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sexta-feira, 20 de setembro de 2019

BRICS, China/Fui a campo medir o pulso dos protestos de Hong Kong



Pepe Escobar*


Tradução: Patrícia Zimbres

Pepe Escobar escreve sobre a crise de Hong Kong: "O drama que se desenrola em Hong Kong, na verdade, é um microcosmo do quadro mais amplo: hipercapitalismo neoliberal turbinado confrontado com zero de representação política. Esse "acerto", que só convém ao 0,1%, simplesmente não pode continuar como era antes"

O que está realmente acontecendo em Hong Kong? Para um ex-residente com profundos laços culturais e emocionais com o Porto Fragrante, é bem difícil assimilar tudo o que vem ocorrendo com base apenas em fria lógica geopolítica. O mestre cineasta Wong Kar-Wai disse uma vez que quando lhe ocorreu a ideia de Happy Together, ele decidiu filmar a história de seus personagens em Buenos Aires, porque a cidade era a mais distante possível de Hong Kong.

Há algumas semanas eu andava pelas ruas da longínqua Buenos Aires sonhando com Hong Kong. A Hong Kong a que Wong Kar-Wai se refere em sua obra-prima não existe mais. Embora lamentavelmente sem as fascinantes tomadas visuais de Christopher Doyle, acabei voltando a Hong Kong para logo descobrir que a cidade que eu conhecia também não existe mais.

Comecei minha jornada no

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Brasil/OS NOSSOS "YES, BWANA!" E OS NOVOS "HAI, BWANA!" DO FINANCIAL TIMES

29 julho 2015, Mauro Santayana http://www.maurosantayana.com (Brasil)


(Jornal do Brasil) - A imprensa brasileira destacou amplamente na semana passada o "duro" editorial da última quinta-feira do jornal inglês Financial Times sobre a crise política e econômica no Brasil, . Com o título “Recessão e politicagem: a crescente podridão no Brasil”, o texto conclui que a “incompetência, arrogância e corrupção abalaram a magia” do nosso país.

Assim como há quem se pergunte, nos moldes da sabedoria popular, de que se riem as hienas, seria o caso de se perguntar de que estava falando o Financial Times, quando chamou o Brasil de "um filme de terror sem fim", em seu editorial, prontamente reproduzido e incensado, com estardalhaço, por uma multidão de "Yes, Bwana!" nativos, prostrados -- como os antigos criados negros na frente de seus mestres estrangeiros nos filmes de Tarzan -- diante do trovejar do Grande Totem Branco do Reino Unido de Sua Majestade Elizabeth, quando ele se digna a contemplar com sua atenção este “pobre” e “subdesenvolvido” país.

Diante de tão poderoso édito e tão diligentes arautos, não há, no entanto, como deixar, também, de se perguntar:

Afinal, na economia, de que estava falando -- ou rindo, como hiena -- o Financial Times?

Se a Inglaterra, com uma economia do mesmo tamanho da nossa, tem uma dívida externa 20 vezes maior que a do Brasil, de 430% contra menos de 25% do PIB ?

Se as reservas internacionais britânicas são, também segundo o Banco Mundial, quase quatro vezes menores (107 bilhões contra 370 bilhões de dólares) que as do Brasil ?Se o déficit inglês