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sexta-feira, 17 de junho de 2016

QUARTEIS EM POLVOROSA COM O GOVERNO TEMER REPUDIADO NAS RUAS COMO GOLPISTA



15 junho 2016, Conversa Afiada http://www.conversaafiada.com.br (Brasil)

O Conversa Afiada reproduz importante artigo de Cesar Fonseca, editor do Independência Sul Americana:

QUARTEIS EM POLVOROSA COM O GOVERNO TEMER REPUDIADO NAS RUAS COMO GOLPISTA

Aumenta extraordinariamente as preocupações dos comandantes militares brasileiros, do Exército(general Eduardo Villas Boas), da Marinha(Eduardo Leal Ferreira) e Aeronáutica(Nivaldo Rossalto) com a estratégia econômica neoliberal comandada pelos banqueiros, na Fazenda(Meirelles) e no Banco Central(homem do Itaú), que aumenta a instabilidade política e social, indo na linha oposta que o projeto militar desenvolve como defesa nacional, compreendendo fortalecimento da educação, da saúde, do meio ambiente, do emprego, como reais fatores capazes de produzir a segurança nacional e a consciência cívico militar em favor de desenvolvimento nacionalista. O projeto neoliberal de Temer, apoiado por forças antinacionais golpistas, é o oposto de tudo isso e coloca a segurança nacional em risco.

A austeridade fiscal que destrói políticas sociais representa aumento da insegurança social e política nacional

O grande gargalo do governo Temer, se ele continuar, o que é uma incógnita, é sua relação com as Forças Armadas.

O motivo é simples.

A taxa de insegurança social aumenta com o neoliberalismo econômico temerista e lança dúvidas sobre a estabilidade política.

Os militares desenvolveram, ao longo dos últimos treze anos de Era Petista, nacionalista, outro conceito de segurança social, que não se compatibiliza com a política neoliberal.

Trata-se de perceber a segurança como

segunda-feira, 22 de junho de 2015

BRICS, БРИКС, China/LA GEOPOLÍTICA DEL DECLIVE MUNDIAL DE ESTADOS UNIDOS

13 junio 2015, Rebelión http://www.rebelion.org (México)

Alfred W. McCoy, TomDispatch
Traducido del inglés para Rebelión por Sara Plaza

WASHINGTON VERSUS CHINA EN EL SIGLO XXI

Incluso para los más grandes imperios la geografía es a menudo destino. Sin embargo, esto no se lo enseñarán en Washington. Las elites políticas, de seguridad nacional y de política exterior estadounidenses siguen ignorando los fundamentos de la geopolítica que han conformado el destino de los imperios mundiales en los últimos 500 años. En consecuencia, no han entendido el sentido y la importancia de los rápidos cambios globales que se han producido en Eurasia y que están socavando la ambiciosa estrategia de Washington para dominar el mundo de las últimas siete décadas.

Una mirada superficial a lo que actualmente se entiende por "sabiduría" interna en Washington revela una concepción del mundo sorprendentemente insular. Fíjense por ejemplo en el científico político de Harvard Joseph Nye Jr., conocido por haber creado el concepto de "poder blando". Proporcionando una simple lista de las maneras en que él cree que el poder militar, económico y cultural de Estados Unidos sigue siendo único y superior, recientemente sostenía que no existe ninguna fuerza, interna o global, capaz de eclipsar el futuro de Estados Unidos como principal potencia mundial.

A quienes señalan la emergente economía de Beijing y proclaman este "el siglo chino", Nye les ofreció un listado de inconvenientes: la renta per cápita de China "tardará décadas (si es que lo logra) en alcanzar" la de Estados Unidos; de manera miope, ha "enfocado sus políticas principalmente en su región"; no ha "desarrollado ninguna capacidad significativa para la proyección de la fuerza global". Sobre todo, declaró Nye, China sufre "desventajas geopolíticas en el equilibrio de poder dentro de Asia, si se compara con Estados Unidos".

O dicho de otro modo (y en esto Nye es representativo de todo un mundo de pensamiento en Washington): con más aliados, barcos, combatientes, misiles, dinero, patentes y películas taquilleras que ninguna otra potencia, Washington gana definitivamente.

Si el profesor Nye dibuja el poder con números, el último mamotreto del ex secretario de Estado Henry Kissinger, modestamente titulado World Order [Orden mundial] y aclamado en las reseñas como nada menos que una revelación, adopta una perspectiva

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

III Festival Cultural con los pueblos de África se celebrará en Venezuela

8 Septiembre 2009/Radio Nacional de Venezuela (RNV) http://www.rnv.gov.ve

Venezuela se prepara para la próxima celebración del III Festival Cultural con los pueblos de África, evento que en esta ocasión servirá de antesala a la celebración de la II Cumbre de Países América del Sur-África (ASA).

Este Festival lleva por lema “El pueblo en la cumbre” y se desarrollará del 20 al 27 de septiembre, iniciándose con un Desfile Popular América-África que partirá desde la Casa del Libertador hasta el Hotel Alba Caracas.

El Festival servirá de espacio para que los ciudadanos y ciudadanas se reconozcan como parte de un mismo origen, de una misma lucha por el ser, la libertad y la autodeterminación.

En este sentido, el Festival propiciará la reflexión e intercambio de ideas que resulten en una agenda de decisiones estratégicas para el desarrollo integral de América del Sur y África.

Asimismo, la intención es que el Festival Cultural sea el marco propicio para la participación activa y decisiva de los pueblos en la II Cumbre ASA, que se realizará en Venezuela el 26 y 27 de septiembre.

En esta edición del Festival Cultural con los Pueblos de África se estará celebrando la Ronda de Saberes, Pensamiento y Palabras de los Pueblos; la Conferencia Interparlamentaria y la Fiesta de Cultores.

En la Ronda de Saberes, Pensamiento y Palabras de los Pueblos se efectuará una reunión de mujeres, una minga de los pueblos originarios, una jornada de campesinos, movilización de estudiantes y jóvenes, consejo de rectores universitarios, y las Escuelas en la Cumbre, todos con la participación de personas de Suramérica y África.

La Fiesta de Cultores permitirá la celebración de los eventos denominados Suramérica y África cantan y danzan; muestra de cine: suramericano-africano, y debate de cultores América y África.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

EUA: COM OS PÉS NA COLÔMBIA E OS OLHOS NO BRASIL

Os EUA querem manter um papel protagonista no mundo e, para tanto, tentam expulsar a China da África e impedir uma aliança entre Rússia e Europa Ocidental. Essas duas grandes estratégias estão fracassando, daí a necessidade de garantir que a América Latina seja sua zona de influência exclusiva. A presença militar na Colômbia é um passo nesta direção, mas o verdadeiro alvo de Washington na região é o Brasil, país com maior poder relativo da região. A análise é dos cientistas políticos argentinos Marcelo Gullo e Carlos Alberto Pereyra Mele.


Agencia Periodística del Mercosur

31 agosto 2009/Carta Maior http://www.cartamaior.com.br

Nos centros de planejamento do traçado estratégico dos Estados Unidos sabe-se que passou o tempo da potência única e global. Para enfrentar a União Européia, China e Rússia, Washington quer assegurar o controle da América Latina. Para isso precisa “acabar” com o Brasil. As possibilidades de resistência na região, o papel da Unasul e outras iniciativas de integração – esses pontos foram de uma entrevista exclusiva à Agencia Periodística del Mercosul, concedida pelos cientistas políticos especialistas e geopolítica, Marcelo Gullo (autor dos livros “Argentina-Brasil: a grande oportunidade” e “A insubordinação fundadora. Breve história da construção do poder das nações”) e Carlos Alberto Pereyra Mele, do Centro de Estudos Estratégicos Sulamericanos.

Para Gullo, o interesse geopolítico dos Estados Unidos consiste em atrasar o processo de passagem da condição de potência global para a de uma potência regional. A crise que atingiu o país, acrescenta, não é conjuntural, mas sim estrutural, porque, pela primeira vez desde 1970, ocorreu uma dissociação entre os interesses da alta burguesia norte-americana e os do Estado. A partir da década de 80, as indústrias estadunidenses, buscando pagar salários mais baixos, foram para a Ásia para produzir para o mercado interno norte-americano, alimentando assim um processo de desindustrialização dentro do próprio território. “Isso gerou um enorme processo de desemprego. Esse seria o eixo conceitual da crise financeira global, deixando os EUA desindustrializado, sem empregos suficientes e com 40 milhões de pobres”, diz Gullo.

E acrescenta: “Os EUA querem manter um papel protagonista e, para tanto, tentam expulsar a China da África e impedir a aliança entre Rússia e Europa Ocidental. Essas duas grandes estratégias estão fracassando, daí a necessidade de colocar um pé na Colômbia, um passo para que a América Latina seja sua zona de influência exclusiva”.

Os EUA, lembra, só produzem 15% da energia que consome e a América Latina provê 25% de suas necessidades em matéria de recursos. Pereyra Mele assinala que “a Colômbia é um país bioceânico, é vizinho do país (Venezuela) que vende 15% do petróleo consumido pelos EUA e também do Equador, outro país petroleiro. Desde as bases navais de Málaga e Cartagena de Índias, Washington tem rápido acesso ao maior ponto de comunicação comercial do mundo, o canal do Panamá”. Na mesma direção, Gullo observa que a importância geopolítica da Colômbia para os EUA se expressa tanto no plano tático como no estratégico.

Do ponto de vista tático, ele assinala: “o complexo militar necessita criar focos bélicos para justificar a produção e renovação de material bélico. Sem tal esquema, esse aparato não tem como justificar sua existência”. E do ponto de vista estratégico, “o objetivo é conseguir a capitulação do poder nacional brasileiro; para isso, procura traçar um cerco em volta do Brasil, começando na Colômbia e com a idéia de continuar pela Bolívia e pelo Paraguai”.

Nesse marco, a América Latina é obrigar a reforçar seus acordos regionais, como Unasul, Comunidade Andina de Nações e Mercosul, para evitar fraturas e controlar as turbulências domésticas (como o golpe de Estado em Honduras), que possibilitem a expansão das forças armadas dos EUA na região. Para Pereyra Mele, “a solução ao problema colocado pela ofensiva estadunidense sobre a América do Sul passa pela defesa irrestrita das áreas por onde fluem e se conectam os três sistemas hidrográficos mais importantes: o Orinoco, a Amazônia e o Prata”.

“Para isso devem ser desenvolvidas políticas internacionais coerentes, levando em conta as limitações colocadas pela potência hegemônica. É muito importante aprofundar o Mercosul, aumentar a presença da Unasul e dos organismos de defesa regionais. É necessária a criação de um complexo industrial militar argentino-brasileiro para melhorar nossa capacidade de defesa, sem dependência externa, incorporando outros países”, conclui Pereyra Mele.

Para Marcelo Gullo, a América a conforma uma comunidade cultural única. “Lamentavelmente, do ponto de vista político, a região está dividida em duas. De um lado México, América Central e o Caribe, zona de influência exclusiva dos EUA, e de outro a América do Sul”.

A respeito dessa última reflexão, talvez pudesse se acrescentar que o ódio sistemático dos poderes estadunidenses à Revolução Cubana pode ser explicado pelo fato de esta ter sido a única experiência concreta de freio à hegemonia de Washington sobre as regiões Norte, Central e Caribenha da América Latina. Diante disso, conclui Gullo, “a responsabilidade principal é do Brasil, por ser o país com maior poder relativo da região. O problema é que a classe dirigente brasileira não compreende adequadamente que, para resistir à agressão dos EUA, precisa de sócios fortes e não fracos. Devem compreender que o importante não é sua industrialização isolada, mas sim a industrialização de toda a América do Sul”.

As mudanças de política militares que Barack Obama prometeu em sua campanha presidencial até agora não apareceram. A menos que alguém queira que o caráter identitário passa exclusivamente pela pigmentação da pele, nem que sequer podemos dizer que um afroamericano chegou à presidência. Para além do discurso, Obama solicitou ao Congresso dos EUA a aprovação de 83,4 bilhões de dólares em fundos extras para financiar as aventuras bélicas no Iraque e no Afeganistão, avança com a instalação de novas bases militares na Colômbia e manteve uma posição mais do que ambígua em relação ao golpe de Estado em Honduras.

O orçamento do Pentágono é 50 vezes superior ao total de gastos militares do conjunto de países do sistema internacional. Além disso, realiza os maiores investimentos, em nível mundial, em pesquisas militares e espaciais. Essa disponibilidade de recursos permite aos EUA agir de forma simultânea com ingerências bélicas em diferentes áreas do planeta.

Tradução: Katarina Peixoto

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Timor-Leste/“Ele é que orquestrou tudo” - QUEM DUVIDA DE QUE HOUVE UM GOLPE DE ESTADO?

22 agosto 2009/timorlorosaenacao

Por Loro Foho

Para quem duvida que houve um Golpe de Estado em 2006, preparado pelas forças australianas, e chefiado por Xanana Gusmão e Ramos Horta, e que o objectivo era derrubar o Governo de Mari Alkatiri, e entregar Timor-Leste a Jonh Howard, vamos reflectir nalgumas coisas, nomeadamente no que é um Golpe de Estado.

Um Golpe de Estado implica um plano secretamente elaborado por pessoas que ambicionam fortemente o poder para dominar tudo e todos. Implica também um conjunto de acções estratégicas, consecutivas, premeditadas, que intencionam criar as condições ideais para a consumação do Golpe. Isto aconteceu em Timor-Leste.

Um Golpe de Estado é, de uma forma entendível, uma mudança súbita e agressiva na estrutura do Estado, imposta por elementos do poder, os quais agem utilizando a traição, o dinheiro, a manipulação de pessoas e a mentira imperando sobre a verdade. Isto aconteceu em Timor.

É uma ruptura violenta e intencional das principais instituições do Governo, principalmente na área da segurança, da justiça, e das finanças. Isto aconteceu também em Timor.

Acrescente-se que um Golpe de Estado tem uma anatomia própria, obedece a tácticas muito complexas, necessitando de participantes poderosos e de um certo tipo de gente, de baixo nível humano, para os apoiar nas suas maquinações secretas, sempre contra o povo, como não podia deixar de ser.

Compõe-se de uma estrutura que serve os interesses do terrorismo político e da corrupção interna e externa. É, só por si, uma organização altamente complexa, isenta de transparência para confundir e baralhar os dados, pois quando se torna urgente uma clarificação, a complexidade e o obscurantismo dessa estrutura é tal que dificilmente se vê a verdade.

Numa linguagem simples, porque eu sou do povo e, como tal partilho convosco os meus sentimentos, digo sem problemas de consciência, que o que aconteceu em Timor-Leste em 2006, foi realmente um Golpe de Estado. Basta relembrar declarações de Jonh Howard sobre Timor, na primeira quinzena de Maio de 2006, as quais serão relatadas nas páginas da nossa história.

Ou vão dizer que é invenção nossa e da própria imprensa mundial?
.
As tácticas utilizadas no Golpe de Estado, não estão dentro do meu âmbito de entendimento, mas os seus resultados que saltam aos olhos de todos nós, foram e são ainda hoje relatados e analisados quer a nível nacional quer a nível internacional.

Somos um povo igual a tantos outros povos, que lutam pela sua independência, bem-estar económico e social.

Em 2002, Mari Alkatiri Alkatiri aceitou ser primeiro-ministro de Timor-Leste.

Contudo, nesse mesmo ano, já os sinais eram evidentes de que se pretendia enfraquecer até à ruptura, o Governo de Timor-Leste, só pelo facto de ser liderado por Alkatiri, um político que já revelava fortes convicções relativamente ao desenvolvimento sustentável da nação, à defesa das riquezas petrolíferas e muita coragem para enfrentar a Austrália e os seus desmedidos interesses relativamente ao mar de Timor e não só. Temos a sorte, que também é a nossa desgraça, de termos riquezas, que deveriam ser só nossas por direito próprio.

Com os ataques e interesses externos, aguentávamo-nos bem, pois estávamos unidos na força do sonho que tínhamos alcançado, sermos independentes e respeitados. Tínhamos condições para começar bem a nossa história como povo soberano e independente. Tínhamos um Primeiro-Ministro honesto, forte e resistente, Mari Alkatiri, e um Presidente carismático, que passava para o exterior uma imagem poética, artística, e ao mesmo tempo guerreira, Xanana. Mas o perigo veio de dentro, dos “nossos”.

O “mito” Xanana, começou a revelar-se, de surpresa, contra o seu povo, que o endeusou. E Xanana dividiu-nos e atiçou-nos contra o Governo de Alkatiri, e colocou-nos uns contra os outros, fazendo-nos acreditar que estávamos divididos, “lorasaes contra loromonos”. Com isto, ficámos totalmente nas mãos da Austrália, que tinha todo o interesse nessa divisão e na degradação das relações políticas internas.

Cedo começamos a perceber que o Primeiro-Ministro era um elemento indesejável para o Presidente, só pelo simples mas poderoso facto de Mari Alkatiri, o Primeiro-Ministro, ter uma visão diferente de Xanana Gusmão, o Presidente. Sorte para nós, pois a visão de Alkatiri era uma visão forte e consistente para a nação, porquanto que a visão de Xanana era uma visão fraca, perigosa e não consistente.

Alkatiri, queria mesmo o desenvolvimento, sem os OPORTUNISTAS A ENCHEREM-SE E A SONEGAREM O PAÍS.

Alkatiri estava a criar estruturas sólidas para desenvolver o país de uma forma verdadeiramente independente.

Alguém pode, honestamente, contrariar isto?

Dizer que tudo era um mar de rosas em Timor-Leste, seria inconsciência. É verdade que havia descontentamento em vários sectores, como consequência da aplicação de políticas restritivas devido ao pouco dinheiro existente nos cofres do Estado, e além disso, condicionado pelo “roubo” dos recursos naturais de Timor por parte da Austrália.

Mari Alkatiri tinha (e tem) uma grande mestria para defender os interesses de Timor no petróleo e no gás, prejudicando os interesses agressivos da Austrália e dos negociantes poderosos sem escrúpulos.

Mari Alkatiri criou o Fundo para o Petróleo, para proteger das garras da corrupção o dinheiro do petróleo de Timor. Os australianos conhecendo bem Mari Alkatiri, começaram a odiá-lo. Então, urgente se tornava preparar o golpe fatal, o qual só teria possibilidades de sucesso com a conivência plena e sem limites de altos membros do Governo de Mari Alkatiri.

Alguém duvida desta verdade?
.
O complô para derrubar Mari Alkatiti, começou em 2002. Pois já nessa altura os Senhores poderosos perceberam que Alkatiri não estava a governar para agradar aos australianos, mas para preparar um futuro estável para Timor e o seu povo.

Parece-nos que o Sr. Gusmão, na altura Kay Rala Xanana Gusmão, não gostou da postura política de Mari Alkatiri e ficou muito preocupado, pois os interesses australianos estariam a ser postos em causa, pouco lhe importando os interesses do seu povo. Parece-nos que o mais importante para o Sr. Gusmão, era não melindrar a poderosa Austrália.

Percebia-se que o Sr. Gusmão estaria a arquitectar algo contra Mari Alkatiri, o qual era uma desilusão para ele, pois não se deixava ir na onda dos australianos, não era facilmente manipulável e, não sendo um mito, sendo simplesmente “o Chefe”, estava mesmo a trabalhar para libertar o povo das garras dos potenciais inimigos, o Governo de John Howard.

Poderá entender-se como normal, um governo acabado de nascer, ser alvo de tantas interferências estranhas por parte de muitos estrangeiros e organizações que se dizem trabalhar pela paz? E perante isto, o Presidente Xanana sentir-se confortável, e posicionar-se contra o Governo da jovem nação, de que ele era o representante máximo?

O desconforto parecia provir do seguinte:

MARI ALKATIRI JÁ REVELAVA TER UMA POSIÇÃO DURA RELATIVAMENTE AO PETRÓLEO E AO GÁS.

MARI ALKATIRI CORAJOSAMENTE DESAFIOU AS REIVINDICAÇÕES DA AUSTRÁLIA SOBRE O PETRÓLIO E O GÁS DE TIMOR.

Pareceu-nos desde muito cedo, e confirmámos mais tarde que,
A COMUNIDADE INTERNACIONAL EM TIMOR ESTAVA MUITO MAIS EM SINTONIA COM O LADO DA AUSTRALIA DO QUE COM OS NOSSOS SENTIMENTOS DE TIMORENSES.

Por isso foi tão fácil criar uma terrível crise e um habilidoso e manhoso Golpe de Estado.

A situação interna era muito complexa, difícil de dominar, porque a Austrália, Xanana e Ramos Horta, queriam a todo o custo o derrube de Mari Alkatiri, o qual nunca se deixou intimidar por Jonh Howard e, mesmo prejudicando a sua imagem política, lutou quanto pode pelos verdadeiros interesses de Timor e do seu povo e, enfrentou Xanana e Ramos Horta de cabeça levantada, com dignidade e respeito pelo povo. Revelou ser um político como já há poucos.

Quem está fora da política não entende o quanto foi difícil liderar um governo que estava a ser alvo constante de conspirações internas e externas, altamente perigosas e criminosas para os destinos da nação. O ambiente interno era muito frágil, alguns “estrangeiros” encarregavam-se de pactuar com as “tramas secretas” já em curso no sentido de derrubar o Governo. Rumores, calúnias e ódios contra Alkatiri e a Fretilin, eram o prato de cada dia.

Com o passar do tempo e das conturbações intencionalmente provocadas, os descontentamentos eram muitos, uns com razões válidas, outros fomentados, pois tinha de se criar um “clima” propício para a preparação, execução e consumação do Golpe de Estado, com vista a derrubar Mari Alkatiri e o seu Governo por inteiro.

Os graves distúrbios ocorridos em Abril de 2006, tinham em vista “outros” propósitos muito mais complexos que corrigir os erros e a instabilidade interna “provocada”.

Os “estrangeiros” e pessoas do exterior que apareceram subitamente em Timor, já eram os tentáculos de quem tentou e conseguiu dividir a nação.

Os australianos queriam Alkatiri fora. Não esquecendo que os representantes da igreja católica de Timor-leste também queriam.

E se bem o queriam, melhor o fizeram, por isso organizaram a famigerada manifestação de 2005, a qual nos fez recordar o período negro, terrível, da Inquisição.

Ou vão dizer que é invenção?

Pairava no ar uma tensão permanente. Contudo, ainda não acreditávamos que Xanana estava já a “trabalhar” em conspirações altamente secretas. Muitos de nós, povinho crente, não acreditávamos no que os olhos viam.

O importante para Xanana e seus discípulos era abrir as portas para a Austrália entrar em força. Essa era a realidade à frente dos olhos. A ONU ajudou, pactuou, para tristeza da própria ONU, que só ficou a perder em termos de credibilidade perante o Mundo.

Mais importante para Xanana era garantir a segurança económica da Austrália. O futuro do povo timorense pouco lhe importava, porque já era, por destino um “povo sofredor”, habituado ao sofrimento, por isso toca a andar para a frente rumo aos golpes de traição, consecutivos.

A violência que foi paga em 2006, para derrubar o governo de Alkatiri, e criar uma crise social terrível, é a mesma “violência” que compra agora a paz, uma paz degradante que só é garantida a preço de ouro.

Em 2006, ninguém tinha dúvidas de que Timor estava a ser vítima de um Golpe de Estado, com tácticas muito sofisticadas, tendo grandes potencias por trás a comandar os actos do Sr. Xanana, o qual era totalmente apoiado pelos “caçadores de ouro negro” e por um grande exército de “estrangeiros” que se penduraram a aplaudi-lo, pois sabiam que a “mina” poderia ser inesgotável.

Quem pagou a todos os que semearam a violência da crise de 2006? Uma pergunta que merece ser reflectida.

Alkatiri, foi obrigado a demitir-se. Vitória para Jonh Howard, vitória para Xanana. Derrota para o povo timorense.

Mas um dia, terá de ser explicado ao povo timorense quem se envolveu neste plano maquiavélico, golpista, sujo, cheio de vis traições. A História assim o exigirá, não pela violência, mas pela Verdade que reina acima de todas as coisas.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

AS CENTRAIS SINDICAIS BRASILEIRAS: HISTÓRIA, CONCEPÇÕES E FORMAS DE ATUAÇÃO

[ADITAL] Agência de Informação Frei Tito para a América Latina

20 AGOSTO 2009/http://www.adital.com.br

CUT *
Este texto faz parte das propostas de ações da Secretaria de Política Sindical da

CUT Nacional para o debate, e faz uma rápida análise da história do movimento sindical brasileiro a partir dos anos 80, até sua configuração atual, com o reconhecimento das centrais sindicais. Procuramos ainda, a partir da análise, propor alguns pontos que consideramos prioritários para a atuação dos sindicatos cutistas nesta nova conjuntura. O texto, e principalmente, as propostas de ação aqui apresentadas, são apenas uma contribuição a um necessário debate, e que pretendemos aprimorar a partir de um encontro com as secretarias de política sindical das CUTs estaduais e ramos e na avaliação das experiências concretas que forem obtidas a partir da definição e da aplicação do nosso plano estratégico.

Legalização das centrais
A legalização das centrais sindicais brasileiras tem colocado na ordem do dia a discussão sobre qual central sindical pode melhor representar os trabalhadores. Esse é um debate que diz respeito não apenas aos sindicalistas, mas principalmente aos maiores interessados, os trabalhadores, pois o resultado desta escolha pode proporcionar uma direção com maior ou menor envolvimento com as lutas do cotidiano. A destinação de recursos financeiros para uma central sindical, a ser definida pelo sindicato, deve levar parte dos dirigentes sindicais a fazer uma reflexão sobre o tema, uma vez que é grande o número de sindicatos não filiados a nenhuma central sindical.

Nessa conjuntura tem aparecido um grande número de centrais sindicais em busca da legalização, algumas antigas e conhecidas, como é o caso da CUT e da Força Sindical e outras mais recentes, como a União Geral dos Trabalhadores (UGT), que resultou de uma fusão da Social Democracia Sindical (SDS), Central Geral dos Trabalhadores (CGT), Central Autônoma dos Trabalhadores (CAT) e parte da Força Sindical, a Nova Central Sindical dos Trabalhadores (NCST), que reúne parte das federações e confederações oficiais, que defendem a atual estrutura sindical, a Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), ligada ao MR8, o Conlutas, ligado ao PSTU, (mas que não se apresenta enquanto central sindical) e mais recentemente, a Confederação dos Trabalhadores do Brasil (CTB), ligada ao PCdoB.

História
O 1º Conclat (Conferência Nacional da Classe Trabalhadora) foi realizado na Praia Grande em 1981 com o objetivo de construir uma central única dos trabalhadores brasileiros. No entanto, parcela dos sindicalistas presentes não tinha clareza sobre a necessidade de fundar a CUT naquele momento e foi constituída uma Comissão Pró-CUT, para fundar a central no congresso seguinte.

Naquele momento configuravam-se duas fortes vertentes no sindicalismo, de um lado o chamado "sindicalismo autêntico" que reunia os dirigentes vinculados ao PT, ala progressista da igreja católica, e trotskistas, que mais tarde fundariam a CUT. E um outro agrupamento, constituído de sindicalistas formados no corporativismo sindical, defensores da estrutura sindical vigente. O racha foi inevitável e resultou na fundação da CUT em 1983, presidida por Jair Menegueli e da Conclat (Coordenação Nacional da Classe trabalhadora) que em 1986 se transformaria na Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT), presidida por Joaquim dos Santos Andrade, o Joaquinzão, e depois por Antonio Rogério Magri, que mais tarde seria ministro do trabalho do governo Collor.

Um terceiro grupo de sindicalistas não aparece neste contexto, exatamente por serem contrários a criação de uma central sindical, eram os sindicalistas que dirigiam a quase totalidade das federações e confederações da estrutura oficial e sem qualquer referência nas lutas dos trabalhadores. As federações e confederações que dirigiam não praticava o contato e o diálogo com os sindicatos ou com as bases, pois a estrutura sindical permitia - e permite até hoje - a sustentação desta estrutura através do imposto sindical.

Onde estão hoje as forças políticas do período da criação da CUT?

Das forças que originalmente criaram a CUT, parte dos trotskistas, então agrupados na "Convergência Socialista", se transformaram em partido político, o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), juntamente com uma parcela de ex-petistas que também se transformaram em partido político, o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), constituíram o Conlutas. Outra parcela do PSOL, com uma pequena parcela de petistas, construiu a "Intersindical". Vale lembrar que nem o Conlutas e nem a Intersindical se definem como centrais sindicais.

Foram várias as mudanças na composição das forças políticas que criaram a CGT em 1986, em relação à realidade sindical atual. Os sucessivos rachas na CGT foram dando espaços a pensamentos políticos mais homogêneos e partidários. Da CGT original surgiram: CGTB, CAT, SDS, FS, CGT e CTB.

Uma parcela da CGT, ligada ao MR8 constituiu sua própria central sindical, a CGTB, outra parcela constituiu a Força Sindical (FS). É importante recordar que a FS nasceu a partir de uma iniciativa do então presidente Fernando Collor de Mello, que queria uma central sindical que o apoiasse e que se opusesse a CUT, procurando conseguir assim o apoio de parte do movimento sindical ao seu projeto de governo. Em 2007 foi fundada a UGT, resultado da fusão da CAT, SDS, CGT e parte da FS. E finalmente, a CSC, que saiu da CGT e entrou na CUT em 1992, de onde saiu novamente para fundar sua própria central, em 2007.

Um terceiro segmento: os "sindicalistas", instalados na maioria das confederações e federações oficiais e contrárias à construção de uma central sindical; criou a NCST, com o intuito de garantir que os recursos financeiros de seus sindicatos filiados continuem sendo canalizados para a manutenção de suas estruturas, a partir da legalização das centrais.

O vai e vem da CSC
A CTB é o braço sindical do PCdoB, embora neguem publicamente. Para se contrapor a esta afirmação, alegam que no interior da Corrente Sindical Classista (CSC) e agora na CTB militam sindicalistas filiados ao PSB e ao PDT. Embora possam existir sindicalistas de outros partidos, figuram mais como adorno, pois são inexpressivos. A maior parte dos sindicalistas, filiados ao PDT, encontra-se na FS, como é o caso inclusive do seu presidente.

Foi da direção nacional do PCdoB a decisão de não ingressar na CUT em 1983 e ingressar na CGT. Foi também da direção nacional do PCdoB, a decisão de que a CSC deveria sair da CGT e entrar na CUT, em 1992. E é novamente, por determinação da direção nacional do PCdoB a saída da CSC da CUT para fundar uma nova central sindical. As plenárias e congressos realizados para esta tomada de decisão são apenas instrumentos utilizados para referendar no movimento sindical uma decisão partidária.

A saída da CSC da CUT, e sua constituição em uma central sindical acontecem por razões facilmente entendidas. No interior da CUT a CSC era minoritária e as posições políticas do PCdoB não eram refletidas nas resoluções da CUT, tais como a filiação internacional, a unicidade sindical, ou a defesa da convenção 87 da OIT, em que o PCdoB tem posições antagônicas à CUT. Logo, como as posições do PCdoB não tinham repercussão na CUT, a alternativa encontrada foi aproveitar o momento de legalização das centrais para criar sua própria central sindical, assim, além de divulgar no movimento sindical as posições do partido em nível nacional e internacional, terão ainda recursos financeiros, o que não acontecia antes.

Mas, para entender que as posições políticas partidárias é que definiram a saída da CSC da CUT para criar a CTB, e importante entender a conjuntura em que essa central foi criada. Na verdade, a CTB surge para representar sindicalmente o chamado "bloquinho", que aglutina no plano partidário o PCdoB, PDT e PSB, ou seja, a concepção do "bloquinho" partidário está refletido na CTB, sendo que o "bloquinho" sindical tem uma representação muito maior do PCdoB do que a do PDT e PSB, partidos extremamente reduzidos na composição da direção desta central.

Após o 9º Concut, a CSC ameaçou sair da CUT caso não tivessem de volta o cargo da vice-presidência, que ocupavam até então, e que passou a ser ocupado por uma dirigente rural. Para contornar o problema, a direção da CUT decidiu pela criação de duas vice-presidências, solução que agradou os comunistas e apaziguou os ânimos. No entanto, concomitante a isso, na Câmara Federal o PT entrava na disputa da presidência da Câmara, derrotando o então presidente, Aldo Rebelo, do PCdoB. A partir daí inicia-se o processo de construção do bloquinho, visando o lançamento de Ciro Gomes à presidência da República e de Aldo Rebelo para a prefeitura de São Paulo. A partir desta movimentação política do PCdoB a sua direção nacional decide pela saída da CSC e a construção de sua própria central sindical.

Portanto é falsa a polêmica de que a CSC deixou a CUT devido a "falta de democracia interna", ou "seu atrelamento ao PT", ou "dependência do governo". A CSC ficou na CUT durante 15 anos mesmo tendo posições políticas contrárias à central e sem questionamentos em relação à sua democracia interna. A saída da CSC da interior deu-se única e exclusivamente por uma decisão da direção nacional do PCdoB que aconteceu no início de 2007 e que desembocou em um congresso da CSC, ainda em 2007, para homologar a decisão da direção do PCdoB.

Filiação internacional
A CUT já nasceu com uma das maiores centrais sindicais do mundo e obviamente era cortejada internacionalmente para se filiar a uma das entidades internacionais existentes então, a Confederação Internacional das Organizações Sindicais Livres (CIOSL), a Confederação Mundial do Trabalho (CMT) e a Federação Sindical Mundial (FSM).

A CUT permaneceu sem filiação internacional enquanto fazia o debate interno, pois existiam posições favoráveis e críticas a todas centrais internacionais. Após longo debate, a CUT se posicionou pela filiação a CIOSL e sobre a necessidade de uma intervenção da CUT, juntamente com outras centrais sindicais do terceiro mundo, no interior da CIOSL procurando imprimir um novo relacionamento e uma nova visão sobre o mundo do trabalho, considerando como necessária a filiação internacional em uma sociedade cada vez mais globalizada.

Com a unificação da CIOSL e a CMT em 2006, criando a Confederação Sindical Internacional (CSI), a CUT passa a ser filiada a esta nova internacional e o movimento sindical mundial passa a ter apenas duas centrais, a CSI que abriga sindicatos de todos os continentes e a FSM, restrita a sindicatos em poucos países, tais como a CTC de Cuba, a CTP do Peru, a CTE do Equador, entre outras. No Brasil antes da CTB, a CGTB era (e continua) filiada a FSM, sendo que o presidente da CGTB, Antonio Neto, foi presidente mundial da FSM. Embora existam duas centrais mundiais, podemos afirmar que a representação da FSM é inexpressiva em relação a CSI.
Nas Américas, aconteceu em 2008, na cidade do Panamá, a construção da Confederação Sindical das Américas (CSA), unificando a Organização Regional Internacional dos Trabalhadores (ORIT), organização regional da antiga CIOSL e a Confederação Latino- Americana de Trabalhadores (CLAT), confederação regional da antiga CMT.

Relação com o governo Lula
No aspecto de relação com o governo Lula, os críticos da CUT - à direita ou à esquerda - costumam argumentar que antigos dirigentes da central, hoje se encontram em cargos importantes no governo federal, o que faria com que a CUT perdesse sua independência frente ao governo. É inegável o fato de que uma parcela dos dirigentes da CUT são filiados ao PT, assim como grande parte dos dirigentes da CTB são filiados ao PCdoB, da FS são filiados ao PDT, e assim por diante. A CUT apoiou Lula para presidente da República, entendendo ser o melhor candidato para fazer um governo voltado para os trabalhadores e setores mais explorados da população. A FS apoiou Geraldo Alckmin, o Conlutas e o PSOL apoiaram Heloisa Helena.

Consideramos que é inegável que o governo Lula foi, e continua sendo, melhor para os trabalhadores do que seria um governo neoliberal, pois abriu e mantém diálogo com as centrais e movimentos sociais. São inegáveis os avanços obtidos como a redução da pobreza, a diminuição do desemprego, a participação das centrais em diversos conselhos, a legalização das centrais sindicais, os aumentos do salário-mínimo, discutidos com os atores envolvidos, os acordos salariais com ganhos acima da inflação, o acesso de populações pobres, negras e indígenas às universidades, a desoneração de impostos para produtos essenciais à população de baixa renda, como produtos da cesta básica e material de construção. Enfim, são conquistas importantes para os trabalhadores, onde a CUT se sente elemento importante e ativo no processo.

O fato de apoiar não significa apoio incondicional. Não foram poucas as vezes que a CUT se manifestou contra a taxa de juros determinada pelo Copom, contra a terceirização no serviço público e realização de concursos, pela recuperação dos salários dos servidores federais que foram praticamente congelados durante o governo FHC, pela ratificação da convenção 158 da OIT, aprovada, mas denunciada ao STF pelo governo FHC, na coleta de assinaturas, em conjunto com outras centrais, para a aprovação da redução da jornada de trabalho sem redução salarial e na realização de quatro marchas à Brasília.

Convenção 87 da OIT
A defesa da Convenção 87 da OIT é um dos elementos que coloca a CUT em posição oposta às demais centrais sindicais. A CUT sempre defendeu a total liberdade de organização sindical, sem a intromissão do Estado, o que quer dizer que os trabalhadores é que decidem em qual sindicato querem se filiar e lhes dá liberdade para organizar seu próprio sindicato. Aí está uma grande diferença entre a concepção cutista de organização sindical e das demais centrais. Enquanto a CUT defende que os trabalhadores é que definem a melhor forma de se organizarem, as demais centrais defendem a unicidade sindical, ou seja, um único sindicato por categoria em cada cidade impondo limitações para a organização dos trabalhadores. O que as demais centrais chamam de fragmentação da atuação sindical nós chamamos de liberdade de organização.

Taxas compulsórias
A cobrança compulsória de taxas para a manutenção da estrutura sindical é outro ponto divergente da CUT em relação as demais centrais sindicais. A CUT, desde sua fundação, defendeu que os trabalhadores, além de definirem qual a melhor forma de se organizarem, também devem definir de que forma sustentam financeiramente suas lutas. A CUT entende que os sindicatos devem sobreviver das mensalidades sindicais e das taxas assistenciais, definidas em assembléia das categorias profissionais.

Enquanto a CUT é contra, as demais centrais defendem a cobrança do "imposto sindical" que representa o desconto de um dia de trabalho de cada assalariado, e é o grande responsável pela manutenção de tantos sindicatos, federações e confederações sem qualquer compromisso com a base, pois sua sustentação financeira não passa pela filiação, mas apenas pelo imposto compulsoriamente cobrado dos trabalhadores.

Organização por ramo ou por categoria
Outra diferença que podemos apontar é se a organização dos trabalhadores se dá por ramo ou por categoria. A CUT defende a organização por ramos por entender que a criação de diversos sub-segmentos profissionais dentro de uma mesma categoria dificulta cada vez mais a organização por categoria. A introdução de novas tecnologias e a qualificação/desqualificação progressiva do trabalho tem levado ao surgimento de um amplo leque profissional fragmentando, comparando-se às antigas grandes categorias profissionais. A organização por ramos, desta forma, é mais apropriada, pois parte do princípio de organização de todos os profissionais envolvidos naquele ramo profissional, e não exclusivamente uma determinada categoria, que é bem menos expressiva numérica e economicamente do que o ramo. A organização por ramos de atividades e sua progressiva reestruturação para fusão a ramos similares é um processo histórico em andamento em diversos países, pois aumenta o poder de pressão sindical e combate corporativismos de categorias.

A CUT ainda desenvolve projetos de construção de redes sindicais organizando sindicatos, filiados ou não a CUT, em redes nacionais e internacionais em conjunto com as Federações Sindicais Internacionais (FSIs).

O que fazer?
Diante do quadro descrito, a CUT nacional, estaduais e ramos devem priorizar o trabalho junto aos nossos sindicatos, pautados em três eixos fundamentais: 1) manutenção e fortalecimento dos atuais sindicatos filiados à CUT; 2) a conquista de novos sindicatos; 3) ampliação da participação de nossos sindicatos na sociedade.
Certamente cada um desses itens requer uma estratégia específica, pois cada tema precisa necessariamente ser acompanhado de um conjunto de ações para que sejam atingidos os objetivos específicos.
Para manter e fortalecer os atuais sindicatos filiados à CUT, por exemplo, é necessário um autodiagnóstico do desenvolvimento de nossos sindicatos, para podermos levantar nossos pontos fortes e nossos pontos fracos, e então, a partir daí, elaborar estratégias para o fortalecimento dos nossos pontos fortes, e de superação dos nossos pontos fracos, visando acabar -ou ao menos diminuir- as debilidades detectadas em nossas entidades sindicais, o que requer o aprofundamento da democracia interna, maior transparência financeira e administrativa, melhoria nas formas de comunicação, promoção de maior incidência das atividades junto à base, fortalecendo as OLTs existentes e criando estratégias para sua ampliação, enraizando a CUT nos locais de trabalho. Ter uma maior aproximação entre os sindicatos com as estaduais e os ramos da CUT, além de uma maior integração com os atuais parceiros prioritários, aproximação com novos parceiros e maior intervenção da CUT na sociedade.
A conquista de novos sindicatos requer a definição de uma estratégia das estaduais e dos ramos, para a intervenção em eleições sindicais consideradas prioritárias para a ampliação de nossa base sindical. O mesmo raciocínio podemos aplicar em relação a ampliação da participação da CUT na sociedade, junto aos parceiros, movimentos sociais, partidos políticos, ONGs e governos estaduais e municipais.
Enfim, a discussão desses e outros temas, e a definição de estratégias de ação sindical é uma tarefa bastante complexa e que pretendemos aprofundar posteriormente, a partir de reuniões a serem agendadas brevemente, visando construir coletivamente com as secretarias da CUT nacional, CUTs estaduais e ramos - em debate que deverá ser aprofundado na 12º Plenária - uma estratégia comum, para ampliar a referência dos nossos sindicatos junto aos trabalhadores e na sociedade, e conseqüentemente, ampliar nossa base de atuação sindical.

* Central Única dos Trabalhadores

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Moçambique mudou - Armando Guebuza, no encerramento da sessão do CC da Frelimo

O presidente da Frelimo, Armando Guebuza, disse ontem que, volvidos cinco anos de implementação das promessas feitas em 2004, é consenso nacional, partilhado pela comunidade internacional, que Moçambique mudou. Guebuza falava no encerramento da IV Sessão Ordinária do Comité Central do Partido, que desde quinta-feira vinha decorrendo na cidade da Matola, província do Maputo.

24 de Agosto de 2009, Notícias

Para ilustrar materialmente essa mudança, o Presidente enumerou uma série de realizações que teve lugar durante o mandato no âmbito da implementação do programa quinquenal do Governo, dentre as quais a alocação aos 128 distritos do país do Fundo de Investimento de Iniciativas Locais, vulgo sete milhões de meticais, a dinamização do aumento da produção e da produtividade agrárias e introdução de culturas onde antes não eram praticadas ou há muito que tinham sido abandonadas, os resultados significativos logrados no combate aos obstáculos ao desenvolvimento no quadro da reforma do sector público e a expansão das redes escolar, sanitária e de abastecimento de água.
Avultam ainda no conjunto de realizações havidas durante o mandato, segundo o Presidente da Frelimo, a construção de mais estradas, pontes, ferrovias, redes de telefonia fixa e móvel, a extensão de energia eléctrica a mais distritos e bairros suburbanos, a expansão do Ensino Técnico e a implantação de instituições de Ensino Superior em todo o país.
A elevação da auto-estima dos moçambicanos e o orgulho pela sua história e feitos, o reforço da unidade nacional, a cultura de paz e o seu sentido patriótico, bem como a transformação do distrito num verdadeiro pólo de desenvolvimento, através dos conselhos consultivos constituem também as grandes marcas que se notabilizaram ao longo do quinquénio.
Como corolário destas obras e outras acções levadas a cabo no quadro da organização interna do partido, Armando Guebuza afirmou que o ambiente é favorável a uma vitória clara, retumbante e convincente da Frelimo nas eleições de 28 de Outubro próximo.
“Porém, na nossa acção política recordemo-nos do camponês, que não se contenta apenas em reafirmar que a época chuvosa é lhe favorável mas que, por isso, aproveita a humidade dos solos para lançar a semente e depois sachar e combater as pragas para alcançar altos níveis de produção em resultado do seu trabalho e empenho”, disse.
O Presidente da Frelimo exortou aos membros do Comité Central, bem assim a todos os militantes do partido para que usem esse ambiente favorável para continuarem a reforçar a acção política em todas as frentes e a todos os níveis.
Armando Guebuza referiu-se igualmente ao manifesto eleitoral e ao compromisso do candidato do partido às eleições deste ano, afirmando que estes documentos incorporam as aspirações mais profundas do povo, em quem a Frelimo teve sempre a sua fonte de inspiração e de acção política.
Os documentos em causa reiteram igualmente o comprometimento da valorização das conquistas do último quinquénio e de alargá-las a mais cidadãos, no quadro da luta contra a pobreza.
“Dentro em breve iremos colocar estes dois documentos à análise e apreciação do eleitorado para que, uma vez mais, o nosso povo confirme, através do seu voto, a apropriação do nosso projecto de continuidade e de consolidação e expansão das nossas conquistas”, anunciou.
Exortou a todos os moçambicanos, com particular realce os jovens e as mulheres para, de novo, se colocarem na linha da frente de mobilização e de enquadramento da vontade popular a favor da Frelimo, de forma festiva, ordeira e pacífica, na caminhada rumo à vitória.
“Vamos todos juntos, de forma festiva, ordeira e pacífica, manifestar a nossa vontade eleitoral e o orgulho de exibir o dedo tingido pela tinta indelével por termos exercido o nosso direito cívico”, disse.
Armando Guebuza reiterou que o Partido Frelimo mantém-se aberto para receber o apoio de todos os moçambicanos, mesmo daqueles que nas eleições passadas se abstiveram, estiveram indecisos ou que optaram por quaisquer outros projectos de governação.
A IV Sessão Ordinária do Comité Central aprovou, entre outros documentos, o manifesto e a estratégia eleitorais do partido.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Presidente deposto de Honduras chega ao Brasil pedindo reação contra governo golpista

11 agosto 2009/Agência Brasil http://www.agenciabrasil.gov.br

Alex Rodrigues, repórter

Brasília - Há 44 dias longe do cargo, o presidente deposto de Honduras, José Manuel Zelaya, chegou esta noite ao Brasil pedindo que os governos norte-americano e de países da América Latina adotem medidas mais enérgicas contra o grupo que assumiu o poder depois de ter liderado um golpe de Estado.

Afirmando que sua detenção por militares, em 28 de junho, e posterior deposição do cargo é “um delito que afeta a todo o Continente Americano”, Zelaya pede sobretudo aos Estados Unidos - com que Honduras mantém cerca de “70% de suas atividades econômicas, culturais, militares e políticas” - que demonstrem seu repúdio ao governo de Roberto Micheletti de forma mais dura.

“Reconhecemos o esforço norte-americano, mas cremos que as ações foram demasiadamente tíbias, não sendo suficientes. Consideramos que o presidente [Barack] Obama pode tomar medidas mais enérgicas nos aspectos econômicos, comerciais, migratórios e mesmo em relação a diversos tratados econômicos que têm com Honduras”, afirmou Zelaya.

Ele veio ao Brasil a convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que o receberá na tarde de amanhã (12), em Brasília. Diplomaticamente, o gesto do governo brasileiro demonstra o reconhecimento de Zelaya como o legítimo mandatário hondurenho. Ele foi recebido, em Brasília com cerimonial reservado aos chefes de governo.

“Meu encontro com o presidente Lula e com o [ministro das Relações Exteriores] chanceler Celso Amorim é precisamente para tratarmos de uma estratégia para que as medidas contra o regime golpista sejam mais enérgicas, tanto as medidas norte-americanas quanto as latino-americanas”, disse, logo após pousar na Base Aérea de Brasília, a bordo de um jato Falcon 50, de registro venezuelano.

Zelaya também agradeceu à “firmeza com que Lula e Amorim, além de movimentos sociais e setores da imprensa brasileira, condenaram o golpe de Estado em Honduras”, um delito que, para ele, deve ser considerado um crime contra a humanidade.

“O povo hondurenho completa hoje mais de 40 dias de resistência cívica pacífica. Ele foi duramente reprimido, há uma dúzia de assassinatos, mais de mil presos políticos em todo o país. Há tortura e a liberdade de imprensa foi suprimida. O povo sofreu primeiro com o golpe de Estado e agora com a instalação de uma ditadura”, comentou o hondurenho. “Não há, no âmbito internacional, legislação específica sobre golpes de Estado e o Brasil é um dos países dispostos a lutar pela tipificação de golpes de Estado como um delito de lesa-humanidade”, disse.

terça-feira, 17 de março de 2009

Presidenta argentina reestatiza Fábrica Militar de Aviones

La Presidenta argentina, Cristina Fernández, partió a horas de la mañana desde el aeroparque metropolitano a bordo del avión Tango 01. Está acompañada por los ministros de Defensa, Nilda Garré y de Planificación Federal, Julio De Vido y el secretario de Transporte, Ricardo Jaime.

17 marzo 2009/TeleSUR http://www.telesurtv.net

La presidenta de Argentina, Cristina Fernández, anunció este martes en Córdoba la reestatización de la Fábrica Militar de Aviones, que actualmente se encuentra bajo el mando de la firma estadounidense Lockheed Martin.
La mandataria llegó a la capital cordobesa a horas del medio día, en compañía de la ministra de Defensa, Nilda Garré. Allí, será recibida por el gobernador Juan Schiaretti. Luego de su llegada al aeropuerto, recorrerá el centro de control aéreo y de inmediato inauguró la ceremonia.
El proyecto de nacionalización fue analizado el mes pasado por el jefe del Gabinete de ministros, Sergio Massa, y el gobernador Schiaretti. La Fábrica Militar de Aviones ha entregado la mitad de los doce aviones de entrenamiento militar Pampa AT-63 acordados mediante un contrato con el Gobierno y es también la proveedora del servicio de mantenimiento de las flotas de Aerolíneas Argentinas y su subsidiaria Austral.
Además, la empresa provee empleo a mil 100 trabajadores.
Schiaretti le trasmitió a Massa su "satisfacción" por la iniciativa y subrayó "el saldo negativo que para la actividad aeronáutica ha significado la concesión" a Lockheed, según un comunicado difundido al cabo de esa reunión.
"No tengo dudas de que la recuperación de la Fábrica de Aviones permitirá avanzar en asociaciones estratégicas con otras grandes compañías del rubro y, a partir de allí, retomar el desarrollo de esta actividad industrial de alta tecnología, que abarca también el potencial crecimiento de empresas nacionales proveedoras", remarcó.
Fue privatizada en la década del 90 por el gobierno de Carlos Menem para que la Lockheed modernizara una flota de aviones de combate Skyhawk A4, que Estados Unidos había dado de baja en la década del 70.
En el mes de noviembre del 2007, el Gobierno argentino acordó con la empresa estadounidense una posible transferencia de la fábrica luego que una auditoría externa analizara las instalaciones y equipos con el objetivo de hacer una tasación de esos activos.

El Gobierno de Fernández ha expresado en varias ocasiones la intención de formar una asociación estratégica con Embraer para apuntalar el desarrollo de la industria aeronáutica argentina al calor de la experiencia de la compañía brasileña.

http://www.telesurtv.net/noticias/secciones/nota/45198-NN/presidenta-argentina-reestatiza-fabrica-militar-de-aviones/

terça-feira, 10 de março de 2009

Cuba/Intervenção dos EUA na América Latina é denunciada em livro

Para escrever o livro, Eva Golinger investigou documentos desclassificados da inteligência dos Estados Unidos com o objetivo de desmascarar organizações de fachada que trabalham para atender a agenda do país na região

6 marzo 2009 /Brasil de Fato http://www.brasildefato.com.br

“O governo dos Estados Unidos não vai aceitar nunca que modelos como o da Venezuela se fortaleçam”, afirmou ao InfoRel, a escritora e advogada venezuelano-americana Eva Golinger, que lançou em Havana, o livro La Telaraña Imperial, em que denuncia a ingerência dos Estados Unidos na América Latina.
Para escrever o livro, Golinger investigou documentos desclassificados da inteligência dos Estados Unidos com o objetivo de desmascarar organizações de fachada que trabalham para atender a agenda dos Estados Unidos na região.
Para Eva Golinger, “na medida em que se fortalece o processo socialista na Venezuela, mais crescem as ameaças que também vêem da direita européia e latino-americana”, afirmou.
De acordo com a escritora, até 1992, a Venezuela não figurava entre as prioridades para a política exterior dos Estados Unidos. “Como a oposição não conseguiu deter o projeto de Hugo Chávez, a estratégia muda a partir de 2005, quando o presidente venezuelano começa a falar em socialismo bolivariano”, destacou.
Lula X Chávez
Para Eva Golinger, os Estados Unidos trabalham para que os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Hugo Chávez se desentendam a ponto de romperem politicamente, o que ficou mais difícil depois que ambos decidiram se reunir a cada três meses.
Segundo ela, “o problema não é a Venezuela, mas os Estados Unidos. Todas as declarações de Chávez são defensivas. Como melhorar as relações com um governo que só te atira pedras e financia a oposição?”, questiona a escritora.
Na sua avaliação, mesmo que Lula quisesse atuar como um mediador, isso não funcionaria, pois todas as pessoas que conduziram a política exterior norte-americana na última década não entenderam as mudanças ocorridas na América Latina.
“O presidente Hugo Chávez foi classificado como um ditador e isso não muda. Os Estados Unidos se negam a aceitar as mudanças e Obama representa o novo apenas internamente”, concluiu.
Eva Golinger também atua à frente da Fundação Centro de Estudos Estratégicos (CESE), dedicado a descobrir, analisar e divulgar informação sobre as estratégicas e ameaças de ingerência e subversão na América Latina. Foi fundado em 2008 e tem sede em Caracas.

http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/cultura/intervencao-dos-eua-na-america-latina-e-denunciada-em-livro

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

NA BOLÍVIA, A DEMOCRACIA É PARTICIPATIVA



Por Marcelo Salles *

6 fevereiro 2009 /Pátria Latina http://www.patrialatina.com.br

A Bolívia vive um momento extraordinário. Os movimentos sociais, no campo e na cidade, crescem como nunca. Desde as marchas indígenas da década de 1990 até a eleição de Evo Morales, em 2005, e a aprovação da nova Constituição, este ano, o aspecto em comum, sem dúvida, é o protagonismo do povo organizado.
“Antes os partidos da direita compravam meu voto por comida. Agora isso acabou”. É muito comum ouvir isso pelas ruas de La Paz. E, além de isso ter acabado, o fato é que o povo boliviano, de maioria indígena, encontrou seu próprio partido, o MAS (Movimento ao Socialismo), e seu próprio líder político, Evo Morales Ayma.
O presidente costuma dizer ao povo que está lá para obedecê-lo. Não é mentira, o que por vias tortas pode ser comprovado pela oposição. São freqüentes as reclamações da direita, expressadas pelas corporações de mídia daqui, de que “movimentos sociais participam de reuniões com ministros”. O ar é de incredulidade. O povo, os índios, ocuparam o Palácio de Governo e não pretendem sair de lá tão cedo. Além do presidente, hoje são ministros, vice-ministros, parlamentares, diretores de empresas públicas etc. “Este processo é irreversível”, costuma dizer Evo.
A medida do crescimento do movimento popular organizado tem no MAS sua melhor explicação. Esse partido está no centro das recentes transformações vividas pelo povo boliviano. Fundado em 1994, era constituído por quatro organizações apenas: Confederação Sindical de Trabalhadores Rurais, Confederação dos Povos Indígenas, Confederação de Mulheres “Bartolina Sisa” e Confederação de Colonizadores. E o nome do MAS era outro: Instrumento Político para a Soberania dos Povos (IPSP). Mudou de nome simplesmente porque impediram o registro eleitoral como IPSP, enquanto a sigla MAS, já registrada, foi entregue aos futuros condutores da Revolução Democrática e Cultural.
Apenas três anos após sua fundação, em 1997, os povos originários elegem Evo Morales para o Congresso, junto com outros três companheiros. Dois anos depois, já eram 35 os deputados masistas, enquanto que em 2005 esse número duplicou. No mesmo ano, Evo Morales era eleito o primeiro índio presidente da Bolívia.

Referendos
Uma característica da democracia participativa é a convocação do povo a instâncias de decisão coletiva, como por exemplo a figura do referendo. Das seis consultas desse tipo realizadas desde a independência, em 1825, quatro delas (66%) ocorreram após a fundação do MAS (sendo três durante seu governo). Em 2004, o povo foi chamado a opinar sobre as regras da exportação de gás; em 2006, para votar sobre as autonomias departamentais; em 2008, para decidir sobre a revogação do mandato do presidente e dos governadores, e, em 2009, para aprovar a Constituição Política de Estado.
No período anterior aos referendos do século XXI, entretanto, o movimento indígena não esteve parado. Até que chegasse à vitória no referendo de 25 de janeiro de 2009, foram anos de luta. Pelo menos duas datas ficaram marcadas, tanto pela gravidade dos conflitos quanto por sua importância. Em Cochabamba (2000), para impedir a privatização da água, e em La Paz (2003), para derrubar o governo neoliberal de Gonzalo Sanchéz de Lozada, o Goni, hoje acusado de ser o principal responsável pela morte de 67 manifestantes.
Hoje é muito comum encontrar cartazes com a foto de Goni espalhados por muros, postes e sindicatos, acompanhada da inscrição “Assassino! Extradição já!”, pois o ex-presidente vive em Miami. Segundo se conta por aqui, Goni esteve envolvido em fraudes milionárias. De acordo com o ex-ministro de Hidrocarbonetos, o escritor Andrés Soliz Rada, Goni é membro da “Society of the Americas”, organizada por David Rockefeler e mais conhecida como “governo mundial”; é dono da Compañía Minera del Sur em sociedade com o Banco Mundial; e sócio da gigante inglesa Rio Tinto Zinc, maior distribuidora de cobre do mundo, as duas com interesses na Bolívia. De acordo com a declaração oficial de bens, em apenas um ano (2002 a 2003) Goni teve sua conta bancária aumentada em 9 milhões de dólares. (Essas informações estão no livro “La Fortuna del Presidente”, de Andrés Soliz Rada, publicado em La Paz, 2004).
No último Congresso do MAS, o sétimo, realizado mês passado em Oruro, seis novas organizações se uniram ao partido. Entre elas a poderosa Central Obrera Regional de El Alto, que sempre manteve postura crítica – pela esquerda – ao governo Morales, e a Fecomin, federação de trabalhadores mineiros que congrega nada menos que 40 mil filiados.

Krisis
As últimas mobilizações de massa na Bolívia ocorreram em outubro do ano passado, com o objetivo de pressionar o Congresso pela aprovação do referendo da nova Constituição. Centenas de milhares de pessoas marcharam desde Oruro até La Paz, numa caminhada de 199 km que a apresentadora do canal estatal classificou como uma “interminável coluna humana”. Quando chegaram na Praça Murillo, disseram: “Só saímos daqui quando os deputados aprovarem a convocação do referendo. Se não aprovarem, tomamos o Congresso”. Os parlamentares realizaram sessões extraordinárias no sábado e domingo e a lei do referendo que estava estancada há vários meses foi aprovada em 24h. Durante a campanha, novas manifestações reuniram multidões e conduziram à aprovação da nova Constituição, que nas palavras de Evo é “anti-colonial, anti-neoliberal e anti-imperialista”.

Sobre as recentes mobilizações na Bolívia, um dirigente-fundador do MAS ressalta que foi o movimento indígena quem ofereceu a oportunidade histórica para a esquerda tradicional. Ivan Iporre hoje é diretor-geral da Secretaria Nacional de Administração de Pessoal. Quando chegou, o número de funcionários públicos formados em diversos cursos era de 2.600. Hoje, três anos depois, é de 13.200. Vem gente do mundo todo, especialistas como a argentina Isabel Rauber, para ministrar cursos de visão estratégica, formação política e administração pública. Até parlamentares participam. Sob a administração de Ivan, a filosofia que rege todo o processo é a “interculturalidade”, cujo objetivo é conhecer a si próprio, ao outro, e assim caminhar rumo à descolonização interna – já que anos de opressão colonial terminam por alterar a percepção que o cidadão tem dele mesmo.
Nesse sentido, pode-se dizer que a Bolívia vive uma krisis, palavra grega que significa “mudança”. Não sei se Evo Morales pensou nisso quando cunhou o termo “processo de cambio” (processo de mudança), mas o fato é que, para além da derrota imposta aos neoliberais, estamos assistindo a um país que rapidamente modifica suas estruturas de poder, passando de uma democracia representativa – onde a participação popular se resumia ao voto de tempos em tempos – para uma democracia participativa, em que o povo não mais aceita viver com essas migalhas. Ele agora participa das principais decisões políticas do Estado, que refletem suas convicções, como o respeito à Pachamama e aos princípios de dignidade, solidariedade, complementariedade e harmonia, bem como a garantia de acesso universal aos direitos básicos (água, energia e saneamento) e a nacionalização dos recursos estratégicos e riquezas naturais. A classe trabalhadora boliviana (indígenas, mineiros, operários e etc.) não quer impor ao antigo senhor a mesma condição violenta a que foi submetida. Mas já deixou bem claro que está disposta a lutar até a morte diante do menor sinal de retorno à dominação capitalista.

* Marcelo Salles, jornalista, foi correspondente da revista Caros Amigos no Rio de Janeiro entre 2004 e 2008. Atualmente é correspondente da Caros Amigos em La Paz (Bolívia), editor do jornal Fazendo Media (www.fazendomedia.com) e membro do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social.

http://www.patrialatina.com.br/editorias.php?idprog=b6d67a24906e8a8541291882f81d31ca&cod=3233