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novembro 2013, Correio do Brasil http://correiodobrasil.com.br (Brasil)
Por Redação, do Rio de Janeiro e Brasília
Em “Nota pública”, o ex-diretor do
Banco do Brasil Henrique
Pizzolato, condenado na Ação Penal 470 a mais
de 12 anos de prisão, explica o porquê de se mudar para a Itália, como adiantou
o
Correio do Brasil,
com exclusividade na noite passada. O
documento ao qual o
CdB teve acesso chega à Polícia Federal
(PF) do Rio de Janeiro neste sábado. Pizzolato, em carta aberta, reafirma sua
decisão de, “consciente e voluntariamente fazer valer” seu legítimo direito de
liberdade “para ter um novo julgamento”.
Advogados ouvidos pela reportagem
do CdB, na véspera, concordam com Pizzolato quanto ao
exercício do direito de buscar uma nova chance de provar sua inocência, em um
país no qual sua outra cidadania o permitirá mostrar que, no Brasil, o
julgamento conhecido como ‘mensalão’ teve “motivação política”. Pizzolato
também afirma, na nota, que não se submeterá “às imposições da mídia empresarial,
como está consagrado no tratado de extradição Brasil e Itália”.
– O Artigo V do Tratado de
Extradição entre a República Federativa do Brasil e a República Italiana, que
trata dos Direitos Fundamentais, afirma que tampouco haverá o retorno forçado
do cidadão ao país de origem se, “pelo fato pelo qual for solicitada, a pessoa
reclamada tiver sido ou vier a ser submetida a um procedimento que não assegure
os direitos mínimos de defesa”, como é o caso de Pizzolato que, como cidadão
comum, foi julgado por um tribunal de última instância, sem direito à apelação
– afirmou um jurista ouvido, na véspera e que, por razões pessoais, prefere
manter o anonimato.
As condições miseráveis dos
presídios brasileiros também servirão de argumento para que Pizzolato seja mantido
na Itália, pois, ainda segundo aquele advogado, “qualquer corte italiana
concordaria que ‘se houver fundado motivo para supor que a pessoa reclamada
será submetida a pena ou tratamento que de qualquer forma configure uma
violação dos seus direitos fundamentais’, o réu deverá ser protegido”.
Pizzolato, desde o início do julgamento do ‘mensalão’, denunciou o relator,
ministro Joaquim Barbosa, por esconder o fato de que o dinheiro do Visanet
(empresa conjunta entre o Banco do Brasil e a empresa multinacional de cartões
de crédito Visa, entre outros sócios) foi aplicado de forma correta e não se
trata de recursos públicos.
Leia, agora, na íntegra, a
declaração de Pizzolato: