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terça-feira, 6 de outubro de 2015

40 ANOS DA OPERAÇÃO CONDOR: DEBATE FORTALECE COOPERAÇÃO EM DIREITOS HUMANOS

6 outubro 2015, ODiario.infohttp://www.odiario.info (Portugal)


Há 40 anos acontecia a chamada Operação Condor. Foi esta uma aliança político-militar entre os países do Cone Sul, região composta pelas zonas austrais da América do Sul (Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Paraguai e Uruguai), com o objectivo maior de reprimir os opositores aos regimes militares instalados desde os anos 1960. Acção liderada por militares da América Latina, com a ajuda da CIA, orquestrou perseguições, sequestros, atentados e assassínios.

Cerca de 150 representantes de entidades e organizações de direitos humanos e vítimas das ditaduras latino-americanas, instaladas nos anos de 1960-1980 se reuniram em Brasília, para debater os avanços e retrocessos após 40 anos da Operação Condor. O encontro gerou um debate sobre políticas públicas em torno da defesa da verdade, da memória e da justiça na região.

Cerca de 45 organizações de movimentos sociais em torno da luta pela verdade, memória, justiça e reparação nos países que fazem parte do Mercosul participaram do debate.

Isto porque há 40 anos acontecia a chamada Operação Condor. Esta foi uma aliança político-militar entre os países do Cone Sul, região composta pelas zonas austrais da América do Sul (Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Paraguai e Uruguai), com o objetivo maior de reprimir os opositores aos regimes militares instalados desde

terça-feira, 11 de junho de 2013

O CHILE DE PINOCHET A BACHELET



6 junho 2013, Blog do Emir, Carta Maior http://www.cartamaior.com.br (Brasil)

Emir Sader


Santiago do Chile – O Chile foi para nós, na América Latina, o que a França foi para a Europa, país que Engels chamou de “laboratório de experiências políticas”. O Chile foi, guardadas as devidas distâncias, um país de experiências avanças na América Latina.

País mineiro, teve classe operária mais cedo que outros, no lugar do campesinato, produtos de economias agrícolas. O Chile teve, assim, movimento operário – mesmo que sob formas elementares, sob hegemonia anarquista – ainda no final do século XIX.

Como produto da capacidade de organização e de luta dos mineiros chilenos, o país protagonizou um primeiro grande massacre, em 1907, em Santa Maria de Iquique – imortalizada na Canta de Santa Maria de Iquique, gravação dos Inti-Ilimani.

sábado, 10 de novembro de 2012

UMA ESCOLA DE TRISTE MEMÓRIA

6 novembro 2012/Direto da Redação http://www.diretodaredacao.com (Brasil)

Mário Augusto Jakobskind*

Quando se fala em torturas e assassinatos ocorridos nos anos de chumbo no Brasil e em outros países do Cone Sul não se pode esquecer do local onde centenas de militares brasileiros foram treinados por oficiais estadunidenses. A referência é a Escola das Américas, que funcionava no Panamá e hoje funciona nos Estados Unidos. Em 2001, a escola, agora no Forte Benning, na Geórgia, mudou de nome e país, passando a se chamar Instituto de Cooperação e Segurança do Hemisfério Ocidental.

Para se ter uma ideia, pela Escola das Américas passaram, entre outros, o general chileno Manoel Contreras, que chefiou a polícia política da ditadura de Augusto Pinochet e cumpriu até pena por assassinatos e torturas a presos políticos.
Na escola também conhecida como de assassinos, instrutores estadunidenses adestrados para esse fim seguem ensinando a oficiais latino-americanos a melhor forma de torturar. Só depois de 1996 o Brasil deixou de mandar militares treinarem na escola de assassinos.

Nos Estados Unidos, grupos progressistas que não aceitam como norma o ensino da tortura a opositores realizam protestos na entrada de Fort Benning (foto). Este ano está marcado para os próximos dias 16 e 18 de novembro novos protestos que deverão contar com a participação de milhares de ativistas e religiosos, como tem acontecido em outros anos.
Em alguns países, entre os quais a Argentina, onde crimes contra a humanidade foram cometidos, os responsáveis foram ou estão sendo julgados. Seria tema de pauta saber quantos dos condenados passaram pela Escola das Américas.

Não se pode esquecer também que pelo menos desde 1996 foram tornados públicos manuais utilizados na escola de assassinos que recomendavam a aplicação de torturas, chantagens, extorsão e pagamento de recompensas por inimigos dos regimes. O tempo passou e poucos anos depois se tornaram conhecidas as torturas praticadas por militares estadunidenses no Iraque. Foram aplicados os mesmos métodos que os da escola de assassinos que adestrou oficiais militares latino-americanos.
Mesmo o Brasil, deixando para trás o regime de exceção implantado no país depois de abril de 1964, na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), os cadetes continuaram a aprender nos currículos de formação as mesmas matérias do período da Guerra Fria, que moldaram a mentalidade dos militares. Em 1964, por sinal, o comandante da AMAN era nada mais nada menos que o então Coronel Garrastazu Médici, imposto posteriormente à condição de Presidente da República e responsável por um dos períodos mais duros em matéria de violência institucional.

E por incrível que pareça, os currículos praticamente não mudaram, tanto assim que Médici já foi indicado como patrono de formandos da AMAN. Hoje, quando o Brasil avança, (lentamente, mas avança) na área de direitos humanos, está na hora de mudar os currículos e aprimorar na formação dos cadetes a questão dos direitos humanos.
É recomendação inclusive da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA), aceito pelo Estado brasileiro, ampliar o ensino dos direitos humanos no currículo de formação militar, conforme previsão da Estratégia Nacional de Defesa.

Nesse sentido, o Estado brasileiro se compromete a realizar estudo sobre a possibilidade de firmar convênio de cooperação com o Instituto Interamericano de Direitos Humanos, cujo objetivo é assegurar, através do curso de capacitação, que a formação dos praças e oficiais das Forças Armadas do Brasil atenda aos padrões internacionais de proteção de direitos humanos.
Todas essas questões se devem ao acordo, mediado pela OEA, entre o Estado e a família do cadete Marcio Lapoente da Silveira, morto na AMAN em 1992 quando participava de exercícios. Lapoente sofreu violências por parte de um instrutor e morreu. A família apelou para a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, que fez as recomendações para o Estado brasileiro.

Pelo acordo foi fixada uma placa na AMAN em homenagem ao Cadete Marcio Lapoente da Silveira e outros 22 cadetes mortos em circunstâncias semelhantes na AMAN.
Militares da reserva, os tais óleos queimados da história que a todo ano reverenciam no Clube Militar o golpe civil militar de abril de 64, chegaram a lançar até nota condenando a aceitação do acordo. As ameaças feitas contra o ato de grandeza do Estado brasileiro só foram lidas por eles mesmos.

A propósito do golpe de 64, já que neste momento se fala tanto em quadrilhas, ou punir quadrilhas, como a do mensalão, não seria o caso de se condenar de fato os remanescentes da quadrilha que tomou o poder a força há quase 50 anos e conduziu o país a uma longa noite escura? Quando se fala nisso, os defensores da impunidade lembram que os ministros do STF confirmaram a vigência da lei da Anistia. No Chile, apesar da vigência da lei da anistia da época de Pinochet, responsáveis por crimes contra a humanidade continuam sendo julgados.
Em tempo: derrotar Mitt Romney será um alívio para toda a humanidade. Não é à toa que o presidente Hugo Chávez declarou que se fosse norte-americano votaria em Barack Obama.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Brasil e Uruguai/Dilma e Mujica acertam cooperação em infraestrutura e tecnologia

31 maio 2011/Vermelho http://www.vermelho.org.br

A intensificação da cooperação entre o Brasil e o Uruguai nas áreas de infraestrrutura e tecnologia foi a tônica da visita da presidente Dilma Rousseff ao Uruguai. Ao lado do presidente José Mujica, Dilma afirmou nesta segunda-feira (30) que, até o final do ano, serão concluídos dois trechos da ferrovia que liga os dois países.

"Ainda em 2011, deveremos reativar a conexão ferroviária que liga o Brasil ao Uruguai", disse a presidenta, em declaração conjunta com o presidente uruguaio. Os trechos a serem reativados ligam as cidades gaúchas Cacequi e Santana do Livramento que fica na fronteira com o Uruguai. "Esses trechos da ferrovia estarão prontos até o final do ano de 2011", garantiu Dilma.

O Brasil é o principal destino das exportações uruguaias e também o principal fornecedor do país vizinho. Na declaração, Dilma enfatizou a necessidade de ampliar as trocas comerciais e ressaltou que o Mercosul foi fundamental para que o Cone Sul tivesse um crescimento acima das taxas mundiais nos últimos anos.

"Estamos comemorando 20 anos de existência do Mercosul. Consideramos que somos uma das regiões que mais cresceram no mundo e o papel do Mercosul nesse quadro ganha destaque", disse Dilma. Em 2010, o intercâmbio bilateral ultrapassou US$ 3 bilhões — o que representou um aumento de 19,4% em relação ao ano anterior. O comércio foi equilibrado, com aproximadamente US$ 1,5 bilhão tanto de exportações quanto de importações provenientes do Uruguai.

Dilma ainda ressaltou a necessidade de afirmação da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) e de uma cultura de estabilidade democrática nos países da América do Sul. "Conseguimos uma grande integração no marco da Unasul, uma integração regional, pró-paz e que garante estabilidade e segurança para a América do Sul”, afirmou a presidente.

“Coincidimos na visão de um mundo multipolar, inclusivo, na qual a responsabilidade dos Estados, grandes ou pequenos, seja determinada pela contribuição à paz, ao diálogo e não na sua capacidade de afirmação pela força ou pela ameaça do uso da força", agregou.

Além da construção da ferrovia, Dilma também disse que o governo apoiará outros projetos de integração com o Uruguai. "Seguiremos adiante com os grandes projetos de integração física, basicamente integração logística e energética fundamentais para o desenvolvimento da região.”

Entre os projetos está a construção de uma segunda ponte sobre o Rio Jaguarão, trabalhos de dragagem, sinalização e balizamento para a implantação de 1,2 mil quilômetros de hidrovia ligando os dois países. A hidrovia, de acordo com a presidenta, ligará a Lagoa Mirim à Lagoa dos Patos.

Para a integração no setor de energia elétrica, Dilma defendeu a criação de um novo marco jurídico para reger a relação entre os dois países. "Vamos criar também um marco jurídico adequado para o aumento do intercâmbio de energia elétrica. Esse marco tem uma característica de tentar uma relação estruturante, a longo prazo, entre o Brasil e o Uruguai no quadro de energia elétrica e ao mesmo tempo vamos resolver nosso problema de curto prazo, assegurando ao Uruguai a segurança de que o Brasil pode fornecer na área energética.”

Um dos projetos anunciados por Dilma é a construção de uma linha de transmissão de 500 quilovolts (kV) que vai interligar o Brasil com o Uruguai. Essa linha — que, segundo Dilma, ficará pronta no próximo ano — interligará Candiota, no Rio Grande do Sul, a San Carlos, cidade próxima a Montevidéu. O projeto será desenvolvido pela Eletrobras em conjunto com a UTE, uma empresa uruguaia.

A cooperação na área de tecnologia, de acordo com a presidente, foi outra prioridade da visita. "O presidente Mujica e eu decidimos também expandir os horizontes temáticos de nossa agenda bilateral, criamos um mecanismo novo para coordenar os esforços de cooperação no campo da ciência e da tecnologia. Vamos apoiar projetos de desenvolvimento conjunto nos campos da biotecnologia, da nanotecnologia, de tecnologia da informação.” (Da Redação, com informações da Agência Brasil)

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quarta-feira, 12 de maio de 2010

Brasil/PRIVATIZADA HÁ 13 ANOS, VALE VIOLA DIREITOS EM 30 PAÍSES

11 maio 2010/Vermelho http://www.vermelho.org.br

Fundada em 1942 e privatizada em maio de 1997, a mineradora Vale transformou-se em símbolo da política neoliberal implementada pelo governo Fernando Henrique Cardoso. A estatal foi adquirida pela iniciativa privada pelo valor de US$ 3,4 bilhões. Atualmente, o valor de mercado passa de US$ 140 bilhões. Em 2009, a Vale teve um lucro líquido de mais de US$ 5 bilhões. Em contrapartida, sua ação exploratória em aproximadamente 30 países em que atua está provocando conflitos sociais e ambientais.

A semelhança das ocorrências nos diversos países onde a Vale atua fez com que 80 organizações, presentes nos cinco continentes, organizassem o Movimento Internacional dos Atingidos pela Vale.

Com a mobilização, foi criado um dossiê, que demonstra a ação devastadora da empresa. O documento foi entregue à Organização das Nações Unidas (ONU) e à Organização dos Estados Americanos (OEA) no final de março deste ano.

Em entrevista à Radioagência NP, a economista Karina Kato, integrante do Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul, defende a anulação do leilão da Vale e fala sobre a tensão social nos territórios atingidos pela multinacional brasileira.

Radioagência NP: Karina, o que consta neste “Dossiê dos Impactos e Violações da Vale no Mundo” que foi enviado para os organismos internacionais?
Karina Kato: No Peru, teve um caso de um funcionário de uma subsidiária da Vale que foi condenado por tentativa de homicídio. A Vale está entrando lá para a constituição de milícias armadas. São denúncias parecidas com aquelas que ouvimos aqui, na Baía de Cepetiba, onde está sendo construída a Companhia Siderúrgica do Atlântico. Enfim, são várias violações de direitos humanos, casos de destruição do meio ambiente. Por isso, esse dossiê foi apresentado como um documento que prova essas violações cometidas pela vale e entregue a diversas instâncias.

RNP: No documento, a Vale é acusada de violação dos direitos humanos, exploração de trabalhadores, destruição do meio ambiente, entre outros. Como ela consegue preservar a imagem de companhia sustentável?
KK: A Vale acaba construindo uma imagem de si que não corresponde à realidade. Nos territórios onde atua, ela possui uma imagem totalmente diferente daquela que ela vende. No entanto, ela consegue manter no imaginário social do brasileiro comum a imagem de uma empresa verde-amarela, que pertence a todos os brasileiros, o que já não é mais verdade há muito tempo, desde a privatização.


RNP: Sustentabilidade é um dos assuntos mais debatidos no momento. Como ele foi abordado na assembléia da qual participaram o movimento e os acionistas?

KK: A Vale fez uma apresentação de como foi sua atuação em 2009. As palavras sustentabilidade, meio ambiente e comunidade não apareceram na apresentação. Era uma apresentação voltada para o mercado, vendas e exportação de commodities. Foi curioso porque os próprios acionistas cobraram isso da empresa. Questionaram as ações que estão sendo feitas acusações de violação nos territórios.

RNP: Que impactos a ação da Vale provoca nas comunidades onde ela atua?
KK: Na Tailândia tem cerca de 1.5 mil famílias de acampamentos e assentamentos que convivem com 79 fornos que produzem carvão. A produção funciona 24 horas para alimentar as indústrias da Vale. A conseqüência são problemas respiratórios, crianças que não conseguem ir ao colégio por conta da alergia e outros problemas. A mesma coisa acontece com famílias que moram perto de siderúrgicas. A violência que vitima os camponeses que se opõem às ações da empresa. A Vale é arrogante, tem uma forma muito agressiva de exploração dos recursos naturais e dos recursos humanos em todas as áreas.

RNP: A questão trabalhista também está sendo desrespeitada?
KK: Um grande exemplo dessa arrogância está na greve de nove meses, onde 3.5 mil mineiros estão parados. Um detalhe é que no Canadá os trabalhadores não recebem pelos dias parados. O sindicato contribui com 20% do salário que eles recebem. Vem de um fundo para a greve. Para se ter uma idéia, eles estão passando necessidades, alguns estão passando fome. Segundo cálculos do sindicato, se os trabalhadores aceitassem todas as exigências da Vale, a redução do custo da empresa por libra de níquel seria de cinco centavos. Seria um impacto muito grande para os trabalhadores. Em contrapartida, um impacto muito pequeno para a empresa.

RNP: O Movimento defende a anulação do leilão de privatização da Vale?
KK: Consideramos que o leilão foi ilegal, as reservas foram subvalorizadas, foram vendidas a um preço extremamente baixo. Era um patrimônio brasileiro, que passou para as mãos da iniciativa privada sem ao menos se fazer uma consulta à população. A Vale tinha um fundo que destinava 3% de sua lucratividade, que eram revertidos para as comunidades onde ela mantinha a exploração. Esse fundo foi retirado, se tornou um valor fixo, que é controlado e operacionalizado pelo BNDES.”

RNP: Como os movimentos sociais devem se organizar diante do poderio das grandes corporações?
KK: Precisamos denunciar e dar voz a esses grupos que estão sendo impactados. É preciso articular as diferentes lutas em torno de uma luta só. Afinal, estamos lutando pelo mesmo motivo. Por condições de vida digna, por um meio ambiente saudável, por distribuição de riqueza, pela não-exploração do trabalho. Parecem lutas distintas, mas é uma luta só.

De São Paulo, da Radioagência NP, Jorge Américo.