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sexta-feira, 14 de agosto de 2009

FIDEL COMPLETA 83 ANOS EM PLENA VIGÊNCIA


[ADITAL] Agência de Informação Frei Tito para a América Latina
14 agosto 2009/Adital http://www.adital.com.br

Com 83 anos, mais que estadista ou revolucionário, mais que um personagem sempre atual na vida dos cubanos e no pensamento de latino-americanos, Fidel Alejandro Castro Ruz é um idealista, um homem de história que vive e continua deixando marcas. Na realidade, um homem que é história.

De tudo já se falou e se escreveu sobre Fidel, e o curioso é que não deixa de ser um personagem admirável apesar da profusão de material biográfico a favor ou contra.
Milhares de enciclopédias o retratam, centenas de sites falam de sua longa existência. O que nos deixa a revisão de tanta informação, a percepção de um homem que deixou uma marca indelével nos últimos cinquenta anos.

E mais além de detratores ou defensores, está uma questão não tão simples: se já era difícil iniciar uma revolução, o mais duro foi mantê-la. "Como conseguiu?".

Há alguns fatos já conhecidos: todos os organismos internacionais, desde as Nações Unidas até o Banco Mundial, reconhecem ao uníssono que a população de Cuba é a única do Terceiro Mundo que alcançou um nível de desenvolvimento humano comparável ao dos países mais avançados. A ilha tem uma expectativa de vida mais elevada e a taxa de mortalidade infantil mais baixa do Terceiro Mundo (inclusive mais baixa do que a dos Estados Unidos). A Unicef certifica que Cuba é a única nação da América Latina que erradicou a desnutrição infantil.

Mas, para além dessas conquistas, está a figura do político, histórico e espiritual que soube se manter vigente, apesar de não estar na vida pública desde julho de 2006.
Fidel demonstrou que depois de mais de oito décadas de vida, sua lucidez e inteligência não mínguam e, através da Internet, segue presente.

As "Reflexões" que escreve desde março de 2007 servem como termômetro de sua inesgotável capacidade de análise e constitui prova fidedigna de que sua opinião, em quase 250 artigos publicados e reproduzidos ao redor do mundo, ainda é imprescindível.

Fidel Castro, o companheiro, o comandante, o líder, o pensador, completa 83 com estatura histórica fortalecida e desafiante. É a vigência plena de ideias e atitudes que pouquíssimos conseguem.

Fidel pode ser lido em www.cubadebate.cu

terça-feira, 21 de abril de 2009

NOVO MODELO DE SOCIEDADE

Se queremos tirar algum proveito da atual crise financeira, devemos pensar como mudar o rumo da história

17 abril 2009/Brasil de Fato http://www.brasildefato.com.br

Frei Betto

Ao participar do Fórum Econônico Mundial para a América Latina, a 15 de abril, no Rio, indaguei: diante da atual crise financeira, trata-se de salvar o capitalismo ou a humanidade? A resposta é aparentemente óbvia. Por que o advérbio de modo? Por uma simples razão: não são poucos os que acreditam que fora do capitalismo a humanidade não tem futuro. Mas teve passado?
Em cerca de 200 anos de predominância do capitalismo, o balanço é excelente se considerarmos a qualidade de vida de 20% da população mundial que vivem nos países ricos do hemisfério Norte. E os restantes 80%? Excelente também para bancos e grandes empresas. Porém, como explicar, à luz dos princípios éticos e humanitários mais elementares, estes dados da ONU e da FAO: de 6,5 bilhões de pessoas que habitam hoje o planeta, cerca de 4 bilhões vivem abaixo da linha da pobreza, dos quais 1,3 bilhão abaixo da linha da miséria. E 950 milhões sofrem desnutrição crônica.
Se queremos tirar algum proveito da atual crise financeira, devemos pensar como mudar o rumo da história, e não apenas como salvar empresas, bancos e países insolventes. Devemos ir à raiz dos problemas e avançar o mais rapidamente possível na construção de uma sociedade baseada na satisfação das necessidades sociais, de respeito aos direitos da natureza e de participação popular num contexto de liberdades políticas.
O desafio consiste em construir um novo modelo econômico e social que coloque as finanças a serviço de um novo sistema democrático, fundado na satisfação de todos os direitos humanos: o trabalho decente, a soberania alimentar, o respeito ao meio ambiente, a diversidade cultural, a economia social e solidária, e um novo conceito de riqueza.
A atual crise financeira é sistêmica, de civilização, a exigir novos paradigmas. Se o período medieval teve como paradigma a fé; o moderno, a razão; o pós-moderno não pode cometer o equívoco de erigir o mercado em paradigma. Estamos todos em meio a uma crise que não é apenas financeira, é também alimentar, ambiental, energética, migratória, social e política. Trata-se de uma crise profunda, que põe em xeque a forma de produzir, comercializar e consumir. O modo de ser humano. Uma crise de valores.
Desacelerada a ciranda financeira, inútil os governos tentarem converter o dinheiro do contribuinte em boia de salvação de conglomerados privados insolventes. A crise exige que se encontre uma saída capaz de superar o sistema econômico que agrava a desigualdade social, favorece a xenofobia e o racismo, criminaliza os movimentos sociais e gera violência. Sistema que se empenha em priorizar a apropriação privada dos lucros acima dos direitos humanos universais; a propriedade particular acima do bem comum; e insiste em reduzir as pessoas à condição de consumistas, e não em promovê-las à dignidade de cidadãos.
Há que transformar a ONU, reformada e democratizada, no fórum idôneo para articular as respostas e soluções à atual crise. Urge implementar mecanismos internacionais de controle do movimento de capitais; de regular o livre comércio; de pôr fim à supremacia do dólar e aos paraísos fiscais; e assegurar a estabilidade financeira em âmbito mundial.
Não haveremos de encontrar saída se não nos dermos conta de que novos valores devem ser rigorosamente assumidos, como tornar moralmente inaceitável a pobreza absoluta, em especial na forma de fome e desnutrição. É preciso construir uma cultura política de partilha dos bens da Terra e dos frutos do trabalho humano, e passar da globocolonização à globalização da solidariedade.
As Metas do Milênio e, em especial, os sete objetivos básicos do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, de 1995, devem servir de base a um pacto para uma nova civilização: 1) Escolaridade primária universal; 2) Redução imediata do analfabetismo de adultos em 50%; 3) Atenção primária de saúde para todos; 4) Eliminação da desnutrição grave e redução da moderada em 50%; 5) Serviços de planificação familiar; 6) Água apta para o consumo ao alcance de todos; 7) Créditos a juros baixos para empresas sociais.
A experiência histórica demonstra que a efetivação dessas metas exige transformações estruturais profundas no modelo de sociedade que predomina hoje, de modo a reduzir significativamente as profundas assimetrias entre nações e desigualdades entre pessoas.

Frei Betto é escritor, autor, em parceria com Luis Fernando Veríssimo e outros, de “O desafio ético” (Garamond), entre outros livros.

http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/analise/novo-modelo-de-sociedade