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sexta-feira, 4 de março de 2016

Brasil/Sobre Getúlio, Jango e Lula: a receita do golpismo brasileiro

4 março 2016, Vermelho http//www.vermelho.org.br (Brasil)

Por Thiago José Silva*

“A crise que se manifesta no país foi provocada pela minoria de privilegiados que vive de olhos voltados para o passado e teme enfrentar o luminoso futuro que se abrirá à democracia pela integração de milhões de brasileiros na vida econômica, social e política da Nação, libertando-os da penúria e da ignorância.”

Assim começa o último discurso presidente João Goulart antes de ter tomado o golpe em 1964. Poderia ter sido por Getúlio, antes da bala tomar o seu peito. E hoje, nos mesmos termos, poderia ter sido feito pelo presidente Lula. Nós estamos no impasse histórico que sempre permeia o Brasil na medida em que as forças populares avançam. São os mesmos interesses, as mesmas demandas, o mesmo objetivo: dar ao povo a miséria e deixar o país de joelhos.

Esta sexta-feira (4) é um dia sensível para a democracia brasileira. Em que pese a opinião e preferência política de cada um, não podemos admitir a criação de um Estado de

domingo, 6 de dezembro de 2015

Brasil/REDE DA DIGNIDADE CONTRA O GOLPE E A VIGARICE

3 dezembro 2015, Carta Maior EDITORIAL http://www.cartamaior.com.br (Brasil)

por: Saul Leblon

O governo, emparedado pela lógica conservadora, paradoxalmente, passou a ter escolhas. Como disse a própria Dilma, 'não era mais possível viver chantageada'.
A história apertou o passo e quando sacode a poeira ela derrama transparência por onde passa.
 
A retaliação de Eduardo Cunha contra o governo e contra o PT guarda semelhanças com uma cena recorrente da crônica policial.
 
Enredado em evidências grotescas de ilícitos e falcatruas, o presidente da Câmara sacou um processo de impeachment contra a Presidenta Dilma, depois que o PT –graças à corajosa decisão de seu presidente, Rui Falcão, determinou que o partido não acobertasse o delinquente no Conselho de Ética.
 
Cunha age como o sequestrador que saca o revólver e o coloca na cabeça do refém, exigindo salvo conduto para si e para o malote de dinheiro.
 
Eduardo Cunha aposta que os comparsas do lado de

terça-feira, 4 de agosto de 2015

MOMENTO POLÍTICO ATUAL LEMBRA 1964, diz filho do presidente deposto João Goulart

30 julho 2015, ADITAL Agência Frei Tito para a America Latina http://www.adital.com.br (Brasil)

Érica Aragão
cut.org.br

"Hoje, nós estamos vendo aí jogadas políticas que nos lembram muito 1964”, afirma o filho do ex-presidente Jango, João Vicente Goulart. Para ele, as semelhanças são reconhecíveis. João Vicente está se referindo à comparação do momento que vive o Brasil com aquilo que seu pai, João Goulart, viveu no processo da derrubada do governo. Em sua avaliação, o financiamento empresarial é a grande conexão entre hoje e 1964.

Segundo o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), uma campanha para eleger um deputado não sai por menos de R$ 2 milhões, e a de senador, por menos de 5 milhões.

"É onde entram as grandes empresas. Financiam campanhas em forma de doações e seus benefícios garantidos através de acordos. É aí que se criam as bancadas de interesses empresariais. A bancada da bala, a bancada evangélica, a bancada ruralista, entre outras, que criam segmentações de bancadas que fazem políticas pelos interesses daqueles que os financiaram. Temos aí uma semelhança muito grande com a eleição de 1962, ano em que se iniciou o processo do golpe”, explica João Vicente.

João Goulart ficou conhecido como o presidente brasileiro que propôs reformas estruturais e aprovou direitos trabalhistas, como o 13º salário, e direitos eleitorais, como o voto para analfabetos. Isto agradou uma grande parte da população, mas não agradou muito a elite, que teria menos lucros com os benefícios dados aos trabalhadores.

Segundo João Vicente, João Goulart, conhecido popularmente como Jango, teve seu mandato de presidente da República interrompido por um golpe parlamentar financiado pela CIA, agência de

segunda-feira, 16 de março de 2015

Brasil/DE SEXTA A DOMINGO, O MESMO RECADO: OU O GOVERNO APOSTA NA RUA, OU A RUA ENGOLE O GOVERNO

14 março 2015, Carta Maior http://www.cartamaior.com.br (Brasil)

As mobilizações desta sexta-feira mostraram que o PT deve perder o medo das ruas. Mais que perder o medo. Apostar nelas.


Se existe aprendizado em política, as mobilizações registradas no Brasil nesta sexta-feira, 13, mas sobretudo, a passeata de cerca de 50 mil pessoas que tomou conta da avenida Paulista, em São Paulo debaixo de um temporal diluviano, não deve ser tratada com negligência.

Nem pela direita.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Brasil/Jango recebe cerimônia fúnebre de chefe de Estado 36 anos após morte



14 novembro 2013, Instituto João Goulart http://www.institutojoaogoulart.org.br (Brasil)

Restos mortais de Jango são recebidos em Brasília com honras militares

Os restos mortais do ex-presidente da República João Goulart foram recebidos hoje (14) com honras militares, pela presidenta Dilma Rousseff. O corpo de Jango, como era conhecido, começou a ser exumado ontem, em São Borja (RS), e será submetido a perícia da Polícia Federal, na capital. A exumação faz parte de uma investigação para esclarecer se a causa da morte de João Goulart foi mesmo um ataque cardíaco, conforme divulgaram na ocasião as autoridades do regime militar.

Os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, José Sarney e Fernando Collor também acompanharam a cerimônia. Fernando Henrique Cardoso, que se recupera de uma diverticulite, não pode participar da homenagem.

A presidenta Dilma Rousseff disse, em sua conta no Twitter, que a solenidade de honra ao ex-presidente João Goulart “é uma afirmação da democracia” no Brasil, que se consolida com este gesto histórico. “Hoje é um dia de encontro do Brasil com a sua história. Como chefe de Estado da República Federativa do Brasil participo da recepção aos restos mortais de João Goulart, único presidente a morrer no exílio, em circunstâncias ainda a serem esclarecidas por exames periciais.

Brasil/Maria do Rosário: Estamos exumando o Plano Condor



13 novembro 2013, Carta Maior http://www.cartamaior.com.br (Brasil)

Brasília -- “Estamos exumando a Operação Condor”. Para a ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, o desenterro do presidente João Goulart abre as entranhas de uma “rede terrorista internacional na qual a ditadura brasileira teve uma participação importante, a exumação do presidente Goulart nos aproximará da verdade do acontecido durante essa perseguição que durou anos. Sabemos que a Operação Condor o seguiu na Argentina, que o seguiu no Uruguai, que a ditadura brasileira o hostilizou até o dia de sua morte. E não descartamos que a ditadura tenha estado envolvida em uma morte cercada de dúvidas”.

“Contamos com informações consistentes sobre o interesse prioritário que a ditadura e a Operação Condor tinham em Goulart, que nunca pode voltar com vida ao seu país. Depois de 37 anos, o governo da presidenta Dilma está realizando uma reparação histórica com a democracia brasileira e com seus familiares, que foram os que nos solicitaram a exumação por duvidar de seu envenenamento”.

Em entrevista à Carta Maior a ministra Maria do Rosário assegura que “a exumação é só um dos passos, dado que nosso trabalho junto à família e à Comissão da Verdade começou há um longo tempo, quando a presidenta Dilma nos encomendou dar prioridade ao esclarecimento da morte”.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Brasil/"DÚVIDAS SOBRE A MORTE DE JANGO SÓ AUMENTAM"



12 agosto 2013, Instituto João Goulart http://www.institutojoaogoulart.org.br (Brasil)

A falta de “explicações sólidas” sobre a morte do ex-presidente João Goulart, fez dele o “político mais injustiçado da história do Brasil”, assinala Lucília de Almeida Neves Delgado em entrevista concedida à IHU On-Line, após comentar o documentário Dossiê Jango, dirigido por Paulo Henrique Fontenelle. Ao analisar o filme à luz da História, Lucília, que há anos dedica-se à pesquisa sobre os fatos políticos do período militar, enfatiza que ele “reforça exatamente a construção de mais evidências sobre o possível assassinato de João Goulart”. Segundo ela, “de todas as pessoas que se envolveram na procura de provas e evidências sobre a morte de Jango, 18 morreram. Entre elas os políticos uruguaios Zelmar Michelini e Gutierrez Ruiz, que eram amigos do Jango e estavam investigando a morte dele. Também o empresário Enrique Foch Diaz, que mais conseguiu reunir muitas informações sobre a morte de Jango e escreveu um livro intitulado Jango: um crime perfeito, faleceu pouco tempo depois de publicado o livro”. E dispara: “Ficamos pensando: o que aconteceu para que todas essas pessoas, de uma forma ou de outra, fossem falecendo? A maioria por problemas cardíacos e alguns em decorrência de acidentes de carro. São coincidências muito estranhas, e as indagações sobre a morte de Jango só aumentam”.

sábado, 20 de setembro de 2008

AMÉRICA DO SUL EM TRANSE

Vivemos uma nova realidade na América Latina que implicará mudanças na velha receita dos EUA e da extrema direita para manobrar o Continente.

19 setembro 2008/Brasil de Fato http://www.brasildefato.com.br

Editorial ed. 290

Tudo aconteceu e se agravou exatamente nos dias que antecederam e durante a semana em que se completavam 35 anos do golpe contra o Governo do presidente chileno constitucionalmente eleito, Salvador Allende, em 11 de setembro de 1973.

No Paraguai, alarmes soaram no 1º de setembro, quando o presidente Fernando Lugo reuniu a imprensa e denunciou movimentos de dois ex-presidentes do país, os senhores Nicanor Duarte e Lino Oviedo, no sentido de gerar uma desestabilização institucional que poderia culminar em golpe de Estado.

Em seguida, os oligarcas separatistas (“autonomistas”) do Oriente da Bolívia, lançaram-se a mais uma aventura no sentido de desestabilizar e derrubar o Governo do presidente Evo Morales, que acabava de sair vitorioso do Referendo Revogatório de 10 de agosto, com 67,41% dos votos.

Enquanto isto, o presidente venezuelano Hugo Chávez anunciava o desbaratamento de uma tentativa de golpe também contra o seu Governo, que incluía o seu assassinato.

Se nos casos do Paraguai e da Venezuela, a situação interna rapidamente se recompôs, na Bolívia a crise se estendeu por toda a semana e, embora ainda não esteja de todo debelada, a pronta ação da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) que se reuniu em Santiago (Chile), no dia 15, tenha sido importante para estancar, pelo menos provisoriamente a crise. Até o momento, os dados oficiais falam de 15 camponeses mortos, 25 feridos e 106 desaparecidos, em conseqüência da chacina promovida pelos capatazes (e pistoleiros contratados no Brasil e Peru) do governador “autonomista” de Pando, senhor Leopoldo Fernández, preso desde o dia 16.

O Governo Morales declarou o embaixador dos EUA na Bolívia, Philip Goldberg, persona non grata ao país, e o presidente Chávez expulsou de Caracas o embaixador estadunidense, senhor Patrick Duddy. Enquanto isto, o presidente de Honduras, Manuel Zelaya, suspendeu o recebimento das credenciais do novo embaixador de Washington em seu país, em solidariedade ao seu colega boliviano, Evo Morales.

Na opinião do candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, senhor Barack Obama, a expulsão dos embaixadores é um “confronto fabricado” pelo Governo Chávez. Para seu colega republicano, senhor John McCain, esta escalada das tensões diplomáticas é um alerta sobre “as tendências perigosas” no Continente.

Ou seja, foi uma semana em que a América Latina ferveu, e quando se aproveitou para lançar ainda mais lenha na fogueira: Caracas recebeu em seu aeroporto militar dois bombardeiros estratégicos russos TU-160, e aproveitou para divulgar que, até o final deste ano, deverá receber o contratorpedeiro Pedro O Grande, o cruzador Almirante Chabanenko e outros vasos de guerra russos.

Da parte deles, o arroz com feijão de sempre

Enfim, crises geradas a partir de uma velha receita das elites do Continente. Primeiro, a palavra de ordem é abortar qualquer experiência política que fuja aos interessses dos oligarcas e elites da região, e/ou que possa fugir ao controle e aos projetos de Washington. Para isto, inicia-se a conspiração, envolvendo diplomatas da Casa Branca e os representantes das elites locais. Passo seguinte, ganhar as forças armadas do país em questão. Apoio e presença indispensável, a grande mídia comercial é sempre indispensável. Assim, cria-se algum pretexto capaz de desqualificar o Governo em questão para que os grandes jornais, revistas, rádios, TVs comerciais possam fazer a campanha. Nesse meio tempo, um trabalho de articulação diplomática com os países vizinhos e algumas potências para garantir o apoio internacional. Daí, avalia-se se essas forças são suficientes. Caso positivo, desencadeia-se o golpe (sempre em nome da democracia), como foi regra nas Américas desde sempre, ainda que nossa memória se detenha mais nos exemplos dos anos 1960 e 1970, no Cone Sul do Continente, a começar pelo golpe de 1964, contra o governo do presidente João Goulart – o Jango, em nosso país. E todos os seguintes, como o Chile, em 1973, Argentina, 1976, etc., fazendo descer uma espessa noite no Continente.

Caso a aliança dessas forças não dê conta da empreitada, bem, os mercenários podem sempre ser contratados. E num Continente onde a maioria dos países fala a mesma língua, nada é tão difícil assim. Exemplar nesse sentido foi a inavasão da Guatemala, em 1954, por um exército de mercenários recrutados pelos EUA e pelas elites guatemaltecas entre a marginália e o lumpesinato da América Central e do Caribe.

O que pode ter mudado no Continente?

Acontece, porém, que vivemos uma nova realidade na América Latina, especialmente na América do Sul que certamente implicará mudanças na velha receita dos EUA e da extrema direita para manobrar o Continente.

Os atuais governos do Continente, apesar de todas as nuances do espectro de centro-esquerda, e mesmo um que outro que fuja a esse campo, têm apostado numa diplomacia capaz de garantir a autodeterminação dos diversos países da região, e a busca de pontos de unidade que os defenda de ingerências externas e intervenções, mesmo considerando-se o Haiti um ponto negro dessa história. A criação da Unasul, há um mês, faz parte dessa nova concepção de política internacional dos países do Continente.

No documento resultante da reunião da Unasul, A Declaração do Palácio de La Moneda, aprovada por unanimidade, os chefes de Estado e Governo presentes manifestam “seu mais pleno e decidido apoio ao governo constitucional do presidente Evo Morales”, e rejeitam qualquer situação que leve a um golpe, a ruptura da ordem institucional, ou comprometa a unidade territorial da Bolívia.

O que pode ter mudado no Continente?

Acontece, porém, que vivemos uma nova realidade na América Latina, especialmente na América do Sul que certamente implicará mudanças na velha receita dos EUA e da extrema direita para manobrar o Continente.

Os atuais governos do Continente, apesar de todas as nuances do espectro de centro-esquerda, e mesmo um que outro que fuja a esse campo, têm apostado numa diplomacia capaz de garantir a autodeterminação dos diversos países da região, e a busca de pontos de unidade que os defenda de ingerências externas e intervenções, mesmo considerando-se o Haiti um ponto negro dessa história. A criação da Unasul, há um mês, faz parte dessa nova concepção de política internacional dos países do Continente.

No documento resultante da reunião da Unasul, A Declaração do Palácio de La Moneda, aprovada por unanimidade, os chefes de Estado e Governo presentes manifestam “seu mais pleno e decidido apoio ao governo constitucional do presidente Evo Morales”, e rejeitam qualquer situação que leve a um golpe, a ruptura da ordem institucional, ou comprometa a unidade territorial da Bolívia.

http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/analise/america-do-sul-em-transe


terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Brasil/Ex diputado confirma que João Goulart estaba en las listas de la Operación Cóndor

Foto: Pesidente João Goulart (1918-1976) hace un discurso en la Central de Brasil, en 1964, acompañado por la primera dama, Maria Tereza Goulart

Claudio Leal

San Pablo, Brasil/29 enero 2008

En una entrevista a Terra Magazine, el ex exiliado político y ex diputado federal Neiva Moreira, de 90 años, rememora su primer contacto con la Operación Cóndor y ofrece un testimonio: el nombre del ex presidente brasileño João Goulart, depuesto en 1964, estaba en una lista de enemigos de las dictaduras sudamericanas a ser asesinados. Él conoció la relación a través de un diplomático hispanoamericano en Argentina.

-Circulaba mucho la información de que estaban dos senadores de Uruguay y militares bolivianos y brasileños demócratas y opositores a la dictadura, asesinados tiempo después. (...) Lo que se puede afirmar, porque tomó estado público, es que el nombre de João Goulart estaba en aquella lista siniestra- asegura Neiva Moreira.

La muerte de João Goulart en 1976, durante su exilio argentino, salió del campo de las teorías conspiratorias y llegó este mes a las esferas judiciales.

Basada en la declaración testimonial del ex agente de inteligencia del gobierno del Uruguay Mario Neira Barreiro -preso en Rio Grande do Sul por robo y asociación ilícita- y en los rastros de la Operación Cóndor, la familia de Jango presentó una querella en la Fiscalía General de la República para investigar las denuncias de envenenamiento del líder del partido de los trabajadores.

En una entrevista a la periodista Simone Iglesias para el diario Folha de S.Paulo de ayer, Barreiro reafirmó la historia e informó que la orden de matar provino del gobierno de Ernesto Geisel (1974-1979).

En el relato del uruguayo, se colocaron comprimidos envenenados en los frascos de medicamentos de Jango, en una operación identificada como "Escorpión". El escritor y periodista Carlos Heitor Cony entrevistó al ex agente para el libro O beijo da morte (2003), en asociación con Anna Lee. En un ensayo reciente publicado por la Folha, Cony definió la personalidad de Barreiro:

"Es un hombre peligroso (estaba esposado cuando lo entrevistamos), con tendencia al delirio. Pero su delirio tiene una espina dorsal que supera los detalles asombrosos de su relato."

La Operación Cóndor era un acuerdo de cooperación militar entre las dictaduras de Brasil, Argentina, Chile, Paraguay, Uruguay, Bolivia y Perú, para perseguir a los enemigos políticos en el exilio. Volvió a escena en diciembre de 2007, con el pedido de prisión a 140 militares de estos países, librado por la justicia de Italia (25 ciudadanos de origen italiano están "desaparecidos").

Neiva Moreira sintió en el exilio las operaciones del Cóndor. Como periodista aún en actividad, trabajó para Diários Associados -y debió lidiar con una serpiente llamada Assis Chateaubriand- y fundó la revista internacional Cadernos do Terceiro Mundo. Entrevistó desde a Yasser Arafat hasta a Saddam Hussein. Nació en Maranhão el 10 de octubre de 1917, y es uno de los referentes éticos del parlamento brasileño.

Después del golpe de 1964 y siendo líder del Frente Parlamentario Nacionalista, Neiva se exilió en Uruguay. Por presiones políticas partió hacia Argentina y Perú. Su experiencia como político y periodista está en el libro de memorias O Pilão da Madrugada - Um depoimento de Neiva Moreira a José Louzeiro. Leal amigo y compañero del ex gobernador Leonel Brizola (1922-2004) sigue estando afiliado al PDT. Guarda la historia de los embates políticos brasileños desde los años 30.

En abril de 2001, Neiva Moreira prestó declaración en la comisión de la Cámara que investigó la muerte del ex presidente. Recordó que en aquella época la lista incluía también al general boliviano Juan Torres, al senador uruguayo Wilson Ferreira Aldunate y al general Prates.

En esta entrevista, el ex diputado vuelve a defender la investigación de los hechos:

- Es obvio que la abrumadora mayoría del pueblo brasileño repudia los métodos utilizados por la dictadura y es natural que se espera que el gobierno y la justicia brasileños tengan como referencia la posición de la justicia italiana.

A continuación, Neiva Moreira responde por escrito en esta entrevista las preguntas de Terra Magazine.

Terra Magazine: La familia de João Goulart inició una acción en la Fiscalía General de la República para pedir la investigación de la muerte del ex presidente en el exilio, que puede estar vinculada a la Operación Cóndor. ¿Cree que existen razones para avalar la posibilidad de envenenamiento?
Neiva Moreira: En el período posterior a la muerte de João Goulart circuló intensamente en los países latinoamericanos, sobre todo en Argentina, la sospecha de asesinato. Considero importante y oportuna la iniciativa de la familia, buscando esclarecer la muerte del Presidente.

Terra Magazine: ¿Cómo se enteró en el exilio acerca de la cooperación entre las dictaduras militares de América del Sur?
Neiva Moreira: Varios medios confiables y confidenciales nos hicieron creer en aquella cooperación y fueron innumerables las precauciones que tomamos para escapar de la represión continental. Aquello nos tenía profundamente indignados y nos llevó a denunciar el hecho en los medios de comunicaciones de los distintos países en que estuvimos exiliados.

Terra Magazine: ¿Ud. tuvo acceso a una lista secreta con los enemigos a ser eliminados por los regímenes militares de Brasil, Argentina, Chile, Paraguay, Uruguay, Bolivia y Perú? ¿El presidente João Goulart figuraba en esa lista? ¿Quién más estaba?
Neiva Moreira: Circulaba mucho la información de que estaban dos senadores de Uruguay y militares bolivianos y brasileños demócratas y opositores a la dictadura, asesinados tiempo después. Personalmente, toda vez que una figura importante de la dictadura brasileña iba a Montevideo, yo era detenido previamente en un hotel que decían que pertenecía al presidente Joao Goulart, y era interrogado. La última operación movilizó más de un centenar de soldados, que no encontraron nada que confirmara tales sospechas terroristas.

Terra Magazine: En 2001, en una comisión de la Cámara que investigó la Operación Cóndor, Ud. dijo que aún no podía revelar el nombre del diplomático hispanoamericano que le proporcionó la lista secreta. ¿Siete años después ya es posible?
Neiva Moreira: Por obvios motivos, la precaución continúa y creo que va a continuar por mucho tiempo. Lo que se puede afirmar, porque tomó estado público, es que el nombre de João Goulart estaba en aquella lista siniestra.

Terra Magazine: ¿Brizola estaba en la mira de la Operación Cóndor?
Neiva Moreira: Era uno de los blancos de todas las acciones de las dictaduras latinoamericanas. Es importante afirmar que nunca ni por nada él se apartó ni un milímetro de sus ideales de libertad y su incansable capacidad de lucha.

Terra Magazine: ¿Cómo evalúa la decisión de la justicia italiana, que libró 140 pedidos de detención contra los involucrados en la "Operación Cóndor"?
Neiva Moreira: Esa decisión merece todo el apoyo y aplauso, dado que todas las iniciativas que denuncien las dictaduras latinoamericanas y otras de la época carecen de profundización y a partir de la denuncia no llegan al castigo de los involucrados.

Terra Magazine: ¿Cuál debe ser la acción del gobierno y de la justicia brasileños?
Neiva Moreira: Es obvio Es obvio que la abrumadora mayoría del pueblo brasileño repudia los métodos utilizados por la dictadura y es natural que se espera que el gobierno y la justicia brasileños tengan como referencia la posición de la justicia italiana.

http://www.us.terra.com/terramagazine/interna/0,,OI2286272-EI8868,00.html

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