22 Junho 2015, Jornal Notícias http://www.jornalnoticias.co.mz
(Moçambique)
Moçambique vai
celebrar na quinta-feira 40 anos de proclamação da sua independência. O
percurso para que esta fosse alcançada foi longo e, em muitas das suas etapas,
sinuoso.
A heroicidade dos
moçambicanos, que durante dez anos, até 1974, derrotaram os portugueses nos
campos de batalha, é conhecida de diversas formas. Os livros de história,
biografias, memórias e os depoimentos de muitos dos protagonistas,
principalmente, revelam-nos os contornos da luta que permitiu que a 25 de Junho
de 1975 o nosso país nascesse como nação. Um desses protagonistas é o antigo
Presidente da República, Joaquim Chissano, a quem entrevistámos sobre o 40.º
aniversário da independência nacional. Com Chissano falámos dos Acordos de
Lusaka, o último grande passo para a proclamação da independência e concluídos
entre a Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) e o Governo português a 7
de Setembro de 1974, as opções diplomáticas de Moçambique e a sua visão sobre o
legado dos chefes de Estado que o nosso país teve neste percurso de quatro
décadas. Eis, a seguir, alguns excertos da entrevista com o homem a quem os
moçambicanos reconhecem principalmente como o obreiro da paz para o nosso país,
em alusão ao final da guerra dos 16 anos que desestabilizou Moçambique até
1992:
NOTÍCIAS (Not)- Os
Acordos de Lusaka foram uma espécie de “finalmente” para que Portugal
reconhecesse o direito de Moçambique à autodeterminação. Sabemos que houve
anteriormente iniciativas de diálogo que não resultaram devido à relutância do
colonizador. Dessas, quais é que foram as mais marcantes até se chegar ao
acordo?
Joaquim Chissano (JC)- Vou aproveitar esta
ocasião para recuar um pouco, não muito, no tempo. Devo dizer que desde os anos
70, nos princípios, estava claro que o povo moçambicano estava a conquistar a
sua independência. Isso era percetível por causa do avanço da luta armada, mas
também pelo crescente apoio internacional que nós tínhamos, de tal ponto que
nesses anos já a Frelimo era considerada mais ou menos como um governo de
Moçambique independente. Daí todas honras que