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terça-feira, 8 de novembro de 2016

Brasil/“O ESTADO BRASILEIRO PARECE DESINTEGRAR-SE”, diz o historiador Luiz Alberto Moniz Bandeira

4 novembro 2016, Odiário.info http://www.odiario.info (Portugal)


A biografia do prestigiado académico brasileiro Luiz Alberto Moniz Bandeira é a de um homem que acompanhou, viveu e – enquanto historiador – investigou as lutas pelo progresso dos povos da América Latina e a evolução da situação mundial no decurso do séc. XX. Vivendo há 20 anos fora do Brasil, a distância não prejudica, e talvez amplie, uma visão admiravelmente lúcida e informada da situação no seu país e no mundo.

Em seu livro A desordem mundial, o senhor aborda diversos pontos de tensão ao redor do mundo. O mundo retrocedeu na busca pela paz entre as nações? Como o Brasil do golpe parlamentar / impeachment se encaixa neste complicado tabuleiro de xadrez?

Desde o governo do presidente Lula da Silva, o Brasil, conquanto mantivesse boas relações com os Estados Unidos, inflectiu em sua política exterior no sentido de maior entendimento com a China e a Rússia e empenhou-se na conquista dos mercados da América do Sul e África, a favorecer as empresas nacionais, como todos os governos o fazem. Ao mesmo tempo, reativou a indústria bélica, com a construção do submarino atômico e outros convencionais, em conexão com a França, a compra dos helicópteros da Rússia e dos jatos da Suécia, países que aceitaram transferir a tecnologia, como determinou a Estratégia Nacional de Defesa, aprovada pelo Decreto Nº 6.703, de 18 De dezembro de 2008. E essa transferência de tecnologia, que os Estados Unidos não aceitam realizar, é necessária, indispensável, ao desenvolvimento econômico e à defesa do Brasil, pois “la souveraineté est la grande muraille de la patrie”, conforme o grande jurista Rui Barbosa proclamou, ao defender, na Conferência de Haia (2007), a igualdade dos Estados soberanos. Outrossim, ele advertiu, citando Eduardo Prado, autor da obra “A ilusão Americana”, que não se toma a sério a lei das nações, senão entre as potências cujas forças se equilibram. Esta lição devia pautar a estratégia de segurança e