por Michael Hudson
O maior problema financeiro que
dilacerou economias ao longo do século passado estava mais do lado da dívida
oficial inter-governamental do que do da dívida do sector privado. Eis porque a
economia global de hoje enfrenta uma ruptura semelhante à de 1929-31, quando
ficou evidente que o volume de dívidas oficiais inter-governamentais não podia
ser reembolsado. O Tratado de Versalhes impôs reparações impossíveis à Alemanha
e os Estados Unidos impuseram exigências igualmente destrutivas aos Aliados
quanto ao pagamento de dívidas [pelo fornecimento] de armas utilizadas na I
Guerra Mundial. [1]
Há procedimentos legais bem estabelecidos para enfrentar bancarrotas corporativas e pessoais. Tribunais cancelam parcialmente (write down) dívidas de pessoas e de negócios tanto sob o procedimento "devedor no controle" como pelo arresto e os credores assumem uma perda sobre empréstimos que correram mal. A bancarrota pessoal permite a indivíduos retomarem a vida.
É muito mais difícil cancelar parcialmente dívidas possuídas ou garantidas por governos. A dívida de empréstimos a estudantes dos EUA não pode ser anulada, mas permanece de modo a impedir os diplomados de ganharem o suficiente para terem um salário líquido (depois de o serviço da dívida e a retenção na fonte da contribuição para a Segurança Social ser deduzida dos seus cheques de pagamento) de modo a casarem, constituírem família e comprarem casas para