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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

CPLP debate em Luanda formas de atacar a Malária

Esta doença, tal como a SIDA e a tuberculose, constitui um dos principais desafios que se colocam à saúde pública

28 setembro 2009 -- A Rede de Investigação e Desenvolvimento em Saúde e Malária (Rides) da CPLP reúne-se hoje e amanhã no Hotel Marinha, em Luanda, para discutir sobre a doença, tendo em conta o grande impacto no desenvolvimento socioeconómico dos respectivos países.

Neste âmbito, fonte da organização disse hoje à Angop, que devido à situação da malária, urge a necessidade de os países membros adoptarem estratégias comuns para a prevenção e combate à doença.

Durante o encontro de dois dias serão abordados os seguintes temas: " Diagnóstico e Tratamento da Malária nos países membros", "Fármaco-Vigilância", "Luta anti-vectorial", "Resistência aos insecticidas" e "Parcerias e desenvolvimento" e a discussão do plano de trabalhos 2010-2011.

Além de membros da Rides, estarão também presentes os convidados James Banda, da Roll Back Malária OMS/Genebra, Leonel Pontess, ponto focal para a Iniciativa Fazer Recuar a Malária (RBM) para a África Central, e o ministro da saúde na Namíbia como observador.

Iniciada em 2006 por ocasião do 1º encontro de Medicina Tropical de Países de Língua Portuguesa, a RIDES é constituída por instituições de Portugal, Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste e é financiada pela CPLP.

Apoia a formação de comissões técnicas e científicas nos países membros para estudos em malária e resistência aos anti-maláricos, aumentar a disseminação de informação sobre resistência aos anti-paludicos e disponibilizar os mesmos aos países membros.

Padronização de manual de boas práticas existente para monitoramento da resistência aos anti-maláricos, optimizar a componente de detecção e controle da resistência dos programas de vigilância epidemiologica da malária dos países membros, formar pessoal técnico e de nível superior, em programas multilaterais, com cronograma, ementa e conteúdos definidos, incluindo temas de ordem científica, técnica, de gestão e éticos são outros objectivos.

A Rides tem ainda como metas produzir e divulgar evidência médica que apoie o processo de decisão dos órgãos competentes de cada país no que se refere aos programas de terapêutica da malária, apoiar cursos de promoção académica, como mestrado, doutorados, cursos de especialização, bem como a implementação de técnicas laboratoriais nas instituições locais.

A malária é uma doença que envolve risco de vida, provocada por parasitas específicos, transmitidos por mosquitos. Há muito tempo considerava-se que esta doença era provocada pelo ar fétido dos pântanos, daí o nome “malária”, que significa “mau ar”.

Em 1880, o Dr. Laveran, um cirurgião do exército Francês colocado na Argélia, descobriu e descreveu pela primeira vez o parasita unicelular da malária, denominado Plasmodium falciparum, nos glóbulos vermelhos. Mais tarde descobriu-se que este plasmódio é transmitido de um indivíduo ao outro pela picada do mosquito Anopheles fêmea, que necessita de sangue para alimentar os ovos.

Existem quatro tipos de malária humana - Plasmodium vivax, Plasmodium falciparum, Plasmodium malariae e Plasmodium ovale. P. vivax and P. falciparum são as formas mais comuns, sendo P. falciparum o tipo mais mortífero da infecção.

Os sintomas surgem aproximadamente 9 –14 dias após a picada do mosquito Anopheles, embora este intervalo possa variar com o tipo de plasmódio. Os sintomas típicos da infecção pela malária são febre, dores de cabeça, vómitos e outros sintomas idênticos aos da gripe. Se não for tratada, a infecção poderá progredir rapidamente e colocar em risco a vida do doente.

A malária pode matar ao infectar e destruir os glóbulos vermelhos (anemia) e bloquear os capilares que transportam sangue para o cérebro (malária cerebral) ou outros órgãos importantes.

A malária, assim como o VIH/SIDA e a tuberculose, constitui um dos principais desafios que se colocam à saúde pública, restringindo dramaticamente o desenvolvimento económico nos países mais pobres do mundo.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Portugal/Cientistas lusos descobrem proteção natural contra malária

Lisboa, 17 agosto 2009 (Lusa) - Uma equipe de pesquisadores do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC) descobriu que um remédio com efeitos idênticos aos de uma enzima natural protege contra formas graves da malária sem favorecer o aparecimento de estirpes resistentes do parasita.

A descoberta, descrita num estudo publicado nesta segunda-feira pela revista norte-americana Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), teria implicações diretas no tratamento desta doença causada pelo Plasmodium e que é uma das principais causas de mortalidade a nível mundial.

Miguel Soares e a sua equipe do Laboratório de Inflamação do IGC já tinham observado anteriormente que a multiplicação do parasita dentro dos glóbulos vermelhos leva à sua ruptura e à libertação de hemoglobina no sangue, onde por sua vez liberta os chamados grupos heme, causadores dos sintomas graves da doença.

No estudo agora publicado, os cientistas mostram que ratos infectados com o parasita produzem níveis elevados da enzima heme-oxigenase-1 (HO-1), que degrada os grupos heme livres e, deste modo, protege ratos infectados das formas mais graves de malária.

O mesmo efeito desta enzima pode ser obtido através da administração a ratos infectados do fármaco anti-oxidante N-acetilcisteína (NAC).

O efeito anti-oxidativo da enzima HO-1 faz parte do sistema de defesa natural do hospedeiro contra o parasita da malária, pelo que lhe confere uma forte proteção contra a doença, sem, surpreendentemente, interferir diretamente com o parasita, segundo Miguel Soares.

Na sua perspectiva, "esta observação abre caminho a terapias alternativas contra a malária, que, ao contrário dos tratamentos existentes, não interfiram diretamente com o parasita mas antes reforcem o estado de saúde do hospedeiro, assegurando que seja capaz de eliminar o parasita sem pôr em risco a sua própria sobrevivência".

Outro dado importante é que o remédio poderia proteger contra formas graves da malária, salvando vidas, sem favorecer o aparecimento de estirpes de parasitas resistentes, salienta o pesquisador, num comunicado do IGC.

O seu Laboratório de Inflamação está agora investigando as implicações desta descoberta nos tratamentos de outras doenças inflamatórias.

O estudo - iniciado no contexto de um projecto transversal sobre malária da Fundação Calouste Gulbenkian - contou com o apoio financeiro da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, do projeto Xenome do 6º Programa Quadro (FP6) da Comissão Europeia e do fundo Gemi Fund (Linde Healthcare).

Miguel Soares, 41 anos, é doutorado em Biologia Celular pela Universidade de Lovaina (Bélgica) e pesquisador principal no IGC e no Laboratório Associado de Oeiras.