29 julho 2014, Resistir.info http://www.resistir.info (Portugal)
11 July 2014, John Pilger.com
http://johnpilger.com (UK)
por John Pilger
Na noite passada assisti à peça "1984", de George Orwell,
encenada num teatro de Londres. Embora clamasse por uma interpretação
contemporânea, a advertência de Orwell acerca do futuro foi apresentada como
uma peça datada: remota, não ameaçadora, quase reconfortante. Era como se
Edward Snowden nada houvesse revelado, como se o Big Brother não fosse agora um
espião digital e como se o próprio Orwell nunca houvesse dito: "Para ser
corrompido pelo totalitarismo, basta ter de viver num país totalitário".
Aplaudida pelos críticos, a produção cuidadosa foi uma medida dos nossos tempos culturais e políticos. Quando a luzes acenderam, as pessoas já estavam a sair. Pareciam impassíveis, ou talvez outras distracções as chamassem. "Que mindfuck ", disse uma jovem, a ligar seu telemóvel.
Quando sociedades avançadas são despolitizadas, as mudanças são tanto subtis como espectaculares. No discurso diário, a linguagem política é
Aplaudida pelos críticos, a produção cuidadosa foi uma medida dos nossos tempos culturais e políticos. Quando a luzes acenderam, as pessoas já estavam a sair. Pareciam impassíveis, ou talvez outras distracções as chamassem. "Que mindfuck ", disse uma jovem, a ligar seu telemóvel.
Quando sociedades avançadas são despolitizadas, as mudanças são tanto subtis como espectaculares. No discurso diário, a linguagem política é