6 maio 2016, Brasil 247 http://www.brasil247.com (Brasil)
Paulo Moreira Leite, Jornalista, escritor e diretor do 247 em Brasília
Ao afirmar que Eduardo Cunha não possui as "condições não possui as "condições mínimas"
para assumir as responsabilidades como presidente da Câmara de Deputados, o
ministro Teori Zavascki reafirmou o óbvio mas ficou devendo a explicação
essencial. Entre os mais de 200 milhões de brasileiros, Zavascki era o único
legalmente capacitado para impedir que um personagem definido como "delinquente"
pelo Procurador Geral da República Rodrigo Janot pudesse seguir no
exercício de suas atividades.
Se não pode permanecer a frente da
instituição depois de 5 de maio de 2016, um dia igual a tantos outros nestas
jornadas estranhas e turbulentas que estamos vivendo depois que a oposição
sofreu sua quarta derrota consecutiva em eleições presidenciais, é preciso
esclarecer por que Eduardo Cunha teve o direito de permanecer em seu posto até
aqui. Foi isso, e apenas isso, que lhe permitiu exercer seus poderes em
plenitude em 17 de abril, data em que orquestrou, detalhe por detalhe, minuto a
minuto, os passos que conduziram a abertura do processo de impeachment contra a
presidente Dilma Rousseff. Não se tratava, como sabemos todos, de um
movimento banal, mas de um passo gravíssimo, capaz de jogar o país numa crise
institucional, abrindo um período de retrocesso político e ameaça as liberdades
e direitos conquistados após a democratização.
Cunha era réu na Lava Jato, naquele momento. Nessas
condições, não tinha isenção nem imparcialidade para seguir em sua atividade.
Autoridades sob suspeita, aprende-se nos cursos de Direito, devem ser impedidas
de apurar crimes e investigar denúncias. Isso porque lhes falta imparcialidade
para