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quarta-feira, 4 de maio de 2016

Brasil/O GOLPE É PARAGUAIO…E A EMBAIXADORA DOS EUA É A MESMA



29 abril 2016, RS-Urgente https://rsurgente.wordpress.com (Brasil)

Por Caco Schmitt*

Liliana Ayalde, embaixadora dos Estados Unidos no Brasil. 
Seu posto anterior foi na embaixada dos EUA no Paraguai. Coincidência?

“O controle político da Suprema Corte é crucial para garantir impunidade dos crimes cometidos por políticos hábeis. Ter amigos na Suprema Corte é ouro puro”.

A afirmação não é de agora e nem de quem critica o STF por não prender o Cunha, por enrolar a posse do Lula etc. Foi feita há cinco anos pela pessoa que hoje é a embaixadora dos Estados Unidos no Brasil, Liliana Ayalde. A diplomata exercia o cargo de embaixadora no Paraguai (de 2008 a 2011) quando se reportou ao governo norte-americano, relatando a situação do país. Ela

terça-feira, 6 de outubro de 2015

40 ANOS DA OPERAÇÃO CONDOR: DEBATE FORTALECE COOPERAÇÃO EM DIREITOS HUMANOS

6 outubro 2015, ODiario.infohttp://www.odiario.info (Portugal)


Há 40 anos acontecia a chamada Operação Condor. Foi esta uma aliança político-militar entre os países do Cone Sul, região composta pelas zonas austrais da América do Sul (Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Paraguai e Uruguai), com o objectivo maior de reprimir os opositores aos regimes militares instalados desde os anos 1960. Acção liderada por militares da América Latina, com a ajuda da CIA, orquestrou perseguições, sequestros, atentados e assassínios.

Cerca de 150 representantes de entidades e organizações de direitos humanos e vítimas das ditaduras latino-americanas, instaladas nos anos de 1960-1980 se reuniram em Brasília, para debater os avanços e retrocessos após 40 anos da Operação Condor. O encontro gerou um debate sobre políticas públicas em torno da defesa da verdade, da memória e da justiça na região.

Cerca de 45 organizações de movimentos sociais em torno da luta pela verdade, memória, justiça e reparação nos países que fazem parte do Mercosul participaram do debate.

Isto porque há 40 anos acontecia a chamada Operação Condor. Esta foi uma aliança político-militar entre os países do Cone Sul, região composta pelas zonas austrais da América do Sul (Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Paraguai e Uruguai), com o objetivo maior de reprimir os opositores aos regimes militares instalados desde

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Brasil/Maria do Rosário: Estamos exumando o Plano Condor



13 novembro 2013, Carta Maior http://www.cartamaior.com.br (Brasil)

Brasília -- “Estamos exumando a Operação Condor”. Para a ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, o desenterro do presidente João Goulart abre as entranhas de uma “rede terrorista internacional na qual a ditadura brasileira teve uma participação importante, a exumação do presidente Goulart nos aproximará da verdade do acontecido durante essa perseguição que durou anos. Sabemos que a Operação Condor o seguiu na Argentina, que o seguiu no Uruguai, que a ditadura brasileira o hostilizou até o dia de sua morte. E não descartamos que a ditadura tenha estado envolvida em uma morte cercada de dúvidas”.

“Contamos com informações consistentes sobre o interesse prioritário que a ditadura e a Operação Condor tinham em Goulart, que nunca pode voltar com vida ao seu país. Depois de 37 anos, o governo da presidenta Dilma está realizando uma reparação histórica com a democracia brasileira e com seus familiares, que foram os que nos solicitaram a exumação por duvidar de seu envenenamento”.

Em entrevista à Carta Maior a ministra Maria do Rosário assegura que “a exumação é só um dos passos, dado que nosso trabalho junto à família e à Comissão da Verdade começou há um longo tempo, quando a presidenta Dilma nos encomendou dar prioridade ao esclarecimento da morte”.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Brasil/"DÚVIDAS SOBRE A MORTE DE JANGO SÓ AUMENTAM"



12 agosto 2013, Instituto João Goulart http://www.institutojoaogoulart.org.br (Brasil)

A falta de “explicações sólidas” sobre a morte do ex-presidente João Goulart, fez dele o “político mais injustiçado da história do Brasil”, assinala Lucília de Almeida Neves Delgado em entrevista concedida à IHU On-Line, após comentar o documentário Dossiê Jango, dirigido por Paulo Henrique Fontenelle. Ao analisar o filme à luz da História, Lucília, que há anos dedica-se à pesquisa sobre os fatos políticos do período militar, enfatiza que ele “reforça exatamente a construção de mais evidências sobre o possível assassinato de João Goulart”. Segundo ela, “de todas as pessoas que se envolveram na procura de provas e evidências sobre a morte de Jango, 18 morreram. Entre elas os políticos uruguaios Zelmar Michelini e Gutierrez Ruiz, que eram amigos do Jango e estavam investigando a morte dele. Também o empresário Enrique Foch Diaz, que mais conseguiu reunir muitas informações sobre a morte de Jango e escreveu um livro intitulado Jango: um crime perfeito, faleceu pouco tempo depois de publicado o livro”. E dispara: “Ficamos pensando: o que aconteceu para que todas essas pessoas, de uma forma ou de outra, fossem falecendo? A maioria por problemas cardíacos e alguns em decorrência de acidentes de carro. São coincidências muito estranhas, e as indagações sobre a morte de Jango só aumentam”.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Brasil/HORA DE SE CONHECER A VERDADE



14 maio 2013, Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)

Depois de quase 36 anos e meio da morte do Presidente João Goulart (6 de dezembro de 1976), a Comissão Nacional da Verdade e o Ministério Público Federal do Rio Grande do Sul decidiram, finalmente, exumar o corpo do herdeiro político de Getúlio Vargas. Muitos devem estar dizendo, antes tarde do que nunca.

Por
Mário Augusto Jakobskind*, no Direto da Redação

 

Mas não se pode esquecer que logo após a morte de Jango, as autoridades brasileiras e argentinas se recusaram a fazer a autopsia. Por que será?

Há fortes indícios de que Jango foi mesmo assassinado com a troca de remédios. Embora deva ser considerado louvável a inicativa da Comissão Nacional da Verdade, não se pode garantir que depois de tanto tempo a exumação seja considerada conclusiva.

Como se sabe, há testemunhas, como a do ex-agente da repressão uruguaia, Mario Barreiro, que conta com detalhes como ocorreu a troca de remédios que teria provocado a morte do Presidente.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

O MERCOSUL E OS LUGARES DE MEMÓRIA DOS CRIMES DAS DITADURAS

28 setembro 2012/Carta Maior http://www.cartamaior.com.br (Brasil)

Após as graves violações de direitos humanos cometidos pelas ditaduras do Cone Sul, a implementação de políticas públicas de lugares de memória representa um compromisso ineludível dos Estados democráticos da região. A recuperação e construção de memórias e identidades comuns sobre o passado ditatorial, as políticas destinadas a garantir a não repetição das violações dos direitos humanos, e a fixação gradual de um piso comum de direitos e de cidadania, permitem hoje conceber o Mercosul não apenas como um bloco econômico, mas também como uma comunidade política emergente. O artigo é de Victor Abramovich.
 
Victor Abramovich*

Após as graves violações de direitos humanos cometidos pelas ditaduras do Cone Sul, a implementação de políticas públicas de lugares de memória representa um compromisso ineludível dos Estados democráticos da região. Isso porque esses lugares são fundamentais para oferecer uma reparação simbólica às vítimas, contribuir com a construção da memória social do que aconteceu, e tomar medidas para julgar crimes contra a humanidade investigados nos processos judiciais em curso em vários países da região.

Nos últimos anos, tem-se criado em nossos países numerosos sítios de memória em lugares onde cometeram-se graves violações aos direitos humanos, onde essas violações foram resistidas ou enfrentadas, ou que por algum motivo as vítimas, suas famílias ou as comunidades associam com esses eventos, e que são usados para recuperar, repensar e transmitir processos traumáticos, e para homenagear e compensar as vítimas.

Estes lugares têm adquirido um valor pedagógico destacado ao ajudarem a transmitir informação e conhecimento às novas gerações, e para ativar discussões públicas sobre as condições sociais e políticas que favoreceram esses processos históricos. Nesse sentido, foram sinalizados e, até mesmo, criados especialmente lugares de memória em diversas guanições militares e policiais onde funcionaram centros clandestinos de detenção, nos quais foram cometidas privações da liberdade sem o proceso legal, torturas, desaparecimentos e execuções sumárias de líderes políticos ou ativistas sociais. Em muitos casos, além disso, a implementação desses espaços faz parte de projetos que procuram estabelecer distinções, pontes e relações entre o pasado autoritário e os problemas de direitos humanos ainda pendentes em nossas democracias, como a violência policial e tortura nas prisões.

Na verdade, até alguns anos atrás, a preservação dessas propriedades não foi entendida como uma responsabilidade do Estado e objetivo das políticas públicas governamentais. Felizmente, hoje o contexto político regional e institucional é bastante diferente.

Na Argentina, por exemplo, o ex-presidente Carlos Menem (1989-1999) procurou demolir a ESMA, o maior centro clandestino de detenção e emblemático da ditadura, na sua estratégia para "virar a página". Em 1998, um grupo de familiares de vítimas obteve uma medida judicial que obrigou a preservar o lugar como parte da herança cultural dos argentinos. Em 2004, o ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007) tomou a decisão histórica de transformar o local no Espaço da Memória e Promoção dos Direitos Humanos, expulsando as unidades da Armada que funcionabam no espaço . Como mais um passo na institucionalização dessas iniciativas, em 2011, foi sancionada a Lei 26.691, chamada "Preservação, Sinalização e Difusão de Lugares de Memória do Terrorismo de Estado", que passou à frente do governo nacional as políticas reitoras nesta área.

No Paraguai, após o relatório da Comissão de Verdade e Justiça, que documentou violações de direitos humanos cometidas pela ditadura de Stroessner, o governo do presidente Fernando Lugo promoveu a criação de uma "Rede de Sítios Históricos e de Consciência", a fim de preservar arquivos e lugares de valor histórico, obrigando em alguns casos a desocupar as unidades policiais e militares para transformá-las em museu. Um exemplo desta política é a criação de um lugar de memória onde funcionou o Departamento de Investigação da Polícia Capital, usado como prisão clandestina e centro de tortura de presos políticos durante a ditadura.

No Uruguai, varios juízes tomaram medidas de asseguramento em prédios militares, o que na prática significava a proibição de mudar sua estrutura para salvaguardar o seu valor probatório no âmbito dos processos judiciais relativos aos crimes da ditadura. Recentemente, o governo nacional destinou a propriedade onde funcionou o Serviço de Informação de Defesa (SID) que foi um centro clandestino de detenção, para o novo Instituto Nacional de Direitos Humanos, e colocou uma placa em memória das pessoas detidas ilegalmente naquele lugar, como Maria Claudia Iruretagoyena e sua filha Macarena Gelman.

No Brasil, funciona desde 2009 o Memorial da Resistência de São Paulo, e em 2012 a Secretaria de Direitos Humanos propôs ao Mercosul a construção de um memorial do Plano Condor em Porto Alegre, entre outras iniciativas. A Comissão de Anistia é um membro da Rede Latino-Americana de Lugares de Consciência, que reúne representantes de 29 instituições de 11 países da região. Cabe destacar, também, a criação recente por parte da presidente Dilma Rousseff da Comissão da Verdade, a qual oferece um novo impulso para o problema, reforçando a sua estrutura institucional e colocando o Brasil em linha com as ações tomadas pelo seus pares do Mercosul.

Neste contexto regional, no dia 6 de setembro, em Porto Alegre, a Reunião de Altas Autoridades em Direitos Humanos e Chancelarias do Mercosul (RAADDHH) aprovou os "Princípios fundamentais para as políticas públicas de lugares de memória". Este é um documento elaborado pelo Instituto de Políticas Públicas em Direitos Humanos do Mercosul (IPPDH) que reafirma o dever dos Estados de criar e gerenciar lugares de memória e, em particular, de preservar os sítios onde se cometeram graves violações aos direitos humanos.

Este instrumento contém 29 princípios orientadores das políticas governamentais nesta área, que são derivados da obrigação dos Estados de dispor mecanismos eficazes para investigar, julgar e punir os responsáveis por graves violações dos direitos humanos, e para garantir os direito à verdade, memória e reparação para as vítimas, suas famílias e da sociedade em conjunto.

Alguns destes princípios estabelecem níveis mínimos que devem ser levados em conta em qualquer política públicas sobre lugares - sejam iniciativas de agências governamentais ou instituições sociais, ou de parentes das vítimas -; outros são destinados a explicitar obrigações específicas dos Estados. Em particular, propõem pautas para a preservação dos lugares, com destaque no dever de adotar as medidas judicais, legais ou administrativas para garantir a segurança física desses lugares.

Também estipulam critérios para a identificação, sinalização e determinação do conteúdo dos lugares de memória, entre eles, a necessidade de garantir a amplia participação de vítimas, familiares, comunidades locais e diferentes setores da sociedade. Finalmente, se apresentam os princípios para o desenho institucional dos lugares de memória que, por exemplo, destacam a obrigação de contar com marcos legais adequados, assim também como a conformação de equipes interdisciplinares, mecanismos de transparência e participação social em sua gestão.

A aprovação destes princípios é apoiado pela meta regional de recuperar ao mesmo tempo que construir memórias do passado comuns dos países do Mercosul, ligados à coordenação repressiva das ditaduras no Cone Sul e da chamada Operação Condor. Esta linha também se inscreve na recente criação de um grupo técnico intergovernamental para melhorar a cooperação jurídica e administrativa relacionada com as investigações da Operação Condor, e sistematizar, relevar e identificar e desclasificar, de maneira coordenada, os principais arquivos públicos e sociais que existem sobre estes fatos.

Vale lembrar que a Operação Condor foi uma aliança repressiva formada nos anos setenta pelos serviços de inteligência dos países da América do Sul sob ditaduras militares, a fim de combater aqueles que consideravam "subversivos" termo amplo que permitiu incluir uma multiplicidade de sujeitos definidos como inimigos ideológicos. Através de um documento fundador, foram estabelecidas as linhas de ação que levaram à criação de estruturas militares clandestinas, lideradas pela cúpula castrense mas operando com relativa autonomia, e, ao mesmo tempo, a implementação de um sistema paralelo de prisões clandestinas e centros de tortura a fim de receber aos prisioneiros estrangeiros detidos no contexto desta operação.

Através de experiências sociais, governamentais e regionais de preservação e gestão dos lugares de memória, e com a adoção desses princípios, os governos do Mercosul contribuem para aprofundar o processo de integração regional. Isto é assim porque a recuperação e construção de memórias e identidades comuns sobre o passado ditatorial, as políticas destinadas a garantir a não repetição das graves violações dos direitos humanos, e a fixação gradual de um piso comum de direitos e de cidadania, permitem hoje conceber o Mercosul não apenas como um bloco econômico, ou uma aliança de negócios, mas também como uma comunidade política emergente.

*Victor Abramovich é o Secretário Executivo do Instituto de Políticas em Direitos Humanos do Mercosul (IPPDH)

(**) O IPPDH foi criado em 2009 (Decisão n º 14/09 do Conselho de Mercado Comum do Mercosul) como uma instância de cooperação técnica, investigação aplicada e coordenação das políticas públicas em direitos humanos nos países do bloco regional. Sua sede permanente está na cidade de Buenos Aires, Argentina, e de acordo com o acordo assinado entre o Mercosul e a Argentina terá seu escritorio definitivo no lugar onde funcionou a Escola de Mecânica da Armada, um dos centros clandestinos de detenção mais brutais da última ditadura militar (1976-1983), agora recuperado como o Espaço para a Memória e para a Promoção e Defesa dos Direitos Humanos .


 

quarta-feira, 28 de março de 2012

PROTESTO EXPÕE AÇÕES DA OPERAÇÃO CONDOR NO BRASIL


26 março 2012/Carta Maior http://www.cartamaior.com.br (Brasil)


Em Porto Alegre, cerca de 70 manifestantes ligados ao Levante Popular da Juventude se concentraram às 9 horas da manhã em frente à casa do coronel Carlos Alberto Ponzi, ex-chefe do Serviço Nacional de Informações (SNI) na capital gaúcha e um dos 13 brasileiros acusados pela Justiça italiana pelo desaparecimento do militante político Lorenzo Ismael Viñas, em Uruguaiana, em 1980. Caso expõe ações conjuntas realizadas por policiais e militares brasileiros e argentinos durante a ditadura.

Marco Aurélio Weissheimer

Porto Alegre - O Levante Popular da Juventude, organização ligada à Via Campesina e ao movimento de Trabalhadores Desempregados (MTD), realizou nesta segunda-feira (26) protestos em várias cidades do país, na frente de residências de acusados da prática de tortura durante a ditadura. Foi uma articulação nacional. Além do Rio Grande do Sul, ocorreram protestos nos estados do Pará, Ceará, São Paulo, Minas Gerais e Bahia.

Em Porto Alegre, cerca de 70 jovens se concentraram às 9 horas da manhã em frente à casa do coronel Carlos Alberto Ponzi, ex-chefe do Serviço Nacional de Informações (SNI) em Porto Alegre, e um dos 13 brasileiros acusados pela Justiça italiana pelo desaparecimento do militante político Lorenzo Ismael Viñas, em Uruguaiana, em 1980.

Na lista dos acusados, há nomes como o ex-presidente João Figueiredo, o ex-chefe do SNI e general Octávio Medeiros, já falecidos. Entre os outros nomes, estão João Leivas Job, ex-secretário de Segurança do RS, o ex-chefe do DOPS gaúcho, delegado Marco Aurélio da Silva Reis, o coronel Ponzi, Luiz Mackson de Castro Rodrigues (ex-superintende da Polícia Federal no Rio Grande do Sul), e Átila Rohrsetzer, ex-diretor da Divisão Central de Informações.

Todos os acusados ainda vivos estão a salvo no Brasil, mas correm risco de prisão se entrarem em território italiano. A Procuradoria Penal de Roma enviou ao Brasil um pedido para que o Judiciário brasileiro abra processo e julgue os acusados de envolvimento no desaparecimento de dois argentinos de origem italiana.

Lorenzo Ismael Viñas e Horácio Campiglia teriam sido presos no Brasil em 1980 por militares e policiais brasileiros e entregues a uma força-tarefa argentina. Após passarem por prisões argentinas, entraram para a lista de desaparecidos. Há testemunhos dando conta de que foram jogados de um avião argentino no Rio da Prata. Por conta da prisão e do posterior desaparecimento de cidadãos de origem italiana no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro, a Justiça daquele país está investigando o envolvimento de policiais e militares brasileiros em ações da Operação Condor, que envolviam a entrega de prisioneiros para militares de outras ditaduras do Cone Sul. A imensa maioria dessas ações permanece até hoje em segredo.

Um dos principais objetivos dos protestos desta segunda-feira do Levante Popular da Juventude foi justamente lançar luz sobre esse segredo e manifestar apoio à Comissão da Verdade que poderá investigar diversos crimes cometidos durante a ditadura que permanecem enterrados nas valas do esquecimento e da impunidade. “A ditadura civil-militar permanece um período obscuro na história de nosso país. No dia de hoje, jovens do Rio Grande do Sul se levantaram contra a tortura e exigiram o esclarecimento e punição dos responsáveis pelas atrocidades cometidas no período”, diz nota distribuída à imprensa pelo setor de Comunicação do Levante. Esse período de trevas e esquecimento foi surpreendido hoje por uma corajosa e exemplar iniciativa. 

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Brasil/Procuradoria abre ações contra sete ex-autoridades da ditadura

27 junho 2008 2008/Pravda.Ru http://port.pravda.ru

O Ministério Público Federal ajuizou representações em São Paulo, no Rio e em Uruguaiana (RS), pedindo a abertura de inquérito contra ex-autoridades do regime militar acusadas de assassinato e seqüestro. As informações são da Folha de São Paulo. Duas ações envolvem a Operação Condor -o esquema de repressão política entre ditaduras da América do Sul.

As ações foram movidas pelos procuradores Eugênia Augusta Fávero e Marlon Alberto Weichert. Em Uruguaiana, o pedido se refere ao desaparecimento de Lorenzo Ismael Viñas, seqüestrado em 1980. No Rio, ao seqüestro do também ítalo-argentino Horácio Domingo Campiglia e da argentina Monica Susana Pinus de Binstock. Ambos foram presos por agentes da PF em 1980, entregues às autoridades argentinas e desapareceram.

São acusados o coronel Carlos Alberto Ponzi, então chefe da segunda seção do Estado-Maior; o secretário de Segurança do RS, João Leivas Job, e o ex-diretor da Divisão Central de Informações, Átila Rohrsetzer.

Também estão arrolados o ex-delegado Marco Aurélio da Silva Reis; o ex-superintendente da PF do Rio Agnello de Araújo Britto; o então secretário de Segurança do Rio, Edmundo Murgel, e o chefe do Estado-Maior do 3º Exército, general Luiz Henrique Domingues.

Os pedidos de investigação contra militares e civis brasileiros são baseados nas notícias sobre a ordem de prisão decretada pela juíza italiana Luisanna Figliola, em 2007.

Em São Paulo, o pedido se refere à apuração do assassinato de Luiz José Cunha, o comandante Crioulo, militante da ALN (Ação Libertadora Nacional).

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Brasil/1964, O TERROR - A VOLTA. NOVO ASTRO - ‘HELENO DE TRÓIA’

Laerte Braga *

30 abril 2008 / Adital - Agência Frei tito para a América Latina

"Correndo o risco de parecer ridículo deixe-me dizer-lhes que o verdadeiro revolucionário é movido por sentimentos de amor"

Não se trata de imaginar que as tropas vão sair às ruas prendendo pessoas e depondo um governo legítimo como aconteceu em 1964, quando a direita das Forças Armadas esmagou a esquerda, tomou o poder e implantou uma ditadura sanguinária, montada na tortura, no assassinato de adversários e na absoluta subserviência aos interesses do grande empresariado nacional e internacional.
Foi esse grande empresariado, que financiou instrumentos de repressão como a OPERAÇÃO BANDEIRANTES (OBAN) e a construção do famigerado DOI/CODI que juntou todos os setores e grupos dos chamados serviços sujos da ditadura e acabou desembocando na Operação Condor, uma espécie de holding do terror em toda a América do Sul.
Líderes nacionais que se opunham às ditaduras em seus países foram assassinados no curso da Operação, criada para esse fim. Foi um desses crimes, o que matou Orlando Letelier, ex-chanceler do governo Allende assassinado em New York por agentes da DINA (Polícia Secreta chilena) que começou a levantar o véu do terror implantado nesta parte do mundo pelos militares. Até hoje não se pode afirmar com convicção que lideranças brasileiras como Juscelino e Jango não tenham sido mortos em operações dentro desse quadro.
Esse tipo de prática retornou com toda a força no governo do terrorista norte-americano George Bush. Uma lei especial autoriza o governo dos Estados Unidos através dos chamados órgãos de segurança, a prender, manter incomunicável e a torturar em benefício da segurança do país, homens e mulheres em qualquer parte do mundo. Agentes da CIA (o serviço secreto dos EUA) respondem a processos por crimes de seqüestro em países europeus como a Alemanha e a Itália.
Campos de concentração foram espalhados pelo mundo e o exemplo de uma das prisões no Iraque, onde presos muçulmanos eram submetidos a toda a sorte de humilhações chocou o mundo não faz muito tempo.
Guantánamo é um exemplo. Uma parte ocupada do território de Cuba, onde os EUA guardam prisioneiros que consideram suspeitos de ações contrárias ao país ou países que ofereçam riscos, na ótica deles, aos seus interesses.
O fim da União Soviética não significou o fim do pesadelo militarista e armamentista. Os EUA continuam a desenvolver tecnologias de armas de destruição em massa, construíram um escudo de proteção antimísseis e ocupam através de bases ou invasões militares (Iraque, Afeganistão) todos os espaços possíveis e considerados necessários para a consolidação do império terrorista de Washington.
O maior campo de provas desse terror hoje é o Oriente Médio e o braço terrorista norte-americano ali é o Estado de Israel, um enclave do IV Reich. As humilhações, a violência, a barbárie semelhante à dos campos de concentração da II Grande Guerra que são impostas aos palestinos não encontram paralelo na história a não ser na horda de bárbaros que se desenrola ao longo do processo dito civilizatório, passar por Hitler e encontra seu ápice no terror do período Bush.
A América do Sul é um dos alvos primordiais do terrorismo norte-americano neste momento. As sucessivas derrotas eleitorais em quase todos os países dessa parte do mundo e as profundas mudanças propostas por governos como os de Chávez (Venezuela), Evo Morales (Bolívia) e Rafael Corrêa (Equador) e agora a vitória do ex-bispo Fernando Lugo no Paraguai, até então uma grande fazenda norte-americana e brasileira por conta da corrupção dos governos do partido Colorado, acenderam a luz vermelha em Washington.
A rigor os norte-americanos dispõem de duas bases (colônias) na América do Sul. O governo do narcotraficante Álvaro Uribe e o de Alan Garcia, no Peru.
Países como o Brasil e a Argentina, os dois maiores da região, têm governos independentes e o Chile alinha-se no geral com posturas de integração sul-americana, ao contrário da proposta norte-americana (ALCA) de integração de todas as Américas na visão de Washington. Os ESTADOS UNIDOS e um monte de protetorados.
À semelhança com o que acontece hoje ao México, um depósito de lixo dos norte-americanos. Na América Central a presença de Daniel Ortega na Nicarágua e a transição cubana para Raul Castro mantêm a perspectiva de luta popular nos outros países. O Haiti hoje é um país ocupado militarmente pelos EUA que contam com apoio da polícia brasileira que alguns insistentes teimam chamar de forças armadas.
O recente ato de rebeldia e insubordinação do general Augusto Heleno, transformado em comandante militar dos EUA na Amazônia mostra que a estratégia dos EUA passa por acentuar o processo de cooptação de militares dos países alvos, sempre ligando a seta para um lado (nacionalismo, soberania nacional, integridade do território nacional e depois entrega absoluta).
Foi assim no Iraque, foi assim quando atacaram o acampamento do chanceler Raúl Reyes (das FARCS-EP) no Equador. A guarda republicana de Saddam e os principais generais do exército terminaram cooptados e hoje ocupam postos chaves no governo daquele país, como o exército equatoriano omitiu-se no ataque terrorista contra o país a partir da Colômbia.
No caso específico do Brasil, a preocupação dos EUA se volta para as eleições de 2010, pelo menos até o momento existe a necessidade de manter o modelo de farsa democrática ("o direito do oprimido escolher o opressor") e a tranqüilidade só não é total pelo risco de um terceiro mandato para Lula desejado hoje pela maioria dos brasileiros (sem juízo de mérito).
Qualquer um dos pré-candidatos até agora citados, exceto a ministra Dilma Roussef, que venha a ser eleito é parte do esquema norte-americano, sobretudo o paulista José Serra.
As ações golpistas contra o governo Chávez são visíveis e o golpe de 2002 terminou fracassado por conta da reação popular. No Equador, logo após o ataque traiçoeiro da Colômbia, o presidente Corrêa começou a mudar o perfil das forças armadas, o que implica em riscos de golpe, lógico.
Na Bolívia as elites insistem em promover um referendo inconstitucional e condenado pela ONU e pela OEA, para constituírem um país à parte, onde possam abrigar os interesses e os "negócios" das classes dominantes.
Classes dominantes. Palavra chave nessa história. Militares são apenas adereços com bordunas das mais variadas espécies e que se escoimam na palavra ordem como pressuposto de liberdade, democracia, todo o dicionário de farsas montadas pelos EUA ao longo da história das Américas.
O mundo globalitarizado por conta do imenso poder do império, mesmo quando vive momentos difíceis como os riscos de uma grande recessão hoje, se curva ao poder destruidor das bombas e escudos militares de Washington, em bases espalhadas por todos os cantos.
A quarta frota norte-americana, extinta quando os militares controlavam os países da América do Sul (bastava gritar sentido que se enquadravam) está sendo reconstruída como instrumento de ação militar em projetos que não excluem a criação de um novo Oriente Médio, aqui a partir do estado narcotraficante da Colômbia em ações contra países e governos que teimam em se manter fora da órbita dos senhores do mundo.
No golpe de 1964 a quarta frota estava em águas territoriais brasileiras para o caso de algum contratempo, o fato foi revelado publicamente pelo jornalista brasileiro Marcos Sá Corrêa, no JORNAL DO BRASIL, quando liberados os documentos da época nos EUA.
O general Heleno e seu suposto nacionalismo é mero agente norte-americano na Amazônia apesar de sinalizar e falar noutra direção. É a tática deles, o jeito deles ludibriarem e enganarem e hoje têm um poder fantástico, o da mídia, totalmente sob controle do império. O governo FHC no Brasil (Meném na Argentina, Fujimori no Peru, Carlo André Perez na Venezuela) desmontaram as efetivas soberanias e integridades nacionais. A exceção do Peru sob um governo policialesco e corrupto, o Brasil e a Venezuela (sobretudo esse país), reagem ao processo de recolonização ampliado a partir das vitórias de Morales, Corrêa, Lugo, Tabaré Vasquez e os governos independentes de Cristina Kirchner e Bachelet na Argentina e Chile, respectivamente.
O caso do Brasil é fácil de perceber. Estamos prestes a nos transformar em um dos cinco maiores produtores de petróleo do mundo, sem sermos mais os donos desse petróleo. O fim do monopólio no governo FHC abriu as portas para a privatização disfarçada da PETROBRAS através da venda da maioria das ações preferenciais. Somos donos nominalmente.
A garantia das terras amazônicas para o latifúndio é o ponto de partida da fala do norte-americano Augusto Heleno. A VALE, que desmembrou parte do território nacional não é problema, faz parte da tal soberania nacional deles. Em Washington.
O processo de avanço dos EUA sobre a América do Sul acentua-se num momento em que aquele país começa a viver um pesadelo e se impõe militarmente ao mundo como forma de manter preservado o império construído na exploração de povos da Ásia, da África e das Américas. A primeira comissão que cuidou disso e montou o golpe de 1964 aqui e os golpes em outros países da região, chamou-se AAA - Tríplice A, Tri-lateral, ou seja exatamente Ásia, América e África.
A África é um território devastado pela fome deliberadamente pelas políticas colonizadoras dos EUA e a ação de governos corruptos e submissos a Washington. A Ásia é um o que sempre foi, é só lembrar a derrota no Vietnã, um problema de dimensões maiores, tendo em vista a China e a Índia e o resto da América começa a ser atacado, com o controle da Colômbia e agora uma nova base no Peru.
Transformar essa parte do mundo num Oriente Médio não vai criar dramas de consciência para os norte-americanos. A história do país se fez com saques (Califórnia, Texas, Havaí, Porto Rico), intervenções constantes na América Central e regimes ditatoriais ou não, dóceis a eles e seus interesses.
Os contratempos resolvem com discurso e práticas como a do general Augusto Heleno, como lembrado por alguns "Heleno de Tróia". O que vai falar de soberania nacional para militares sobreviventes do terror de 1964 e empresários da FIESP/DASLU, enclave internacional em São Paulo.
Um relatório divulgado hoje mostra que o cultivo de soja transgênica avançou 20% na Amazônia e é isso que o general defende, não é o Brasil e os interesses nacionais não.
1964 II, a volta, é o mesmo terror só que com roupagem, atores, diretor diferentes, um remaker em condições de tempo, espaço diversos mas os mesmos propósitos e objetivos.
O general até agora é o astro desse filme de terror. E fraqueza do governo Lula, já deveria tê-lo exonerado para garantir exatamente a soberania e a integridade do território nacional.

* Jornalista

http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=32806

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Brasil/João Goulart, as provas e a história

Por Gilson Caroni Filho


Observatório da Imprensa/29 janeiro 2008


O Novo Dicionário Aurélio define "prova" como "aquilo que atesta veracidade ou autenticidade de uma coisa; demonstração evidente". Nas reportagens ditas investigativas, é algo a ser obtido durante a fase de apuração das informações que vão ser publicadas. Peça tão importante que deve ser checada criteriosamente.

Na entrevista concedida à Folha de S.Paulo (27/1), o ex-agente de inteligência do governo uruguaio Mário Neira Barreira afirma que João Goulart, deposto em 1964 e morto em 1976, foi assassinado por envenenamento a pedido do governo brasileiro.

A rigor, não estamos diante de um furo jornalístico. Há duas semanas, após entrevista de Barreira com João Vicente Goulart, filho de Jango, a família entrou com uma ação na Procuradoria Geral da República na qual pede que se investiguem as circunstâncias que cercaram a morte do ex-presidente em seu exílio, na Argentina. O que o diário paulista conseguiu foi um material rico em detalhes, algo que pede para ser reconstituído como acontecimento histórico relevante, podendo tanto confirmar a versão oficial (ataque cardíaco fulminante) como refutá-la.

O que está em questão é a disposição e/ou capacidade de se fazer jornalismo investigativo ou deixar que matéria morra na opinião sobre os "especialistas do tema".

Ouvindo o que Jango falava

Ao escrever que Mário Neira "não exibiu provas e disse que o caso era discutido pessoalmente", a jornalista Simone Iglesias, involuntariamente, suscita questões interessantes: o que pode ser considerado prova em um episódio como esse? Uma autorização por escrito do então presidente general Ernesto Geisel ou do delegado do Dops Sérgio Paranhos Fleury? Algum comprimido envenenado com frasco mostrando a validade vencida?

Se considerarmos que o relato do uruguaio guarda inconteste coerência interna – e é verossímil com o contexto político da época – a entrevista pode ser o primeiro passo na concepção de um instigante trabalho de investigação. Uma história que pede para ser revisitada.

Se, tal como definida no dicionário, "prova circunstancial" é aquela que se baseia em indícios, as palavras do entrevistado não podem ser descartadas por falta de relevância. Como prova testemunhal, conhecida nos meios jurídicos como "prostituta das provas", a posição funcional de Neira é um dado que não deve ser ignorado. O que deve ser apurado não é de pouca monta. Senão, vejamos:

"Estive na fazenda de Maldonado para colocar uma estação repetidora que captava sinais dos microfones de dentro da casa e retransmitia para nós. Esta estação repetidora foi colocada numa caixa de força que havia na fazenda. Aproveitamos essa fonte de energia para alimentar os aparelhos eletrônicos e para ampliar as escutas. Isso possibilitava que ouvíssemos as conversas a 10, 12 km de distância. Ficávamos no hipódromo de Maldonado ouvindo o que Jango falava."

Uma rara oportunidade

Não há como confirmar junto à família ou ex-trabalhadores a existência dessa caixa e a plausibilidade operacional de escuta no hipódromo? Ou disso cuidam os biógrafos?

"Foi morto como resultado de uma troca proposital de medicamentos. Ele tomava Isordil, Adelfan e Nifodin, que eram para o coração. Havia um médico-legista que se chamava Carlos Milles. Ele era médico e capitão do serviço secreto. O primeiro ingrediente químico veio da CIA e foi testado com cachorros e doentes terminais. O doutor deu os remédios e eles morreram. Ele desidratava os compostos, tinha cloreto de potássio. Não posso dizer a fórmula química porque não sei. Ele colocava dentro de um comprimido."

Certamente, há como se comprovar ou não a existência do médico e seu papel no aparato repressivo. A medicação citada deve ser de conhecimento dos familiares ou de algum clínico com quem o ex-presidente tenha se consultado. Quem sabe não há prontuários no Brasil, Argentina ou Uruguai? Estamos falando do estudo de viabilidades, um procedimento bastante familiar a experientes jornalistas.

Se, conforme é descrito na matéria, "o Exército brasileiro informou que não há hoje ninguém na ativa com condição de responder ou até rejeitar acusações. O mesmo foi dito pela embaixada dos Estados Unidos no Brasil, questionada se houve participação da CIA na suposta operação para matar o presidente João Goulart, em 1976", é hora de a Folha de S.Paulo estabelecer um plano de ação e pôr em campo uma equipe familiarizada com o tema e que a ele se dedique com afinco. Estamos falando da Operação Condor e de uma rara oportunidade: aquela em que a história, sorrateiramente, adentra uma redação como esfinge. A opção é por demais conhecida para ser repetida como desfecho de artigo.

Ou será que a proverbial preguiça, advinda do exercício constante do denuncismo vazio, levou nossa imprensa a criar um novo preceito jurídico? Algo do gênero: a quem se acusa cabe o ônus da prova?

http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=470JDB003

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Brasil/OAB apóia pedido italiano de prisão de 13 brasileiros

26 dezembro 2007/Agência Estado
O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto, elogiou hoje a decisão da Justiça italiana de mandar prender 13 brasileiros entre as 140 pessoas com mandado de prisão por suposto envolvimento na chamada Operação Condor, uma ação articulada de repressão de oposicionistas pelos governos militares sul-americanos nos anos 70 e 80.
Britto disse em nota oficial que a Justiça italiana fez o que "há muito" cabia ao Brasil fazer: "Mostrou feridas não cicatrizadas em nossa memória. Para que cicatrizem, é preciso que se saiba como foram abertas. E só a verdade é capaz de fazê-lo."
O presidente da OAB avalia que "não se negligencia impunemente com a História". "A recusa sistemática do Estado brasileiro em pôr a limpo o que se passou no período da repressão política, nas décadas de 60 a 80, nos expõe agora ao constrangimento de uma censura externa para a qual não temos defesa moral." A Justiça italiana não forneceu ainda os nomes dos 13 brasileiros que tiveram ordem de prisão decretada nem comunicou o fato ao governo brasileiro.
Extra-oficialmente, as autoridades brasileiras avaliam que os citados devem ser as pessoas supostamente envolvidas nos desaparecimentos dos argentinos Horacio Domingo Campiglia e de Lorenzo Ismael Viña. Os dois desapareceram no Brasil em 1980. Campiglia teria sido preso no Rio e Viña, no Rio Grande do Sul.
"A OAB tem defendido obstinadamente, ao longo do tempo, o cabal esclarecimento de todas as mazelas perpetradas pelo regime ditatorial de 1964. Aos que invocam a Lei de Anistia como argumento para manter debaixo do tapete o lixo da História, respondemos que anistia não é amnésia. Impede a responsabilização penal de determinados delitos, mas não que os conheçamos - e os censuremos", afirma Cezar Britto.

América do Sul/Itália: 140 ordens de detenção contra participantes do Plano Condor

Roma, 24 dezembro 2007 (AFP) - A justiça italiana ditou 140 ordens de prisão contra pessoas que participaram do Plano Condor, realizado pelas ditaduras sul-americanas nos anos 70 para eliminar opositores e iniciará nos próximos dias os procedimentos relativos a pedidos de extradição dos envolvidos.
Da lista figuram o ex-ditador argentino Jorge Rafael Videla, o almirante Emilio Eduardo Massera, e Juan María Bordaberry, ex-comandante da junta militar do Uruguai.
As ordens de detenção foram assinadas pelo juiz Luisann Figliola em resposta à solicitação do promotor Giancarlo Capaldo do tribunal de Roma.
As pessoas envolvidas são acusadas de diversos crimes, em função de sua posição pessoal, sobretudo "massacre, seqüestro e homicídio múltiplo agravado".
A investigação da justiça italiana começou no final dos anos '90, quando as famílias de alguns cidadãos sul-americanos de origem italiana entraram com ações judiciais depois do desaparecimento de seus membros.
Das 140 pessoas que constam da lista, algumas faleceram, como o ditador chileno Augusto Pinochet; já Néstor Jorge Fernández Troccoli, um uruguaio de 60 anos, ex-membro do serviço secreto da marinha de seu país, foi detido em Salerno (sul da Itália), onde vive há alguns anos. Ele será trasladado e interrogado nos próximos dias em Roma.
A "Operação Condor" foi aplicada nos anos 70 e 80 pelos regimes militares da Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai para eliminar os oposicionistas.
A "Operação Condor", que deixou centenas de vítimas desaparecidas, nasceu durante a Primeira Reunião de Trabalho da Inteligência Nacional, realizada em Santiago, entre 25 de novembro e 1 de dezembro de 1975, segundo a documentação acumulada em investigações.
O incentivador foi o então coronel Manuel Contreras, fundador da DINA, a polícia secreta do regime do general Augusto Pinochet, mas o plano também contou com o apoio de agentes dos Estados Unidos.
"A Operação Condor representou um esforço cooperativo de inteligência e segurança entre muitos países do Cone Sul para combater o terrorismo e a subversão", assinalava um informe desarquivado pela Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos, no dia 22 de agosto de 1978.
O informe acrescentava que "o coronel Manuel Contreras, chefe da DINA, iniciou um programa de colaboração entre os serviços de inteligência de diferentes países da América do Sul, o qual batizou como Plano Condor".
"Há informação adicional de que a cooperação entre os países incluiria planos para assassinar subversivos, políticos e figuras proeminentes dentro dos limites do país", assinalava outro documento da CIA, datado de 16 de agosto de 1976.
Um dos mais perseverantes investigadores da "Operação Condor" é o advogado paraguaio Martín Almada, que descobriu em seu país os chamados "Arquivos do Terror": dezenas de milhares de documentos que mostravam pela primeira vez, de forma oficial, as operações coordenadas entre as ditaduras do Cone Sul.
Durante uma visita a Santiago, em setembro de 2001, Almada afirmou que Pinochet e Contreras lançaram uma "guerra santa" para eliminar a oposição no Chile e em outros cinco países da região.
"Eles globalizaram o terrorismo e não se deram conta de que, 25 anos depois, viria a globalização da justiça através de Baltasar Garzón", resumiu Almada, fazendo alusão ao juiz espanhol que, em outubro de 1998, conseguiu que o general Pinochet fosse detido em Londres, desencadeando o processo de punição dos crimes cometidos pelo ex-ditador.
(noticias.bol.uol.com.br/AFP)

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Juiz uruguaio determina prisão de ex-ditador do país

Montevidéu, 17 dezembro 2007 - Um juiz uruguaio ordenou na segunda-feira que fosse detido o ex-ditador Gregorio Alvarez, acusado de participar do sequestro e do desaparecimento de várias pessoas durante a ditadura militar no país (1973-1985), afirmou à Reuters a promotora do caso.
O juiz Luis Charles investiga o envio em 1978, quando Alvarez comandava as Forças Armadas do Uruguai, de prisioneiros políticos para a Argentina e o posterior desaparecimento deles.
A defesa do ex-ditador tinha apresentado dias antes um recurso alegando a inconstitucionalidade do delito de "desaparecimento forçado", mas a Suprema Corte de Justiça do país decidiu que o apelo não tem fundamento e devolveu o processo ao juiz de primeira instância.
Alvares presidiu o governo militar de 1981 a 1985.
Esse juiz já enviou para a prisão o ex-militar Juan Carlos Larcebeau, envolvido no mesmo caso. Ainda falta decidir o destino de um terceiro envolvido, o ex-membro da Marinha Jorge Tróccoli, que, segundo o advogado dele, está de viagem e regressa ao Uruguai no final do mês.
Cerca de 200 uruguaios desapareceram durante a ditadura, a maior parte deles sequestrados na Argentina durante operações conjuntas realizadas pelas forças de segurança dos governos militares que comandavam vários países da região à época. (Reuters/Reportagem de Patricia Avila)