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quinta-feira, 7 de julho de 2011

Mercosul/XLI CÚPULA: PASSO ADIANTE PELA INTEGRAÇÃO

5 junho 2011/Pátria Latina http://www.patrialatina.com.br

Assunção, Paraguai (Prensa Latina) Com 20 anos às costas, não exentos de contradições, vicissitudes, vitórias e defeitos, o Mercado Comum do Sur (Mercosul) celebrou no Paraguai a XLI Cúpula sob a consígnia de seguir avançando à integração. Estas duas décadas decorridas serviram aos mandatários membros do bloco: Dilma Rousseff (Brasil), José Mujica (Uruguai) e Fernando Lugo (Paraguai), e ao sócio Rafael Correia (Equador), para refletir sobre os avanços e quanto falta ainda por percorrer num mundo a cada vez mais complexo em todos os âmbitos.

O quarto integrante pleno do esquema, Argentina, não compareceu à cita por se encontrar sua presidenta, Cristina Fernández, sob prescrição médica.

Junto aos chefes de Estado dantes mencionados, assistiram ao conclave chanceleres, ministros de Economia-Fazenda e Indústria e Comércio, Presidentes de Bancos Centrais dos Estados partes e sócios, e representantes de organismos internacionais.

Entre os convidados especiais estiveram os titulares de Relações Exteriores de Japão, Takeaki Matsumoto, e Patricia Espinosa, do México.

Antes da cúpula sessionou a reunião do Conselho do Mercado Comum (CMC) onde foram perfilados os documentos que aprovaram os dignatários.

O CMC aprovou, entre outras coisas, a liberdade de trânsito de mercadorias no Mercosul e a criação de um grupo de alto nível para supervisionar a eliminação da Dupla Cobrança e Distribuição da Renda Alfandegária.

A primeira destas decisões permitirá que as mercadorias e os meios de transporte terrestre e fluvial dos Estados partes do bloco "gozem de liberdade de trânsito dentro dos territórios" dos demais países.

Esta iniciativa foi impulsionada por Paraguai durante a presidência pró tempore, que entregou a Uruguai ao finalizar a reunião, e tem por objetivo garantir o livre fluxo do comércio internacional pelas vias de deslocação no espaço comunitário.

Vinte anos de avanços e retrocessos

Os discursos dos presidentes estiveram centrados em reconhecer a vitalidade do Mercosul enquanto mecanismo de integração, que tem deixado atrás suas origens iniciais de se constituir apenas em mercado comum.

São 20 anos de agregação, experiências e avanços, "mas também temos retrocessos", afirmou Lugo no discurso inaugural.

A persistência das profundas assimetrias -enfatizou- não têm podido ser superadas plenamente neste período de vida institucional.

O governante paraguaio disse que as duas décadas decorridas chamam a uma pausa para refletir "sobre o presente e o futuro de nosso processo de integração".

Esta Cúpula é uma ocasião propícia, em um momento privilegiado de nossa construção, para propor-nos a superar erros, disse.

Recordou que os pilares em que se fundou o bloco de integração em 1991 estão insertos no priemiro artigo do Tratado de Assunção, referente à livre circulação de bens e mercadorias, a qual, opinou, "não se esgota em seu aspecto comercial".

O mandatário considerou que o livre acesso aos mercados dos países membros tem uma significação política e de solidariedade profundas, ao ser o signo da democratização das relações comerciais e econômicas entre os Estados partes.

Garantir o livre acesso aos mercados é garantir o fortalecimento de nosso bloco de integração, de forma que travas e obstáculos "não farão mais que retardar o clamor de nossos povos por um desenvolvimento social e por uma integração com solidariedade".

Lugo fez um chamado a avançar decididamente para a eliminação dos problemas históricos de assimetrias e desigualdades de desenvolvimento no interior do Mercosul.

Mujica manifestou que talvez circulem com liberdade as mercadorias e os homens pelo Mercosul, "se previamente circulem por nossas cabeças as ideias da liberdade".

Isso significa, acrescentou, interpretar de forma parecida à época e o mundo que nos toca viver e, sobretudo, para onde vamos.

O dignatario uruguaio remarcou que nesse mundo que está por vir "sobreviverão os fortes, e a lei de ser fortes, para os pequenos, é se juntar".

Destacou que a mensagem do Mercosul é a unificação de América do Sul no marco de sua economia e sua autodefesa.

Ao referir-se ao Mercosul disse que em realidade este não é uma meta, mas sim um meio para tentar juntar os latinoamericanos ao redor, mas para poder chegar bem, assinalou, "devemos tentar andar o mais juntos que possamos".

Este esquema de integração -agregou- tem de ser um convite a seguir somando e somando. Simultaneamente, advogou pela incorporação da Venezuela "o mais cedo" ao bloco, "porque é uma das maneiras de enfrentar as assimetrias".

"O Brasil não tem a culpa de ser tão grande, nem nós temos a culpa de ser tão pequenos. Mas não podemos chorar, isto se arranja multiplicando os atores", assegurou.

O negócio das assimetrias arranja-se convidando a muitos outros para dançar conosco, e esses muitos outros virão se lhes convém. E para que lhes convenha há que ter garantias e nos respeitar, sustentou.

A presidenta brasileira, por sua vez, mencionou uma série de vitórias atingidas em 20 anos, como a consolidação da democracia, a qual disse, "ainda é imperfecta".

Recordou que tão só em o 2010 foi aprovado o Código Alfandegário, se lançou o acordo de investimento e criou o protocolo de Contratações Públicas, além de avançar no crescimento científico e tecnológico, como base para a tecnologia do conhecimento.

Rousseff afirmou que os 20 anos do Mercosul são exemplo de que pode ser avançado, integrados, "mas se precisa promover mais a integração nas correntes produtivas de médio e grande porte, que abrem possibilidades de negociar e ampliar o mercado".

Nesse sentido propôs investir e integrar a região em setores estratégicos como energia, petróleo e indústria automotriz, começando pela tecnologia e inovações.

Fez um chamado, igualmente, a estimular ao bloco para o crescimento e desenvolvimento com a geração de empregos, avançar em venda e colocação de produtos, e instou a aproveitar o momento excepcional de desenvolvimento da região.

O equatoriano Rafael Correia, em tanto, propôs construir na América Latina processos de integração que façam frente "aos abusos do capital".

Da mesma maneira pediu terminar com a autonomia dos bancos centrais, ao constituir-se esta em esquema montado para manter a ordem vigente.

Qualificou de absurdo que nossos países tenham que colocar suas reservas monetárias em bancos de países desenvolvidos percebendo juros do um por cento, os quais terminam emprestando esse mesmo dinheiro a taxas de cinco a sete por cento.

Documentos finais

No texto final os presidentes dos Estados partes do Mercosul e países associados reafirmaram o compromisso de aprofundar esse esquema de integração em suas dimensões política, econômica, produtiva, social, educativa, cultural e cidadã.

Os dignatários reiteraram, ademais, o compromisso com os valores, instituições democráticas e com o Estado de Direito, e sublinharam a não injerência em assuntos internos.

Destacaram que o processo de integração na área política permitiu "fortalecer os laços históricos e culturais, coordenar iniciativas conjuntas no campo regional e internacional, bem como avançar no desenho de políticas públicas regionais".

Assim mesmo coincidiram em que a consolidação do Mercosul contribuirá a atingir um desenvolvimento integral, erradicar a pobreza e assegurar a conformação de sociedades mais justas, inclusivas e equitativas.

Os chefes de Estado manifestaram o respaldo ao avanço da integração energética regional, bem como à plena potestade dos Estados de dispor livremente de seus recursos energéticos.

Ao respeito, lamentaram que Estados Unidos decidisse impor sanções de caráter unilateral que afetam à indústria petrolera venezuelana e observaram com preocupação que as mesmas podem ter um impacto econômico e social negativo para esse país.

O documento sublinhou que a adoção de medidas unilaterais não resulta compatível com a resolução das Nações Unidas, e chamaram a solucionar "o quanto antes" velhas disputas de soberania, entre elas a de Argentina e Reino Unido pelas Ilhas Malvinas.

Os Presidentes reafirmaram seu compromisso na luta contra o terrorismo em todas suas formas e manifestações, e na cooperação para a prevenção dos atos de terrorismo, evitar a impunidade para quem os cometam e proteger às vítimas de ditos atos.

Também se congratularam pela entrada em vigor do Tratado Constitutivo da União de Nações Sul-americanas, o 11 de março passado, ao ser ratificado pelo Uruguai.

Em outro documento divulgado, os governantes recusaram as lamentáveis declarações do Ministro de Defesa britânico, com respeito à disposição de aviões de combate e poder naval na zona das Ilhas Malvinas.

Afirmaram que com declarações "deste timbre" o Reino Unido da Grã-Bretanha continua ignorando os chamados da comunidade internacional para resolver a disputa de soberania".

Os Estados partes do Mercosul e países associados reiteraram seu respaldo "aos legítimos e imprescriptíveis direitos" da Argentina sobre as Ilhas Malvinas, Georgias do Sul e Sandwich do Sul e os espaços marítimos circundantes.

Cúpula Social

Paralela à reunião de Presidentes sessionou a IX Cúpula Social do Mercosul com a participação de organizações e ativistas sociais, camponeses, indígenas e comunitários.

Ao inaugurar este encontro popular, o ministro paraguaio de Relações Exteriores, Jorge Lara, destacou o momento histórico que vive América Latina e, especialmente a região, com os movimentos sociais como protagonistas das grandes mudanças em a cada um de nossos países.

Estamos em um momento em que após tantos anos se instala definitivamente aquela ideia de integração que sonharam nossos próceres da independência, afirmou.

Saúde, mudança climática, igualdade de gênero, deficiência, comunicação, educação, desportos, povos originarios e afrodescendientes, trato de pessoas, migrações, tecnologias, sociais, integração e soberania energética, foram os temas instalados em 18 mesas de trabalho.

O chefe de Promoção e Intercâmbio de Políticas Sociais Regionais do Instituto Social do Mercosul, Mariano Nascone, assegurou em entrevista com Prensa Latina que esta reunião foi um fato essencial para poder consolidar todo o que se vem fazendo desde edições anteriores.

Disse que o trabalho é muito forte, são muitas as áreas temáticas, mas se está trabalhando para retomar o acumulado e ver como se podem solidificar e aprofundar o atingido.

Nascone comentou que se trabalha em como adotar e reduzir a brecha entre a estrutura do Mercosul, e por outro lado, a das organizações sociais e comunitárias que trabalham desde os diferentes países.

O jovem argentino recordou que o Instituto Social tem um papel muito forte em buscar as sinergias e potencialidades entre todo esse acumulado dentro do espaço do Mercosul.

Ao finalizar a Cúpula Estela Carlotto, presidenta da Associação Avós da Praça de Maio, foi declarada Cidadã Ilustre do Mercado Comum do Sur, segunda em receber a alta distinção, após o escritor uruguaio Eduardo Galeano, quem recebeu-a em 2008.

"Graças à vida porque tenho podido dar o que não pensava dar, estar em os lugares que jamais sonhei. É um sonho de um primeiro inferno onde agora estamos passando ao céu, à felicidade de nossos povos", expressou ao receber a condição.


sexta-feira, 24 de junho de 2011

Argentina/Avós da Praça de Maio apresentam candidatura ao Nobel da Paz


Banco de dados genéticos armazena as amostras de sangue de todas as avós de crianças desaparecidas (Foto: AFP)

23 junho 2011/Terra Brasil http://noticias.terra.com.br

Integrantes da associação Avós da Praça de Maio assistiram nesta quinta-feira na sede da ONU de Genebra a apresentação da candidatura da entidade ao Prêmio Nobel da Paz, lançada por uma ONG para reconhecer a luta delas para encontrar os filhos assassinados durante a ditadura argentina.

Na emocionante cerimônia estava presente a presidente das "Avós", Estela de Carlotto, assim como uma das netas resgatadas das mãos da família do militar que a roubou após assassinar seus pais, Victoria Montenegro.

Estela afirmou que, embora o Nobel seria uma "grande alegria", o melhor prêmio são cada um dos 103 netos já encontrados, mas lembrou que ainda falta localizar outros 400 netos.

"A tarefa é difícil e com toda certeza, quando todos forem localizados, nós já não estaremos aqui para vê-lo, mas deixaremos o testemunho aos nossos outros filhos e netos porque isto é uma luta coletiva", afirmou.

Para ajudar no trabalho, as avós criaram o Banco Nacional de Dados Genéticos, onde estão armazenadas as amostras de sangue de todas as avós de crianças desaparecidas, para permitir a investigação dos casos que surgirem no futuro, inclusive após a morte delas.

Estela, de 80 anos, continua à procura de seu neto, que neste completaria 33 anos e ao que sua filha Laura, assassinada pelos militares, batizou como Guido, uma busca que não vai cessar até sua morte.

"Nós avós, cada vez estamos mais velhinhas, mas, embora caminhemos devagar, o coração e a cabeça estão fortes. A tenacidade de uma avó ou de uma mãe não se perde com o passar dos anos", admitiu.

Apesar das trágicas histórias que estão por trás das Avós da Praça de Maio, também há espaço para a esperança, como se reflete no caso de Victoria Montenegro, uma das netas encontradas que resgatou sua identidade e conheceu a verdade sobre o que aconteceu com seus pais biológicos.

Victoria nasceu em 31 de janeiro de 1976. Treze dias depois do sequestro de seus pais, e posteriormente assassinato deles, ela se transformou em filha de um coronel do Exército, o mesmo que ordenou matar seus progenitores.

Segundo contou nesta quinta-feira, até os 25 anos não sabia que havia sido criada pelo assassino de seus pais e quem até então a fizeram acreditar que o tema dos desaparecidos era uma farsa e que as Avós da Praça de Maio eram "velhas loucas que queriam destruir sua família cristã".

"Descobrir a verdade é muito duro porque acaba odiando a tua família, a que até então você amava, e inclusive odeia a si mesma, já que sentes que é parte de seu próprio inimigo", relatou.

Victoria agradeceu o apoio das Avós porque graças a seu "carinho" e ao trabalho de sua equipe de apoio psicológico, encontrou forças para recuperar sua identidade e o orgulho de usar o sobrenome de seus pais verdadeiros.

"Graças às Avós a memória dos meus pais continua viva, apesar da existência de um regime horrível que tentou eliminá-los para sempre. A elas devemos o que somos", disse.

A fim de promover a candidatura foi criada a ONG "Avós com a Paz", uma iniciativa civil para divulgar o trabalho das avós de esclarecer os casos de crianças roubadas na ditadura militar da Argentina (1976-1983), na qual desapareceram mais de 30 mil pessoas e 500 crianças foram sequestradas ou nasceram no cativeiro.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Argentina/10 mil apoiam lançamento do furacão Cristina Kirchner

Vermelho / 22 Julho2007
Evita Perón não pôde ser a candidata a vice-presidente da Argentina de seu marido, Juan Domingo Perón, em 1952 devido a pressões de seu partido e dos militares. Mas Cristina Fernández, a mulher do atual chefe de Estado, Néstor Kirchner - ambos peronistas que renegam a estética peronista -, iniciou nesta sexta (21) sua corrida para a presidência da Argentina, a ser decidida nas eleições de outubro próximo.

Com seu tom impetuoso, Cristina Fernández de Kirchner pediu um "diálogo social" entre trabalhadores e empresários para continuar com o "modelo de acumulação e inclusão social" que seu marido iniciou há quatro anos, quando a Argentina começava a sair de sua última crise política, social e econômica.

Fernández de Kirchner começou sua campanha em La Plata - a 60 km ao sul de Buenos Aires -, cidade onde nasceu há 54 anos e onde conheceu Kirchner quando eram estudantes universitários. Ela dedicou ao marido, à beira das lágrimas, o final de seu discurso. Ele, sentado no palco junto com seus ministros, escutava com a mão direita na boca.

Diante dos que julgam nepotismo que o presidente indique sua mulher como candidata a sucedê-lo, ela reivindicou o gesto de seu marido não tentar a reeleição. "Não é comum que alguém com mais de 70% de opinião pública positiva e com mais de 50% de intenções de voto decida não continuar. Essa é a mudança mais importante: a das próprias condutas. Você tem autoridade não por ser bravo, mas pelo que fez e faz. Também não pense que é algum herói, mas também não é um homem comum. Os argentinos não vão esquecê-lo e espero, em um exercício de egoísmo pessoal, que não sintam muita saudade sua", ela disse, enquanto os 2 mil peronistas que enchiam o moderno Teatro Argentino aplaudiam de pé.

Senadora e primeira-dama
A senadora e primeira-dama, vestida com um terno marfim e saltos altos, falou de um palco montado, sobre o qual caíam pequenos papéis azuis e brancos, as cores da bandeira argentina.

Horas antes do ato, na estrada de Buenos Aires a La Plata, acumulavam-se os ônibus que levavam pessoas dos bairros pobres para o comício. Mas os 10 mil militantes com bandeiras argentinas, imagens de Evita e o clássico tambor peronista permaneceram fora do teatro. Seguidores de diversos candidatos a prefeitos de municípios da província de Buenos Aires se enfrentaram com paus e pedras para ocupar os primeiros espaços na mobilização. Cerca de 350 policiais os vigiavam e barreiras impediam o acesso ao teatro, alugado pelo partido peronista.

No interior, sentaram-se os funcionários públicos, dirigentes políticos, sociais, avós e mães da Praça de Mayo e jornalistas, que precisaram se credenciar na Secretaria de Comunicação e retirar seus passes na Casa de Governo da província. Antes de subir ao palco, Fernández de Kirchner foi apresentada como "senadora e futura presidente dos argentinos".

Nunca uma mulher foi eleita presidente deste país da América do Sul, região onde já governa Michelle Bachelet no Chile. Só uma mulher ocupou a presidência argentina e foi uma experiência traumática: a terceira esposa de Perón, Isabelita, que foi eleita vice-presidente em 1973 e que, depois de enviuvar, governou entre 1974 e 1976.

Mulheres e economia
Cristina, como chamam a candidata, salientou o papel de outras mulheres na história argentina: "Não é por acaso que durante a ditadura foram as mulheres que puseram panos brancos nas cabeças para buscar os desaparecidos políticos". Em seu discurso a candidata disse que vinha falar das três "construções" em que se baseou o governo de Néstor Kirchner e sobre as quais ela se apoiaria: "A reconstrução do Estado democrático constitucional; a construção do modelo econômico e social; e a construção cultural para recuperar a auto-estima perdida".
Quanto ao Estado democrático e constitucional, a senadora destacou que os três poderes recuperaram seus papéis. Lembrou que antes o Poder Legislativo votava leis por pressão do Fundo Monetário Internacional, dos subornos -como quando foi votada a flexibilização trabalhista - ou dos militares nas ruas - como quando foram votadas as leis de perdão para os que cometeram violações de direitos humanos na última ditadura militar (1976-1983).

Também apontou contra a Suprema Corte por "aprovar a depredação do Estado", referindo-se às reformas econômicas neoliberais da década passada. Lembrou que nos últimos anos foram derrubadas as leis do perdão e os indultos à cúpula da ditadura.

Quanto à política econômica e social, disse que seu "modelo de acumulação e inclusão social é a outra face do modelo de transferência neoliberal dos anos 90". Perguntou-se qual é a razão pela qual o governo de seu marido reduziu o desemprego e a dívida, aumentou os salários e se "livrou" do FMI, ao cancelar o passivo com esse organismo. Ela mesma respondeu que foi pelo modelo de "claro perfil industrial" com que a agricultura conseguiu colheitas históricas e se iniciou um "processo de reindustrialização". Mas não esqueceu que ainda persiste a pobreza, que atinge 27% dos argentinos. (Fonte: El País)


Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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