAIOWÁ - Apelos pela Vida

Aty Guasu informa que no dia 29/11/2013, na aldeia Jaguapiru-Dourados-MS, ocorreu uma reunião das lideranças da Aty Guasu com os representantes Dr. Marcelo Veiga, representante do Ministério da Justiça, e Dr. Nilton é da Secretaria Geral da Presidência da República.

Na ocasião dessa reunião, nós, lideranças da Aty Guasu, mais uma vez ressaltamos e relatamos aos representantes do Governo Federal que as organizações dos fazendeiros, SOBRETUDO AGRONEGÓCIO (FAMASUL, ACRISSUL, APROSOJA) juntamente com os políticos anti-indígenas continuam financiando as violências, discriminação, racismo e ódio contra as vidas dos povos Guarani e Kaiowá no MS.

Destacamos que povo Guarani e Kaiowá apenas reivindica uma parcela de território tradicional. Além disso, mencionamos que o povo Guarani e Kaiowá é paciente e sempre respeita o Governo e Justiça do Brasil, por isso mesmo o povo aguarda pacientemente pela demarcação e posse de suas terras tradicionais, há mais de vinte (20) anos e trinta (30) anos, mas no último caso, quando não há paralisação da demarcação das terras, os Guarani e Kaiowá começaram a fazer reocupação das terras tradicionais.

Angola/Feira do Livro da CPLP encerra hoje as portas



30 novembro 2013, Jornal de Angola http://jornaldeangola.sapo.ao (Angola)

Isaquiel Cori

Hoje é o último dia da I Feira do Livro da CPLP que, desde o passado dia 22, está a proporcionar aos luandenses a oportunidade de aquisição de mais livros para as suas estantes domésticas e de contacto directo com autores dos países representados.

Aliás, todas as classes profissionais envolvidas no circuito de criação, produção, distribuição e conservação do livro tiveram a possibilidade de interagir com os seus pares da CPLP.

O balanço oficial ainda está para ser feito, mas alguns participantes,

Turismo em Moçambique com crescimento de 9,5% em 2012



2 dezembro 2013, Macauhub http://www.macauhub.com.mo (China)
  
Moçambique registou, em 2012, um crescimento turístico de 9,5%, com 2,2 milhões de chegadas internacionais contra 2,01 em 2011, disse em Maputo o primeiro-ministro Alberto Vaquina.

Ao discursar na abertura da 5ª reunião dos Ministros do Turismo da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC),

Ligação marítima regular Brasil/Cabo Verde com início na primeira quinzena de Dezembro



29 novembro 2013, Macauhub http://www.macauhub.com.mo (China)

A ligação marítima regular Brasil/Cabo Verde deverá iniciar-se na primeira quinzena de Dezembro com o navio Agena, de um armador da Dinamarca, transportando carga diversa, noticiou terça-feira o diário “O Povo”, de Fortaleza, estado do Ceará.

A ligação vai ser garantida

UM TRATADO PARA ESTABELECER O GOVERNO DAS MULTINACIONAIS



29 novembro 2013, Pátria Latina http://www.patrialatina.com.br (Brasil)

As discussões sobre um acordo de livre-comércio entre o Canadá e a U.E foram concluídas em 18 de outubro. Um bom presságio para o governo dos EUA, que espera firmar uma parceria desse tipo com a Europa. Negociado em segredo, permitiria às multinacionais processar qualquer Estado que não siga as normas do liberalismo

por Lori Wallach*, Le Monde Diplomatique

É possível imaginar as multinacionais levando aos tribunais os governos cuja orientação política tivesse por efeito diminuir seus lucros? É concebível pensar que elas podem exigir – e conseguir! – uma compensação generosa pela perda de rendimentos causada por um direito do trabalho muito restritivo ou por uma legislação ambiental muito espoliadora? Por mais improvável que possa parecer, esse cenário não é novo. Ele já aparecia com todas as letras no projeto do Acordo Multilateral de Investimentos (AMI), secretamente negociado entre 1995 e 1997 pelos 29 países-membros da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômicos (OCDE).1 Divulgada in extremis, a cópia despertou em vários países uma onda de protestos sem precedentes, forçando seus promotores a mandá-la para a gaveta. Quinze anos depois, ei-la de volta em grande estilo, com uma nova roupagem.

O acordo para criar uma Parceria de Investimento e Comércio Transatlântica (TTIP, na sigla em inglês), negociado desde julho de 2013 pelos Estados Unidos e pela União Europeia, é uma versão modificada do AMI. Ele prevê que as legislações em vigor em ambos os lados do Atlântico estejam em conformidade com as normas de livre-comércio estabelecidas pelas – e para as – principais empresas europeias e norte-americanas, sob pena de sanções comerciais ao país transgressor ou de uma reparação de vários milhões de euros em favor dos queixosos.