10 julho 2013, http://www.maurosantayana.com (Brasil)
Mauro
Santayana
(JB) ---Nota-se uma diferença de linguagem
na reação do governo brasileiro à ampla invasão do sistema de comunicações de
nosso país pelos serviços secretos norte-americanos. A presidente Dilma
Rousseff, ainda que ponderada, foi muito mais incisiva do que o chanceler
Antonio Patriota.
O
ministro chegou a elogiar a disposição do Departamento de Estado em nos prestar
esclarecimentos, pelas vias diplomáticas – como se isso fosse uma concessão do
poderoso, e não uma prática da diplomacia clássica. Não se trata de verberar
sua atitude, e menos ainda, de louvá-la, mas, sim, de entendê-la: Patriota tem
notória simpatia pelos Estados Unidos, onde foi embaixador, antes de assumir a
Secretaria-Geral do Itamaraty, e é casado com uma cidadã norte-americana.
A cada
dia nos surpreendemos por novas revelações da intromissão de Washington em
nossos assuntos internos. Poucos países do mundo sofreram ingerência direta dos
ianques tanto quanto o Brasil. Eles souberam controlar os grandes meios de
comunicação no Brasil. E como não conseguem guardar segredos, hoje se sabe que,
no cerco contra Getúlio Vargas e a Petrobrás, em 1954, editoriais violentos dos
grandes diários do Rio foram redigidos na Embaixada dos Estados Unidos, em
inglês, e traduzidos ao português por jornalistas pagos pelos serviços secretos
norte-americanos.