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sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Immanuel Wallerstein, o critico da globalização, lança "O universalismo europeu" no Brasil *

“Immanuel Wallerstein destaca-se como um dos maiores críticos da globalização capitalista e da política internacional dos Estados Unidos, ao lado de intelectuais como Noam Chomsky e Pierre Bourdieu.” – Luiz Alberto Moniz Bandeira

A retórica das potências dominantes para justificar seu império é o tema deste novo livro do sociólogo norte-americano Immanuel Wallerstein. Como os poderosos criam narrativas e conceitos que justificam ataques com interesses econômicos e geopolíticos contra outros países? Com apresentação de Luiz Alberto Moniz Bandeira, a obra analisa, entre outros casos, as raízes da mentalidade dos neoconservadores na defesa da Guerra do Iraque e os paradoxos, limites e contradições das chamadas “intervenções humanitárias”, como as que ocorreram em Kosovo e a missão que o Brasil hoje lidera no Haiti; além da farsa do conceito conhecido como “choque de civilizações”.

O “universalismo europeu” do título é o falso universalismo, em torno das idéias igualitárias da modernidade, como direitos humanos e democracia, usadas, no entanto, para reafirmar uma pretensa superioridade dos países do eixo ocidental (Europa–Estados Unidos), que justificaria suas intervenções militares. No primeiro capítulo, “Quem tem o direito de intervir?”, Wallerstein parte de um debate ocorrido na Espanha, no século XVI, logo após a descoberta da América, entre Bartolomé de las Casas e Juan Ginés de Sepúlveda. Ambos discutiram sobre que direito tinham os conquistadores espanhóis contra os povos indígenas. Para Wallerstein, desde Sepúlveda, defensor de massacres em nome da cristianização, as bases da defesa de intervenções militares são as mesmas. E suas razões de fundo, naquele caso a tomada das riquezas das terras do novo mundo, também. A luta de Las Casas no interior da Corte espanhola para mostrar que o mal infligido pela guerra era muito maior que o pretenso bem de suas justificativas, estava condenada porque questionava a maneira como o próprio poder imperial se legitima e se estrutura.

No segundo capítulo, o autor mostra de que modo o Orientalismo foi usado no período colonial para estabelecer uma relação de superioridade cultural com sociedades complexas, e em muitos casos de raízes muito mais antigas que a ocidental, da Ásia e do norte da África. Retoma a importância da luta anticolonial contra o Orientalismo e a trajetória de dois intelectuais fundamentais – o egípcio Anouar Abdel-Malek e o palestino Edward Said – no desmonte do “particularismo essencialista” que, por meio de estereótipos e de generalizações, caracteriza o outro sempre como o atrasado e assim retira seu direito à autodeterminação.

Wallerstein estuda ainda a separação entre o humanismo e o saber científico na academia, o que gerou o “último e mais poderoso dos universalismos europeus”: o científico, a ciência como verdade. A produção do saber desligada de objetivos do bem comum, com a universidade como ator do mercado e legitimadora acrítica do poder. A superioridade técnica de um povo sobre outro entendida como direito de dominação.

No último capítulo, Wallerstein discute o papel do intelectual no mundo de hoje, em um sistema capitalista que o autor considera em crise final. Diante do risco de um novo mundo ainda mais cruel, desigual, e hierárquico, Wallerstein analisa os becos sem saída do pós-modernismo, e a necessidade e as possibilidades da construção de um universalismo não-europeu, mas de fato universal, para uma outra ordem mundial.

Sobre o autor Immanuel Wallerstein nasceu em Nova York (Estados Unidos), em 1930. É doutor em Sociologia pela Universidade Columbia, onde lecionou. Foi também professor na Universidade McGill (Canadá) e na Universidade Binghamton, em sua cidade natal. Desde 2000, é pesquisador-sênior do Departamento de Sociologia da Universidade Yale. Estudioso do marxismo e crítico do capitalismo global, é uma das principais referências teóricas dos movimentos antiglobalização.

Recolha de Martinho Júnior/Adaptação PU

http://pagina-um.blogspot.com/2007/08/livro-de-wallerstein-grande-critico-da.html

* Título de Mercosul & CPLP

terça-feira, 24 de julho de 2007

Moçambique/Lusófona atribui doutoramento «honoris causa» a Marcelino dos Santos

Lisboa, 23 Julho 2007 - O líder histórico moçambicano Marcelino dos Santos, um dos pilares da luta pela independência das antigas colónias portuguesas em África, vai receber a 31 deste mês o doutoramento "honoris causa" pela Universidade Lusófona de Portugal.

Num comunicado, a Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologia adianta que Marcelino dos Santos, um dos fundadores, em 1962, da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO, no poder desde a independência, em 1975) chega terça-feira a Lisboa para uma visita "oficial" de uma semana, a convite do estabelecimento universitário.
A 27 deste mês, Marcelino dos Santos proferirá uma conferência subordinada ao tema "O Papel de Moçambique e dos Países de Língua Portuguesa nos processos de Globalização", que decorrerá na Universidade Lusófona, em Lisboa.
A palestra será seguida de jantar e, no dia seguinte, a universidade promove um encontro de personalidades moçambicanas residentes em Portugal ligadas às artes plásticas, canto e dança, desporto, fotografia, literatura, música e teatro.
A cerimónia de doutoramento "honoris causa" decorrerá às 16:00 de dia 31, sendo Marcelino dos Santos agraciado com a distinção pelo facto de ser um dos "percursores da luta pela autodeterminação e da afirmação da identidade e soberania moçambicanas".
A iniciativa da Lusófona conta com a colaboração do Comité de Amizade Portugal/Moçambique, da Associação Moçambicana de Amizade e Solidariedade para com os Povos (AMASP) e do Fórum Cívico e de Cidadania Moçambicana em Portugal.
No dia 26, Marcelino dos Santos profere uma conferência sobre "Relações UE/África" na Universidade Lusófona do Porto, pelas 11h00. (Noticias Lusófonas)

sábado, 23 de junho de 2007

Timor-Leste / Estanislau da Silva: cooperação com a China promove desenvolvimento económico e independência

República Popular da China oferece a Timor-Leste 3 mil toneladas de arroz
Díli, 21 de Junho de 2007 - O Primeiro-Ministro, Engº Estanislau da Silva, recebeu simbolicamente 3 mil toneladas de arroz, oferecidas pela República Popular da China e destinadas a grupos vulneráveis e carenciados.

“A ajuda da China ao povo de Timor-Leste não é só de agora. Desde a resistência, a China sempre ajudou a defender o direito do povo de Timor-Leste à autodeterminação e à independência”, disse o Primeiro-Ministro na cerimónia de recepção da ajuda humanitária, realizada no Porto de Díli.

“Após 1999, a ajuda desinteressada da China tem contribuído para o reforço da mesma autodeterminação, agora no plano do desenvolvimento económico e do apoio a melhores condições de vida”, afirmou o chefe do Governo.

“Os contactos do nosso povo com a China vêm de há séculos, sendo mesmo anteriores à chegada dos portugueses. A nossa relação irá desenvolver-se de forma estável, qualquer que seja o resultado das próximas eleições. Para os timorenses, desde sempre, há uma única China, a República Popular da China. Nesta matéria há consenso nacional”, declarou.

O Primeiro-Ministro sublinhou a cooperação técnico-científica existente entre os dois países na procura do aumento da produtividade agrária e dos rendimentos dos agricultores timorenses.

“Está preparado um grande projecto de desenvolvimento de arroz híbrido, adaptado às condições do nosso país, que terá a ajuda de cientistas e outros técnicos chineses”, disse o Engº Estanislau da Silva, que tutelou a área da Agricultura nos últimos 5 anos.

“A variedade de arroz a adaptar às condições de Timor-Leste poderá multiplicar por 3 a produtividade da cultura do arroz, depois dos agricultores aprenderem a usar a nova variedade”, disse o Primeiro-Ministro.

“Os nossos agricultores produzem 2,2 toneladas de arroz por hectare. Com a nova variedade, podem conseguir 6 toneladas. Podem mesmo obter produções superiores”, afirmou.

“Com um crescimento de produtividade desta grandeza na cultura do arroz, o rendimento de muitos agricultores mais do que duplicará. O bem-estar e as condições de vida de milhares e milhares de famílias irão melhorar muito”, afirmou.

“Um bom exemplo de como a cooperação técnica e científica com a China contribui para o crescimento económico e para o reforço da independência de Timor-Leste”, disse o Engº Estanislau da Silva.

O embaixador da China sublinhou a orientação da cooperação do seu país, no sentido de promover a estabilidade social e o desenvolvimento económico de Timor-Leste.

O embaixador Su Jian disse que a China vai reforçar o apoio à formação de quadros qualificados para Timor através de um programa de bolsas de estudo para estudantes timorenses.

O diplomata assegurou que, como membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, a China continuará a apoiar ali os interesses de Timor-Leste. – FIM.

Para informação adicional, por favor contactar:
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For further information, please contact:

Ivana Belo / Serviço de Comunicação / Gabinete do Primeiro-Ministro
unugina2004@yahoo.com / +670 7243559.
Antonio Ramos Andre / Assessor para a Comunicação / Gabinete do Primeiro-Ministro / Palácio do Governo, Díli – Timor-Leste
antónio.m.andre@gmail.com / +670 7319905