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quarta-feira, 24 de junho de 2015

JOAQUIM CHISSANO, EX-CHEFE DO ESTADO: Rejeitámos negociar com os portugueses de cá

Jornal Notícias http://www.jornalnoticias.co.mz (Moçambique)


Moçambique vai celebrar na quinta-feira 40 anos de proclamação da sua independência. O percurso para que esta fosse alcançada foi longo e, em muitas das suas etapas, sinuoso.

A heroicidade dos moçambicanos, que durante dez anos, até 1974, derrotaram os portugueses nos campos de batalha, é conhecida de diversas formas. Os livros de história, biografias, memórias e os depoimentos de muitos dos protagonistas, principalmente, revelam-nos os contornos da luta que permitiu que a 25 de Junho de 1975 o nosso país nascesse como nação. Um desses protagonistas é o antigo Presidente da República, Joaquim Chissano, a quem entrevistámos sobre o 40.º aniversário da independência nacional. Com Chissano falámos dos Acordos de Lusaka, o último grande passo para a proclamação da independência e concluídos entre a Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) e o Governo português a 7 de Setembro de 1974, as opções diplomáticas de Moçambique e a sua visão sobre o legado dos chefes de Estado que o nosso país teve neste percurso de quatro décadas. Eis, a seguir, alguns excertos da entrevista com o homem a quem os moçambicanos reconhecem principalmente como o obreiro da paz para o nosso país, em alusão ao final da guerra dos 16 anos que desestabilizou Moçambique até 1992:

NOTÍCIAS (Not)- Os Acordos de Lusaka foram uma espécie de “finalmente” para que Portugal reconhecesse o direito de Moçambique à autodeterminação. Sabemos que houve anteriormente iniciativas de diálogo que não resultaram devido à relutância do colonizador. Dessas, quais é que foram as mais marcantes até se chegar ao acordo?

Joaquim Chissano (JC)- Vou aproveitar esta ocasião para recuar um pouco, não muito, no tempo. Devo dizer que desde os anos 70, nos princípios, estava claro que o povo moçambicano estava a conquistar a sua independência. Isso era percetível por causa do avanço da luta armada, mas também pelo crescente apoio internacional que nós tínhamos, de tal ponto que nesses anos já a Frelimo era considerada mais ou menos como um governo de Moçambique independente. Daí todas honras que

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Moçambique/Nomes coloniais serão substituídos nos edifícios públicos e ruas

Maputo, 8 novembro 2007 - Inicia, a partir do próximo ano no país, a retirada e posterior substituição de nomes geográficos que não tenham nada a ver ou que não se identificam com a história do país, estampados nos edifícios públicos, como escolas e hospitais, incluindo estradas, avenidas, ruas e outros locais.
Esta informação foi dada a conhecer pelo Director Nacional da Organização Territorial, no Ministério de Administração Estatal, Manuel Rodrigues, que garantiu ter já terminado o estudo para o efeito.

A fonte assegurou que a mudança de nomes estrangeiros não vai incluir os de figuras ou países amigos, como Agostinho Neto, Keneth Kaunda, Nelson Mandela, Fidel Castro e outros, que de uma ou de outra forma estão intimamente ligados à nossa história.

Manuel Rodrigues explicou que não faz sentido que Moçambique continue a ostentar nomes colocados durante o regime colonial, como se o país não tivesse a sua própria história. Em todas as províncias, distritos ou mesmo localidades estão patentes estes nomes, tomando como exemplo a cidade capital do país, cujas principais ruas dos bairros luxuosos ostentam nomes como Dom João, Fernão Magalhães, João Gama, Víctor Gordon, entre outros.

Segundo o nosso entrevistado, não faz sentido que 32 anos após a independência nacional o país continue refém de nomes que `só nos fazem lembrar momentos difíceis, de dor e humilhação que os moçambicanos viveram durante a dominação colonial´.
Para a concretização deste projecto, Manuel Rodrigues disse que foi criada uma comissão, que já elaborou os termos de referência, aprovados pelo Ministério de Administração Estatal.

Esta mesma comissão vai apresentar até ao próximo mês uma proposta concreta de toponímia, ou de nomes que podem ser atribuídos aos locais históricos, escolas, hospitais, avenidas, ruas ou pracetas. `Portanto, até ao final do ano vamos ter um banco de dados de toponímia, e o próximo ano arranca com a respectiva substituição´.
O nosso entrevistado, anotou que sendo este um assunto meramente moçambicano, deve prevalecer a vontade dos moçambicanos na indicação dos nomes. `Por exemplo, temos nomes de rios, de montanhas de figuras que participaram na luta de resistência à penetração português, até à luta de Libertação Nacional, ou de pessoas que nas suas comunidade se destacaram por qualquer feito para o bem dessa mesma comunidade´, disse, questionando porque é que não se pode apostar nesses nomes com os quais nos identificamos.
(Notícias)