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quarta-feira, 20 de julho de 2011

Brasil/Em defesa da Palestina: Arcebispo ortodoxo visita PCdoB

19 julho 2011/Vermelho http://www.vermelho.org.br

O Partido Comunista do Brasil recebeu na noite de segunda-feira (18), em sua sede em São Paulo a visita de Theodosius (Attallah) Hanna, Arcebispo do Patriarcado Greco-Ortodoxo e Patriarca de Jerusalém. Conhecido internacionalmente pela defesa da causa palestina, terra em que nasceu, e por várias obras escritas ao longo de sua vida, o Arcebispo é o responsável, dentre outras funções clericais, pelo Santo Sepulcro, em Jerusalém.

Além de Theodosius, estiveram presentes vários representantes da comunidade árabe em São Paulo. O Patriarca de Jerusalém fez um agradecimento ao Partido Comunista do Brasil e também a outras organizações políticas, sindicais e sociais brasileiras que apoiam a causa palestina, a independência e o fim da ocupação sionista da região.

Em sua intervenção Theodosius conta que sua Igreja mantém bom relacionamento com os partidos nacionalistas da região, desde que não tenham qualquer tipo de relacionamento com entidades ou organizações sionistas.

Para que sejam considerados amigos do povo palestino, aqueles que visitam a região devem definir, de antemão, de que lado estão. Theodosius conta que o Arcebispo de Canterbury viajou à região e, por ter sido recebido com pompas pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, tornou-se persona non-grata para a comunidada ortodoxa palestina.

"Na questão palestina, nós não negociamos. Somos terminantemente a favor do povo palestino. Nós recusamos o discurso do intermediário, daquele que fica em cima do muro", contou.

"Ao redor do mundo existem muitas pessoas que se dizem amigos de israel. Eles vão até lá, se colocam como seus aliados, contra os palestinos. Na verdade, essas pessoas não são amigas de Israel, porque deveriam dizer com clareza que Israel deveria dar um fim ao sofrimento que inflinge aos palestinos. Se você comete um erro e alguem aplaude esse erro, não pode ser considerado seu amigo", afirmou.

"Não somos contra o judaísmo"
Theodosius conta que a maior oposição que se faz é ao sionismo, à ocupação militar e ao Estado sionista de Israel, não à religião judaica.

"Respeitamos a religiao e o povo, temos amigos judeus que nos visitam e os visitamos, que acreditam como nós que a religião não divide as pessoas. Mesmo que tenhamos diferenças religiosas, somos humanos. Não somos inimigos do povo judeu nem da religião. Recusamos a usar a religião a serviço da política. Israel, como estado de ocupação e ao mesmo tempo judeu, explica a questão judaica e insere a questão sionista contra o povo".

"A palestina é o berço das religiões monoteistas, temos de ser exemplo de relacionamento e de aproximação com os outros. Recusamos que a religião seja usada para questões políticas. Isso se aplica ao judaísmo, ao cristianismo e ao islamismo. Não queremos uma pátria religiosa", prossegue.

Em relação ao processo atual de "judaicização" do Estado de Israel, proposto pela extrema-direita quegoverna o país, Theodosius é claro: "Hoje Isral se propõe ser um estado judeu. Para nós, árabes palestinos, isso é ruim, porque nega a presença de árabes na região. Isso é uma falsificação da história. Nos negamos a aceitar um estado judeu ou islamico, porque nossa experiencia foi muito sofrida com esse tipo de estado".

"A Igreja ortodoxa, que neste momento represento e falo em nome dela, sofreu muitas agressões ao longo de sua história. E as mais graves não partiram dos muçulmanos, mas dos cristãos do ocidente, que quiseram fazer da nossa região um estado cristão-ocidental. Isso aconteceu na época das cruzadas, quando os cristãos ocidentais invadiram a região e usurparam os locais sagrados das outras religiões, até que veio Saladino, que devolveu esses lugares sacros aos osrtodoxos", conta.

Convivio solidário e fraterno

José Reinaldo Carvalho, secretário de Comunicação do PCdoB e editor do Portal Vermelho, agradeceu a visita de Theodosius ao partido e discorreu sobre os laços de solidariedade e fraternidade que unem brasileiros e árabes.

"Em primeiro lugar, quero dar as boas vindas à Vossa Eminência e aos amigos da comunidade árabe presentes, em nome do Vermelho e do PCdoB. Queria desejar que ele tenha uma boa estada em nossa terra. O povo brasileiro é um povo irmão do povo árabe", falou Carvalho.

O secretário destacou a história de convívio solidário e fraterno dos brasileiros com os imigrantes árabes, que começaram a chegar ao país no fim do século 19, trazendo consigo seus costumes e sua cultura e influenciando com eles os seus anfitriões.

"Nosso país deu abrigo, agasalho e fraternidade aos imigrantes árabes que chegaram aqui já no fim do século 19 e começo do século 20. O Brasil adquiriu dos nosos irmãos árabes a cultura, que se traduz em vários dominios, na religião, na culinária, na língua. Nos temos um imenso sentimento de fraternidade com os árabes", afirmou.

"Do ponto de vista político, o Partido Comunista do Brasil tem uma posição de irrestrita solidariedade com os povos arabes e os palestinos. Consideramos que os palestinos e outros povos árabes foram martirizados pelo neocolonialismo sionista" destacou.

"Nós nos opomos à ocupação israelenses dos territórios árabes e da Palestina e apoiamos todas as reivindicações dos povos arabes e palestinos pela retirada de Israel desses territórios. Somos favoráveis à criação do Estado da Palestina e consideramos justa a proclamação e o reconhencimento desse Estado pela Assembleia das Nações Unidas, no mês de setembro próximo, de acordo com a proposição encaminhada já pela Autoridade Nacional Palestina", destacou .

Carvalho também destacou a posição do partido em relação à ocupação israelense dos territórios palestinos. "É uma violação do direito internacional e uma violação da soberania nacional do povo palestino e corresponde aos planos genocidas do Estado de israel de exterminar o povo palestino", diz.

Carvalho também contou a Theodosius um pouco da história do PCdoB, lembrando que o partido foi o primeiro, na década de 1940, a exigir do Estado brasileiro o respeito por todas as religiões existentes no país.

"Nós fazemos parte de um partido político que tem uma concepção filosofica não religiosa, mas respeitamos todas as religiões. O povo brasileiro é um povo religioso, majoritariamente cristão e o nosso partido foi o primeiro, nos anos 1940, que exigiu o respeito a todas as religiões", lembra.

"Compreendemos que a religião deveria ser um fator de unidade, de afirmação pessoal das pessoas, e não de desunião. Nesse sentido, nós valorizamos as palavras de Vossa Eminência e desejamos que a sua igreja continue desempenhando um papel na luta pela libertação do povo palestino. Estamos, nosso partido e o povo brasileiro, à disposição dessa luta", finalizou. (Da redação)



sábado, 21 de fevereiro de 2009

Religião/HOJE NÃO TENHO MAIS ESSES SONHOS’ DIZ O CARDEAL

Dom Pedro Casaldáliga *

(Adital) Agência de Informação Frei Tito para a América Latina http://www.adital.com.br

O cardeal Carlo M. Martini, jesuíta, biblista, arcebispo que foi de Milan e colega meu de Parkinson, é um eclesiástico de diálogo, de acolhida, de renovação a fundo, tanto na Igreja como na Sociedade. Em seu livro de confidências e confissões Colóquios noturnos em Jerusalém, declara: "Antes eu tinha sonhos acerca da Igreja. Sonhava com uma Igreja que percorre seu caminho na pobreza e na humildade, que não depende dos poderes deste mundo; na qual se extirpasse de raiz a desconfiança; que desse espaço às pessoas que pensem com mais amplidão; que desse ânimo, especialmente, àqueles que se sentem pequenos ou pecadores. Sonhava com uma Igreja jovem. Hoje não tenho mais esses sonhos". Esta afirmação categórica de Martini não é, não pode ser, uma declaração de fracasso, de decepção eclesial, de renúncia à utopia. Martini continua sonhando nada menos que com o Reino, que é a utopia das utopias, um sonho do próprio Deus.
Ele e milhões de pessoas na Igreja sonhamos com a "outra Igreja possível", ao serviço do "outro Mundo possível". E o cardeal Martini é uma boa testemunha e um bom guia nesse caminho alternativo; o tem demonstrado.
Tanto na Igreja (na Igreja de Jesus que são várias Igrejas) como na Sociedade (que são vários povos, várias culturas, vários processos históricos) hoje mais do que nunca devemos radicalizar na procura da justiça e da paz, da dignidade humana e da igualdade na alteridade, do verdadeiro progresso dentro da ecologia profunda. E, como diz Bobbio, "é preciso instalar a liberdade no coração mesmo da igualdade"; hoje com uma visão e uma ação estritamente mundiais. É a outra globalização, a que reivindicam nossos pensadores, nossos militantes, nossos mártires, nossos famintos...
A grande crise econômica atual é uma crise global de Humanidade que não se resolverá com nenhum tipo de capitalismo, porque não é possível um capitalismo humano; o capitalismo continua a ser homicida, ecocida, suicida. Não há modo de servir simultaneamente ao deus dos bancos e ao Deus da Vida, conjugar a prepotência e a usura com a convivência fraterna. A questão axial é: Trata-se de salvar o Sistema ou se trata de salvar à Humanidade? A grandes crises, grandes oportunidades. No idioma chinês a palavra crise se desdobra em dois sentidos: crise como perigo, crise como oportunidade.
Na campanha eleitoral dos EUA se arvorou repetidamente «o sonho de Luther King», querendo atualizar esse sonho; e, por ocasião dos 50 anos da convocatória do Vaticano II, tem-se recordado, com saudade, o Pacto das Catacumbas da Igreja serva e pobre. No dia 16 de novembro de 1965, poucos dias antes da clausura do Concílio, 40 Padres Conciliares celebraram a Eucaristia nas catacumbas romanas de Domitila, e firmaram o Pacto das Catacumbas. Dom Hélder Câmara, cujo centenário de nascimento estamos celebrando neste ano, era um dos principais animadores do grupo profético. O Pacto em seus 13 pontos insiste na pobreza evangélica da Igreja, sem títulos honoríficos, sem privilégios e sem ostentações mundanas; insiste na colegialidade e na corresponsabilidade da Igreja como Povo de Deus e na abertura ao mundo e na acolhida fraterna.
Hoje, nós, na convulsa conjuntura atual, professamos a vigência de muitos sonhos, sociais, políticos, eclesiais, aos quais de jeito nenhum modo podemos renunciar. Seguimos rechaçando o capitalismo neoliberal, o neoimperialismo do dinheiro e das armas, uma economia de mercado e de consumismo que sepulta na pobreza e na fome a uma grande maioria da Humanidade. E seguiremos rechaçando toda discriminação por motivos de gênero, de cultura, de raça. Exigimos a transformação substancial dos organismos mundiais (a ONU, o FMI, o Banco Mundial, a OMC...). Comprometemo-nos a vivermos uma «ecologia profunda e integral», propiciando uma política agrária-agrícola alternativa à política depredadora do latifúndio, da monocultura, do agrotóxico. Participaremos nas transformações sociais, políticas e econômicas, para uma democracia de "alta intensidade".
Como Igreja queremos viver, à luz do Evangelho, a paixão obsessiva de Jesus, o Reino. Queremos ser Igreja da opção pelos pobres, comunidade ecumênica e macroecumênica também. O Deus em quem acreditamos, o Abbá de Jesus, não pode ser de jeito nenhum causa de fundamentalismos, de exclusões, de inclusões absorventes, de orgulho proselitista. Chega de fazermos do nosso Deus o único Deus verdadeiro. "Meu Deus, me deixa ver a Deus?". Com todo respeito pela opinião do Papa Bento XVI, o diálogo interreligioso não somente é possível, é necessário. Faremos da corresponsabilidade eclesial a expressão legítima de uma fé adulta. Exigiremos, corrigindo séculos de descriminação, a plena igualdade da mulher na vida e nos ministérios da Igreja. Estimularemos a liberdade e o serviço reconhecido de nossos teólogos e teólogas. A Igreja será uma rede de comunidades orantes, servidoras, proféticas, testemunhas da Boa Nova: uma Boa Nova de vida, de liberdade, de comunhão feliz. Uma Boa Nova de misericórdia, de acolhida, de perdão, de ternura, samaritana à beira de todos os caminhos da Humanidade. Seguiremos fazendo que se viva na prática eclesial a advertência de Jesus: "Não será assim entre vocês» (Mt 21,26). Seja a autoridade serviço. O Vaticano deixará de ser Estado e o Papa não será mais chefe de Estado. A Cúria terá de ser profundamente reformada e as Igrejas locais cultivarão a inculturação do Evangelho e a ministerialidade compartilhada. A Igreja se comprometerá, sem medo, sem evasões, com as grandes causas de justiça e da paz, dos direitos humanos e da igualdade reconhecida de todos os povos. Será profecia de anuncio, de denúncia, de consolação. A política vivida por todos os cristãos e cristãs será aquela «expressão mais alta do amor fraterno" (Pio XI).
Nós nos negamos a renunciar a estes sonhos mesmo quando possam parecer quimera. "Ainda cantamos, ainda sonhamos". Nós nos atemos à palavra de Jesus: "Fogo vim trazer à Terra; e que mais posso querer senão que arda" (Lc 12,49). Com humildade e coragem, no seguimento de Jesus, tentaremos viver estes sonhos no dia a dia de nossas vidas. Seguirá havendo crises e a Humanidade, com suas religiões e suas Igrejas, seguirá sendo santa e pecadora. Mas não faltarão as campanhas universais de solidariedade, os Foros Sociais, as Vias Campesinas, os movimentos populares, as conquistas dos Sem Terra, os pactos ecológicos, os caminhos alternativos da Nossa América, as Comunidades Eclesiais de Base, os processos de reconciliação entre o Shalom e o Salam, as vitórias indígenas e afro y, em todo o caso, mais uma vez e sempre, "eu me atenho ao dito: a Esperança".
Cada um e cada uma a quem possa chegar esta circular fraterna, em comunhão de fé religiosa ou de paixão humana, receba um abraço do tamanho destes sonhos. Os velhos ainda temos visões, diz a Bíblia (Jl 3,1). Li nestes dias esta definição: «A velhice é uma espécie de pós-guerra"; não precisamente de claudicação. O Parkinson é apenas um percalço do caminho e seguimos Reino adentro.

Pedro Casaldáliga

Circular 2009

* Bispo Emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia

http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=37421

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Brasil/Amorim defende aplicação de resolução da ONU em Gaza

13 janeiro 2009/Agência Estado

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, deixou claro que o Brasil defende a aplicação imediata da Resolução 1.860 do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) na Faixa de Gaza. A afirmação foi feita em entrevista coletiva em Jerusalém, horas após o chanceler se reunir com o premiê palestino, Salam Fayad, em Ramallah, Cisjordânia.
Em uma missão diplomática que busca aumentar o peso do Brasil em questões de política internacional para além da América Latina, Amorim afirmou que é necessário um cessar-fogo urgente para evitar que civis continuem morrendo nos bombardeios israelenses. "Precisamos demonstrar solidariedade para com os palestinos (de Gaza), que são os que mais têm sofrido", afirmou, para acrescentar que isso é um consenso entre grande parte da comunidade internacional.
"Israel tem percebido a pressão internacional", afirmou o ministro. Segundo ele, até mesmo os Estados Unidos não vetaram a resolução na ONU, o que deixa claro um desconforto americano com as ações israelenses em Gaza. Na avaliação do chanceler, no longo prazo, Israel não pode viver em uma realidade hostil e, por esse motivo, deve lutar pela paz.
O encontro com Fayad ocorreu um dia após Amorim se reunir com o presidente sírio, Bashar Assad, em Damasco, e com a chanceler israelense, Tzipi Livni, em Jerusalém. Ele não se reuniu com o presidente da Autoridade Palestina (AP), Mahmud Abbas, pois este viajou para Jordânia, próximo destino do chanceler brasileiro, antes de ir para o Egito. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.