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terça-feira, 4 de agosto de 2015

COMO OS FASCISTAS CHEGAM AO PODER

3 agosto 2015, Carta Maior cartamaior.com.br (Brasil)

 

Ao contrário do que muitos pensam, o Fascismo não chega ao poder pela força das armas. O fascismo é uma ideologia salvacionista diante de um estado inerte.


André Araújo, Jornal GGN


Renzo de Felice, professor de História da Universidade de Roma, falecido em 1997, é por unanimidade considerado o maior historiador do Fascismo italiano. Sua monumental biografia de Benito Mussolini, em 4 volumes e 6.000 páginas se alinha com mais 8 livros, do qual o mais importante é La Interpretazione del Fascismo. Para De Felice , o Fascismo é uma IDEOLOGIA REVOLUCIONÁRIA E MODERNIZADORA DA CLASSE MÉDIA COM ORIGEM NO ILUMINISMO. De Felice era comunista histórico, rompeu com o PCI e entrou para o Partido Socialista.

Minha interpretação (não é a de De Felice) é alinhavada em certos princípios.

Ao contrário do que muitos pensam, o Fascismo não chega ao poder pela força das armas. O roteiro do Fascismo:

1-- Um pequeno núcleo DETERMINADO imbuído da ideia

quinta-feira, 26 de junho de 2014

50 VERDADES SOBRE EL REY DE ESPAÑA JUAN CARLOS I DE BORBÓN Y BORBÓN

24 junio 2014, Rebelión http://www.rebelion.org (México)

Opera Mundi

Tras 38 años de reinado, Juan Carlos I de Borbón decidió abdicar el 2 de junio de 2014 a los 76 años de edad y ceder el trono de España a su hijo Felipe, Príncipe de Asturias.

1. Juan Carlos Alfonso Víctor María de Borbón y Borbón-Dos Sicilias, o Juan Carlos I, nació el 5 de enero de 1938 en Roma de la unión de don Juan, conde de Barcelona, y doña María de las Mercedes de Borbón, princesa de las dos Sicilias, los cuales tienen cuatro hijos: Pilar (1936), Juan Carlos, Margarita (1939) y Alfonso (1941).

2. Juan Carlos es nieto de Alfonso XIII por la rama paterna y miembro de la dinastía capeta de los Borbones, de la cual proceden los reyes de Francia desde Henrique IV.

3. El joven Juan Carlos pasa los primeros cuatro años de su infancia en Roma, donde la familia real reside en exilio desde la proclamación de la Segunda República el 14 de abril de 1931. En 1942, don Juan, sin trono, decide instalarse a Lausana, Suiza.

4. El general Francisco Franco, que gobierna con mano de hierro desde 1939, se interesa muy pronto por Juan Carlos. El 25 de agosto de 1948, el dictador y el conde de Barcelona –quien había apoyado a los fascistas durante la Guerra Civil– se reúnen secretamente en el golfo de Vizcaya y deciden juntos que Juan Carlos se instalaría en España para recibir una educación franquista. El objetivo del Generalísimo es

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

NOVE CHAVES SOBRE O FASCISMO

26 fevereiro 2014,Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)

Por Luis Britto García, na Agência Venezuelana de Notícias

Hollywood representa o fascismo como uma quadrilha de mal encarados em uniformes, agitando bandeiras e gritando palavras de ordens. A realidade é mais perversa.

1. De acordo com Franz Leopold Neuman, em “Behemoth: Estrutura e prática do nacional-socialismo, 1933-1944”, o fascismo é a cumplicidade absoluta entre as grandes empresas e o Estado. Quando os interesses do grande capital tornar-se a política, o fascismo está próximo. Não é por acaso que surgiu em resposta à Revolução Comunista da União Soviética.

2. O fascismo nega a luta de classes, mas é o braço armado do capital nesse disputa. Aterroriza a baixa classe média e os segmentos marginalizados, com o medo da crise econômica, dos trabalhadores e da esquerda, alistando paramilitares para enfrentar com a força bruta os socialistas e os movimentos sociais.

Mussolini foi apoiado pela fábrica Ansaldo e pelo Serviço Secreto Inglês; Hitler foi financiado pelas indústrias de armas do Ruhr; Franco teve apoio de latifundiários e industriais; Pinochet teve ajuda dos EUA e da oligarquia chilena.

3. A crise econômica, filha do capitalismo, é a própria mãe do fascismo. Apesar de estar do lado vencedor na 1ª Guerra Mundial, a Itália foi destruída fora dele, de modo que a classe média ficou em ruínas e participou maciçamente da Marcha sobre Roma de Mussolini.

Nas eleições de maio de 1924, Hitler ganhou apenas 6,5% dos votos. Em dezembro daquele ano, apenas 3%. Mas em 1928, quando a grande crise capitalista explode, teve 2,6%. Ficou com 18,3%, em 1930. Em 1932, teve 37,2 %, chegando ao poder e anulando o restante dos partidos.

Mas o fascismo não remedia a crise, agrava. Durante o governo Mussolini,

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Angola/OS LIMITES DA TOLERÂNCIA

24 fevereiro 2014, Jornal de Angola EDITORIAL http://jornaldeangola.sapo.ao (Angola)

Os Aliados derrotaram o nazismo e o fascismo na II Guerra Mundial mas não se limitaram a obrigar os derrotados a assinar a capitulação.

Os horrores cometidos pelo regime de Hitler e Mussolini foram tantos, a Humanidade foi de tal forma dilacerada, que os políticos da época tomaram medidas legais para que nunca mais nenhum líder político ousasse exterminar seres humanos em nome da supremacia de uma raça e a pureza de uma ideologia. As Leis Fundamentais passaram a incluir um artigo onde é taxativamente proibido propagandear e defender a ideologia nazi e fascista.

O Tribunal de Nuremberga julgou os dirigentes do III Reich e os que tiveram mais responsabilidades no governo da Alemanha nazi foram condenados a prisão perpétua. Ainda hoje, guardas dos campos de extermínio e funcionários do regime são presos e condenados. Não pode haver contemplações para com aqueles que ocuparam países soberanos, exterminaram milhões de seres humanos, provocaram o êxodo de outros tantos, para dominarem o mundo extinguindo a democracia e irradiando a liberdade.

Angola viveu esses anos particularmente dolorosos sob o regime fascista de Lisboa, que fez do nosso país um imenso campo de concentração e não hesitou em recorrer ao extermínio daqueles que se opuseram à ocupação estrangeira. Mas o regime salazarista também flagelou os portugueses, enviou-os para o Tarrafal ou assassinou os democratas. Por isso, a Constituição da República Portuguesa saída do 25 de Abril proíbe a propagação da ideologia fascista. A democracia tem que se defender dos seus inimigos jurados, que tudo fazem para destruí-la.

Jonas Savimbi destruiu Angola. Exterminou milhares de angolanos. Provocou o êxodo de milhões, escorraçados pelos seus esquadrões de extermínio. Destruiu escolas, hospitais, igrejas, edifícios públicos, pontes, portos, aeroportos, barragens, caminhos-de-ferro. Nem os fundos do “Plano Marshal” conseguiriam cobrir tantos estragos. Hitler fez tudo isso é nome de uma Alemanha imperial. Savimbi queria apenas a cadeira do poder. Hitler defendia o nacional-socialismo. Savimbi só queria dividir Angola. O seu programa máximo era criar uma “república negra” a Sul do Kwanza.

Hitler partiu para o extermínio e destruição de países e povos

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Noam Chomsky: 'LA POLÍTICA EXTERIOR DE OBAMA SERÁ COMO LA SEGUNDA ADMINISTRACIÓN BUSH'

Noam Chomsky, intelectual, escritor y académico, ha revolucionado la lingüística moderna a través de sus investigaciones y aportes teóricos. (Foto: Archivo TeleSUR)

11 agosto 2009/TeleSUR http://www.telesurtv.net

Por: Miguel Vera

Esta entrevista fue realizada antes de la cumbre de Jefes de Estado de la OEA en Trinidad, sin embargo, ante la solicitud de algún comentario adicional con ocasión de los acontecimientos en dicha cumbre, el Profesor Chomsky ha manifestado la persistencia de todos sus puntos de vista.

Chomsky ha llevado adelante, a través de las décadas, una incansable militancia por la justicia social, impulsando el rol de los intelectuales como agentes de cambio ante las políticas inmorales de los gobiernos.

Es así como se ha convertido en uno de los críticos mas agudos de la política exterior intervencionista e imperialista de los sucesivos gobiernos estadounidenses y de otros gobiernos, o como él lo describe, de las élites que controlan el poder.
Chomsky nació en 1928 en Filadelfia, Estados Unidos, en una familia de origen judío proveniente de Europa del Este. Su infancia estuvo marcada por la depresión económica, la discriminación hacia los judíos y el auge del fascismo a nivel mundial.

A temprana edad empieza a nutrirse políticamente con el pensamiento de izquierda, predominante entre las comunidades judías inmigrantes. Era la época de la Revolución Española, donde miles de voluntarios de diferentes países partieron a luchar contra el fascismo de Franco y sus aliados Mussolini y Hitler. La caída de la Barcelona rebelde en las manos de Franco, motiva a Chomsky, a los 10 años de edad, a escribir su primer artículo político.

De la mano de Orwell y su "Homenaje a Cataluña", Chomsky se adentra en el estudio del socialismo libertario. Aquella sociedad utópica sin privilegios de clase que fue llevada a la práctica a finales de 1936 en esa región de España, sin terratenientes ni patrones, dirigida por consejos de obreros, campesinos y milicianos, con las tierras distribuidas entre comunas agrarias y la industria colectivizada bajo control de los trabajadores.

De ahí en adelante Chomsky se identifica políticamente con esa corriente del socialismo, vehementemente opuesta al Estalinismo, y comienza entonces su largo recorrido por la lingüística y la política, que lo ha llevado a obtener los más altos reconocimientos del mundo académico, así como las simpatías -y rencores- de muchos.

En esta entrevista el Profesor Chomsky analiza varios temas de importancia para Venezuela, como la posición del Gobierno Bolivariano con respecto a Israel y Palestina, las expectativas de la relación entre la administración de Obama y el Presidente Chávez, el programa atómico de Irán, el caso del terrorista Posada Carriles, Guantánamo y el bloqueo a Cuba, el contexto histórico de la guerra mediática en contra de Venezuela, el giro a la izquierda de América Latina, el papel inspirador de los movimientos sociales en Bolivia y la Doctrina Monroe.

Esta entrevista fue realizada antes de la cumbre de Jefes de Estado de la OEA en Trinidad, sin embargo, ante la solicitud de algún comentario adicional con ocasión de los acontecimientos en dicha cumbre, el Profesor Chomsky ha manifestado la persistencia de todos sus puntos de vista.

Venezuela, Palestina e Israel

MV: Prof. Chomsky, Como usted sabe, el gobierno de Venezuela tiene una posición política definida con respecto al conflicto en Gaza, la cual ha sido criticada por algunos, ya que, según ellos, esta posición ha sido la causante de sentimientos antisemitas que conllevaron a los ataques a una Sinagoga en Caracas. ¿Cuál es su opinión sobre la posición de Venezuela sobre el conflicto en Gaza?

Chomsky: Personalmente considero que la posición que tomó Venezuela fue la correcta. Fue una agresión salvaje y criminal a una población que se encuentra básicamente enjaulada y que no puede escapar. Con este ataque de alta tecnología y altamente destructivo, no sólo se han asesinado probablemente unas 1,300 personas, también se ha destruido el sistema agrícola y la poca manufactura que existía. Esta sociedad ha estado bajo asedio permanente. Es una ocupación, no se debe llamar agresión, ya que es un territorio ocupado; no ha habido ningún momento en que no lo haya sido, y se encuentra bajo ataque directo. Además, los ataques no tienen que ver sólo con Gaza, sino con Palestina en su totalidad.

Con el apoyo de los Estados Unidos, Israel constantemente lleva a cabo acciones criminales en Cisjordania. A Israel no le importa mucho Gaza, estarían felices de que se pudrieran y se hundieran en el mar. Lo que si les importa es Cisjordania, ahí hay tierra con valor, tierra arable, ahí están los placenteros suburbios de Jerusalén y Tel Aviv. Quieren apoderarse de tanto como puedan. Ahí tienen toda clase de intereses culturales y presuntos intereses históricos.

Así que ellos continúan apoderándose de los recursos, las tierras, principalmente el agua de Cisjordania, para así dividirla en cantones inviables en los cuales la población se pudra, y esencialmente, a la larga, haya un éxodo. Esto es totalmente criminal, ellos lo saben, está fuera de discusión.

En 1967, cuando comenzaron los asentamientos, sus propios asesores legales les comunicaron que sus acciones constituían una directa violación de los principios esenciales de la Ley Humanitaria Internacional y de las Convenciones de Ginebra, y ellos lo sabían. Desde entonces esto ha sido ratificado por la corte internacional, y en numerosas resoluciones del Consejo de Seguridad, lo que pasa es que no existe debate sobre este tema.

Israel se quiere apoderar de estas tierras por sus recursos y por otras razones, y los Estados Unidos lo apoyan. Han conseguido suprimir casi toda la resistencia en Cisjordania por la fuerza. En parte por su propia fuerza -la cual es aplastante- y en parte con colaboración.

Estados Unidos y Jordania entrenan fuerzas militares a favor del partido político con el que tengan preferencia. Su función principal ha sido la de suprimir demostraciones, protestas y arrestar simpatizantes. Es una estrategia típica del imperialismo. Desarrollan una colaboración entre las fuerzas coloniales para controlar la población.

Así han logrado suprimir la protesta en Cisjordania. Todavía no han podido dominar completamente la protesta en Gaza, por lo que destrozan y destruyen la zona. Aparte del claro salvajismo y la cobardía, estas acciones son totalmente criminales. Así que desde luego que se deben protestar.

La postura de Europa es vergonzosa; dicen que no les parece bien pero lo apoyan. La postura de los Estados Unidos es grotesca. La mayoría de los países le temen a Estados Unidos - y con razones válidas - así que callan y se echan a un lado.

La posición de Venezuela es totalmente honorable y no tiene nada que ver con antisemitismo. La profanación de la Sinagoga fue un acto antisemita, pero no fue accionado por el Gobierno. Lo mismo ha pasado en Francia, y que yo sepa también en los Estados Unidos. Hasta donde tengo entendido, el Gobierno tomó una posición fuerte y condenó este acto, encontró a los culpables y están siendo llevados a la justicia. Son las acciones que cualquier país debería tomar.

Palestina y el Bloqueo a Cuba

MV: ¿Piensa usted que si hubieran más países que tomaran una posición clara con respecto a la ocupación israelí en Gaza, esto pudiera tener un efecto en ésta situación?. Si la opinión pública se moviliza y más países toman medidas similares a la que tomó Venezuela, ¿piensa usted que esto tendría efecto?

Chomsky: Primero que nada, debemos estar claros, no es sólo Gaza. A los Estados Unidos y a Israel les gustaría que nos concentrásemos sólo en Gaza, y que pasáramos por alto el hecho de que Palestina es una unidad, Gaza y Cisjordania son una unidad. De hecho, pudiera ser una pregunta más amplia.

Por lo menos bajo la Ley Internacional los límites territoriales de Israel fueron creados en junio de 1967, el restante 22 por ciento que conforma Palestina es territorio ocupado. Esto incluye dos áreas separadas, no contiguas; Gaza y Cisjordania. Pero, esencialmente son una unidad.

Si la resistencia a los actos criminales de Israel es legítima en Cisjordania, entonces la misma resistencia debe ser legítima en Gaza. Yo le dije esto a la prensa israelí y te lo diré a ti también; aunque los ataques en Gaza son particularmente feroces, homicidas y destructivos, lo que pasa a diario en Cisjordania es también otra forma de destruir este pueblo.

Es lo que el difunto sociólogo israelí, Baruch Kimmerling, denominó "politicidio"; la destrucción de una nación. Puede que no mates a cada individuo, pero destruyes la nación.

Lo que pasa a diario en Cisjordania es lo mismo. De hecho, Israel tomó ventaja de que la atención estaba enfocada en Gaza para expandir y escalar la infraestructura de sus proyectos de asentamiento y desarrollo en Cisjordania. Todo esto diseñado para cometer politicidio.

Así que, sí, debemos tener esto en cuenta. Si más países tomaran una postura más firme, podría tener alguna influencia en los amos. En realidad los Estados Unidos dirigen el show, no es un secreto. Si Europa tuviera la voluntad de tomar una posición independiente, surtiría efecto, porque Europa es poderosa e importante. Los países más pequeños del mundo no pueden hacer mucho.

En una encuesta internacional reciente, hecha por una de las más importantes encuestadoras de las organizaciones internacionales de opinión pública, se le preguntó a personas de todo el mundo cuál era su opinión acerca de varios países.
Israel estaba bien en el fondo; es un país temido, detestado y considerado como el más peligroso del mundo por muchos países. El único país que se le acercaba era quizás Irán, el cual quedó clasificado casi al mismo nivel. Pero esto no importa siempre y cuando el amo del universo los apoye.

Así que la verdadera pregunta es si la opinión pública de otros países afecta las decisiones del Gobierno estadounidense. No es fácil, ni siquiera la opinión pública estadounidense afecta las decisiones de su Gobierno con relación a muchos asuntos.

Tomemos un viejo caso en el hemisferio occidental: Cuba. Las sanciones y el terror contra Cuba de parte de los Estados Unidos son actividades criminales y toda la diplomacia mundial se opone. El último voto en las Naciones Unidas creo fue de 180 a 3; Estados Unidos, Israel y una isla del Pacífico, creo que Micronesia, lo que quiere decir que en realidad es sólo los Estados Unidos. Israel tiene que seguirle el juego a Estados Unidos, aunque de hecho viola las sanciones, por lo tanto es sólo Estados Unidos.

La opinión pública estadounidense ha favorecido firmemente el levantamiento de las sanciones por décadas, pero esto no ha tenido efecto en la política exterior, y éste no es el único caso. Hay un divorcio entre la opinión pública y las políticas de los Estados Unidos; no es una democracia que funcione, contrario a la propaganda. A menos que la opinión pública se organice y se active, no importa lo que la gente piense. Se ha organizado en torno a otros temas, pero éste no ha sido el caso con relación a Cuba, por esta razón las políticas del gobierno han seguido su propio curso.

Lo mismo es cierto referente al apoyo a las agresiones, atrocidades y expansión de Israel. Mientras el gobierno de Estados Unidos los apoye, se requerirá de poderosas fuerzas externas para que estas políticas se modifiquen. Cualquier acción que se tome tiene su importancia, así que si es Venezuela tiene importancia, si es Francia no es que tenga más importancia, es cuestión de que el mundo opera a través del poder y no de la justicia. Así son las cosas aunque no estemos de acuerdo.

Política exterior de EE.UU. respecto a Venezuela, Rusia e Irán

MV: Profesor, la ex Secretaria de Estado, Condoleezza Rice dijo una vez que la Administración de Chávez era una fuerza peligrosa y maligna en América Latina. El Presidente Barack Obama se ha referido al Presidente Chávez como una fuerza que ha interrumpido el progreso de la región. También ha mencionado que Chávez ha apoyado actividades terroristas. Pareciera que hay poca diferencia entre lo que se ha dicho durante la Administración Bush y la que aparentemente será la posición de Obama con respecto a Venezuela. ¿Cómo ve usted esto? ¿Piensa usted que esto puede ser falta de información de la nueva administración o una continuación de las mismas políticas?

Chomsky: Es una continuación de las mismas políticas. De hecho, volviendo a Condolezza Rice, raramente estoy de acuerdo con ella pero en algunas cosas sí lo estoy. Recientemente ella escribió un artículo en el cual predijo que la política exterior de la Administración de Obama sería como la segunda Administración Bush.

Las dos Administraciones Bush tuvieron algunas diferencias; la primera fue mucho más violenta, agresiva, arrogante en mostrarle su puño al mundo, y nos condujo a desastre tras desastre, y a una opinión en declive acerca de Estados Unidos. En el presente Estados Unidos son más detestados en el mundo que nunca, esto es perjudicial para intereses que son cruciales.

Esta sociedad está básicamente dirigida por las empresas. Formalmente es una democracia, pero en realidad es una sociedad dirigida por las empresas y sus negocios, y sus intereses se ven afectados por estos acontecimientos. Así que hubo presión para que hubiera un cambio en la Administración Bush. De hecho, algunos de las figuras más destructivas, brutales y antidemocráticas fueron removidas; Wolfowitz, Rumsfeld, y otros. Se quedó Cheney como asistente de Bush y quien, básicamente, era la administración. Así que las políticas cambiaron y se movieron más hacia el centro.

No hay indicación alguna de que Obama va a cambiar estas políticas. De hecho en algunas instancias él ha tomado una posición más agresiva, como con Afganistán y Pakistán. Obama es una persona inteligente y estoy seguro de que lo que él dice ha sido preparado cuidadosamente por él y sus asesores, y expresa lo que él quiere. Pero en todas sus declaraciones ha sido deliberadamente impreciso.

La campaña electoral de Obama ganó un premio de la industria publicitaria por la mejor campaña de mercadeo de 2008. Le ganó a las computadoras Apple. Los altos ejecutivos de la industria fueron muy efusivos, literalmente dijeron que habían comercializado candidatos de la misma forma como se comercializa la mercancía por 30 años, desde los tiempos de Reagan, pero éste ha sido el más alto logro que hayan tenido. Esto tendrá gran efecto sobre los Directores Ejecutivos, la cultura corporativa adoptará este modelo para comercializar otras cosas. Esta campaña electoral fue una campaña de mercadeo.
Ellos están bien claros en que tienen que aludir ciertos asuntos, y se concentran sólo en consignas vacías que sirven para levantar el ánimo, lo que la prensa llama "sorving rhetoric", como por ejemplo: "esperanza", "cambio", "cambio en el que puedes creer". Pero, si la gente cuestiona qué medidas tomará, tendrán que esforzarse bastante para poder entenderlas. A lo mejor se pueda encontrar algo en su página web. Pero estos no eran los temas de la campaña, y fue exitosa como campaña de mercadeo. De hecho, ya hay estudios que lo demuestran, y a la industria les encantó.

Se habla mucho del apoyo masivo de pequeños contribuyentes, pero en realidad fue mínimo. El apoyo económico fue en su mayoría dado por industrias financieras, bufetes de abogados que también son lobistas, y sus políticas por supuesto reflejarán esto. Ya se puede ver por su selección de funcionarios y gabinete de asesores. Es básicamente una administración de demócratas de centro, con la cual la gente está familiarizada, y que no se diferencia tanto del segundo periodo de Bush. Sólo se diferenciará en algunos asuntos.

Se reducirán el número de violaciones más extremas a la ley y a la constitución, llevadas a cabo por la Administración Cheney-Bush; como las torturas en Guantánamo o la vigilancia ilegal, pero prácticamente cualquiera de los candidatos, incluso McCain, hubiese hecho lo mismo. Esta administración será menos confrontacional con el resto del mundo, pero va a seguir las mismas políticas. Esto se puede notar con los recientes ataques a Gaza. La campaña en Gaza fue un ejemplo asombroso. Fue planeada muy cuidadosamente con meses de anticipación, y la prensa israelí lo dice abiertamente. Fue meticulosa y claramente planeada para que concluyese justamente antes de la inauguración presidencial, concluyó un día antes de la toma de poseción.

Esto no es ninguna casualidad, ya que le hizo posible a Obama aparentar que él no podía decir nada al respecto. Mientras ocurrían las atrocidades dijo, "Sólo hay un Presidente, por lo tanto no puedo decir nada al respecto". Por supuesto que él opinaba sobre todo lo demás, y no le impidió que hablase sobre la "ideología de odio" detrás de los ataques terroristas en Mumbay. Él sí podía opinar sobre esto, pero no podía hablar de lo otro porque, "sólo hay un Presidente".

La prensa y los electores se tragaron este pretexto, pero los ataques en Gaza tenían que terminar antes de que tomara posesión. Pero, ya es el Presidente, ¿Entonces qué dice ahora?De hecho, su primera declaración sobre política exterior fue referente a Israel y Palestina, en conexión con el nombramiento de George Mitchell como mediador.

Mencionó también algo acerca de la paz entre Israel y Palestina, sobre una propuesta sustanciosa, lo cual fue muy cuidadosamente elaborado. Dijo que había una propuesta importante la cual él aplaude, a saber, la Iniciativa de la Liga Árabe, la cual se trata de la normalización de las relaciones con Israel, para lo cual los Estados árabes deben de esforzarse. Pero él sabe perfectamente bien que esto no es lo que la Liga Árabe propone. La Liga Árabe propone el asentamiento de los dos Estados (israelí y palestino) con sus fronteras internacionales, de acuerdo con el consenso internacional; posición que los Estados Unidos han bloqueado por más de 30 años. Es en este contexto que se encaminarían hacia el establecimiento de la normalización de relaciones con Israel.

El que Obama omite el componente esencial de la propuesta no es accidental. Él sabe lo que está haciendo, no es tonto. Lo que quiere decir es que continuarán haciendo lo que sea, incluyendo continuar bloqueando el consenso internacional con respecto a una resolución política, pero queremos que normalicen las relaciones con los estados árabes que son nuestros clientes.

Debe de haber requerido de una tremenda disciplina para que la prensa y los intelectuales fingieran no haberse dado cuenta de esto. Lo que pasa es que esto es perfecta obediencia. Simplemente le siguen los pasos a su amo, como los pasos de ganso. Lo mismo pasa cuando lo entrevistan, repiten que él es muy comunicativo y que está lleno de esperanza.

La declaración sobre política exterior que le siguió fue un discurso del Vicepresidente, Joe Biden, quien también fue elogiado por ser muy comunicativo, y por quererle extender la mano de la amistad a Irán y Rusia. Biden no es tan arrogante como John Bolton, que los mandó a hundirse en el lago más cercano; más bien es muy amable y utiliza palabras simpáticas; como que seamos todos buenos amigos, y demás. Pero fijémonos en el contenido. Con respecto a Rusia dijo que continuarían colocando sistemas de misiles de defensa cerca de sus fronteras. El Sabe muy bien que Rusia considera esto como un potencial ataque a sus capacidades nucleares de disuasión. Es por esto que Rusia se opone. No tiene nada que ver con Irán.

EEUU argumenta que es para impedir que Irán dispare misiles, que Irán no tiene, y armas nucleares que tampoco tienen. Pero cualquier persona con la cabeza bien puesta sabe que aún si Irán tuviese misiles y armas nucleares no atacarían a Europa a menos que quisieran ser evaporizados instantáneamente, y no hay ninguna razón para pensar que Irán quiera esto.

Entonces, creo esto es un gran fraude. Si de verdad estuviesen preocupados por una amenaza iraní, la cual no existe, hubiesen colocado el sistema de defensa de misiles en el Sur, en un lugar como Azerbaiyán, tal como se lo propuso Rusia. Pero no les interesa. Lo que en verdad quieren es amenazar la fuerza disuasiva nuclear rusa.

Los analistas estratégicos norteamericanos están consientes de esto. Puede ser leído en las publicaciones más importantes. (Las bases de misiles) en estos momentos no inducen a reacciones inmediatas (de los rusos) que no funcionarían, pero puede servir de base para Rusia reaccionar, además es una provocación para Rusia.

Biden insistió en hablar con voz baja en vez de ser arrogante para decir que vamos a continuar con estas políticas. Han continuado merodeando los territorios rusos en Europa.
¿Y sobre Irán qué? Dijo que podemos tener conversaciones si ellos abandonan sus programas nucleares ilícitos. ¿Cuáles son estos "programas nucleares ilícitos"? Irán es uno de los signatarios del Tratado de No Proliferación. Está en todo su derecho de llevar a cabo programas nucleares y de desarrollar energía nuclear.

La gran mayoría de países del mundo están de acuerdo con esto, pero son miembros de los Países no Alineados, así que no "existen". Todo lo que se lee en Occidente es que Irán está desafiando a la comunidad internacional. La "comunidad internacional", quiere decir todo aquel que tenga suficiente armas para dar golpes en la cabeza a los demás.

Si la mayoría de los países del mundo no están de acuerdo con la "comunidad internacional" no importa porque no existen. ¿Y qué opinan los estadounidenses? Una gran mayoría considera que Irán tiene el derecho a desarrollar energía nuclear. Pero, como al igual que los países no alineados, los ciudadanos estadounidenses tampoco son parte de la comunidad internacional.

Así que cuando uno lee artículos del New York Times, o la prensa británica sobre desafíos a la comunidad internacional, ellos en realidad se refieren al gobierno de EEUU.

¿Cuáles son estos programas ilícitos? ¿Son programas de armas? Quizás, pero la inteligencia estadounidense no lo cree. Hace sólo un año la inteligencia nacional declaró que se sentían confiados de que Irán no ha continuado su programa de armas desde hace cinco años. Al gobierno no le cayó bien esto, así que desapareció los pasos de ganso que había dejado la prensa tras investigar este asunto. Así lo desaparecieron de los medios. Los comentadores intelectuales no tocan el tema.

Entonces ahora, por órdenes del gobierno, sí es un hecho que Irán está desarrollando armas nucleares. Y si lo están haciendo, francamente no me sorprendería. De hecho, lo que sería sorprendente es que no lo estén haciendo, aunque sea sólo como fuerza disuasiva. Están completamente rodeados de países que poseen armas nucleares, están los Estados Unidos que le ganan en gasto militar al resto del mundo combinado, y el cual es un Estado muy violento; acaba de invadir dos países. Sería sorpresivo que no desarrollasen disuasivos nucleares. De hecho, hace un par de años, uno de los más destacados historiadores militares de Israel, Martin van Crevel, escribió un artículo en el International Herald Tribune en el que dijo que, no es que él quiera que Irán tenga armas nucleares, pero que si no las están desarrollando están locos, especialmente después de la invasión a Irak.

Así que puede ser que tengan armas, puede que la inteligencia estadounidense esté equivocada, pero nada le da a Biden el derecho, en lo absoluto, de hablar de "programas nucleares ilícitos", el no tiene evidencia de que estos programas existan, el problema es que los Estados Unidos no les da la gana de que se desarrollen. Y su programa nuclear es precisamente el tema que está en discusión desde el punto de vista de los Estados Unidos. Hay otros asuntos con respecto a Irán, pero este es el punto de discusión por parte de los Estados Unidos. Irán tiene otros problemas, pero no es parte del mundo tampoco, no posee las suficientes armas para ser parte del mundo. Así que desde el punto de vista estadounidense y europeo el único asunto que les importa es el de las armas nucleares y lo que llaman "apoyo al terrorismo".

Apoyar al terrorismo quiere decir apoyar la resistencia a los actos criminales de Estados Unidos e Israel, esto para ellos es terrorismo. Estos son los temas que deberían ser discutidos en la negociación. Decir que sólo negociarán bajo sus condiciones, es decir que en realidad no les interesa llegar a una negociación. Éste fue el contenido del discurso de Biden. Fue dicho de forma amable, con un tono amistoso, con palabras agradables, por esto es descrito como muy comunicativo. Desde el punto de vista de las élites estadounidenses y europeas, este paso es bastante positivo, ya que les encantaría apoyar la violencia y agresiones. Lo consideran útil. Pero si lo hace alguien como Cheney o Boulton, no pueden seguirles el juego porque su estilo es muy ofensivo e intolerable, pero sí les gustaría que alguien como Obama lo haga ya que el habla de una forma amable, fue a la escuela de leyes, es negro, así que pueden fingir que no son racistas, aunque sean más racistas que los estadounidenses, de modo que para ellos él sí es agradable.

Pero fíjate en el contenido, Condoleezza Rice está, más o menos, correcta en su apreciación. Nada indica lo contrario.

Posada Carriles y Guantánamo

MV: Profesor, una de las demandas que hizo el gobierno venezolano para mejorarar las relaciones con el gobierno de Estados Unidos fue la extradición del conocido terrorista Posada Carriles. También solicitó la extradición de dos ex militares responsables de las bombas a sedes diplomáticas en Caracas. ¿Piensa usted que el gobierno estadounidense podría entregar a estos terroristas al gobierno venezolano?, después de todo van a cerrar la base de Guantánamo, y este gesto sería una señal de respeto por los derechos humanos.

Chomsky: Cerrarán Guantánamo porque no era útil para ningún propósito y se había convertido en una gran vergüenza para los Estados Unidos, tanto a nivel internacional como también a nivel nacional. Además, se había producido una inmensa cantidad de literatura escrita por profesionales jurídicos y de otras profesiones, condenando Guantánamo.

Era mentira que había que conseguir evidencia de la tortura en Guantánamo. Las discusiones en este sentido eran muy elaboradas. No es necesario tener evidencia. El simple hecho de que Guantánamo exista le dice a cualquier persona racional que Guantánamo es una celda de tortura, si no, por qué no se construyó en el Estado de Nueva York. Dijeron que era riesgoso permitirles a personas tan peligrosas estar en Nueva York. Pero no es peligroso. Si piensan que es peligroso por qué no ponerlos en una cárcel de máxima seguridad. De hecho, las cárceles de máxima seguridad en EEUU no son tan diferentes a las de Guantánamo. Ahí también torturan a los detenidos.

Guantánamo fue abierto en suelo extranjero para aparentar que está fuera de la jurisdicción de ley doméstica y la ley internacional. No hay ninguna otra razón para haberlo hecho así.

Este hecho nos dice que efectivamente es una celda de tortura. Por supuesto que la evidencia ha salido a relucir nos cuenta que esto es así. Esta cárcel no tiene ningún sentido para propósitos prácticos, y, al igual que Abu Ghraib, es un gran bochorno para Estados Unidos. De modo que la clausuramos para no sentirnos avergonzados. Pero este no es un paso hacia ninguna parte.

Referente a los terroristas, Orlando Bosch es el principal, Posada Carriles es el otro, y hay unos cuantos más. Estados Unidos los ha protegido desde hace años. Hay algo llamado la Doctrina Bush, la cual es considerada como el principio de facto de la ley internacional por profesores destacados de la Universidad de Harvard.

La Doctrina Bush dice que un país que cosecha terroristas es tan culpable como los mismos terroristas. Por tanto se les debe tratar como tal. Esto significa que Bush está llamando a bombardear a los Estados Unidos. Debería ser llevado a juicio por traición, ya que está llamando a bombardear a Estados Unidos de forma explícita. No hay duda de que estas personas son terroristas. En el caso de Orlando Bosch, ya han pasado 20 años.

El Departamento de Justicia y el FBI lo acusaron de unos 30 actos terroristas. Lo querían deportar por considerarlo una amenaza para la seguridad de los Estados Unidos. George Bush I le otorgó el perdón presidencial. Ahora camina felizmente por Miami, y recientemente se le sumó Posada. Entonces, si es cierto que la Doctrina Bush es un principio de facto de la ley internacional, los atentados del 11 de septiembre serían legítimos.

Pero ellos no son los únicos, Emmanuel Constant, uno de los principales asesinos en Haití bajo los escuadrones de la muerte, y quien de hecho fue respaldado por Clinton, aunque no se atreva a decirlo. Vive tranquilamente en Nueva York desde hace años. Haití trató de extraditarlo, pero Estados Unidos no se molestó en responder. ¿Por qué molestarse en responderle a Haití? Constant es responsable del asesinato de unas 4,000 personas, algo bastante serio. Era la cabeza de una organización terrorista en Haití. Fue recientemente apresado por una infracción menor. De hecho, Posada fue juzgado sólo por haber violado las leyes migratorias, no por haber puesto una bomba en el avión de Cubana de Aviación.

No veo ninguna indicación de que las cosas vayan a cambiar. Casi no existe presión a nivel público porque casi nadie maneja esta información, al menos que realmente estés involucrado en estos asuntos. Si se llevara a cabo una encuesta sobre este tema en Estados Unidos, prácticamente nadie tendría ningún conocimiento sobre este tema.

El New York Times y la guerra mediática

MV: Profesor, denos una idea de cómo funcionan los medios en EEUU. ¿Cómo ve usted la cobertura de éstas corporaciones mediáticas sobre Venezuela?. Por ejemplo, en el 2007 apareció un artículo en el New York Times escrito por Simón Romero, en el que argumenta que el gasto en armas de Venezuela ha subido a los niveles más altos del mundo. Romero afirma que Venezuela está llegando al nivel de compradores como Pakistán e Irán.

Chomsky: Estoy seguro de que Venezuela estaría encantada de poder comprar armamento a EEUU o a Francia pero no se lo permiten. Esta historia es vieja. Romero no es un tonto, él conoce la historia de América Latina.

Cuando, bajo la Administración de Eisenhower, Estados Unidos quiso derrocar el Gobierno democrático de Guatemala (Jacobo Arbenz), la forma como lo lograron fue, primero con muchas amenazas, -y EEUU no amenaza en broma, amenaza muy en serio- Además de las amenazas los difamaron, los tildaron de comunistas.

Cuando Guatemala trató de conseguir armas para defenderse de Estados Unidos, los bloquearon. Trataron de conseguir armas de Francia, pero Estados Unidos obligó a Francia a no enviar armas. Querían que consiguieran las armas del Oriente.
Finalmente Guatemala pudo conseguir las armas en Checoslovaquia, lo cual causó gran furor ya que consideraban que esto ponía en peligro a todo el continente. Esto sirvió como base para la propaganda que el Gobierno de Estados Unidos utilizó antes de la invasión.

América Latina no estuvo de acuerdo, pero estaba siendo aterrorizada por Estados Unidos. En la privacidad apoyaban a Guatemala, pero públicamente no se atrevían. Intentaron hacer lo mismo con Cuba. De hecho existen documentos que lo comprueban. Gran Bretaña le aconsejó a EEUU que intentara forzar a Cuba a comprar armas en el Oriente, para así tener una base propagandística para atacar. Los cubanos terminaron comprándole armas a Rusia.

Intentaron lo mismo con Nicaragua. En los ochentas Estados Unidos hizo un gran esfuerzo para lograr que los sandinistas compraran armas de Rusia, o Libia, o de cualquier lugar del que pudieran sacar provecho. Pero, no lo hicieron. No cayeron en la trampa.

Entonces los EEUU hacían creer que Nicaragua le había comprado armas a Rusia. EEUU se opuso rotundamente a las elecciones del 1984 en Nicaragua, y a que éstas serian monitoreadas y gozarían de credibilidad; serían intensamente monitoreada por especialistas extranjeros, los cuales dirían que las elecciones fueron limpias, pero bajo las circunstancias era imposible.

Un país que está siendo desestabilizado a través de terrorismo en gran escala, no puede tener elecciones justas y limpias. Esto es como una regla. ¿Y cómo lo bloquearon? A través de un exitoso esfuerzo propagandístico. Mientras se realizaban las elecciones, la Administración Reagan inundaba el país con cuentos que relataban como Rusia enviaba armas avanzadas a Nicaragua. Desde luego que estas historias eran falsas, pero aún así eran publicadas en un sin número de portadas y titulares.

La opinión de la élite estadounidense se dividió de una forma interesante, el grupo de los halcones dijeron; está bien, vamos a bombardear Nicaragua, el grupo de las palomas, que incluía a senadores más moderados, dijeron que podía no ser cierto; primero tenemos que saber si es cierto. Pero, de ser cierto, tenemos que bombardear a Nicaragua porque no se les está permitido tener posesión de estas cosas.

¿Pero por qué los nicaragüenses querían armas? Necesitaban las armas porque la CIA tenia control total de su espacio aéreo y lo usaba para enviar instrucciones al ejercito terrorista (la contra) para que estos supieran como esquivar al ejército nicaragüense, y para que atacaran blancos suaves como las cooperativas de agricultores. No era un grupo guerrillero corriente, ya que contaban con computadoras y aviones dándoles las órdenes.

Nicaragua quiso defender su espacio aéreo, por lo tanto de haberlas adquirido (armas antiaéreas) hubiese sido completamente legítimo. Pero en realidad fue una farsa que tuvo éxito en minar la realidad de las elecciones, las cuales, de acuerdo a la historia en Estados Unidos, nunca tuvieron lugar. Es difícil tratar de encontrar alguna referencia sobre estas elecciones en los libros de historia.

Ésta es una técnica estándar, y les gustaría que usarla contra Venezuela. Que Venezuela deba o no hacerlo, caerían en la trampa. Pero es una trampa muy vieja.
Romero ciertamente conoce esta historia. De cualquier forma, ¿qué clase de amenaza representaba Nicaragua, a quién va a atacar? Si miramos en retrospectiva, es difícil entender si Ronald Reagan era un ser humano o no. El de verdad se puso sus botas vaquero y declaró a Estados Unidos en situación de emergencia nacional por la amenaza a la seguridad nacional que representaba Nicaragua. Dijo además, que el ejército nicaragüense estaba a sólo dos días de Texas, y que prácticamente seríamos destruidos, y la gente esto no le pareció gracioso.

Me recuerda a un incidente que ocurrió, supongo que en 1961, cuando Kennedy estaba tratando de que la OEA apoyara las sanciones contra de Cuba, ya que esta era una amenaza para la seguridad del hemisferio occidental. La mayoría de países estuvieron de acuerdo por el miedo que le tenían. México fue uno de los que se negó. El Embajador mexicano le dijo a Kennedy que si el volvía a México y decía que Cuba era una amenaza para la seguridad, 40 millones de mexicanos se morirían de risa. Y es verdad que esto debería de causar risa.

Pero aquí no causó risa. Aquí si se lo creyeron. Aquí Nicaragua era una amenaza para la seguridad, Granada era una amenaza para la seguridad. Los rusos ni siquiera podían encontrarla en los mapas aún siendo la capital mundial de las nueces. A pesar de eso representaba una amenaza para la seguridad, y es por eso tuvimos que invadir.
Esto es lo que le venden a la gente en Estados Unidos, y es entendible. Los asuntos internacionales se manejan como una mafia. Si alguien se atreve a retar al padrino, quizás algún bodeguero que se niegue a pagar la cuota de protección, tienen que enviar sus armas para acabar con él y así harían de éste un ejemplo.

Por más insignificante que parezca, para ellos cualquier desafío a sus reglas es serio ya que les da a los demás la idea de que ellos tampoco tienen que pagar su cuota. Así que si Maurice Bishop de Granada tenía un sistema de cooperativas eficiente, la Administración Carter lo declaró una amenaza para nuestra seguridad. Mientras más débil sea el país, más grande es la amenaza. Porque si ellos se pueden salir con la suya, entonces el vecino del lado piensa que también lo puede hacer.

Si echamos un vistazo al registro de documentos nos damos cuenta de que EEUU es un país muy liberal, más que cualquier otro país que conozca. Contamos con un cuantioso registro de documentación interna. En el caso de Cuba, Guatemala, y otros países, la amenaza consistía en lo que Henry Kissinger denominó como un virus contagioso. Otros países pensarían que para ellos sería posible hacerlo también. Él se refería al Chile de Allende. Dijo que Allende era un virus que podía propagarse en el Sur de Europa.

Ahora, Kissinger no creía que el ejército de Allende aterrizaría en el Grid. Lo que sí creyó, y puede que tuviera razón, es que si la democracia parlamentaria conlleva a moderadas reformas socialistas en Chile, también podría fortalecer a grupos en Italia y en España que se encaminaban en esta misma dirección. Así que tenían que cortarlo desde la raíz.

Este es uno de los principios más importantes en asuntos internacionales, se encuentra en los registros históricos, aparece de forma explícita en los registros de documentos. Requiere de una inmensa disciplina de parte de las clases educadas para obviarlo. Lo que sí ven son los pretextos que usan para cada caso. El caso de Romero simplemente encaja en una vieja tradición.

América Latina y la Doctrina Monroe

MV: Para concluir, denos sus comentarios sobre el giro a la izquierda de América Latina en este momento decisivo y sus reflexiones para las organizaciones de base en Venezuela, como los Consejos Comunales, en la tarea de la construcción del Poder Popular.

Chomsky: América Latina; Sudamérica, particularmente, está pasando por grandes cambios. Son cambios muy significativos que se ven en casi toda la región. Es quizás el lugar más emocionante en el mundo, y estos cambios se deben a los movimientos populares. Bolivia es un caso dramático, ya que es quizás el país más democrático en el mundo y es por eso que Estados Unidos la denuncia como anti-democrática, y EEUU es demasiado democrático para poder tolerar lo que está pasando en Bolivia. Hasta cierto punto algo similar está pasando en toda la región de forma variada.

Con respecto a las organizaciones populares en Venezuela, lo que están haciendo es asegurarse que la estructura realmente funcione y que se conviertan en instituciones de Poder Popular que funcionen y trabajen para cambiar las relaciones sociales y culturales, y para proveer el cambio político desde las bases.

Bolivia es un caso dramático. Si se compara a Bolivia con Estados Unidos resulta extremadamente interesante. Mencioné que la últimas elecciones en Estados Unidos fueron aclamadas por la industrias publicitarias como un logro maravilloso el haber comercializado a un candidato como se comercializa un artículo para la venta. No conocemos mucho acerca de las políticas de la Administración de Obama, pero lo que sí sabemos es que no provienen de las bases.

No hay organizaciones de base que influencien estas políticas. Puede que estas organizaciones den su opinión pero nadie les presta atención. Bolivia es exactamente lo contrario. Los bolivianos no están esperando las órdenes de Morales, para ellos entonces presionar a Morales. Aquí se supone que la gente espere las instrucciones del líder para después hacer presión. En Bolivia las políticas emergen de las organizaciones de masas, y fueron ellos quieres eligieron a alguien de sus propias filas.

Es interesante ver la euforia que hubo en Europa en torno a la campaña electoral en EEUU; sólo en Estados Unidos puede haber tanta magia. Bajo los estándares europeos, probablemente esto sea cierto; allá son más racistas que en EEUU. Pero, bajo los estándares mundiales no significa nada.

Es mucho más sorprendente que en Bolivia las organizaciones populares hayan podido elegir un presidente de sus propias filas, del campesinado. Hay muchos otros casos como este, pero han ocurrido en lugares donde la gente son considerados sub-humanos por Occidente, porque para estos estas personas son sujetos, no agentes (de cambio).

En Bolivia no fueron sólo las organizaciones populares, había problemas reales. En EEUU los problemas son marginalizados, porque ésta no es la forma de comercializar candidatos. En Bolivia los problemas se encaran; el control de sus recursos, derechos culturales, justicia, derechos étnicos y demás. No fue que el pueblo un día, simplemente, apareció en las urnas. El día de las elecciones fue sólo uno de los escenarios de una lucha popular que ha estado en marcha desde hace años. Esto sí es democracia.

Por eso es que aquí los medios describen a Bolivia como anti-democracia. La razón es que Bolivia es una democracia real, lo cual es intolerable. Pienso que este es el modelo a seguir. Las sociedades tienen sus propias maneras de hacer las cosas, pero éste es un modelo inspirador para Venezuela y otros.

MV: ¿Cree usted que la Doctrina Monroe ha sido destruida con la unión latinoamericana?

Chomsky: Está siendo retada. En Santiago de Chile hubo una reunión de UNASUR durante la cual los estados fuertes apoyaron a Morales frente los movimientos secesionistas en Bolivia. Esto fue sumamente importante. De hecho, fue tan importante que no se difundió en los medios de los Estados Unidos.

La respuesta de Morales fue que está muy agradecido por el apoyo brindado, y dijo que era la primera vez en 500 años que América Latina está tomando su destino en sus propias manos. Ahora, esto tiene demasiada importancia para ser difundido en los medios de este país. Para EEUU esto es un desafío, es por esta razón que son tan intransigentes. Hay documentos secretos de los Gobiernos de Kennedy y Lyndon Johnson donde explícitamente se dice que el problema con Cuba es que han logrado desafiar las políticas estadounidenses, que han logrado desafiar la Doctrina Monroe.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Argentina/PLAN CONDOR Y ROL DE LA IGLESIA CATÓLICA

Cristiano Morsolin *

20 febrero 2009/Adital Agencia de Información Fray Tito para América Latina
http://www.adital.com.br

A los 86 años murió el cardenal italiano Pío Laghi, quien fuera durante los años de la dictadura militar el titular de la nunciatura apostólica. Importante figura de la diplomacia católica, intervino en la mediación para evitar la guerra entre Argentina y Chile por el Canal de Beagle, en 1978, y también fue señalado como "cómplice" del silencio eclesiástico frente a las miles de denuncias de desaparición de personas cometidas por el terrorismo de Estado.
Ángela "Lita" Boitano, madre de dos desaparecidos italo-argentinos, no vaciló en afirmar que el fallecido cardenal Pió Laghi fue "más brutal que los militares" en su trato con ella y otros familiares cuando, en 1979, lo entrevistaron buscando verdad y justicia.
Boitano recordó a ANSA (edición del 11 de enero del 2009) que ella y otras cinco madres, todas con hijos desaparecidos en 1976, tras el golpe militar del 24 de marzo en Argentina, se entrevistaron tres años después con Laghi en Puebla, México, durante la Tercera Conferencia Episcopal Latinoamericana.
"Todas nosotras, igual que los demás familiares, católicos o no, habíamos denunciado el secuestro de nuestros hijos a la Nunciatura argentina, que estaba a cargo de Laghi. En vano le habíamos pedido audiencia en Buenos Aires, pero recién nos recibió en Puebla, en oportunidad de la visita de Juan Pablo II", recordó Boitano en diálogo con ANSA."Laghi nos escuchó y sólo respondió: 'tres años es mucho tiempo, y si están muy torturados los militares no los van a dejar en libertad'", dijo la madre."¡Un militar no hubiera sido tan brutal! Además no había duda alguna de que la jerarquía de la Iglesia tenía pleno conocimiento de lo que estaba sucediendo y de su complicidad con la dictadura" castrense (1976-83), opinó con dolor.
La figura de monseñor Pío Laghi ha sido cuestionada a raíz de su desempeño dentro de la Iglesia católica durante la última dictadura militar. "La Iglesia fue uno de los primeros lugares en saber sobre los desaparecidos", explicó el historiador Lucas Lanusse. "En el año 77, hubo muy pocos actores que se le animaron al proceso. Por eso, el rol del Episcopado ha sido muy criticado. Era una Iglesia a la que se veía aliada al poder", añadió.
"El régimen militar que secuestraba y mataba por izquierda, lo hacía en nombre de Cristo. Decía defender un orden occidental y cristiano. Y (la dictadura) necesitaba la legitimidad de la Iglesia, y si bien aparecían algunos documentos críticos, rápidamente quedaban diluidos por otros mucho más ambiguos e inclusive por cantidad de actos, fotos, misas, ceremonias de todo tipo donde el Episcopado aparecía mano a mano con (Jorge Rafael) Videla, (Emilio) Massera, (Orlando) Agosti. Y eso no sólo sucedió en los 70 sino también en los 80, donde ya se sabía muy bien lo que estaba pasando", señaló Lanusse. "Visto desde hoy, su actitud deja muchísimo que desear. De parte de la Iglesia institucional no hubo una reacción contra, por ejemplo, la desaparición de las monjas francesas, Alice Domon y Leónie Duquet o de los curas palotinos", dijo Lanusse a Clarín en su edición del 10 de enero del 2009.

REFLEXION DE ADOLFO PEREZ ESQUIVEL

El premio Nobel de la Paz 1980, Adolfo Pérez Esquivel, recordó que la Iglesia católica argentina nunca respondió a sus reclamos de ayuda para hallar a desaparecidos de la pasada dictadura y señaló que en un encuentro con Juan Pablo II, cuando fue a exponerle estas situaciones, el Papa le aconsejó que se ocupara de "los chicos de los países comunistas".
En Paris el 19 de marzo del 2008 se ha realizado el seminario "Terrorismo de Estado y rol de la Iglesia Católica "Orígenes, intereses y complicidades". Adolfo Pérez Esquivel, ha enviado una interesante ponencia sobre la complicidad de la Iglesia, que el Observatorio SELVAS difunde para profundizar el debate.
"Los interrogantes son muchos y debiéramos preguntarnos ¿Cuando comenzó todo lo vivido y sufrido por el pueblo argentino? Pregunta central para comprender las causas y no quedarnos en los efectos y el dolor de un pueblo. La tragedia no comenzó el 24 de marzo del 1976, los fundamentos y base de dominación impuestos a los pueblos del continente surgen desde varias décadas atrás, con la Doctrina de Seguridad Nacional y la aplicación del Plan Cóndor. Más de 80 mil militares latinoamericanos recibieron formación en la Escuela de las Américas en Panamá y las Academias militares de los EE.UU., donde se desarrolló dicha doctrina basándose en la experiencia de la guerra de Vietnam y la guerra de Argelia; en la aplicación de metodologías como las torturas, el secuestro y desaparición forzada de personas.
Quiero recordar que aquí, en el Senado de Francia en el año 1981 se realizó el 1er. Coloquio sobre la Desaparición forzada de personas.
Fue un avance significativo en determinar ese delito y elevar sus resultados a las Naciones Unidas. Es necesario hacer memoria, para que nos ilumine el presente y nos permita construir el futuro que depende de las huellas que deje el caminar de los pueblos. Tengamos presente que los militares nunca pueden dar un golpe de Estado solos, necesitan del apoyo y complicidades e intereses de sectores empresariales, políticos, religiosos, sindicales; de los medios de comunicación, como del apoyo externo dado por los EE.UU. y varios países europeos y de empresas multinacionales a las políticas impuestas por de organismos internacionales como el FMI , BM y el BID que otorgaban créditos a las dictaduras, a pesar de saber que violaban los derechos humanos aplicando el terrorismo de Estado. No podemos hacer una lectura lineal de lo sucedido y vivido en la Argentina y en todo el continente latinoamericano. Muy brevemente quisiera señalar algunos ejes que nos permita profundizar y comprender los caminos de dolor y sufrimiento; como de la resistencia en la esperanza en la lucha por la vida, la libertad y dignidad de los pueblos.
Es necesario recordar la dictadura del General Juan Carlos Onganía que impone en el país la Doctrina de Seguridad Nacional. La represión desatada en 1968 en la "Noche de los Bastones Largos", donde el ejercito y la policía invade y destruye los centros de investigación científica de la Universidad de Buenos Aires y de otras Casas de Altos Estudios en el país Para desmontar y destruir el pensamiento nacional y la oposición al proyecto de dominación impuesto.
Al golpe militar en Brasil en el año 1964, se van sumando en otros países como Chile en 1973 por el general Augusto Pinochet en el golpe de Estado contra el Presidente Salvador Allende y la intervención de los EE.UU.
Otros países en el continente van cayendo en manos de dictaduras que marca las décadas del 60 y70.
El regreso del general Perón en 1974 a la Argentina, después de su largo exilio y sucesivas dictaduras, marca una etapa y aumento de la violencia, como fue su llegada a Ezeiza y el conflicto se agudiza y desemboca en la Plaza de Mayo con la ruptura con el movimiento Montonero que vuelven a la clandestinidad.
Con la muerte de Perón aumenta la represión y violencia de grupos armados para-policiales y para-militares de las Tres A (AAA), liderada por el ministro del gobierno peronista de Isabel Perón, López Rega.
El deterioro del país se va acentuando hasta la caída y derrocamiento de Isabel Perón el 24 de Marzo de 1976.
La resistencia social surge frente a la grave situación que vive el continente. Algunos sectores lo hacen a través de la lucha armada; otros en la resistencia social no-violenta; que marcan y agudizan la situación de conflicto en el continente. La Revolución Cubana en 1959, es un punto de inflexión en el continente y alienta a grupos en su mística revolucionaria. Me han pedido en éste Coloquio hablar sobre el Terrorismo de Estado y el rol de la Iglesia Católica.- Orígenes, intereses y complicidades.

IGLESIA DE LA LIBERACIÓN

La década del ‘60 marca opciones en la vida de los pueblos y movimientos sociales, como en la Iglesia latinoamericana que agudiza sus contradicciones internas.
Dos grandes ejes son signos de esperanza y renovación de la Iglesia, como fue Vaticano II que, como bien lo señalaba Juan XXIII, es necesario abrir las puertas y ventanas de la Iglesia para sacudir el polvo de los siglos y que entre la Vida, para su renovación a la luz del Evangelio.
Inspirados en ese espíritu se realiza el Encuentro del CELAM en Medellín Colombia en 1968 y ahí sopla el espíritu la renovación que marca fuertemente a la Iglesia Latinoamericana. La opción preferencial por los pobres, La lucha contra la pobreza, la marginalidad, la iglesia no puede ser indiferente ante el sufrimiento de los pueblos, debe comprometerse y asumir su rol profético desde la fe y el compromiso junto al pueblo. Surge con fuerza la Teología de la Liberación, los Curas del Tercer Mundo. Muchas comunidades religiosas van a compartir la vida con los pobres en las villas miserias, en las favelas. Los cristianos asumen la rebeldía de compartir el pan y la libertad junto a sus pueblos.
Hacer vivo aquello que el Mártir de los Llanos riojanos. Monseñor Enrique Angelelli decía: "hay que poner un oído en el Pueblo y otro en el Evangelio, para saber para donde ir"
Así muchos dan su vida para dar vida, no puedo dejar de señalar a Monseñor Romero en el Salvador.
Quiero recordar aquí, que el 12 de Agosto de 1976 estábamos en el Ecuador, en Riobamba en la diócesis del Obispo Mons. Leonidas Proaño, en la Casa de la Santa Cruz en la montaña, junto a 17 obispos latinoamericanos y 4 norteamericanos cuando un batallón ecuatoriano invade la Casa de Retiro y nos llevan a todos presos a Quito y somos expulsados del país.
El Operativo Cóndor, la internacional del terror, se puso en marcha y no les importaba que en esa reunión estuvieran tantos obispos latinoamericano y de otros países. Entre ellos un obispo argentino Arzobispo de Santa Fe, Mons. Vicente Zaspe, compañero de prisión.
A esa reunión de Pastoral social, no pudo llegar Mons. Enrique Angelelli, asesinado el 4 de agosto en la Rioja.
Es necesario comprender la situación de sectores de la jerarquía de la iglesia católica en Argentina. No es posible hablar del episcopado como un solo pensamiento- Existen fuertes contradicciones y opciones, algunos obispos fueron cómplices de la dictadura militar, como algunos sacerdotes que apoyaron y traicionaron al pueblo y al Evangelio. Podríamos señalar a obispos como Plaza, Bonamin, Tortolo, el Cardenal Antonio Quarracino; sacerdotes cono Von Wernik, recientemente juzgado y condenado por crímenes de lesa humanidad.
Otros fueron la masa gris, sin criterio propio y manejables, como aquellos que dicen, "la Iglesia no se mete en política ". Pero deja hacer terminando siendo cómplices por omisión.
Luther King decía "que, lo que más le dolía, era el silencio de los buenos".
Recuerdo a mi encuentro con el Capitán de la Marina Adolfo Scilingo, cuando me dice que participó de dos vuelos de la muerte, donde arrojaron al mar 30 prisioneros vivos y al regreso a la base, los recibía el capellán militar y les daba misa, los bendecía y decía que lo que habían hecho era para salvar al país de las garras del comunismo internacional. Que lo hecho fue darles una muerte cristiana en bien de la Patria. Un cinismo macabro.
Soy un sobreviviente de los vuelos de la muerte, a que fui sometido el día 5 de mayo del año 1977, cuando me trasladaron al aeródromo de San Justo y me sacaron de la Superintendencia de Seguridad Federal donde me encontraba detenido y encadenado en un avión y volar durante más de dos horas sobre el Río de la Plata y el límite con el mar. Hasta que llega una orden al piloto para que el avión se dirija a la Base Aérea de Morón en el Palomar. La fuerte intervención y solidaridad internacional salvó mi vida. A pesar del tiempo transcurrido no puedo dejar de pensar en ese momento cuando los dictadores decidían sobre la vida o la muerte de los prisioneros.
Recuerdo los encuentros que tuve con el Nuncio Apostólico en Argentina, Monseñor Pío Laghi en la Nunciatura, las discusiones tensas y en particular una de ellas; cuando le reclamo que intervenga por los desaparecidos ante la Junta militar y el Vaticano. Dice- ¿ Qué quiere que haga?. Anoche estuvieron aquí, en éste mismo salón los comandantes militares, yo les digo y reclamo por las violaciones de los derechos humanos, por los desaparecidos. A todo dicen que si, pero después no lo hace.- ¡Qué quiere usted que yo haga?-No puedo hacer, lo que los obispos argentinos no quieren hacer.
La primera reunión con Juan Pablo II en el Vaticano en 1981, estuvo señalada por el maltrato y las dificultades para la reunión. Me acompañaron a ese encuentro el Padre Michel Grolleaud, de la Misión de Francia, Jim Forest de IFOR de los EE.UU. y Amanda, mi esposa. La reunión fue tensa y los cardenales que acompañaban al Papa hicieron todo lo posible para que el encuentro se limite a un saludo protocolar.
Rápidamente tuve que informar al Papa y entregarle un dossier con fotos de 84 niños secuestrados y desaparecidos en la Argentina. Diciéndole que esa información se la había enviado por tres canales distintos. El Papa me respondió: No,…no, yo no conozco nada de esto. Nunca llegó a mis manos.- ¿ Está bien…. esto queda conmigo!- Después me dice: ¿ Usted tiene que ocuparse también de los niños en los países comunistas!- Lo cual me sorprendió ese reclamo. Mi respuesta fue- Los niños del mundo no tienen fronteras ni ideología, debemos defenderlos en cualquier parte del mundo.
Este informe que le entrego es de 84 niños secuestrados y desaparecidos en la Argentina por la dictadura militar. Algunos de ellos han nacidos en cautiverio, siendo sus madres capturadas embarazadas. Ese dossier fue preparado por algunas abuelas, como Chicha Mariani que en 1982 fue la primera presidenta de Abuelas de Plaza de Mayo. Le digo al Papa. Los dictadores violan los derechos humanos y dicen ser los defensores de la Civilización Cristiana y Occidental. Eso es anti- evangélico. Le pido que actúe, es urgente su palabra para salvar vidas. Ahí terminó la entrevista.
A la semana el Papa por primera vez hace mención a los desaparecidos en la Argentina desde el balcón del Vaticano en la Plaza de San Pedro. Hubo complicidades, mala fe, instigación de sectores de la Iglesia Argentina que apoyaron la dictadura. Pero también hubo testimonios de vida. De luchas, esperanzas y acompañamiento de otros sectores de la Iglesia que dieron su vida para dar vida.
Es necesario rescatar los testimonios de una Iglesia profética y comprometida con el pueblo, como los sacerdotes Carlos Muria y Gabriel Longueville, misionero francés, asesinados en el Chamical, en la Diócesis de la Rioja.
Y el posterior asesinato de Mons. Enrique Angelelli, por la dictadura militar. Las religiosas francesas Alice Dumond y Leonil Duquet, secuestradas y desaparecidas de la Casa de Nazareth en Bs. As. El asesinato de 5 sacerdotes y seminaristas Palotinos. Es una larga lista de cristianos encarcelados, torturados y asesinados. Otros fueron exiliados. Laicos que sufrieron la persecución, esos hombres y mujeres comprometidos desde la fe con el pueblo. Obispos y sacerdotes que acompañaron y caminaron junto al pueblo. Debo señalar a compañeros de ruta, de luchas y esperanzas. Mons. Jaime de Nevares, Obispo del Neuquén, Mons. Jorge Novak, de Quilmes, Miguel Hesayne de Viedma, Río Negro, Mons. Alberto Devoto, de Goya, Corrientes.
La comunidad de los Pasionistas que desde la Casa de Nazareth fueron siempre un apoyo solidario inclaudicable. Como lo fue la Facultad Teológica Evangélica y el Rabino Marshall Meyer, de la Comunidad Beth.
Es un largo camino entre luces y sombras. Es necesario reflexionar y comprender para separar la paja del trigo.
Nada de lo ocurrido fue improvisado y la locura de unos pocos, son políticas de dominación aplicadas a nivel continental.
La ideología de la Guerra Fría se traslada y calienta en América Latina, responde a los intereses y poder hegemónico impuesta por los EE.UU. a través de la DSN, en la polarización entre Este y Oeste. Por un lado la llamada defensa de la Civilización Cristiana y Occidental y por otro lado, la URSS, el comunismo y todo aquello que se oponía al sistema dominante era considerado subversivo y terrorista. Los acuerdos de Yalta, después de la II Guerra Mundial, marcaron la vida de los pueblos bajo los intereses y políticas de dominación de las dos grandes potencias. Si tenemos que ver la DSN en la actualidad, tengo que decir que no desapareció, es como el camaleón, cambió de color pero no de forma. Continúa con la misma concepción ideológica, simplemente que después de la caída del Muro de Berlín y la desintegración de la Unión Soviética ha cambiado los nombres de las hipótesis de conflicto. Hoy todo opositor real o potencial es acusado de terrorista y narcotraficante. Se ha inventado las "guerras preventivas", para violar el derecho internacional y la soberanía de los pueblos.
Ya no pueden echarle la culpa al comunismo. El sistema para sostenerse necesita crear enemigos, reales o imaginarios. Sostener los mecanismos implantados de dominación y condicionamiento de los países; como fue las políticas de ajuste, capitalización y privatizaciones. La deuda externa que se ha transformado en la deuda eterna, que agobia la vida de los pueblos y los somete a la pobreza, la mortalidad infantil, a la destrucción de la capacidad productiva. Los gobiernos continúan pagando una deuda manchada con la sangre del pueblo. Hoy se está negociando pagar la deuda al Club de París, sin realizar una auditoria y poder determinar la deuda legítima de la ilegítima. Los gobiernos hacen abstracción y quieren separar la deuda externa, de la represión y violaciones de los DD.HH. y continúa con su política suicida que se reduce a: "más pagamos, más debemos y menos tenemos".¿ Hasta cuando seguir hipotecando el presente y el futuro del pueblo?
América Latina fue el escenario para imponer la dominación global, los hechos lo confirman hasta nuestros días. La política hegemónica continúa. Lo ocurrido recientemente de generar un conflicto regional entre países hermanos como Ecuador, Colombia y Venezuela, los intentos de desestabilización que sufre Bolivia, Los ejes de control continental marcados por el Plan Puebla-Panamá-. El Plan Colombia y la Triple Frontera, con tropas norteamericanas en Paraguay. Marcan claramente que la política de dominación no terminó con las dictaduras militares. La Iglesia Católica, como todas las religiones tienen que optar, entre ser sometidas y sojuzgada al poder de turno o que el mensaje sea liberador y protagonista en la construcción de nuevas esperanzas y realidades junto a los pueblos. Como cristiano comprometido desde la fe en la liberación, vivo la esperanza que es posible la conversión dentro de la misma iglesia. Tenemos que tener una mirada profunda, saber ver la semilla de vida que aquellos que viven y luchan por un mundo mejor", concluye Adolfo Pérez Esquivel.
FUENTE: http://www.serpajamericalatina.org/secretariados/adolfo/terrorismodeestado.doc

LOS LÍMITES DE LA DECENCIA Y LA COMPLICIDAD DE BERLUSCONI
Madres, abuelas y familiares de desaparecidos se manifestaron "ofendidas" por declaraciones del jefe del gobierno italiano, Silvio Berlusconi, reportadas por medios de prensa locales, según los cuales el premier bromeó sobre los vuelos de la muerte cometidos durante la dictadura militar argentina (1976-83).
Estela Carlotto, Angela "Lita" Boitano y Vera Jarach, todas ciudadanas italianas y madres de desaparecidos, manifestaron en diálogo con ANSA del 18 de febrero que se sentían "ofendidas" por los dichos de Berlusconi que, según el diario L'Unita' de Roma reproducidos hoy por Clarín de Buenos Aires, pronunció este fin de semana en el marco de una campaña electoral de Cerdeña. "Eran hermosos días... Los hacían descender de los aviones", habría dicho Berlusconi según esas fuentes, aludiendo a los vuelos con que los militares arrojaban vivas a las aguas del Río de La Plata a personas secuestradas en campos de tortura y exterminio, en particular la Escuela de Mecánica de la Armada (ESMA). "No podemos admitir que se bromee sobre los desaparecidos y los vuelos de la muerte, es decir, delitos de lesa humanidad cometidos por el terrorismo de Estado" destacó Vera Jarach, nacida en Italia y cuya hija Franca fue víctima de la dictadura cuando tenía 18 años.
El maestro Horacio Verbitsky comenta en Pagina 12 del 19 de febrero que "la nota del diario italiano L’Unità se publicó el sábado 14 de febrero: el jefe de gobierno Silvio Berlusconi bromeaba sobre los desaparecidos argentinos, arrojados al mar desde aviones navales. Aun para quienes estábamos acostumbrados a la prosa ligera del ex presidente Carlos Menem nos resultaba demasiado como para creerlo sin más. Sobre todo porque la nota de Marco Bucciantini encomillaba la frase sobre una invitación a bajar de los aviones pero no el sujeto al que Berlusconi se refería. ¿Pudo tratarse de una confusión del periodista, acaso el magnate de la televisión y el fútbol se refería a la deportación de extracomunitarios, que su gobierno practica y propone como política europea frente a la crisis global? Citado por la cancillería para comunicarle el disgusto del gobierno argentino, el embajador Stefano Ronca dijo que no estaba al tanto y que debía verificar los dichos del presidente del Consejo de Ministros. El video con la frase completa, pronunciada por Berlusconi durante la campaña electoral en Sardeña, donde el candidato de Forza Italia Ugo Cappellacci venció al gobernador democrático Renato Soru, no deja lugar a dudas. La trascripción en castellano, con la sintaxis del propio Berlusconi, es la siguiente: "Sin ironía, sin la capacidad de sacar algo bueno de todo lo malo, no se llega a ningún lado. De verdad, yo nunca he insultado a nadie. No sólo al señor Soru, a nadie. Sólo me burlo un poco, dentro de los límites de la decencia. He recibido muchos insultos, pueden verlo en los diarios. Parece que para la izquierda es un deporte nacional el tiro al blanco sobre el presidente del Consejo de Ministros. No hacen otra cosa. Cada uno se acuerda de lo que le duele. Los señores de la izquierda han dicho cualquier cosa de mí. Que soy como Hitler, que soy como Mussolini, que soy como aquel dictador argentino que mataba a sus opositores llevándolos en avión con una pelota, después abrían la portezuela, toma la pelota y dice: Hay un lindo día afuera, por qué no van a jugar un poco". Cuando Berlusconi dice esta frase siniestra, se escuchan risas de su audiencia y el histrión agrega: "Hace reír, pero es dramático". El video fue distribuido en Italia por la agencia virtual Qui News, cuyo director, Carmelo Sorbera, lo acompañó con pocas contundentes palabras sobre la vergüenza que le produce ser representado en el mundo "por el artífice de todo lo más vil que pueda imaginarse". Invocando "la responsabilidad moral de formar parte de la Nación Italiana, pido disculpas a todos los argentinos y a todas las personas involucradas en la tragedia de los desaparecidos y de los años oscuros de la dictadura". Quien aún tenga dudas sobre tamaña vileza puede ver y oír a Berlusconi, en
http://www.quinews.it/2009/02/18/berlusconiironizzasuivolidellamorte/
Gabriele Andreozzi - Fundación "Lelio Basso" de Roma ha lanzado un llamado: "las palabras de Berlusconi suenas como una ofensa a la memoria de las victimas de los vuelos de la muerte. Es necesario una acta forma de excusas por parte del Gobierno Italiano para todas las victimas de la dictadura, que podría concretizarse en la ratifica de Italia de la Convención Internacional de protección de las personas frente a las desapariciones forzadas" (adhesiones: berlusconichiedascusa@yahoo.it).
El Observatorio SELVAS ha acompañado directamente el último proceso a los desaparecidos de origen italiana en Roma (lea http://www.mclink.it/com/inform/art/07n05239.htm); ha escrito con el especialista Luigi Cancrini el artículo "DESAPARECIDOS, QUIEN NO QUIERE LA VERDAD" en el importante diario italiano UNITA’ del lunes 20 de febrero del 2006 (lea http://alainet.org/active/10575&lang=es); acaba de publicar la nota Foro Social Mundial y Plan Condor (http://www.alainet.org/active/28838&lang=es).

* Operador de redes internacionales para la defensa de los derechos de la infancia y adolescencia. Trabaja en Latinoamérica desde 2001. Co-fundador del Observatorio sobre Latinoamérica SELVAS

http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=ES&cod=37422

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

"O BRASIL NÃO PODE ENTREGAR UM HOMEM INOFENSIVO A UM GOVERNO FASCISTA"

"Berlusconi tenta reescrever a história da Itália. Um dos sintomas é a situação de Cesare Battisti". As palavras são de José Luís Del Roio, 65, ex-senador (2006-2008) pelo Partido da Refundação Comunista, da Itália. Brasileiro, de Bragança Paulista, ele vê na vida política do país sinais do renascimento do fascismo. "É o governo mais direitista da Europa", diz ele, em entrevista à Carta Maior.

Gilberto Maringoni

9 fevereiro 2009/Agência Carta Maior http://www.cartamaior.com.br

Dirigente do Fórum Mundial das Alternativas, uma das principais organizações do Fórum Social Mundial, e residente em Milão há 36 anos, Del Roio concedeu a seguinte entrevista à Carta Maior, em São Paulo.

Carta Maior - Como o Sr. vê a política atual do governo Berlusconi em relação aos imigrantes?

Del Roio - A Itália é um país com uma certa homogeneidade histórica e social. Há muitas culturas que estão ali há dois ou três mil anos. Foi criada, ao longo dos séculos, uma aparência de país branco e cristão, ou seja, católico, apostólico e romano. Além disso, a Itália foi o último país europeu a reverter a onda imigrantista. Foi apenas a partir de 1973 que o fluxo de pessoas que entravam foi maior do que o número dos que saíam da Itália. Pois este país, quando começa a receber pessoas de culturas diferentes, tem uma reação estranha. Esses diferentes são na maior parte dos casos, vizinhos albaneses, eslavos, muçulmanos, africanos negros e por aí vai. A reação se acentuou quando a direita chegou ao poder, com uma conduta marcadamente xenófoba. Ela atualiza o discurso nazista clássico, que se voltava contra judeus e ciganos. Agora os indesejados são vários. São os ciganos, os de pele escura, os que professam outros credos etc. O curioso é que os ciganos não são estrangeiros. Alguns estão lá há 600 anos. Mas com um discurso que vincula a criminalidade e a insegurança ao forasteiro, a direita colocou cerca de 4 milhões de estrangeiros que vivem no país na defensiva. Eles representam cerca de 8% da população. Não é uma proporção desmedida. Mas o discurso pegou.

CM - Por que?

Del Roio - Há um aspecto decididamente canalha nas orientações da direita. A maioria dos imigrantes trabalha muito e busca acumular pra voltar à sua terra. Há uma difusa idéia empresarial de que quanto menos o imigrante for protegido pela legislação social, mais ele trabalhará. Não há limitação de jornada, registros e direitos e existe o medo constante da deportação. É gente que se esfalfa na agricultura, na construção civil e em serviços pesados, sem proteção alguma. Assim, ao mesmo tempo em que se aumenta a exploração legal, os imigrantes são jogados na ilegalidade. "Se é ilegal, é criminoso". Este é o raciocínio raso. O ruim é que isso acontece com a conivência de antigas lideranças de esquerda.

CM - Mas há uma aversão ao imigrante por parte da população?

Del Roio - Em geral, o italiano não aceita o trabalhador imigrante. Existe lá, como em toda parte, a ambição de que a cada geração, o padrão de vida melhore, que os filhos vivam com mais conforto que os pais. A maioria dos italianos trabalha na informalidade, em empresas de informática, em call centers etc. No caso dos jovens, a situação se agrava. Não terão aposentadoria . Vivem, na média, pior que os pais, sem esperanças de mudar, o que cria um desespero latente. Pois bem, este jovem desalentado vê muitas vezes o imigrante melhorar um pouco de vida. Está feito o caldo de cultura de que se vale a direita em sua campanha. Esta é a base social que Berlusconi vai solidificando. Mas ela não é homogênea, ela também é fragmentada e separatista em muitas de suas manifestações políticas. A Liga Norte, partido de direita, quer se livrar do sul da Itália e criar um novo país. Seus ministros no governo recusam-se a cantar o hino nacional em cerimônias oficiais.

CM - Como essa situação evolui com o aprofundamento da crise econômica?

Del Roio - É aí que entra o poder de Berlusconi nos meios de comunicação. Não se fala do desemprego, apesar de termos na Itália, 8 milhões de famílias na linha de pobreza, algo como 35% da população, segundo dados do Istati (Istituto Nazionale di Statistica). Ao invés da crise, os meios de comunicação falam o dia inteiro de ciganos, de crimes e se o Kaká vai jogar ou não. O controle é total. Temos o governo mais direitista da Itália, desde Mussolini. Não há oposição política no Parlamento.

CM- Mas como está a opinião pública? O país segue dividido ao meio, como nas eleições anteriores, com uma vantagem apertada para um dos lados?

Del Roio - O Berlusconi teve uma maioria apertada, mas trata sempre de alterar as leis eleitorais. Isso se agrava pelo fato de o eleitorado progressista ter aumentado seu abstenseísmo. As pessoas simplesmente se desanimam e não vão votar. Isso dá maioria à direita. Nossa tarefa maior é criar uma força política pelo voto.

CM - Por que, ao contrário do que ocorre na América Latina, a Europa pendeu para a direita nos últimos anos?

Del Roio - A Europa tem uma história de fragmentação, que vem do feudalismo. Quando a situação piora, cada um volta-se para seu pedaço. Alguns países, como a Itália e a Espanha, vivem tensões separatistas reais. Mas há reações importantes. O Partido de Esquerda, na Alemanha (Die Link), cresce a cada eleição. Na França, o bloco anticapitalista (Comunistas, Liga Comunista Revolucionária e outros), em conjunto, deve chegar a 15% do eleitorado, o que não é pouca coisa, nas condições atuais. Mas o fato é que o movimento social não tem ainda conseguido traduzir suas ações na disputa institucional. É duro ter de assistir às teorizações sobre a vantagem da articulação molecular, da multidão, do discurso antipartido etc. Se olharmos para a América Latina, vemos que, em Belém, houve uma grande convergência entre partidos, movimentos sociais e ativistas muito jovens.

CM - Como o Sr. vê o caso do pedido de extradição de Césare Battisti?

Del Roio - Ele se insere neste quadro de direitização da Europa e da Itália em particular. Há uma tentativa atual de se reescrever a história. O que deu base à vida institucional italiana no pós-Guerra, após 1945, foi a insurreição armada anti-fascista. A Constituição de 1948 se autodenomina antifascista. O desenvolvimento do país nas últimas seis décadas se dá sobre o sentimento antifascista da população. Agora, que eles voltam ao poder, querem reinterpretar este passado. Dizem que a resistência armada, os partizans, eram todos terroristas! Proclamam que Mussolini foi um grande personagem. O 25 de abril, feriado nacional italiano que marca a libertação do país contra o fascismo, tenta ser reavaliado por eles.

Querem transformar a data numa espécie de lembrança de todos os mortos, que seriam iguais, os resistentes e os fascistas. Mas não são! A história italiana subseqüente foi pontuada por atentados fascistas, como os da Praça Fontana, em 1968, o atentado de Brescia, em 1973, o da estação ferroviária de Bolonha, que resultou em 300 mortos, em 1980. Houve também ações de luta armada por parte de setores da esquerda, totalmente defensivos, mas errados. Não se justificavam. Havia um partido comunista forte e um movimento sindical atuante. Não poderia haver luta armada! O erro maior foi o assassinato de Aldo Moro, da esquerda da Democracia Cristã, que levou o partido ainda mais à direita, em 1978. Era preciso estar ruim da cabeça para se fazer algo assim.

CM - Como isso é visto hoje?
Del Roio - Quando o fascismo volta, busca apagar seus crimes e acertar as contas com a esquerda. Aí entra o Battisti, que nada tem com isso tudo. Era membro insignificante de um grupúsculo insignificante. Recebeu asilo na França de Miterrand e de Chirac. Por que? Por existir na Itália uma lei de delação premiada, feita para se perseguir a Máfia e que é usada na política.

CM - Mas Battisti não é um criminoso comum?
Del Roio - Quem diz que ele é um político não é apenas a esquerda. O ex-chefe da repressão na Itália, o ex-Ministro do Interior, ex-Primeiro Ministro e ex-Presidente da República (1985-1992), o democrata cristão Francesco Cossiga o classifica como um "adversário político".

CM - Como o sr. vê o comportamento do governo brasileiro, de se negar a extraditá-lo?

Del Roio - O Brasil encontrou um ótimo escritor, que viveu 15 anos na França, acusado na Itália. O que o governo daqui deveria fazer? Entregá-lo para passar o resto de seus dias na cadeia? A tradição do Estado brasileiro é a de dar asilo. Trata-se de um homem inofensivo diante de um Estado agressivo, como o italiano. Não vejo alternativa. O governo brasileiro cumpre um ato absolutamente soberano, pautado pelo Direito Internacional. Já concedemos asilo a figuras inomináveis, como Alfredo Stroesssner, ditador paraguaio, Marcelo Caetano, líder salazarista em Portugal e outros. Eram condenados políticos em seus países. Eram criminosos. Não nos iludamos. Repito: a Itália está preocupada em reescrever sua história. É bom que os defensores da extradição saibam que estão apoiando uma atitude oriunda do fascismo. O governo Berlusconi tem de ser isolado internacionalmente.

CM - Mas ele conseguiu o apoio do Parlamento Europeu para pedir a extradição...

Del Roio - Aquilo foi a expressão do fracasso. O Parlamento tem 785 membros. A votação foi de 46 votos a favor e 8 contra a extradição. Dos 78 italianos, apenas 6 estavam presentes, em um final de sessão. Ridículo. Não tem representatividade ou efeito prático algum.

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