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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Brasil/João Goulart, as provas e a história

Por Gilson Caroni Filho


Observatório da Imprensa/29 janeiro 2008


O Novo Dicionário Aurélio define "prova" como "aquilo que atesta veracidade ou autenticidade de uma coisa; demonstração evidente". Nas reportagens ditas investigativas, é algo a ser obtido durante a fase de apuração das informações que vão ser publicadas. Peça tão importante que deve ser checada criteriosamente.

Na entrevista concedida à Folha de S.Paulo (27/1), o ex-agente de inteligência do governo uruguaio Mário Neira Barreira afirma que João Goulart, deposto em 1964 e morto em 1976, foi assassinado por envenenamento a pedido do governo brasileiro.

A rigor, não estamos diante de um furo jornalístico. Há duas semanas, após entrevista de Barreira com João Vicente Goulart, filho de Jango, a família entrou com uma ação na Procuradoria Geral da República na qual pede que se investiguem as circunstâncias que cercaram a morte do ex-presidente em seu exílio, na Argentina. O que o diário paulista conseguiu foi um material rico em detalhes, algo que pede para ser reconstituído como acontecimento histórico relevante, podendo tanto confirmar a versão oficial (ataque cardíaco fulminante) como refutá-la.

O que está em questão é a disposição e/ou capacidade de se fazer jornalismo investigativo ou deixar que matéria morra na opinião sobre os "especialistas do tema".

Ouvindo o que Jango falava

Ao escrever que Mário Neira "não exibiu provas e disse que o caso era discutido pessoalmente", a jornalista Simone Iglesias, involuntariamente, suscita questões interessantes: o que pode ser considerado prova em um episódio como esse? Uma autorização por escrito do então presidente general Ernesto Geisel ou do delegado do Dops Sérgio Paranhos Fleury? Algum comprimido envenenado com frasco mostrando a validade vencida?

Se considerarmos que o relato do uruguaio guarda inconteste coerência interna – e é verossímil com o contexto político da época – a entrevista pode ser o primeiro passo na concepção de um instigante trabalho de investigação. Uma história que pede para ser revisitada.

Se, tal como definida no dicionário, "prova circunstancial" é aquela que se baseia em indícios, as palavras do entrevistado não podem ser descartadas por falta de relevância. Como prova testemunhal, conhecida nos meios jurídicos como "prostituta das provas", a posição funcional de Neira é um dado que não deve ser ignorado. O que deve ser apurado não é de pouca monta. Senão, vejamos:

"Estive na fazenda de Maldonado para colocar uma estação repetidora que captava sinais dos microfones de dentro da casa e retransmitia para nós. Esta estação repetidora foi colocada numa caixa de força que havia na fazenda. Aproveitamos essa fonte de energia para alimentar os aparelhos eletrônicos e para ampliar as escutas. Isso possibilitava que ouvíssemos as conversas a 10, 12 km de distância. Ficávamos no hipódromo de Maldonado ouvindo o que Jango falava."

Uma rara oportunidade

Não há como confirmar junto à família ou ex-trabalhadores a existência dessa caixa e a plausibilidade operacional de escuta no hipódromo? Ou disso cuidam os biógrafos?

"Foi morto como resultado de uma troca proposital de medicamentos. Ele tomava Isordil, Adelfan e Nifodin, que eram para o coração. Havia um médico-legista que se chamava Carlos Milles. Ele era médico e capitão do serviço secreto. O primeiro ingrediente químico veio da CIA e foi testado com cachorros e doentes terminais. O doutor deu os remédios e eles morreram. Ele desidratava os compostos, tinha cloreto de potássio. Não posso dizer a fórmula química porque não sei. Ele colocava dentro de um comprimido."

Certamente, há como se comprovar ou não a existência do médico e seu papel no aparato repressivo. A medicação citada deve ser de conhecimento dos familiares ou de algum clínico com quem o ex-presidente tenha se consultado. Quem sabe não há prontuários no Brasil, Argentina ou Uruguai? Estamos falando do estudo de viabilidades, um procedimento bastante familiar a experientes jornalistas.

Se, conforme é descrito na matéria, "o Exército brasileiro informou que não há hoje ninguém na ativa com condição de responder ou até rejeitar acusações. O mesmo foi dito pela embaixada dos Estados Unidos no Brasil, questionada se houve participação da CIA na suposta operação para matar o presidente João Goulart, em 1976", é hora de a Folha de S.Paulo estabelecer um plano de ação e pôr em campo uma equipe familiarizada com o tema e que a ele se dedique com afinco. Estamos falando da Operação Condor e de uma rara oportunidade: aquela em que a história, sorrateiramente, adentra uma redação como esfinge. A opção é por demais conhecida para ser repetida como desfecho de artigo.

Ou será que a proverbial preguiça, advinda do exercício constante do denuncismo vazio, levou nossa imprensa a criar um novo preceito jurídico? Algo do gênero: a quem se acusa cabe o ônus da prova?

http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=470JDB003

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Juiz uruguaio determina prisão de ex-ditador do país

Montevidéu, 17 dezembro 2007 - Um juiz uruguaio ordenou na segunda-feira que fosse detido o ex-ditador Gregorio Alvarez, acusado de participar do sequestro e do desaparecimento de várias pessoas durante a ditadura militar no país (1973-1985), afirmou à Reuters a promotora do caso.
O juiz Luis Charles investiga o envio em 1978, quando Alvarez comandava as Forças Armadas do Uruguai, de prisioneiros políticos para a Argentina e o posterior desaparecimento deles.
A defesa do ex-ditador tinha apresentado dias antes um recurso alegando a inconstitucionalidade do delito de "desaparecimento forçado", mas a Suprema Corte de Justiça do país decidiu que o apelo não tem fundamento e devolveu o processo ao juiz de primeira instância.
Alvares presidiu o governo militar de 1981 a 1985.
Esse juiz já enviou para a prisão o ex-militar Juan Carlos Larcebeau, envolvido no mesmo caso. Ainda falta decidir o destino de um terceiro envolvido, o ex-membro da Marinha Jorge Tróccoli, que, segundo o advogado dele, está de viagem e regressa ao Uruguai no final do mês.
Cerca de 200 uruguaios desapareceram durante a ditadura, a maior parte deles sequestrados na Argentina durante operações conjuntas realizadas pelas forças de segurança dos governos militares que comandavam vários países da região à época. (Reuters/Reportagem de Patricia Avila)

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Víctima de la dictadura argentina declarará contra ex capellán de la policía

Buenos Aires, 27 Agosto 2007 (ABN) - Luis Velasco, una de las víctima de la dictadura militar argentina (1976-1983), quien se exilió en España luego de padecer persecución, encierro y torturas, declarará este lunes un nuevo testimonio contra el sacerdote católico Christian Von Wernich, en el juicio que se le sigue al ex capellán de la policía bonaerense.


El juicio obedece a acusaciones que pesan en contra de Von Wernich por su presunta complicidad en crímenes, torturas y privaciones ilegales de la libertad durante la dictadura militar de derecha que tuvo lugar en Argentina entre 1976-1983, y que se caracterizó por ejercer una brutal represión contra toda iniciativa de oposición.

La agencia Télam informó que Velasco, quien viajó especialmente a Argentina para testimoniar ante el Tribunal Oral Federal Primero de La Plata, tuvo contacto con el ex capellán mientras estuvo detenido ilegalmente en la Brigada de Investigaciones y en la comisaría Quinta de La Plata, provincia de Buenos Aires.


El testigo, llamado a declarar este lunes, ya había ofrecido testimonios de su detención en el año 2000, cuando aseguró que conoció al sacerdote en la Brigada de Investigaciones poco después de haber sido trasladado desde el destacamento de Arana, donde fue torturado.


En esa declaración, el testigo recordó que Von Wernich le hizo quitar la venda de los ojos mientras estaba en la celda y comenzó a hacerle 'bromas' sobre el estado en el cual se encontraba debido a las sesiones de tortura.


«Me tocaba el pecho y, riéndose, me decía: te quemaron todos los pelitos con la picana, no te quedan pelitos», contó Velasco en su momento.


El ex desaparecido detalló que, luego, el sacerdote lo visitó mientras estuvo alojado en al comisaría Quinta de La Plata, «donde hablaba del amor y de no tener odio».


«Yo le respondí (a Von Wernich) que difícilmente podía sentir amor cuando había cinco personas torturándome, y él me dijo que nosotros debíamos pagar por lo que hacíamos (militar en partidos de izquierda) con torturas, muertes o con lo que fuere necesario», añadió Velasco.


Relató, además, que cierto día el sacerdote le confesó que conocía a algunos de sus familiares pero que, sin embargo, «Von Wernich jamás les informó dónde estaba detenido, ni que me veía con vida», dijo.


Velasco fue secuestrado el 7 de julio de 1977 en la casa de sus padres, en La Plata, como parte de un sistemático operativo de desapariciones forzadas que emprendió el Gobierno de facto liderado por Jorge Rafael Videla, quien hizo las veces de presidente tras arrebatarle el poder a María Estela Martínez de Perón, el 24 de marzo de 1976.


Al declarar en 2000, el testigo contó que cuando recuperó la libertad y antes de exiliarse en España volvió a encontrarse con el sacerdote, quien le confesó que «no sabía cómo lo habían dejado libre porque para él era boleta (marcado para matar) desde el primer día».


La referida dictadura se sumó a otras que cundieron en el cono Sur y que fueron promovidas desde Washington, Estados Unidos, a través del llamado Plan Cóndor, destinado a aplastar la corriente de pensamiento y de movimientos progresistas en la región e imponer un modelo bocetado desde el Norte.


Los argentinos heredaron de aquella dictadura una lista de 30 mil personas desaparecidas, cuyos restos son buscados todavía, y otra de -por los menos- 500 bebés que fueron arrebatados a sus padres antes de que estos últimos fueran asesinados.

http://www.abn.info.ve/go_news5.php?articulo=101501&lee=Array[0]