quarta-feira, 20 de agosto de 2014

BRICS, БРИКС/UNIÃO EUROPEIA TEME RECESSÃO POR CAUSA DA GUERRA DE SANÇÕES CONTRA RÚSSIA

20 agosto 2014, Правда.Ру, Pravda.ru http://www.pravda.ru (Россия, Rússia)

Analistas do Deutsche Bank estão soando o alarme. Pela primeira vez desde 2012 a economia alemã diminuiu no segundo trimestre em 0,2%. Isso obriga a reconsiderar os planos para o segundo semestre.

Até agora, supunha-se que o crescimento econômico em 2014 poderia chegar aos 1,9% do PIB.

Ainda recentemente, em 2013, muitos na Europa pensavam que foi a Alemanha que conseguiu fazer a economia europeia sair da recessão. Segundo dados do primeiro trimestre deste ano, o crescimento da economia alemã foi de 0,7%. No entanto, o agravamento da situação em torno da Ucrânia e adesão cega da União Europeia ao curso antirrusso de Washington oficial frustraram todas as previsões otimistas anteriores.

Segundo nota o jornal norte-americano The Wall Street Journal, a recuperação da zona do euro foi muito frágil para resistir a choques externos e tensão geopolítica. A economia francesa está estagnando, a Itália está novamente
em recessão. Como relata a publicação RBC Daily, o índice alemão de sentimento empresarial IFO em julho caiu pelo terceiro mês consecutivo, baixando para 8,6 pontos -- quase metade em comparação a abril de 2014.

E são justamente os empresários que reagem de forma extremamente sensível a especulações políticas que ameaçam a perda de um mercado russo muito grande e em rápido crescimento, disse à Voz da Rússia o vice-presidente do Centro russo de Comunicações Estratégicas Dmitri Abzalov:

"Os maiores jogadores da Alemanha, Holanda, Itália, França e outros países da União Europeia não querem deixar o mercado russo. Ninguém quer reduzir as suas atividades por causa de articulações políticas. Há que ter em consideração também que a maior parte da população na maioria dos Estados-membros da União Europeia não apoia um confronto com a Rússia".

No entanto, Bruxelas não pode admitir abertamente seus erros e rapidamente afastar o navio geopolítico do curso perigoso: são fortes a inércia do pensamento, os complexos e a notória solidariedade euroatlântica.

Na sequência, os dirigentes da União Europeia, aparentemente, decidiu passar a um cauteloso "sondamento do solo". O papel de escoteiro foi atribuído ao presidente da Finlândia, Sauli Niinisto, que chegou em 15 de agosto a Sochi para conversações com o seu homólogo russo Vladimir Putin. E essas negociações podem ser vistas como uma tentativa cautelosa da União Europeia de aliviar as tensões nas relações com a Rússia.

"Nós contatamos com nossos parceiros ocidentais, e eles reagiram com compreensão à reunião. Espero que possamos iniciar um debate aberto e honesto", descreveu o propósito de sua visita à Rússia o próprio presidente da Finlândia.

Além disso, a interação com Moscou é para própria Helsinque, sem exagero, uma questão da sobrevivência econômica e financeira. Na estrutura da cooperação econômica da União Europeia com o nosso país, a Finlândia tem um lugar especial. A Rússia consume 10% do comércio exterior finlandês. A Rússia ocupa o primeiro lugar nas importações finlandesas e o segundo nas exportações de mercadorias. Além disso, segundo dados da Federação Nacional da indústria de alimentos, cerca de 25% de todas as exportações finlandesas de mercadorias vem para a Rússia. Segundo os cálculos da agência, as sanções russas poderiam custar à Finlândia cerca de 400 milhões de euros.

"A Rússia permanece o primeiro parceiro econômico da Finlândia em volume de relações comerciais e econômicas", enfatizou esse ponto na reunião com o seu homólogo finlandês, o presidente russo Vladimir Putin.

A situação é determinada pela estrutura historicamente formada das relações mútuas. Elas são organizadas de tal forma que a economia finlandesa está mais estreitamente ligada à Rússia do que até mesmo seus vizinhos escandinavos. Não é de estranhar que, segundo cálculos da Câmara de Comércio da Finlândia, das sanções russas contra a importação de produtos alimentícios sofrerá quase cada segunda empresa finlandesa, ou precisamente 47%.

No entanto, uma ameaça ainda mais séria para a economia finlandesa pode se tornar a expansão da "guerra de sanções" para o setor da energia. A parte de combustíveis e energia na estrutura das exportações russas para a Finlândia é superior a 80%. Atualmente, cerca de 70% da energia consumida pela Finlândia vem de suprimentos russos. Quase todo o volume de carvão, petróleo cru e gás natural o país importa da Rússia.

Além disso, não se deve esquecer que a crise em toda a zona do euro não desapareceu e a União Europeia necessita vitalmente daquilo que se costuma chamar de "motores de crescimento", recordou à Voz da Rússia o analista político Vladislav Belov:

"A crise na União Europeia é determinada em muito pelo fato de que os europeus não têm "motores de crescimento" que poderiam ser usados para superar a situação de crise e garantir o crescimento econômico. Deste ponto de vista, poderíamos aconselhar os principais países da União Europeia a prestar atenção à Rússia que poderia se tornar para a União Europeia uma "varinha mágica".

Assim que não é surpreendente que foi justamente o primeiro-ministro da Finlândia Alexander Stubb que se tornou o primeiro entre os líderes dos países-membros da União Europeia a prever abertamente uma "crise econômica versão 2.0" por causa da degradação das relações entre a União Europeia e a Rússia. E, ao que parece, ele não exagerou nada a gravidade da situação. Nos últimos dois anos a economia finlandesa já estava diminuindo constantemente. Segundo especialistas locais, isso era devido a fenômenos de crise nas indústrias eletrônica e de papel nacionais.

O Ministério das Finanças da Finlândia fez um prognóstico muito cauteloso para o ano em curso - um aumento de 0,2% do PIB. No entanto, se a crise se espalhar para os setores agrícola e de energia e combustíveis, a economia nacional não só não crescerá, mas simplesmente se desmoronará. E na União Europeia isso se aplica não só à Finlândia...

Os fatos citados e as opiniões expressas são de responsabilidade do autor

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Timothy Bancroft-Hinchey


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