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quinta-feira, 13 de agosto de 2015

COMO BANCOS TORNARAM-SE AMEAÇA GLOBAL

13 agosto 2015, Página Global http://www.paginaglobal.blogspot.com (Portugal)

Joseph Stiglitz, Outras Palavras. Tradução: Inês Castilho

Nobel de Economia alerta: sob hegemonia do Ocidente, sistema financeiro bloqueia metas da ONU, sabota inovações dos BRICS e quer, agora, punir países que promovam mudanças sociais.

A III Conferência Internacional de Financiamento para o Desenvolvimento reuniu-se recentemente na capital da Etiópia, Adis Abeba. A conferência aconteceu num momento em que os países em desenvolvimento e mercados emergentes demonstraram capacidade para absorver produtivamente enormes volumes de recursos. As tarefas que esses países estão assumindo – investindo em infra-estrutura (estradas, geração de energia, portos e muito mais), construindo cidades onde um dia viverão bilhões de pessoas e movendo-se em direção a uma economia verde – são verdadeiramente enormes.

Ao mesmo tempo, falta no mundo dinheiro que possa ser utilizado produtivamente. Poucos anos atrás Ben Bernanke, então presidente do Federal Reserve (Banco Central) dos EUA, falou sobre o excesso de poupança global. Apesar disso, projetos de investimento com elevado retorno social estavam parados por falta de fundos.Isso continua sendo verdade hoje. O problema, à época e agora agora, é que os mercados financeiros

terça-feira, 23 de julho de 2013

Brasil/Em discurso de boas-vindas ao Papa, Dilma destaca luta em comum contra a desigualdade



22 julho 2013, Blog do Planalto http://blog.planalto.gov.br (Brasil)

A presidenta Dilma Rousseff afirmou, em discurso de boas-vindas ao Papa Francisco, que chegou nesta segunda-feira (22) ao Brasil para a Jornada Mundial da Juventude, que é uma honra receber um líder religioso sensível aos anseios por justiça social. Segundo Dilma, o governo brasileiro e a Igreja Católica lutam contra um inimigo comum, a desigualdade.

“A crise econômica que desemprega e retira oportunidade de milhões pelo mundo afora nos obriga a um novo senso de urgência para combater a desigualdade. A participação de Vossa Santidade, um homem que veio do povo latino-americano, que veio da nossa irmã vizinha Argentina, agregaria mais condições para criar uma ampla aliança global de combate à fome e à pobreza, uma aliança de solidariedade, uma aliança de cooperação e humanitarismo,

Brasil/ÍNTEGRA DOS DISCURSOS DA PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF E DO PAPA FRANCISCO



22 julho 2013, Blog do Planalto http://blog.planalto.gov.br (Brasil)  
 
Nota: Mercosul & CPLP incluiu nesta matéria o discurso do papa Francisco mencionado pela presidenta Dilma na saudação ao visitante. O documento, com data de 16 de maio deste ano, tem por título “Discurso do papa Francisco aos novos embaixadores do Quirguistão, Antígua e Barbados, Grão-Ducado do Luxemburgo e Botswana por ocasião da apresentação das cartas credenciais”.

DISCURSO DA PRESIDENTA DA REPÚBLICA, DILMA ROUSSEFF, DURANTE CERIMÔNIA OFICIAL DE CHEGADA DE SUA SANTIDADE O PAPA FRANCISCO


Rio de Janeiro-RJ, 22 de julho de 2013

Sua Santidade Papa Francisco,
Senhoras e senhores,

Com grande alegria, Papa Francisco, dou-lhe as boas-vindas ao Rio de Janeiro e ao Brasil. É uma honra para o povo brasileiro recebê-lo. Honra redobrada, em se tratando do primeiro Papa latino-americano.

Sua Santidade,
O Brasil e seus mais de 50 milhões de jovens acolhem, de braços abertos, os peregrinos de dezenas de países que vieram para esta grande celebração que é a Jornada Mundial da Juventude.

Saúdo, em particular, o governo do estado do Rio de Janeiro, a prefeitura do Rio de Janeiro e a Arquidiocese do Rio de Janeiro, a quem agradeço os esforços dedicados que tornaram possível esse grande evento.

A presença de Sua Santidade no Brasil nos oferece a oportunidade de renovar o diálogo com a Santa Sé em prol de valores que compartilhamos: a justiça social, a solidariedade, os direitos humanos e a paz entre as nações. Conhecemos o compromisso de Sua Santidade com esses valores. Por seu sacerdócio entre os mais pobres, que se reflete até mesmo no próprio nome escolhido como Papa, uma homenagem a São Francisco de Assis, sabemos que temos, diante de nós, um líder religioso sensível aos anseios de nossos povos por justiça social, por oportunidade para todos e dignidade cidadã.

Lutamos contra um inimigo comum: a desigualdade, em todas as suas formas. Essa convergência orienta o diálogo do Estado brasileiro com todas as religiões, um diálogo marcado pelo respeito à liberdade de crenças e de culto e pela convivência com a diferença. Não poderia ser distinto em um país que acolheu e acolhe todas as culturas e todas as religiões.

Em seu discurso de 16 de maio, Vossa Santidade manifestou preocupação com as desigualdades agravadas pela crise financeira e o papel nocivo das ideologias que defendem o enfraquecimento do Estado, reduzindo sua capacidade de prover serviços públicos de qualidade para todos. Manifestou sua preocupação com a globalização da indiferença, que deixa as pessoas insensíveis ao sofrimento do próximo.

Compartilhamos e nos juntamos a essa posição. Estratégias de superação da crise econômica, centradas só na austeridade, sem a devida atenção aos enormes custos sociais que ela acarreta, golpeiam os mais pobres e os jovens, que são pelo mundo afora as principais vítimas do desemprego. Geram xenofobia, violência e desrespeito pelo outro.

Brasil/FRANCISCO, O PAPA PARA SE ADAPTAR A UMA IGREJA EM DECLÍNIO



22 julho 2013, EDITORIAL Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)

Qual é o significado da expressão “papa dos pobres” usada pela imprensa para referir-se a Francisco, o sucessor de Bento XVI, que inicia nesta segunda-feira (22), no Brasil, a sua primeira viagem internacional? A revista norte-americana Time tem programada, para a edição do dia 29, uma chamada de capa com uma variante dessa designação: “O papa do povo”.

A visita de Francisco ao Brasil vem repleta dos significados que envolvem, comumente, a figura do dirigente máximo da Igreja. São significados apostólicos, políticos e, sobretudo ideológicos.

A igreja católica, embora de influência declinante entre o povo, mantém grande força ideológica. Nos últimos papados (João Paulo II e Bento XVI), a igreja condenou a Teologia da Libertação e sua opção preferencial pelos pobres, cuja força cresceu durante o papado de Paulo VI (1963 a 1978). A inclinação social foi rejeitada pela cúpula da Igreja como “marxista”. O último terço de século em que a igreja foi dirigida pelos dois últimos papas foi o período do predomínio dos valores do dinheiro e da riqueza sobre o Vaticano. Neste sentido, João Paulo II e o cardeal Ratzinger (depois Bento XVI) foram campeões do neoliberalismo, como o presidente dos EUA, Ronald Reagan e a premier britânica Margareth Thatcher, que capitanearam a ascensão mundial do predomínio do dinheiro e da riqueza na preocupação dos dirigentes políticos.

João Paulo II foi um anticomunista da mesma estatura de Reagan e Thatcher, e o resultado de sua orientação “espiritual” é visível. Por um lado, representou forte aval ideológico e simbólico ao predomínio neoliberal; na outra ponta traduziu-se na série de escândalos, de toda natureza, que a cúpula da Igreja viveu nestes anos.