6 setembro 2014, Leonardo Boff http://leonardoboff.wordpress.com
(Brasil)
Já vai acalorada a campanha presidencial com uma
disputa aberta entre Dilma Rousseff, atual Presdenta e a pretendente Marina
Silva. Trata-se, na verdade, do confronto de dois projetos: a manutenção por
parte do PT de um projeto progressista, marcado por fortes políticas públicas
que permitiram integrar uma Argentina inteira na sociedade organizada. A
prática política, imposta pelas elites, era de os governos fazerem políticas
ricas para os ricos e pobres para os pobres. Mas aconteceu uma viragem em nossa
história. Alguém do povo chegou ao centro do poder e conferiu outra direção ao
Estado. Não se pode negar que o Brasil numa perspectiva geral, especialmente na
ótica dos pobres, melhorou muito. Negá-lo é mentir à realidade.
A este
projeto progressista se opõe o que a candidata Marina chama de “nova política”.
Quando observada de perto, porém, não passa de um projeto conservador e velho
que beneficia os já beneficiados e que alinha o país à macroeconomia voraz que
faz com que 1% dos americanos possua o equivalente ao que juntos 99% da
população ganha. Esse projeto visa a conter o processo progressista,
evidentemente, sem anulá-lo, porque haveria, sem dúvidas, uma rebelião popular.