Tráfico de escravos pintado num quadro de George
Morland/Museu das Artes Africanas e Oceánicas, Paris
Os cálculos mais conservadores
indicam que pelo menos 12 milhões de africanos foram sequestrados na costa
ocidental do seu continente e transportados em barcos negreiros europeus até às
colónias da América, entre os séculos XVI e XVIII. Nem todos sobreviveram a
travessia e aqueles que chegaram com vida, trabalharam em condições de
escravatura nas plantações dos impérios da Espanha, Inglaterra, Holanda, França
e Portugal no Novo Mundo. As nações que integram a Comunidade do Caribe
(Caricom) atribuem a origem da sua actual pobreza material à escravatura e ao
genocídio perpetrado naqueles tempos. Por isso, decidiram levantar um processo
jurídico contra a Inglaterra, Espanha, França, Holanda e Portugal, reclamando
uma compensação económica e de investimento em planos de desenvolvimento.
“Estamos a enquadrar a exigência
das reparações numa discussão sobre o desenvolvimento. Não estamos a falar de
uma confrontação, mas se necessário levaremos o nosso caso para a Corte
Internacional de Justicia para negociar”, explicou a historiadora Verene
Sheperd, que